Guia completo para cuidar de plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Orquídeas - O Guia Definitivo


Orquídeas no Apê
Orquídeas no Apê

Não é tão comum encontrarmos pessoas que se dedicam exclusivamente ao cultivo de uma família botânica. Por algum motivo, as orquidáceas vêm fascinando a humanidade, desde os seus primórdios. Poucas plantas têm tantas associações e exposições totalmente direcionadas à sua divulgação e disseminação do conhecimento acerca de seu cultivo, como acontece com as orquídeas. Ao longo de todo o ano, podemos encontrar, nas mais remotas localidades, eventos que têm a orquídea como estrela principal. Trata-se de um fenômeno que atravessa os séculos.



As Orquídeas na História


O primeiro registro histórico de uma orquídea foi feito por Teofrasto, filósofo grego que foi discípulo de Aristóteles. Ele é, até hoje, considerado o pai da botânica. Há cerca de três séculos antes de Cristo, Teofrasto descreveu em sua obra, Historia Plantarum, a primeira orquídea de que se tem notícia. Tratava-se de uma espécie terrestre, do gênero Orchis. Esta é uma palavra latina derivada do grego órkhis, que significa testículos. O nome inusitado foi dado porque a planta possuía dois tubérculos arredondados, subterrâneos, que se assemelhavam ao órgão da anatomia masculina.

Por esta razão, desde a antiguidade, as orquídeas já eram associadas a propriedades afrodisíacas. Além disso, seus extratos eram utilizados em poções que prometiam aumentar a fertilidade e virilidade de quem as ingerisse.

Durante a Era Vitoriana, as orquídeas simbolizavam poder e riqueza, uma vez que eram necessárias longas viagem de navio, a continentes remotos, para que estas plantas pudessem ser introduzidas em solo europeu, acondicionadas em estufas climatizadas, uma vez que a maioria era proveniente de regiões de clima tropical. Ter uma coleção de orquídeas, naquela época, era uma prova de status social, reservada à nobreza europeia.

Já no Japão Feudal, apenas os samurais mais destemidos possuíam uma orquídea rara, Neofinetia falcata, conhecida como orquídea do samurai. Devido às regiões montanhosas e de difícil acesso nas quais esta orquídea vivia, eram necessárias longas e arriscadas viagens para a coleta de alguns exemplares. O feito era tamanho que os samurais possuidores desta orquídea especial a exibiam em pequenas gaiolas douradas. Nesta época, a orquídea representava bravura e coragem.


Talvez devido a esta sucessão de curiosidades históricas, a orquídea possua uma interessante ligação com o universo masculino. Não por acaso, durante muitos anos, os homens foram maioria nas associações destinadas à troca de informações sobre o cultivo de orquídeas. Apenas recentemente estamos tendo o despontar de figuras femininas de peso neste cenário, como podemos observar na nossa seleção de especialistas entrevistados aqui no blog.

A primeira orquídea oficialmente descrita e classificada foi a brasileira Cattleya labiata. Quando foi coletada, em um primeiro momento, aqui no Brasil, os pesquisadores ingleses sequer sabiam como seriam suas flores. Esta orquídea foi levada para a Europa em navios repletos de caixotes de madeira contendo as mais variadas plantas nativas. A presença das orquídeas era tão abundante que seus pseudobulbos eram utilizados como forração para abrigar outras plantas. Foi somente anos mais tarde, em uma estufa de cultivo na Inglaterra, que se descobriu a beleza da flor desta Cattleya, bem como seu perfume único.

Orquídea Cattleya labiata
Cattleya labiata

O gênero Cattleya foi descrito por John Lindley, em 1821, tendo sido assim nomeado em homenagem ao orquidófilo inglês William Cattley, responsável por obter a primeira floração de uma Cattleya labiata em solo inglês.

Embora a coleta de espécies nativas de orquídeas, pertencentes a diversas regiões do mundo, tenha sido fundamental para o estudo e classificação desta família botânica, hoje, esta atividade é apenas reservada para estudos científicos. A retirada de orquídeas da natureza é ilegal, muito embora seja comum encontrarmos exemplares nativos sendo vendidos em toda parte, ainda hoje. É graças a este extrativismo que muitas orquídeas encontram-se sob risco de extinção ou foram completamente extintas, em seus habitats de origem.


Morfologia das Orquídeas


Como reconhecer uma orquídea? Com a imensa diversidade encontrada na família Orchidaceae, fica realmente difícil estabelecer critérios que distinguam estas plantas das demais. Tipicamente, a flor de uma orquídea possui três pétalas e três sépalas. As pétalas são mais largas e as sépalas mais delgadas, sendo estas últimas as estruturas que protegem o botão floral, antes de seu desabrochar. Portanto, são mais externas. Se estas estruturas fossem todas iguais, a flor da orquídea apresentaria uma simetria radial, assim como acontece com a margarida, por exemplo. No entanto, uma das pétalas é sempre modificada, apresentando uma aparência diferenciada e mais chamativa. Tecnicamente, esta pétala recebe o nome de labelo. Graças à presença desta estrutura, a flor da orquídea adquire a simetria bilateral, o que significa que pode-se traçar uma linha bem no meio da flor, na vertical, obtendo-se duas metades idênticas. A simetria de uma orquídea é um dos aspectos mais admirados e valorizados pelos colecionadores. Um exemplo clássico da simetria encontrada nas orquídeas é representado pela Cattleya walkeriana.

Orquídea Cattleya walkeriana
Cattleya walkeriana

Outra característica frequentemente encontrada nas orquídeas é o fato de suas flores serem hermafroditas, possuindo órgãos reprodutores masculinos e femininos. Há algumas exceções, como o gênero Catasetum, que produz flores masculinas e femininas, separadamente. No entanto, de modo geral, uma flor de orquídea apresenta a coluna, estrutura originada a partir da fusão das estruturas reprodutivas masculinas e femininas da planta. O pólen não é liberado ao vento, como ocorre na maioria das outras plantas. Nas orquídeas, os grãos de pólen estão agrupados em pequenas esferas, denominadas polinias. Estas estruturas são bastante aderentes e precisam ser tocadas pelos agentes polinizadores, que então as carregam para outras flores, onde realizam a polinização da orquídea.


Uma vez polinizadas, as flores das orquídeas começam a se fechar, rapidamente, ao mesmo tempo em que o pecíolo começa a se intumescer. É lá que está alojado o ovário, que irá produzir as sementes. É importante que a flor da orquídea murche rapidamente, após a polinização, porque já cumpriu seu papel de atrair o polinizador. Sendo assim, ela não corre o risco de que um novo polinizador chegue, trazendo mais polinias.

Flor de orquídea polinizada
Flor de orquídea polinizada

As orquídeas não produzem frutos clássicos. Ao contrário, como resultado da polinização, as flores gradativamente dão lugar à formação de uma cápsula de sementes. Trata-se de uma estrutura que abriga milhões de pequeníssimas partículas, quase microscópicas, sendo cada uma delas uma semente de orquídea. Particularmente, considero as cápsulas de orquídeas belíssimas, ainda mais instigantes do que as próprias flores.

Cápsula de sementes de orquídea
Cápsula de sementes de orquídea

Assim que se tornam maduras, após um período de gestação, que varia de acordo com a espécie de orquídea, as cápsulas se abrem, liberando as partículas de sementes como poeira ao vento. Nem todas irão germinar, sendo esta a razão de a orquídea produzir um número tão grande de sementes. Para que germinem, elas precisam ter a sorte de serem levadas a um local com condições favoráveis para tal, com bastante umidade. Além disso, como não há fruto, as sementes de orquídeas não têm reservas de nutrientes, de modo que precisam se associar a fungos que vivem nas raízes de plantas já adultas, para que possam germinar e se desenvolver. Este processo é denominado germinação simbiótica.


Em relação à parte vegetativa das orquídeas, dentre as mais de 35.000 espécies existentes na família, podemos categorizá-las em dois grandes grupos. No primeiro, são incluídas as orquídeas que apresentam uma forma de crescimento denominado monopodial. Estas orquídeas crescem a partir de um único ponto apical, ficando sempre no mesmo local de origem, emitindo uma folha sobre a outra, indefinidamente. Um exemplo clássico de orquídea que apresenta o crescimento monopodial é a Phalaenopsis.

Orquídea de crescimento monopodial
Orquídea de crescimento monopodial

Outra orquídea que apresenta este padrão de crescimento é a Vanda. A orquídea samurai, Neofinetia falcata, anteriormente citada, também é um exemplo clássico nesta categoria.

Para que possamos entender melhor a diferença, apresentamos o contraponto das orquídeas cujo desenvolvimento é simpodial. Neste caso, a planta apresenta uma frente de crescimento, que vai emitindo novos pseudobulbos, um à frente do outro. Desta forma, a orquídea acaba caminhando pelas árvores, percorrendo longas distâncias. Quando cultivadas em vasos, elas precisam ser constantemente replantadas, já que possuem o hábito de escaparem de seus recipientes. Neste caso, temos, como exemplos clássicos, os representantes dos gêneros Cattleya, Dendrobium e Oncidium, entre outros.

Orquídea de crescimento simpodial
Orquídea de crescimento simpodial

Outra estrutura vegetal que pode ser encontrada nas orquídeas é a espata floral. Trata-se de uma folha modificada que funciona como um invólucro, protegendo o desenvolvimento dos botões florais. Ela surge a partir do ápice dos pseudobulbos, no ponto de inserção das folhas normais. Contudo, nem todas as orquídeas emitem espatas antes da floração. Além disso, há casos em que a orquídea produz uma espata, mas ela não floresce. Isto geralmente ocorre quando a planta ainda não está madura o suficiente para produzir flores.


Há, ainda, a situação em que a espata nasce, seca, e só vem a produzir flores tempos depois. Por este motivo, nunca é recomendável cortar as espatas florais secas, uma vez que elas podem vir a florescer, algum dia.

Botões florais surgindo da espata
Botões florais surgindo da espata

Outra marca registrada das orquídeas são os keikis. Trata-se de uma palavra havaiana que significa bebê. De fato, os keikis são filhotes que as orquídeas adultas produzem, de forma vegetativa, sem o envolvimento de sementes. É bastante comum observarmos o surgimento destas estruturas nas hastes florais de Phalaenopsis, após o final da floração, ou ao longo dos pseudobulbos em forma de cana das orquídeas Dendrobium.

Keiki de orquídea
Keiki de orquídea

Apesar do nome, o keiki de uma orquídea não é um bebê propriamente dito. Isto porque ele é resultado da multiplicação de células somáticas, de modo que seus tecidos já são adultos, possuindo a mesma informação genética da planta mãe. Sendo assim, seu desenvolvimento e crescimento são muito mais rápidos do que os de exemplares nascidos a partir de sementes. Há, inclusive, casos de keikis que florescem precocemente, ainda aderidos às hastes florais da orquídea progenitora.


Habitat das Orquídeas


Existem vários mitos que cercam as orquídeas. Um deles é o de que se tratam de plantas epífitas e tropicais. Como a família Orchidaceae é muito ampla, no entanto, podemos encontrar espécies de orquídeas espalhadas por todo o planeta. As orquídeas podem ser encontradas em todos os continentes, somente não ocorrendo em regiões glaciais, como a Antártida. Existem gêneros que se desenvolvem em regiões de cima temperado, equatorial, tropical ou subtropical. Além disso, podemos ter orquídeas que vivem sobre as árvores, no chão das florestas, sobre o húmus ou sobre as pedras. A diversidade é imensa, como veremos a seguir.

Orquídeas Epífitas


Com certeza, as orquídeas epífitas são as mais conhecidas, além de serem representadas por uma grande quantidade de gêneros botânicos. Suas raízes estão adaptadas à vida sobre outras plantas, de modo que são capazes de absorver a umidade do ambiente. Outro mito recorrente é o de que orquídeas são parasitas, por viverem agarradas aos troncos das árvores. Na verdade, nada é retirado do hospedeiro, que fornece apenas um suporte físico para o apoio da orquídea. Tudo o que ela necessita, água e nutrientes, é fornecido pelo ambiente, através das chuvas, orvalho, umidade relativa do ar, detritos e dejetos de pequenos animais, entre outros. A luminosidade chega até estas plantas na proporção ideal, filtrada pelas copas das árvores.

Orquídea Cattleya bicolor
Cattleya bicolor

São exemplos de orquídeas epífitas as diversas espécies dos gêneros PhalaenopsisCattleya, Dendrobium e Oncidium, entre outros.


Aqui no blog, já apresentamos a Cattleya labiata, Cattleya walkeriana e Cattleya bicolor, em artigos publicados anteriormente.

