Guia completo para cultivar plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Suculenta Echeveria


Suculentas do gênero Echeveria
Suculentas do gênero Echeveria

As ornamentais folhas suculentas organizadas em forma de compactas rosetas, cuja aparência nos remete a rosas de pedra, constituem a marca registrada dos representantes do gênero Echeveria. Plantas típicas de regiões áridas, com importantes adaptações à vida em ambientes quentes e ensolarados, as Echeverias são onipresentes nas coleções dos admiradores de plantas suculentas. Sua resistência, rápido crescimento e multiplicação, além da facilidade de cultivo, justificam esta popularidade. A seguir, vamos conhecer com mais detalhes as características deste belo gênero botânico, destacando algumas das espécies presentes em minha coleção.

As Echeverias foram formalmente descritas em 1828, tendo sido assim nomeadas em homenagem ao artista botânico mexicano Atanasio Echeverría y Godoy. Existem aproximadamente 150 espécies reunidas no gênero Echeveria, que se distribuem em várias regiões de clima semiárido da América Central, havendo uma grande concentração de suculentas ornamentais originárias do México.


As suculentas do gênero Echeveria pertencem à família Crassulaceae, da qual fazem parte muitas plantas frequentemente cultivadas com fins ornamentais. É o caso da planta jade, nome popular dado à espécie Crassula ovata, assim como a suculenta orelha de Shrek, que surgiu a partir de uma mutação desta mesma espécie. Também são crassuláceas as diferentes espécies de Kalanchoe. Aqui no blog, já falamos sobre a flor da fortuna, Kalanchoe blossfeldiana, suculenta orelha de gato, Kalanchoe tomentosa, e aranto ou mãe de milhares, Kalanchoe daigremontiana.

Dentro da família Crassulaceae, a suculenta Echeveria tem maior proximidade genética com representantes dos gêneros Graptopetalum (Graptopetalum paraguayense ou planta fantasma), Pachyphytum (Pachyphytum compactum ou suculenta diamante) e Sedum (Sedum moranense e Sedum makinoi).

Por esta razão, existe a possibilidade de serem produzidas suculentas híbridas resultantes do cruzamento entre representantes destes quatro gêneros botânicos. São os chamados híbridos intergenéricos, conforme a nomenclatura a seguir:

Echeveria x Graptopetalum = Graptoveria

Echeveria x Sedum = Sedeveria

Echeveria x Pachyphytum = Pachyveria

Graptopetalum x Sedum = Graptosedum


Apenas como exemplo do resultado de um destes cruzamentos, já apresentamos aqui no blog a Graptoveria 'Fantome', híbrido intergenérico entre Graptopetalum paraguayense e Echeveria elegans. Sua aparência é de fato um tanto quanto fantasmagórica, como o próprio nome sugere, uma vez que apresenta uma coloração pálida acinzentada, meio azulada, recoberta por uma fina camada de poeira, substância cerosa denominada pruína. É o mesmo material que recobre os cachos de uva.

Suculenta Graptoveria 'Fantome'
Graptoveria 'Fantome'

Embora sejam todas muito parecidas, cada espécie, variedade ou híbrido de Echeveria tem suas características particulares e únicas. Há suculentas tão belas que foram inclusive premiadas pela Royal Horticultural Society, com sede em Londres. Duas Echeverias cultivadas aqui no apartamento estão entre as que já receberam o Award of Garden Merit desta prestigiada entidade britânica.


A Echeveria runyonii 'Topsy Turvy' é uma delas. Trata-se de uma suculenta mutante, originária a partir da espécie tipo, que foi encontrada por acaso em uma estufa na Califórnia. A Echeveria runyonii é originária do México e homenageia o fotógrafo americano Robert Runyon.

Suculenta Echeveria runyonii 'Topsy Turvy'
Echeveria runyonii 'Topsy Turvy'

Já a Echeveria 'Perle von Nürnberg' homenageia a cidade alemã de Nuremberg (pérola de Nuremberg), situada no norte da Baviera. Também premiado, este híbrido é resultado do cruzamento entre Echeveria gibbiflora e Echeveria elegans.


Além das belíssimas colorações em tons pastel de suas rosetas, estas duas suculentas representantes do gênero Echeveria têm em comum o delicado acabamento com aparência de pó translúcido conferido pela pruína.

Suculenta Echeveria 'Perle von Nürnberg'
Echeveria 'Perle von Nürnberg'

Este material sai muito facilmente, quando entra em contato com qualquer outra superfície. Infelizmente, a pruína não é reposta pela Echeveria, de modo que o menor descuido no manuseio destas suculentas acaba deixando suas folhas marcadas com nossas digitais, o que arruína sua aparência delicadamente empoeirada. Eu evito encostas nas minhas plantas, por este motivo.

Outro notável exemplo de suculenta recoberta por pruína é dado pela Echeveria pulidonis. Neste caso, o charme fica por conta das bordas das folhas delicadamente delineadas por um traço púrpura, tendendo ao vinho, bastante ornamental.

