Arundina, a orquídea bambu


Orquídea bambu - Arundina graminifolia
Arundina graminifolia

A orquídea bambu, também conhecida como orquídea da terra ou orquídea de jardim, é a única representante do gênero botânico Arundina. Trata-se de uma orquídea terrestre. O nome é derivado da palavra arundo, que em latim significa cana. Seu nome científico é Arundina graminifolia (folhas semelhantes às da grama), mas também pode ser encontrada como Arundina bambusifolia (folhas semelhantes às do bambu). É comum que as pessoas se enganem, achando que se tratam de duas espécias diferentes. Na verdade, ambas as designações são aceitas, sendo consideradas sinonímias.

De fato, estas nomenclaturas científicas descrevem bem o porte imponente desta orquídea, que é comumente encontrada em quintais e jardins. A Arundina apresenta um caule ereto e resistente, que pode ultrapassar os dois metros de altura. O conjunto do caule e da folhagem desta orquídea, bastante utilizada no paisagismo do mundo todo, remete-nos ao aspecto do bambu, justificando o fato desta planta ser popularmente conhecida como orquídea bambu ou bamboo orchid.

É muito comum encontrar pessoas que se surpreendem com o fato de a Arundina ser uma orquídea. De fato, seu aspecto vegetativo em nada lembra as clássicas orquídeas epífitas, como a Cattleya, com suas raízes expostas aderidas aos troncos das árvores. No entanto, ao observarmos a orquídea bambu mais atentamente, de perto, constatamos que suas flores apresentam os elementos característicos de todas as representantes da família Orchidaceae. A flor da Arundina possui o arranjo típico composto por três sépalas, duas pétalas e um labelo, que nada mais é do que uma pétala modificada, mais chamativa, para atração dos agentes polinizadores.


Embora ubíqua nos jardins brasileiros, há várias décadas, a orquídea bambu é uma planta asiática. Nativa das regiões tropicais da Tailândia, Índia, China, Singapura, Indonésia e Filipinas, a Arundina é uma planta que, por incrível que possa parecer, está sob risco de extinção em alguns dos seus habitats de origem. Estima-se que existam apenas 200 exemplares de orquídea bambu em Singapura, por exemplo, devido ao desmatamento e destruição de seu habitat original. Trata-se, contudo, de uma orquídea introduzida em vários países do mundo, amplamente cultivada com fins comerciais e ornamentais.

Como cuidar da orquídea bambu


A Arundina graminifolia é uma planta bastante rústica e resistente, podendo ser plantada em jardins ou em vasos, diretamente na terra, desenvolvendo-se bem sob sol pleno. Não é necessário utilizar um substrato específico para o cultivo de orquídeas. Apenas é importante que o solo seja bem adubado, rico em matéria orgânica e seja mantido sempre úmido. As pontas finas das folhas delgadas, que lembram a grama, tendem a amarelar e secar, quando a Arundina é cultivada em ambientes muito secos. A incidência constante de correntes de vento também contribuem para o ressecamento das pontas das folhas. No entanto, esta é uma questão apenas estética, a orquídea bambu não irá morrer por causa disso.

Para que a parte vegetativa cresça bonita e saudável, e para que a orquídea bambu floresça com frequência, é importante fornecer bastante luminosidade, de preferência sol direto, por várias horas ao longo do dia. Quanto mais sol a Arundina receber, mais generosas serão suas florações. Em locais sombreados, a planta tende a sofre o processo de estiolamento, situação em que o caule afina-se e alonga-se em busca de luz, causando um crescimento anormal da orquídea. Além disso, quando a luminosidade é insuficiente, a planta pode até crescer, mas raramente floresce.


Orquídea bambu - Arundina graminifolia
Arundina graminifolia

Este, aliás, foi o problema que enfrentei quando inventei de cultivar esta orquídea bambu na varanda do apartamento. Para evitar o estiolamento, e o crescimento dos caules em direção à lateral, de onde vem a luz, passei a girar frequentemente o vaso, sempre posicionando-o nas áreas de maior incidência solar, nas regiões a salvo das telas de sombreamento, essenciais às demais orquídeas epífitas, também moradoras do local.

Muito embora este blog trate predominantemente de plantas cultivadas em apartamento, devo salientar que nem sempre é uma boa ideia cultivar a orquídea bambu neste ambiente, ainda que em uma sacada bem iluminada, como é o meu caso. A Arundina graminifolia tem um crescimento rápido, atingindo mais de dois metros em pouco tempo. Com o sol incidindo lateralmente, a haste tende a ficar torta. Além disso, a falta de espaço para o crescimento saudável da planta é um pouco agoniante. Eu prefiro evitar este desgaste, deixando a orquídea bambu para o paisagismo de áreas externas, onde a Arundina reina absoluta.

A floração da orquídea bambu pode ocorrer ao longo de todo o ano, sendo que seu ápice é atingido durante os meses do verão, estendendo-se até o outono. As flores surgem altivas, elegantemente a partir da extremidade superior das canas. A Arundina é conhecida por emitir flores de forma sequencial, ao longo de várias semanas. Infelizmente, cada flor individualmente tem pouco tempo de vida, durando de dois a três dias. No entanto, há sempre vários botões em formação, na fila de espera para desabrocharem. Sendo assim, uma mesma haste floral permanece florida durante várias semanas.


Um outro fator importante para que obtenhamos belas florações da orquídea bambu refere-se à adubação. Esta é uma planta que aprecia um solo fértil, rico em matéria orgânica. Além disso, a adubação inorgânica ou química, do tipo NPK, também pode ser fornecida. As formulações para manutenção e floração podem ser alternadas, semanalmente, fornecendo os elementos necessários para que a Arundina se desenvolva bem e floresça na época apropriada. Contudo, é sempre bom lembrarmos que esta orquídea bambu é bastante rústica, não requerendo esquemas muito sofisticados de adubação.


Como mencionamos no início do artigo, as flores desta curiosa orquídea de jardim têm o aspecto semelhante ao de uma Cattleya. Também lembram as flores de outra orquídea terrestre bastante usada em jardins, a Sobralia. A coloração mais comum da Arundina fica entre o lilás e o rosado, sendo que existem orquídeas bambu nas variedades alba (toda branca) e semi-alba (branca com o labelo púrpura). Embora haja menções sobre seu perfume na literatura, confesso que nunca senti um aroma pronunciado nas flores desta orquídea.

Embora a orquídea bambu possa se reproduzir através de sementes ou pela simples divisão das touceiras, a maneira mais comum de se obter mudas é destacando os keikis, brotos que surgem em profusão nas laterais das canas. Este processo ocorre de forma mais acentuada após o final de uma floração. Basta esperar que as mudas estejam bem desenvolvidas, para então separá-las e plantá-las individualmente. O enraizamento nem sempre ocorre com sucesso. Portanto, quanto maiores forem os keikis, maiores as chances de sobrevivência da nova orquídea.

Não é à toa que a orquídea bambu é conhecida como orquídea de jardim. Neste ambiente, ela prospera imponente, formando belíssimas cercas vivas ou alegres maciços sempre floridos. Para alguns orquidófilos mais teimosos, dispostos a ter um pouco de trabalho, é possível cultivar uma Arundina em apartamento, desde que se tenha uma sacada bem ensolarada e alguma paciência.