Orquídea  Dendrobium victoria-reginae
Dendrobium victoria-reginae

O gênero Dendrobium é um dos mais populosos e diversificados, dentro da família Orchidaceae. Aqui pelo apartamento, já passaram espécies interessantes, tais como o Dendrobium purpureum album, Dendrobium victoria-reginae, Dendrobium loddigesii e Dendrobium lindleyi, entre outros. Também fazem parte deste gênero orquídeas híbridas famosas, tais como o Dendrobium Stardust e a orquídea olhos de boneca, apelido popular dado aos híbridos do Dendrobium nobile. Por fim, temos a enigmática orquídea Denphal, que muitos acreditam se tratar de um cruzamento entre Dendrobium e Phalaenopsis. Na verdade, tal miscigenação é impossível, de modo que a Denphal é apenas um híbrido de Dendrobium.

Orquídea Oncidium Twinkle 'Yellow Fantasy'
Oncidium Twinkle 'Yellow Fantasy'

Outra orquídea epífita típica é o Oncidium. Neste gênero, temos as famosas orquídea chocolate e orquídea chuva de ouro. Estes são termos populares que se referem às denominações científicas Oncidium Sharry Baby 'Sweet Fragrance' e Oncidium Aloha 'Iwanaga', entre outros. Também já cultivei aqui no apartamento o Oncidium ornithorhynchum (Oncidium sotoanum), Oncidium pumilum (Lophiaris pumila), Oncidium equitante (Tolumnia), Oncidium Twinkle 'Yellow Fantasy', apenas para citar alguns exemplos.


Proximamente relacionadas ao gênero Oncidium, pertencentes à subtribo Oncidiinae, temos as orquídeas Gomesa crispa, Gomesa recurva, Rodriguezia venusta, Miltonia colombiana, Miltonia moreliana, entre outros.

Orquídea Miltonia moreliana
Miltonia moreliana

Também descendem das orquídeas Oncidium inúmeros híbridos complexos, denominados intergenéricos, por serem resultantes de cruzamentos envolvendo vários gêneros diferentes. É o caso das orquídeas Beallara, Colmanara e Odontocidium, já apresentadas aqui no blog. Estas são aquelas orquídeas enormes, portando longas hastes, repletas de flores grandes e vistosas, que costumamos encontrar em floriculturas.

Orquídea Beallara híbrida
Beallara híbrida

Obviamente a lista de orquídeas epífitas é imensa. Aqui no blog, tenho por regra apresentar apenas exemplos e fotos de orquídeas que efetivamente cultivei aqui no apartamento. As poucas exceções ficam por conta de algumas orquídeas que fotografei em exposições, sendo que, nestes casos, a informação está devidamente destacada nos respectivos artigos.


Orquídeas Terrestres


Nem todos se dão conta, mas existe uma grande diversidade de orquídeas terrestres. Frequentemente, elas passam despercebidas, sendo consideradas simples plantas de jardim, usadas frequentemente no paisagismo. É o caso da clássica orquídea bambu, Arundina graminifolia.

Orquídea Arundina graminifolia
Arundina graminifolia

A orquídea Arundina é bastante utilizada em áreas externas, formando maciços ou cercas vivas, com o grande diferencial de produzir delicadas flores, nas cores branca e lilás, em hastes elegantes nos ápices dos longos caules, que portam folhas com a aparência de grama ou bambu. Apenas os mais atentos irão reconhecer, nas flores da Arundina, uma grande semelhança com as de orquídeas epífitas clássicas, como a Cattleya. O mesmo ocorre com as flores da orquídea terrestre do gênero Sobralia.

Orquídea Epidendrum fulgens
Epidendrum fulgens

Também é uma orquídea terrestre típica a espécie Epidendrum fulgens e seus inúmeros híbridos. Popularmente conhecida como orquídea da praia, por se desenvolver em regiões litorâneas, tolerando inclusive solos arenosos, sol pleno e maresia, esta é uma planta ideal para ser cultivada no jardim, pela sua resistência e beleza de suas florações.


Passando agora a uma orquídea terrestre mais insuspeita, já que ela é frequentemente encontrada em floriculturas, feiras e supermercados. Trata-se do gênero asiático Cymbidium, uma orquídea que floresce tipicamente durante o inverno, quando a maioria das orquídeas tropicais encontra-se em dormência. Muitos, inadvertidamente, plantam a orquídea Cymbidium na árvore, sem saber que suas raízes não estão adaptadas ao modo de vida epífito. 

Orquídea Cymbidium híbrida
Cymbidium híbrido

Outro exemplo de orquídea terrestre digno de nota é a Ludisia discolor. Trata-se de uma espécie perfeita para quem cultiva orquídeas em apartamento, já que ela não necessita de elevados níveis de luminosidade para se desenvolver bem e florescer. A Ludisia, inclusive, é conhecida como orquídea joia, justamente por possuir uma folhagem bastante ornamental, que frequentemente ofusca a beleza das flores. Desta maneira, muitos a cultivam apenas para apreciar suas folhas, que são aveludadas, em um tom bem fechado de verde acobreado, com veios dourados avermelhados.

Orquídea Ludisia discolor
Ludisia discolor

Por ser terrestre e tolerar o cultivo em ambientes mais sombreados, a Ludisia discolor é frequentemente utilizada na composição de terrários. No entanto, devido à natureza suculenta de seus caules, ela não tolera o excesso de umidade.


Orquídeas Humícolas


Como uma categoria à parte das orquídeas terrestres, temos as orquídeas humícolas. Elas são assim designadas porque suas raízes não estão sob a terra, como as anteriormente citadas. Estas orquídeas, particularmente, assentam-se sobre a camada de húmus no chão das florestas, formada por folhas em decomposição e detritos que lá se acumulam. São exemplos clássicos de orquídeas humícolas os híbridos Paphiopedilum Leeanum e Phragmipedium Sedenii, que já foram apresentados aqui no blog. Eles são popularmente conhecidos como orquídeas sapatinho, graças ao formato inusitado de suas flores, que lembram pequenos tamancos holandeses.

Orquídea Phragmipedium Sedenii
Phragmipedium Sedenii

Aqui no Brasil, a orquídea híbrida Paphiopedilum Leeanum é a mais cultivada, nesta categoria. Apesar de ser originária do continente asiático, ela se adaptou bem ao clima tropical, sendo encontrada em todos os lugares, muitas vezes mantida nos jardins, como uma planta comum. O detalhe é que se trata de uma orquídea que precisa de uma proteção contra os raios solares que incidem diretamente sobre a planta. Trata-se de uma orquídea ideal para ser cultivada em interiores, assim como a Ludisia discolor, apresentada anteriormente.

Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

A lista de orquídeas sapatinho é imensa. No entanto, as espécies e híbridos que encontramos no mercado, em exposições, ainda costumam ser bastante caros. Com a exceção do híbrido acima mencionado, é bastante difícil encontrar outras variedades de Paphiopedilum à venda. Trata-se de uma orquídea mais comum em coleções de cultivadores que se especializam neste gênero de orquídea.


Orquídeas Rupícolas


Por fim, temos outro caso particular de orquídeas terrestres. Neste caso, novamente, as raízes não estão propriamente enterradas. Elas se assentam sobre as rochas, entremeando-se nos interstícios formados pelas aglomerações de pedras, nutrindo-se da matéria orgânica que lá se acumula, ao longo do tempo. Por esta razão, são consideradas orquídeas rupícolas, rupestres ou litófitas. Um exemplo bastante conhecido é encontrado no gênero Laelia. São as chamadas Laelias rupícolas, tais como a Laelia lucasiana, que já foi tema de um artigo aqui no blog.

Orquídea Laelia lucasiana
Laelia lucasiana

Outro exemplo, menos conhecido, vem do gênero Dendrobium, predominantemente caracterizado por orquídeas epífitas. A exceção fica por conta da orquídea australiana da espécie Dendrobium kingianum, que possui um comportamento de orquídea rupícola, em seu ambiente de origem. No entanto, sob condições domésticas de cultivo, ela é frequentemente mantida como uma orquídea epífita, sem maiores problemas.

Orquídea Dendrobium kingianum
Dendrobium kingianum

Orquídeas de Sombra ou Sol Pleno


Não existe uma regra específica que separa as orquídeas capazes de viver sob sol pleno ou em ambientes sombreados. De um modo geral, as orquídeas epífitas apreciam a luz filtrada, que é proporcionada pelas copas das árvores, em seu habitat original. As orquídeas humícolas, por outro lado, estão acostumadas a ambientes um pouco mais sombreados, já que estão no chão das florestas, mais distantes da fonte de luz.

Já as orquídeas terrestres, como Arundina, Epidendrum e Cymbidium, são típicas de sol pleno. De modo geral, inclusive, elas não florescerão se forem cultivadas em ambientes sombreados ou em interiores. Outro exemplo típico de orquídeas que toleram o sol direto são as espécies rupícolas. No entanto, por precaução, elas costumam ser cultivadas em ambientes protegidos do sol intenso, nas horas mais quentes do dia, no cultivo doméstico.


Mini e Micro Orquídeas


Muito embora não exista uma classificação científica que separe orquídeas, mini orquídeas e micro orquídeas, os cultivadores e comerciantes costumam utilizar estes termos, de forma informal. De modo geral, levam-se em consideração fatores como o tamanho da parte vegetativa e das flores. Como uma regra arbitrária, são consideradas micro orquídeas aquelas plantas que produzem flores com menos de um centímetro de diâmetro. Mas não é algo rígido.

Vários representantes do gênero Oncidium, por exemplo, podem ser considerados micro orquídeas, devido ao tamanho minúsculo de suas flores. No entanto, são plantas que costumam ter a parte vegetativa mais avantajada. O que não é o caso da micro orquídea Ornithophora radicans, que é completamente micro. Seus pseudobulbos são minúsculos e as folhas lembram gramíneas. As flores dão um show de delicadeza, lembrando pequenos mosquitinhos esvoaçantes.

Orquídea Ornithophora radicans
Ornithophora radicans

Outra micro orquídea digna de nota é a Isabelia pulchella, assim nomeada em homenagem à Princesa Isabel. Suas flores apresentam um intenso colorido magenta, que se sobressai em relação aos pseudobulbos minúsculos e folhas extremamente finas.

Orquídea Isabelia pulchella
Isabelia pulchella

Também não poderia deixar de mencionar a Capanemia superflua, que se caracteriza por produzir delicadas hastes repletas de minúsculas flores brancas. Esta é uma micro orquídea clássica, mas que apresenta um cultivo bastante complicado, por ser frágil e depender de climas amenos, com elevados níveis de umidade relativa do ar.


Esta é uma micro orquídea que sofreu aqui no apartamento, graças ao excesso de vento e insolação que incide na varanda. Ainda assim, conseguiu produzir uma única haste floral, que faço questão de exibir a seguir. Normalmente, a Capanemia superflua forma pequenas touceiras que ficam repletas de hastes florais.

Orquídea Capanemia superflua
Capanemia superflua

Mini orquídeas, por sua vez, são apenas orquídeas com flores pequenas, maiores que um centímetro, mas que não são aqueles repolhos imensos, típicos das orquídeas híbridas de floricultura.

Orquídea Sophronitis coccinea
Sophronitis coccinea

Um clássico exemplo de mini orquídea é a espécie Sophronitis coccinea. Trata-se de uma orquídea extensivamente utilizada na hibridização com outros gêneros, por apresentar a rara coloração vermelha em suas flores. Orquídeas vermelhas são raras e dificilmente são encontradas na natureza. A maioria dos híbridos nesta coloração possui a Sophronitis coccinea em sua ascendência.


No mesmo gênero Sophronitis, mas com uma coloração diferente, temos a mini orquídea Sophronitis wittigiana. Suas pétalas e sépalas exibem uma interessante tonalidade de rosa antigo, bastante diferente das demais orquidáceas.

Orquídea Sophronitis wittigiana
Sophronitis wittigiana

A Laelia alaorii é outro exemplo bastante interessante de mini orquídea. Vários representantes dos gêneros Laelia e Sophronitis costumam ser utilizados na produção das chamadas mini Cattleyas, ou mini-catts, no exterior.

Orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Finalizando, para que o artigo não fique muito extenso, apresento a mini orquídea que virou o logotipo do blog Orquídeas no Apê. Trata-se de um híbrido primário, resultante do cruzamento entre a Sophronitis coccinea e Laelia milleri. Esta última, por sinal, é uma Laelia rupícola. O nome deste híbrido de mini orquídeas é Sophrolaelia Jinn.


Informações mais detalhadas sobre outras mini orquídeas podem ser encontradas nos respectivos links. Várias outras espécies e híbridos podem ser popularmente chamadas de mini orquídeas, sem que uma norma rígida dite o que é certo ou errado. No fim, são todas orquídeas, representantes de uma riquíssima e diversificada família botânica, uma das mais populosas do reino vegetal.