Suculenta Echeveria pulidonis
Echeveria pulidonis

Além disso, outros hábitos podem prejudicar a aparência das folhas das Echeverias. Um deles é borrifar defensivos químicos sobre elas. De modo geral, estas substâncias provocam queimaduras nas folhas, além de destruírem a camada de pruína, deixando a superfície toda marcada. Por este motivo, costumo evitar o uso de inseticidas, e acabo dando preferência à retirada manual de eventuais pragas. Por serem densamente imbricadas, as folhas suculentas da Echeveria são um abrigo perfeito para parasitas, principalmente cochonilhas. Elas costumam se esconder na parte de baixo das folhas, junto ao caule, onde nossa vista dificilmente as alcança.


Este é um problema que acomete, frequentemente, as suculentas que apresentam rosetas muito compactas, como é o caso da Echeveria 'Imbricata'.

Suculenta Echeveria 'Imbricata'
Echeveria 'Imbricata'

Outro procedimento que ajuda bastante no combate às pragas é a retirada periódica das folhas enrugadas ou secas, que também podem servir de esconderijo das cochonilhas. Além delas, ácaros e pulgões também podem atacar a suculenta Echeveria. O melhor método de combate é a vigilância e a retirada manual durante as fases iniciais do ataque.

Voltando à relação de suculentas do gênero Echeveria que já passaram aqui pelo apartamento, destaco a Echeveria 'Black Prince'. Ela é famosa pelo tom escuro de suas folhas, que podem se aproximar de uma tonalidade quase negra. Inicialmente apresentando uma cor verde jade bem fechada, esta Echeveria vai se tornando cada vez mais escura, à medida que é exposta à luz solar. Quanto mais luminosidade esta suculenta receber, mais próxima ao negro sua coloração se tornará.

Suculenta Echeveria 'Black Prince'
Echeveria 'Black Prince'

Ao contrário das Echeverias mostradas anteriormente, este híbrido 'Black Prince' não apresenta a camada de pruína sobre suas folhas. Elas são brilhantes, com um belíssimo aspecto coriáceo. Neste caso, o problema acontece se gotículas de água, principalmente se for rica em sais minerais, permanecem por muito tempo sobre a superfície das folhas. Ao secarem, deixam manchas que são esteticamente desagradáveis. A pulverização de adubo ou defensivos químicos também provoca o mesmo efeito. Esta é uma planta que fica mais bonita se cultivada sob elevados níveis de luminosidade.


O mesmo ocorre com a Echeveria pulvinata, que apresenta o diferencial de possuir pelos na superfície de suas folhas suculentas. O aspecto aveludado é bastante ornamental, ficando ainda mais realçado com as margens avermelhadas que suas folhas adquirem, quando cultivadas em ambientes com elevados níveis de luminosidade.

Suculenta Echeveria pulvinata
Echeveria pulvinata

Aliás, a necessidade de bastante luz é uma característica comum à maioria das espécies e híbridos de Echeveria. Quando cultivadas em ambientes mais sombreados, principalmente no interior de casas e apartamentos, as suculentas deste gênero Echeveria tendem a ficar mais altas, finas e compridas. O jargão popular para esta condição é 'pescoçuda'. Tecnicamente, o fenômeno é denominado estiolamento, condição em que a suculenta cresce aceleradamente, em busca de mais luminosidade.

Uma vez que tenha acontecido, no entanto, este estiolamento tem conserto. Pode-se fazer, a qualquer momento, uma poda drástica, popularmente conhecida como decapitação da suculenta. Para tanto, basta utilizar um instrumento afiado e esterilizado, no fogo, por exemplo, e cortar a parte superior da roseta. As superfícies cortadas podem ser polvilhadas com canela em pó, para evitar a contaminação por fungos ou bactérias. A 'cabeça' deve ficar descansando por algumas horas, ou um dia, até que o corte cicatrize. Após este período, pode ser plantada em um vaso separado. A parte decapitada continua a se desenvolver normalmente, emitindo vários novos brotos. Além de ser benéfico à Echeveria, do ponto de vista estético, este procedimento é bastante útil para fazer sua propagação.

As folhas que sobrarem do processo de poda radical podem ser reaproveitadas no berçário de suculentas. Basta assentá-las em um recipiente com substrato próprio, mais arenoso, e regá-las com parcimônia, até que novas raízes e brotos surjam a partir das extremidades das folhas.


Ainda sobre o tema luminosidade, existe uma espécie que é mais tolerante a ambientes de cultivo mais sombreados. Trata-se da Echeveria shaviana, suculenta de belíssimas folhas delicadas e que parecem rendadas. Suas folhas também têm aquele fino acabamento de pruína, que lhes confere um aspecto mais fosco. A cor é de um pálido azul pastel, com nuances em lilás, principalmente nas bordas serrilhadas.

Suculenta Echeveria shaviana
Echeveria shaviana

Ao contrário das demais espécies do gênero, que sofrem um estiolamento caso não recebam a quantidade adequada de luz, a Echeveria shaviana pode ser cultivada no interior de casas e apartamentos, sem maiores problemas. Basta que ela fique posicionada próxima a uma janela bem iluminada, ainda que receba apenas luz indireta. Caso ela possa receber algumas horas de sol por dia, no início da manhã ou no final da tarde, esta Echeveria pode inclusive florescer em interiores, situação que é mais difícil de ocorrer com as outras espécies.

