Como fazer sua orquídea florescer: Luz


Mini-orquídea Sophrolaelia Jinn
Sophrolaelia Jinn

'Minha orquídea está linda, cheia de brotos e folhas, mas não dá flor. O que faço?' - Tenho recebido esta pergunta com uma certa frequência. Vários fatores afetam a floração de uma orquídea. Mas, na maior parte dos casos, a resposta pode estar na intensidade de luz que a planta está recebendo.

Apenas para descartar outras possibilidades, é importante que a orquídea em questão seja adulta, em idade apta para florescer. O termo em inglês para esta condição é BS (blooming size). No momento de adquirir sua muda de orquídea, é função do vendedor informar em quanto tempo ela deverá atingir este estágio de desenvolvimento.

Outro fator relevante para que uma orquídea floresça é a adubação. Sobre este quesito, o artigo abaixo fornece as informações necessárias para que tudo funcione perfeitamente:



Voltando à questão da luminosidade versus floração das orquídeas, é importante atentarmo-nos aos seguintes pontos:


Nem todas as orquídeas são iguais


Milhares de espécies de orquídeas espalham-se por toda a superfície do planeta. Neste sentido, cada uma terá uma necessidade diferente de luminosidade. Temos aquelas que necessitam de sol direto, como o Epidendrum fulgens. Outras são conhecidas por gostarem de bastante luz, mas não diretamente, como a Cattleya labiata. As orquídeas Phalaenopis e Ludisia, por sua vez, podem florescer com uma menor quantidade de luminosidade, mas não na sombra total.

Portanto, o primeiro passo para termos uma boa floração é conhecermos a orquídea que temos em mãos e procurarmos um lugar apropriado para cada espécie. No final do artigo, colocarei uma lista com as quantidades aproximadas de luz  que os principais gêneros de orquídea necessitam.


Orquídeas e a orientação do sol


Percebo que a maioria das pessoas que têm problemas com luz cultivam orquídeas em interiores, casas ou apartamentos, geralmente próximo a uma janela ou varanda. O que nem todos sabem é que a direção para qual a janela está voltada influencia na quantidade de luz que a mesma recebe.

O sonho de todo orquidófilo nestas condições é ter uma janela voltada para o leste, que receba o sol da manhã. Esta é a luz ideal para o cultivo das orquídeas. A situação oposta, uma janela face oeste, recebe o sol da tarde, que é muito quente e deve ser filtrado por uma tela de sombreamento ou uma cortina fina. A janela face norte também é considerada adequada, sendo na realidade a mais valorizada do mercado, por receber maior luminosidade. Por fim, as janelas voltadas para o sul costumam ser escuras demais para o cultivo da maioria das orquídeas.

Outro ponto importante a considerar é que a intensidade de luz cai drasticamente à medida que nos afastamos da janela. É comum as pessoas colocarem orquídeas em mesas e paredes a vários metros de distância de uma janela bem iluminada. Elas sobrevivem, mas jamais darão flores. É por isso que os americanos que utilizam esta técnica de cultivo são conhecidos como windowsill growers, por cultivarem suas orquídeas estritamente no parapeito da janela. Que, por sinal, costuma ser mais largo nos países do hemisfério norte.


Intensidade da luz sobre as orquídeas


Antes da invenção da eletricidade, os ingleses avaliavam a luz através de uma medida chamada foot-candle (fc). É a quantidade de luz projetada por uma vela padronizada a uma distância de um pé. Até hoje, os orquidófilos americanos costumam utilizar este padrão para as recomendações de luminosidade no cultivo de orquídeas. Este parâmetro é importante porque os nossos olhos costumam nos enganar quanto à quantidade de luz que um determinado ambiente recebe. Para termos uma noção, a medida de um dia ensolarado, ao meio-dia, é de 10.000 fc. Por outro lado, um dia nublado produzirá apenas 1.000 fc.

Embora não percebamos, pequenos detalhes fazem enormes diferenças nestas medidas. Alguns centímetros mais afastados de uma janela, e já temos um grande decréscimo na luminosidade. O mesmo ocorre se houver obstruções, como prédios vizinhos ou árvores próximas. Por serem mais sensíveis, as orquídeas respondem a pequenas variações de intensidade de luz, imperceptíveis aos olhos humanos. Neste sentido, um fotômetro é sempre muito mais confiável do que os nossos olhos. Eu costumo utilizar o de uma antiga máquina fotográfica analógica. Os smartphones atuais também podem realizar esta tarefa, através de aplicativos específicos.


Orquídeas bem iluminadas


Com base em todas estas informações, podemos partir para o grande desafio de ir distribuindo as orquídeas pela casa, ou melhor, pelas janelas e varandas. Comecei cultivando minhas plantas em frente a uma janela face oeste, no meu quarto. Acreditava que era um ambiente bem iluminado, já que recebia todo o sol da tarde. Pois foi somente após meses com pouquíssimas flores que resolvi medir a luminosidade e acabei verificando que esta era muito baixa. Transferi todas para a varanda.

De modo geral, o melhor é tentarmos fornecer o máximo de luz para as orquídeas, sem queimar suas folhas. O velho conselho de observar a cor das folhas é válido. Se estiverem com um verde muito escuro, precisam de mais luz. Se estiverem amarelando, estão expostas a um excesso de luminosidade.

A seguir, alguns níveis de luminosidade sugeridos para o cultivo e floração dos principais gêneros de orquídeas. Lembrando que são valores aproximados, mas que dão uma noção para aplicação prática. Costumo consultar esta tabela frequentemente, guiando-me pelas relações qualitativas entre os diferentes gêneros, muito mais do que quantitativamente, em termos de valores absolutos de luminosidade.

Paphiopedilum              900 fc
Phalaenopsis             1.500 fc
Oncidium           2.000-2.500 fc
Zygopetalum        2.500-3.000 fc
Dendrobium         2.500-4.500 fc
Grammatophyllum    3.000-6.000 fc
Cattleya                 3.500 fc
Dendrobium nobile  6.000-8.000 fc

Vanda                    8.000 fc


Outras informações, mais especificamente sobre outros aspectos do cultivo de orquídeas em interiores, podem ser encontradas no artigo abaixo: