Guia completo para cultivar plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Como Podar Suculentas


Suculenta Graptoveria 'Fantome'
Graptoveria 'Fantome'

O que fazer quando as suculentas crescem demais? Esta é uma pergunta bastante frequente, aqui no blog, e trata-se de um dilema que já enfrentei várias vezes. No início, eu tinha medo de matar a suculenta, fazendo uma poda muito radical. Com o tempo, aprendi que se trata de um procedimento normal, mas que tem finalidades puramente estéticas. Há muitos cultivadores que preferem manter suas suculentas do jeito em que estão, sem realizarem interferências mais drásticas. Neste artigo, vamos aprender como podar suculentas e quais as consequências deste procedimento.


Quando o caule da suculenta cresce demais, costumamos dizer que a planta ficou pescoçuda ou pernuda. Este fenômeno é bastante comum nas suculentas popularmente conhecidas como rosas de pedra, que podem ser espécies ou híbridos dos gêneros Echeveria, Graptopetalum ou Graptoveria. Quando isso acontece, o melhor método para corrigir esta aparência desproporcional é realizando a decapitação da suculenta, que consiste em podá-la ao meio, separando a roseta superior do caule elongado.

Embora seja um processo simples, existem alguns cuidados a serem tomados para podar a suculenta da maneira correta. O instrumento de corte deve ser bem afiado, de modo a não mastigar o caule suculento, causando-lhe muitos danos e a destruindo-lhe os vasos condutores. Além disso, a tesoura de poda deve ser esterilizada, principalmente se ela for utilizada em várias plantas, sequencialmente. Alternativamente, há quem consiga fazer a decapitação das suculentas com uma linha fina e resistente, enforcando o caule. Este post está ficando sombrio, perdão.

Mas estes são, de fato, os métodos mais utilizados para cortar as suculentas que cresceram demais. Depois de decapitar as coitadas, vem o procedimento que visa dar um tempo para o ferimento cicatrizar. Ambas as partes cortadas devem ficar em um local sombreado, bem arejado, por alguns dias, para que as superfícies decapitadas não sejam contaminadas por fungos e bactérias, o que fatalmente aconteceria se elas fossem plantadas na terra, logo em seguida. Para auxiliar no processo, e garantir uma assepsia maior, pode-se polvilhar canela em pó nas áreas cortadas, uma vez que esta substância tem propriedades antifúngicas e bactericidas.


Após este período de recuperação, a parte decapitada da suculenta, que corresponde à roseta superior, pode ser plantada separadamente em um novo vaso. É importante que ela fique firme, sem balançar, para que suas raízes possam se desenvolver mais rapidamente, afixando a planta no substrato. Neste período, é importante regar com mais frequência, já que não há raízes. No entanto, deve-se tomar o cuidado para o solo não ficar muito encharcado, o que pode causar o apodrecimento da suculenta, principalmente durante este período mais crítico.

O novo vaso da suculenta deve possuir uma camada de drenagem, composta por brita, argila expandida ou pedrisco. Por cima deste material, convém posicionar uma manta geotêxtil, para que o substrato não escape pelos furos do fundo, durante as regas. O substrato é aquele mais arenoso, próprio para o cultivo de cactos e suculentas. Esta mistura pode ser comprada pronta ou feita em casa, através de uma combinação de terra vegetal e areia grossa, em partes iguais. De modo geral, no plantio de cactos e suculentas, não é necessário adicionar grandes quantidades de matéria orgânica, que é escassa nos habitats originais destas plantas.

O caule da suculenta decapitada não precisa ser descartado. Uma vez que ele continua enraizado no vaso original, seguirá seu desenvolvimento normal, emitindo novas brotações a partir de gemas adormecidas. Este é um excelente efeito colateral da decapitação de suculentas, uma vez que se trata do meio mais rápido de se obter novas mudas da planta original. Diferentemente dos indivíduos que nascem a partir das sementes de suculentas, cujo desenvolvimento é bastante incerto e demorado, estes brotos que surgem ao longo de todo o caule decapitado poderão formar plantas adultas em um tempo relativamente mais curto, já que são pequenos clones da suculenta mãe, originários de tecidos meristemáticos. Em outras palavras, suas células já têm características adultas, e não embrionárias, como as plântulas nascidas de sementes.


Esta poda consiste na melhor e mais rápida forma de se fazer mudas de suculentas, uma vez que, em pouco tempo, os brotos podem ser destacados e plantados separadamente, produzindo novas plantas.

Suculenta Graptoveria 'Fantome'
Graptoveria 'Fantome'

Eles nem precisam ser colocados em um berçário de suculentas, como acontece com as mudas feitas a partir de folhas destacadas da planta matriz. Este método de se obter mudas de suculentas a partir das folhas é um processo mais trabalhoso, incerto e demorado, muito embora apresente a vantagem de ser facilmente escalável, de modo a se produzir centenas de mudas simultaneamente.

Outra vantagem de se decapitar suculentas é que o processo é cíclico, podendo ser repetido indefinidamente. Dentro de um ano, a roseta decapitada irá se desenvolver, crescer e voltar a ficar com o caule elongado. Caso o cultivador queira, pode realizar uma nova poda da suculenta, que resultará em uma roseta mais harmoniosa e inúmeros novos brotos que surgirão novamente, a partir do caule podado.

Mas, afinal, porque as suculentas crescem demais? Existem dois motivos, basicamente. O primeiro é genético. Existem gêneros e espécies de suculentas que apresentam esta característica de crescimento, em que novas folhas vão sendo produzidas, a partir do centro da roseta, ao passo que as mais antigas, próximas à base, vão murchando e secando. Trata-se de um padrão normal do desenvolvimento de muitas Echeverias, por exemplo. Outro caso emblemático é o do Graptopetalum paraguayense, a popular planta fantasma. A suculenta híbrida que ilustra este artigo, Graptoveria 'Fantome', também apresenta este padrão de comportamento.

Nestes casos, cabe ao cultivador decidir se efetua ou não uma poda destas suculentas. Trata-se de uma decisão pessoal, já que os exemplares citados, além de muitos outros, ficam belíssimos quando mantidos com os caules compridos. Alguns, inclusive, vão adquirindo um porte semi-pendente, que é bastante ornamental.


Há ainda um segundo caso em que as suculentas crescem demais, que é devido a um fornecimento insuficiente de luminosidade à planta. Nesta situação, a suculenta fica pescoçuda devido à falta de luz. Seus tecidos vegetais crescem aceleradamente, em busca de luminosidade, de forma a ficarem com a aparência fina e comprida. Este fenômeno é denominado estiolamento. Nestes casos, o melhor a fazer é executar a poda da suculenta estiolada, tomando-se o cuidado de colocar a roseta superior em um ambiente com níveis corretos de insolação, de modo a corrigir o problema do estiolamento, evitando-se que ele se repita.

Também existem casos em que o cultivador opta por podar as suculentas, não porque cresceram demasiadamente, mas porque desejam moldá-las e treiná-las para que adquiram um aspecto em particular. Este procedimento é muito comum com as suculentas planta jade, Crassula ovata, e Portulacaria afra. Por possuírem caules com um aspecto mais lignificado, embora sejam suculentos e macios quando cortados, estas plantas costumam ser podadas para adquirirem um aspecto de bonsai. Ficam extremamente decorativos e apresentam a vantagem de poderem ser cultivados em interiores.

Finalizando, de uma maneira geral, a maioria dos cactos e suculentas não necessita de podas frequentes, excetuando-se os casos mencionados ao longo deste artigo. São plantas de fácil cultivo e baixa manutenção, que podem crescer por anos a fio sem necessidade de nenhuma intervenção mais drástica.