Como cultivar orquídeas em vasos


Orquídea Sophrolaeliocattleya Golden Acclaim 'Richella'
Sophrolaeliocattleya Golden Acclaim 'Richella'

Este título pode parecer redundante, em um primeiro momento, pois estamos acostumados a cultivar plantas em vasos. Mas a verdade é que a grande maioria das orquídeas é epífita, o que significa que elas vivem sobre outras plantas, no caso, árvores. Neste contexto, os orquidófilos tentam encontrar meios de cultivar suas orquídeas da maneira mais próxima à situação em que se encontram na natureza.

É quase infinita a quantidade de materiais usados para dar suporte às raízes das orquídeas. Temos pedaços de madeira, cascas de árvores, placas de fibra de coco, além do tradicional xaxim, cuja extração e comercialização encontram-se atualmente proibidas. Isto para ficar nos meios mais convencionais. Alternativamente, há quem cultive orquídeas em pedaços de ossos, sabugo de milho, cabo de vassoura, tábua de carne. O céu é o limite. Há também o caso das orquídeas que não necessitam de substrato algum, como as Vandas.

Sendo assim, por que cultivamos orquídeas em vasos? Respondendo de maneira bem direta, para facilitar nossas vidas. O cultivo fora do vaso requer uma umidade ideal no ambiente, acima de 60%, e regas diárias. Com o tempo muito quente e seco, podem ser necessárias borrifadas de água várias vezes ao dia. A função do vaso e do substrato, material que preenche o vaso, é de reter a umidade em torno das raízes por mais tempo. Desta forma, precisamos regar com menos frequência. Esta vantagem pode se tornar prejudicial caso a umidade seja excessiva. Neste caso, o remédio torna-se veneno e as raízes apodrecem.


Infelizmente, não há uma regra fixa quanto ao tipo de vaso e substrato a serem utilizados. Cada orquídea terá suas necessidades específicas, assim como cada ambiente de cultivo irá requerer materiais diferentes. O importante é saber o que retém mais ou menos umidade, e ir ajustando as combinações de acordo com nossas orquídeas.

Para exemplificar o processo, vamos partir de um extremo. A combinação vaso de plástico e musgo sphagnum puro é uma das que mais retém umidade. É ideal para varandas de apartamento em andares altos, minha condição de cultivo, onde há muito sol e vento. Se, uma semana após a rega, o substrato ainda estiver úmido, é sinal de que a combinação não está apropriada. Neste caso, podemos adicionar um material ao sphagnum, para torná-lo mais aerado. Podem ser misturados pedaços de isopor ou casca de pinus. Desta forma, o substrato secará mais rápido.

Caso o ambiente de cultivo seja mais úmido, podemos cultivar em uma mistura de casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. Este é um substrato clássico para o cultivo de orquídeas, bastante utilizado. Caso observemos que ele demora para secar, podemos substituir o vaso de plástico por vaso de barro. Sua porosidade confere maior aeração ao substrato, permitindo que seque mais rápido. Há ainda os vasos de barro com furos nas laterais, que otimizam esta ventilação nas raízes.

No extremo oposto, em situações em que a umidade ambiente é alta e as regas frequentes, podem ser usados materiais como a brita pura. Alguns orquidófilos utilizam este substrato com bastante sucesso. Entre as vantagens, está o fato de que ele não irá se decompor, demandando menos replantes.


Em todas estas combinações, é sempre importante colocar uma camada de dreno no fundo do vaso. Este material, que pode ser isopor, brita ou argila expandida, tem a função de impedir que a água se acumule e prejudique o desenvolvimento das raízes das orquídeas. Por esta mesma razão, não é aconselhável manter aquele pratinho acumulando água debaixo do vaso. Por outro lado, se este pratinho contiver areia ou cascalho, com uma lâmina de água ao fundo, ajudará a elevar a umidade em ambientes muito secos. Eu uso uma bandeja com argila expandida e um filme de água no fundo, sobre a qual disponho todos os vasos.

Dosando e combinando estes materiais, observando as respostas das orquídeas, é possível chegar a um esquema ideal para cada situação. A beleza do fato de nos tornarmos orquidófilos é que estamos em constante aprendizagem, de modo que cada cultivador se torna um pouco pesquisador destas plantas especiais. Para ilustrar este artigo, trouxe a sempre dourada Sophrolaeliocattleya Golden Acclaim 'Richella'.