De modo geral, as suculentas produzem flores em dois formatos básicos, variando apenas na coloração. Alguns gêneros caracterizam-se por suas flores em forma de estrela. Outros apresentam florações típicas em forma de sino, em que as pétalas não se abrem completamente. Este último é o caso das flores produzidas pelas suculentas representantes do gênero Echeveria.

Floração da Echeveria shaviana
Floração da Echeveria shaviana

Elas surgem ao longo de compridas hastes florais, que crescem a partir das axilas das folhas. Apesar de durarem meses, as hastes das Echeverias vão produzindo flores de forma sequencial. À medida que os botões mais novos desabrocham, na ponta da haste, os mais antigo já vão se fechando e secando, caso não sejam polinizados. Após o término da floração, há quem aproveite a haste floral para tentar produzir novas mudas. Eu nunca consegui, não é um fenômeno que acontece em 100% dos casos.

Ainda que floresçam, é muito difícil que as suculentas produzam sementes capazes de germinar e produzir novas mudas. Por este motivo, é sempre bom ficar atento aos falsos anúncios de sementes de suculentas disseminados na internet. Particularmente, nunca vi um anúncio de semente de Echeveria, por exemplo. O plantio e germinação deste material é um processo mais difícil de ser obtido em nossas condições domésticas de cultivo. Além disso, leva bastante tempo até que uma plântula originária a partir de semente atinja a idade adulta.


O principal inimigo da suculenta Echeveria, seja ela espécie ou híbrido, é o excesso de regas. Independentemente da periodicidade, a rega só deve acontecer após o substrato ter secado completamente. Para fazer a aferição, basta colocar o dedo sobre a superfície e afundar levemente. Para que a água das regas não fique acumulada no fundo do vaso, é bom evitar o uso do pratinho embaixo dele.

A Echeveria pode ser cultivada em vasos de barro ou de plástico. O importante é que eles tenham furos no fundo e contenham uma camada de drenagem, que pode ser composta por brita, pedrisco ou argila expandida. Pode-se colocar uma manta geotêxtil por cima desta camada, antes do substrato, para evitar que ele escape com a água das regas. Caso o material escolhido seja o vaso de plástico, é bom espaçar mais as regas, já que ele tem a capacidade de reter a umidade por mais tempo.

O substrato precisa ter uma natureza mais arenosa, para mimetizar o solo dos ambientes áridos nos quais as suculentas do gênero Echeveria são encontradas naturalmente. Existem misturas próprias para o cultivo de cactos e suculentas, disponíveis comercialmente em lojas especializadas e garden centers. Alternativamente, pode-se preparar uma mistura de terra vegetal e areia grossa, em partes iguais. O importante é que o material fique bem drenável e seque rapidamente, após as regas. Existem cultivadores que acrescentam húmus de minhoca ou esterco curtido à mistura.


Eu, particularmente, prefiro evitar, uma vez que cultivo as suculentas dentro do quarto. Compostos orgânicos precisam sofrer um processo de decomposição, para que os nutrientes possam ser liberados e absorvidos pelas raízes das plantas. Sendo assim, há a inevitável liberação de odores desagradáveis, além da atração de insetos indesejáveis. Além disso, a suculenta Echeveria está habituada a solos pobres em matéria orgânica, de modo que não há necessidade de uma adubação muito elaborada.

Nem todos os cultivadores de suculentas gostam que suas plantas floresçam. Como as flores têm importância ornamental secundária, e raramente produzem sementes viáveis, é comum que as hastes florais sejam podadas, tão logo surjam. Desta forma, a suculenta não gasta energia com a floração, continuando seu crescimento vegetativo. Além disso, em muitos casos, como ocorre com a Orostachys boehmeri, a popular rosinha de pedra, a planta morre após a floração. Em outros casos, como no gênero Echeveria, a planta tende a ficar mais estiolada, durante este processo.

Também evito aquela clássica finalização de pedrisco branco nos vasos das suculentas, sejam Echeveria ou não. Isso porque este material fica encardido muito rapidamente, adquirindo uma coloração amarelada ou amarronzada. Além disso, esta camada adicional dificulta a aferição do nível de umidade do substrato, entre uma rega e outra. Aqui no apartamento, cultivando as suculentas dentro do quarto, percebo quando é hora de regar apenas olhando a coloração da terra, que fica mais clara e ressecada. Além disso, nesta situação, o vaso fica mais leve. Acho bem prático.

Resumindo, as diversas espécies, variedades e híbridos da suculenta Echeveria são plantas bastante ornamentais e resistentes, sendo ideais para quem está iniciando o cultivo de suculentas. Deve-se apenas tomar o cuidado de não regar em excesso e fornecer bastante luminosidade. A manutenção é bastante tranquila e o crescimento e multiplicação da Echeveria é bem acelerado. Vale a pena colecioná-las, dada a imensa variedade de formas e colorações disponíveis no mercado.