Guia completo para cultivar plantas dentro de casas e apartamentos

By Sergio Oyama Junior

Orquídeas Terrestres


Orquídea Paphiopedilum híbrida
Paphiopedilum híbrido

As orquídeas terrestres, também conhecidas como orquídeas de chão, orquídeas de jardim ou orquídeas de terra, são mais uma demonstração da grande diversidade encontrada na família Orchidaceae. As fotos de diferentes tipos de orquídeas terrestres ao longo deste artigo dão uma ideia desta incrível variabilidade Como sabemos, as orquídeas podem ser agrupadas em diferentes categorias, de acordo com seu hábito vegetativo. Mas não se trata de uma classificação rígida. Frequentemente, uma mesma espécie de orquídea pode apresentar mais de uma forma de desenvolvimento na natureza. Existem os mais variados tipos de orquídeas terrestres, distribuídos em diferentes gêneros e espécies. A seguir, daremos mais informações sobre este interessante grupo de orquidáceas, bem como dicas quanto ao seu cultivo.

Aquelas orquídeas chamadas de epífitas, que vivem sobre as árvores, são as mais numerosas representantes da família, sendo mundialmente apreciadas e colecionadas. Um exemplo clássico é o da orquídea Cattleya. No entanto, há também as orquídeas rupícolas, que costumam vegetar sobre as rochas. Suas raízes, na verdade, estão sendo nutridas pelo material orgânico que se deposita nas fendas entre as pedras. Lá também encontram a umidade necessária para sobreviverem.


Da mesma forma, há um subgrupo de orquídeas terrestres, composto pelas orquídeas humícolas. Estas, apesar de parecerem terrestres, por viverem no solo, têm na verdade suas raízes apoiadas sobre o húmus, uma camada de folhas em decomposição e demais detritos que se acumulam no chão das florestas. Sendo assim, suas raízes não estão efetivamente enterradas.

Este é o caso das orquídeas terrestres dos gêneros Paphiopedilum (na foto de abertura deste artigo) e Phragmipedium (na foto abaixo). Aqui no Brasil, é comum encontrarmos a orquídea Paphiopedilum Leeanum, a famosa orquídea sapatinho, sendo cultivada em vasos de terra ou diretamente no solo, como uma planta de jardim. Muitos nem sabem que se trata de uma orquídea. Ela é bastante resistente e se adapta perfeitamente aos mais diferentes ambientes, muito embora sua origem seja asiática. Apesar desta possibilidade de plantio na terra pura, e devido à natureza humícola destas plantas, a maioria dos orquidófilos costuma utilizar misturas de substratos para o cultivo de orquídeas destes dois gêneros. Na composição pode estar presente a terra, mas geralmente predominam cascas de árvores, areia, vermiculita, perlita, musgo sphagnum, dentre outros materiais. Estes dois gêneros, Paphiopedilum e Phragmipedium, são exemplos de orquídeas terrestres que apreciam locais mais sombreados, florescendo apenas com uma luminosidade difusa, indireta.

Orquídea Phragmipedium Sedenii
Phragmipedium Sedenii

Passando para uma orquídea de cultivo mais simples, temos a famosa orquídea bambu, Arundina graminifolia. Neste caso, temos um exemplo típico de orquídea terrestre. Esta é uma planta que pode ser cultivada diretamente na terra, exposta às intempéries, sem problema algum. É a típica orquídea de jardim, bastante utilizada no paisagismo de condomínios residenciais e empreendimentos comerciais. Forma belas cercas vivas e maciços elegantemente decorados com as altivas flores, no topo de suas longas hastes. Aprecia sol pleno e solo rico em matéria orgânica. Quando mantida em apartamento, precisa estar em uma varanda bem iluminada. O local tem que ter um bom pé direito, já que a orquídea bambu atinge grandes proporções. Ainda assim, a Arundina tem a tendência de se inclinar na direção do sol, hábito que resulta em caules tortuosos, caso o vaso não seja girado com frequência.

Quando bem desenvolvida, mesmo em vasos, a orquídea bambu propicia um espetáculo de floração, que atinge seu auge durante o verão, com graciosas flores imponentes no ápice de longos caules que lembram o bambu. Embora durem apenas dois ou três dias, as flores surgem de maneira sequencial, mantendo a haste florida por meses. É uma orquídea terrestre de muito fácil cultivo, resistente e que requer pouca manutenção.