Orquídea Sophrolaelia Jinn
Sophrolaelia Jinn

Como Cuidar de Orquídeas


Este é um capítulo à parte que está bem detalhado em outro artigo, sobre o cultivo de orquídeas em apartamento. Apesar do título ser um pouco restritivo, as dicas lá compartilhadas se aplicam tranquilamente ao cultivo de orquídeas em qualquer outro ambiente.

Neste contexto, o principal ponto de partida é se desvencilhar de mitos e crenças que nos impedem de compreender as orquídeas da maneira correta. Como já vimos, nem todas as orquídeas são epífitas e tropicais. Cada gênero e espécie deve ter um cultivo diferenciado, de modo a mimetizar as condições existentes em seu habitat de origem. É um erro acreditar que as orquídeas não gostam de água, e que devem ser regadas com quantidades mínimas, como dois copinhos de café ou dois cubos de gelo. Na natureza, as orquídeas estão em contato permanente com a água, que vem através da umidade do ambiente, chuvas e orvalho. O principal diferencial é que suas raízes secam rapidamente, graças à generosa circulação de ar e ao fato de não estarem abafadas dentro de um vaso, na natureza.


Da mesma forma, a luminosidade ideal para o cultivo das orquídeas varia imensamente, de acordo com as características de cada gênero. Existem aquelas orquídeas que não só toleram como necessitam de sol pleno para um bom desenvolvimento, tais como Arundina, Epidendrum e Cymbidium, entre muitos outros. Por outro lado, temos a micro orquídeas, que estão acostumadas a ambientes bastante sombreados, desenvolvendo-se e florescendo bem sob estas condições. O importante é que tenhamos a correta identificação de cada orquídea em nossa coleção, para que saibamos quais são os requisitos de cultivo em relação a cada espécie ou híbrido.

É importante termos em mente que não existe uma combinação única de tipo de vaso e substrato, para o cultivo adequado de todas as orquídeas. Muitos afirmam que orquídeas somente devem ser cultivadas em vasos de barro, que são mais porosos e permitem que o substrato seque mais rapidamente. No entanto, são muitos os casos de cultivadores que têm sucesso no cultivo utilizando vasos de plástico. O segredo é combinar o substrato apropriado para cada material, ajustando a frequência das regas de acordo.

Junto com a quantidade de luz fornecida, a adubação é outro fator decisivo para que uma orquídea floresça em sua estação característica. Neste sentido, a variedade de adubos para orquídeas é imensa. Cada cultivador acaba elegendo suas marcas e formulações favoritas. Existem adubos químicos, orgânicos, mistos, em pó, líquidos, granulados, de liberação lenta. As possibilidades são infinitas. O importante é que eles sejam capazes de fornecer os elementos essenciais para o desenvolvimento das orquídeas. De modo geral, fórmulas do tipo NPK, com macro e micronutrientes atendem muito bem à necessidades destas plantas. Existem formulações balanceadas para cada fase do desenvolvimento das orquídeas, como crescimento (maior teor de nitrogênio - N), manutenção (níveis equilibrados de NPK) e floração (maior teor de fósforo - P).

Estes são os direcionamentos gerais. Para mais detalhes, cada link ao longo deste artigo direciona para outras matérias mais detalhadas, sobre assuntos específicos. Além disso, há aqui no blog várias entrevistas com especialistas, que dão dicas e conselhos exclusivos para o cultivo de orquídeas.

Considerações Finais


Embora este artigo tenha ficado quilométrico, encerro com algumas considerações que acho importante frisar. Cultivar orquídeas não é complicado. Não mais se tratam de plantas raras e exclusivas, como acontecia na época da rainha Vitória. Não há fórmulas mágicas, adubos milagrosos, nem cursos que revelam segredos para a obtenção de orquídeas maravilhosas de exposição. Na verdade, as orquídeas necessitam de muito pouco, como acontece na natureza. Luz na medida certa, água nos intervalos corretos, adubo em dosagens homeopáticas, uma boa aeração e níveis corretos de umidade relativa do ar são os fatores essenciais para um bom cultivo. As orquídeas são plantas tão resistentes e democráticas que costumam viver e florescer por décadas, nos troncos de árvores de grandes e poluídas cidades, na calçada, plantadas pelos porteiros dos prédios. São generosas e recompensam este belo gesto com magníficas florações, todos os anos.