Orquídea Arundina graminifolia
Arundina graminifolia

Uma orquídea terrestre que costumamos encontrar com frequência nas floriculturas é o Cymbidium, geralmente híbrido. Este é um exemplo de orquídea bastante popular, mas que raramente nos remete ao mundo das plantas de chão. Poucos saber que se trata de um tipo de orquídea terrestre. Por este motivo, muitos acabam colocando a orquídea Cymbidium amarrada aos troncos das árvores, que não é o local mais apropriado para seu desenvolvimento. Plantado em vasos altos, envoltos por laços e celofane, o Cymbidium nem parece ser aquela orquídea resistente, que pode ser cultivada diretamente no chão do jardim, sob sol pleno. Sua única exigência é quanto ao clima, que não pode ser muito quente. Aqui em São Paulo, capital, ele ainda costuma florescer bem, durante o inverno. Há quem tente colocar gelo no vaso da orquídea, ou regá-la com água gelada, para tentar simular uma temperatura mais baixa, situação que, teoricamente, induziria a floração. Novamente, esta é outra orquídea terrestre que necessita de bastante luz para florescer, preferencialmente sol direto.

Orquídea Cymbidium híbrida
Cymbidium híbrido

Para quem dispõe de bastante espaço, sol em abundância e clima mais quente, inclusive ao nível do mar, e procura uma orquídea terrestre, o Epidendrum fulgens e seus inúmeros híbridos são companheiros ideais. Esta é uma planta que pode ser encontrada na natureza vegetando como epífita ou terrestre, dependendo da região. No entanto, é mais conhecida no litoral como orquídea da praia. Suas raízes toleram o solo arenoso, a salinidade e a maresia. Existem híbridos belíssimos de Epidendrum, com as mais diferentes colorações. Ultimamente, têm surgido no mercado variedades compactas, ideais para quem vive em apartamento. Estes tipos de orquídeas terrestres são bastante resistentes, de fácil cultivo e requerem poucos cuidados. O mais importante é dispor de bastante luminosidade, preferencialmente sol direto, para que a planta floresça em abundância.


Orquídea Epidendrum fulgens
Epidendrum fulgens

Neste especial com fotos de diferentes tipos de orquídeas terrestres, não poderia deixar de mencionar a famosa orquídea joia, Ludisia discolor. Esta é a planta que atrai a atenção de todos mesmo quando não está florida, graças ao aspecto rico e aveludado de suas folhas cobreadas, com veios avermelhados. Este é mais um exemplo de orquídea terrestre que não necessita de muita luminosidade para florescer. A Ludisia discolor é ideal para quem cultiva orquídeas em apartamento, já que pode se desenvolver e produzir flores apenas com uma luminosidade indireta. Muitos colecionadores, inclusive, cultivam estas orquídeas joia apenas pela beleza de sua folhagem, sem se importarem com as flores.


Embora possa ser plantada diretamente na terra, preferencialmente rica em matéria orgânica, há quem utilize o substrato clássico para orquídeas, composto por casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. Mistura deste substrato com terra também dá bons resultados. O importante é que o material seja bem drenado e não acumule umidade por muito tempo, já que os caules suculentos desta orquídea tendem a apodrecer com facilidade, caso fiquem em contato com o solo úmido por muito tempo. Tendo em vista o fato de que muitos consideram suas flores de importância ornamental secundária, não é necessário um esquema muito pesado de adubação. Eu apenas evito a adubação orgânica, devido ao mau cheiro e aos insetos. 


Orquídea Ludisia discolor
Ludisia discolor

Fechando o desfile das orquídeas terrestres que já passaram aqui pela sacada do apartamento, apresento a orquídea conhecida como flor do paraíso, Paradisanthus micranthus. Esta é uma orquídea não muito conhecida do público em geral, mas bastante interessante. Produz delicadas flores verdes ornamentadas com pequenos riscos acastanhados e um labelo branco, de grande efeito ornamental, como podemos observar na foto abaixo. Parecem ter sido pintadas à mão. O cultivo é um pouco mais complicado, já que a orquídea não possui pseudobulbos e se desidrata com facilidade. Por outro lado, não tolera o solo encharcado por muito tempo. Este é um tipo de orquídea terrestre que aprecia locais bem iluminados, porém sem sol direto. Nas florestas, ela está acostumada a viver no solo, protegida pela sombra das copas das árvores.

Orquídea Paradisanthus micranthus
Paradisanthus micranthus

Infelizmente, aqui encerra-se a lista de fotos de orquídeas terrestres, dos mais variados tipos, com suas respectivas informações. Estas são apenas as plantas que já tive o prazer de cultivar aqui no apartamento. Não são muitas, já que o espaço é pequeno e não permite o acúmulo de muitos exemplares. O grosso da minha coleção é composto por orquídeas epífitas. No entanto, tenho grande admiração por esta categoria de orquídeas terrestres, e tenho inclusive o desejo de colecioná-las. Certamente o faria, caso dispusesse de mais espaço. 

Como já mencionei em outras ocasiões, não acho ético roubar fotos de orquídeas terrestres de outros cultivadores, apenas para escrever um artigo neste blog, cujo conteúdo é totalmente autoral. As orquídeas que apresento aqui são aquelas que eu mesmo cultivei e fotografei, ao longo dos anos que tenho de cultivo. Neste contexto, muitas das minhas compilações ficam incompletas, em termos dos diferentes tipos de orquídeas apresentadas.

Apenas para mencionar mais alguns tipos de orquídeas terrestres, cujas fotos não mostrei aqui, temos a famosa orquídea grapete, Spathoglottis unguiculata, cujas flores exalam um perfume que lembra a uva ou o antigo refrigerante Grapette. Ao menos é o que dizem os relatos de pessoas que já cultivaram esta orquídea. Morro de curiosidade em relação a este aroma. O pequeno porém é que esta orquídea, além de apreciar o sol pleno, demanda bastante espaço, já que forma grandes touceiras. Por alguma razão que desconheço, não costumo encontrar orquídeas terrestres nos orquidários, exposições e garden centers que costumo frequentar. 


Outra orquídea terrestre bastante utilizada no paisagismo é o Phaius tankervilleae, popularmente conhecida como orquídea capuz de freira. Também dentre as comumente encontradas nos jardins brasileiros está a orquídea Sobralia macrantha. Temos uma bela touceira aqui na entrada do condomínio, plantada em um canteiro com terra, sob sol pleno. Ainda não tive a oportunidade de fotografá-la florida. No entanto, já tive a sorte de presenciar suas abundantes florações. A morfologia da flor desta orquídea terrestre, curiosamente, lembra muito à da Cattleya. Infelizmente, a armação das flores, no caso deste tipo de orquídea terrestre, deixa um pouco a desejar. Pelo menos nos exemplares que já vi, as flores são enormes, mas apresentam as pétalas e sépalas meio cabisbaixas.

Uma planta que todos possuem por aqui é a Oeceoclades maculata, um tipo de orquídea terrestre que não costuma ser mencionado nos círculos orquidófilos. Muitos consideram esta planta comum demais. Por fim, existe uma grande variedade de orquídeas europeias, como as dos gêneros OrchisOphrys, que se desenvolvem no solo e que, infelizmente, não se adaptam ao clima brasileiro.

Por sinal, uma orquídea do gênero Orchis foi a primeira a ser descrita, há 300 anos antes de Cristo, ainda na Grécia Antiga, por um discípulo de Aristóteles, chamado Teofrasto. Ele é considerado o pai da botânica. No vídeo abaixo, uma coletânea desta e demais informações curiosas sobre as orquídeas, com trilha sonora.


Como pudemos perceber, observando os diferentes tipos de orquídeas terrestres e suas fotos, ao longo deste artigo, não há um padrão único para o cultivo desta diversificada categoria de orquídeas. Existem orquídeas terrestres de sombra, outras que apreciam sol pleno. Há aquelas que vivem ao nível do mar, outras são de altitude. Temos plantas tropicais e de regiões de clima temperado. Até mesmo o hábito vegetativo, a despeito do fato de serem orquídeas predominantemente terrestres, pode variar. Para um cultivo bem-sucedido destes diferentes tipos de orquídeas terrestres, o importante é que cada espécie seja devidamente identificada em nossas coleções, e suas condições de cultivo sejam implementadas individualmente.