Guia completo para cultivar plantas dentro de casas e apartamentos

By Sergio Oyama Junior

Echeveria shaviana


Echeveria shaviana
Echeveria shaviana

Esta delicada planta suculenta, cujo nome científico é Echeveria shaviana, possui um lugar de destaque nas coleções dos aficionados. Sua aparência e coloração únicas sempre me chamaram a atenção. Mesmo para quem está iniciando no cultivo de suculentas, é muito fácil identificar esta espécie, caracterizada por suas folhas mais delgadas, menos gorduchas, cada uma apresentando um fino acabamento ondulado em suas bordas. Lembra um pequeno repolho ornamental. A coloração azulada pálida é delicadamente complementada por um tênue sopro rosado nas extremidades.

De modo geral, as plantas do gênero Echeveria, pertencentes à família Crassulaceae, são bastante parecidas entre si. Elas se caracterizam pela organização em roseta de suas folhas suculentas, que lhe conferem a aparência de flores de pedra. Particularmente, chego a achar complicado classificar as diferentes espécies de Echeveria, acho todas sempre muito parecidas. Além disso, há uma grande variedade de híbridos intergenéricos, principalmente com Graptopetalum, cujas características são muito similares às dos gêneros originais. Por mais incrível que possa parecer, a Echeveria shaviana é uma das plantas progenitoras do famoso híbrido 'Black Prince', que já foi tema de um artigo aqui no blog. Outra belíssima representante deste gênero, já mencionada aqui no blog, é a Echeveria 'Perle von Nürnberg'.

No entanto, a Echeveria shaviana, por possuir características únicas, não apresenta grandes problemas para ser reconhecida. Basta batermos o olho em um lote de plantas suculentas para logo identificarmos suas belas folhas rendadas. É, de fato, uma planta especial. Como se não bastasse a forma original, sua coloração também é notável. Quanto mais sol a planta recebe, mais as bordas das folhas adquirem uma tonalidade pink suave. O tom azul acinzentado, meio pálido, torna-se ainda mais delicado com um fino acabamento de pruína, substância cerosa que protege a superfície das folhas, tornando-as hidrofóbicas, e conferindo-lhes uma aparência empoeirada. É esta mesma substância que recobre os cachos de uva.

No exterior, a Echeveria shaviana é conhecida como mexican hen ou galinha mexicana.  Pode parecer esdrúxulo, em um primeiro momento, mas há uma explicação interessante. Curiosamente, em países da América do Norte, uma série de plantas suculentas, geralmente pertencentes aos gêneros Sempervivum e Echeveria, são popularmente chamadas de hen and chicks ou hen and chickens. O apelido 'galinha e pintinhos' faz alusão ao fato de que muitas delas lançam estolões, caules modificados que surgem a partir da planta mãe (galinha), em cujas extremidades há vários novos brotos (pintinhos). Trata-se de uma forma de propagação de várias suculentas.



Estes estolões são comumente observados na espécie Orostachys boehmeri, a popular rosinha de pedra. Outra suculenta famosa por emitir caules com novos brotos é o Graptopetalum macdougallii. No caso da Echeveria shaviana, contudo, nunca vi estas estruturas. Ainda assim, sabe-se lá por qual motivo, ela acabou sendo apelidada de galinha (mexican hen). A Echeveria runyonii 'Topsy Turvy', que já apareceu aqui no blog, também costuma receber esta denominação popular.

De qualquer forma, e como não poderia deixar de ser, o habitat de origem da Echeveria shaviana fica localizado no México, mais precisamente nos estados de Tamaulipas e Nuevo Leon. Esta é uma região conhecida por exportar diversas plantas suculentas, muito apreciadas por seu valor ornamental. De lá também vieram a famosa planta fantasma e a popular Echeveria 'Topsy Turvy'. Trata-se de uma região árida e montanhosa, bastante ensolarada, que apresenta as condições climáticas ideais para o desenvolvimento de cactos e suculentas. O gênero Echeveria foi assim nomeado em homenagem ao artista botânico mexicano Atanasio Echeverría y Godoy, que viveu no século XVIII, neste país repleto de belíssimas suculentas.

Suculenta Echeveria shaviana - Floração
Echeveria shaviana - Floração

A floração da Echeveria shaviana é um capítulo à parte. Muitas plantas suculentas, principalmente as representantes do gênero Echeveria, costumam exigir elevados níveis de luminosidade para que produzam flores. Aparentemente, não é o caso da shaviana.

Após alguns meses sendo cultivada dentro do apartamento, mais precisamente em meu quarto, próxima a uma janela face oeste, esta bela Echeveria shaviana já começou a emitir uma haste floral. A princípio, ela é toda pálida e empoeirada, no mesmo tom das folhas.

Não sei se é impressão minha, mas tive a sensação de que a haste floral demorou uma eternidade para se desenvolver. Quem a vê surgindo pequena e tímida, cabisbaixa, como na foto acima, não imagina que pode atingir grandes proporções, à medida que vai se elongando e se desenrolando.

Suculenta Echeveria shaviana - Haste Floral
Echeveria shaviana - Haste Floral

A Echeveria shaviana floresce tipicamente durante os meses mais quentes do ano, predominantemente no verão. As flores são de uma delicadeza única. Possuem o interior alaranjado, apresentando uma coloração tênue rosada, que reveste cada pequeno sino. Elas não se abrem completamente e duram poucos dias, individualmente. O desabrochar é sequencial, e vai ocorrendo à medida que a haste floral se elonga.

Suculenta Echeveria shaviana - Detalhe das flores
Echeveria shaviana - Detalhe das flores

Um dos fatores que costumam dificultar a vida dos que cultivam suculentas dentro de casas e apartamentos, principalmente aquelas do gênero Echeveria, é a ocorrência do estiolamento por falta de luz. Quando os níveis de luminosidade são insuficientes, a planta tende a crescer aceleradamente, ficando fina e comprida, em busca de mais luz. Ou seja, ficam estioladas. Nestes casos, uma poda radical precisa ser feita, para melhorar a aparência da suculenta pescoçuda.

No caso da Echeveria shaviana, felizmente, este problema não ocorre. Ainda que não seja cultivada sob sol pleno, esta suculenta mantém sua roseta compacta e bem-comportada, não apresentando sinais de estiolamento. Por esta razão, trata-se de uma planta ideal para os que cultivam plantas em interiores. Evidentemente, quanto mais luz a suculenta receber, melhor será seu desenvolvimento e floração. De modo geral, a Echeveria shaviana contenta-se com uma luminosidade indireta, proveniente de janelas face norte, leste ou oeste. 



Os vasos podem ser de barro, plástico ou cerâmica, desde que as regas sejam ajustadas de acordo com o material. Vasos de barro permitem que o substrato seque mais rapidamente, ao passo que os de plástico ou de cerâmica, impermeabilizados, conservam a umidade por mais tempo. Por este motivo, independentemente do material, é importante que eles possuam uma boa camada de drenagem no fundo, que pode ser composta por isopor, pedrisco, brita ou argila expandida. Por cima dela, é aconselhável colocar uma manta de drenagem, que vai permitir o escoamento da água, ao mesmo tempo que retém as raízes e substrato.

Há inúmeras combinações de materiais para a confecção de substratos para suculentas. A mistura clássica é a de terra vegetal e areia grossa, em partes iguais. Para quem está começando ou procura comodidade, há substratos prontos, próprios para suculentas, à venda em casas especializadas. De modo geral, o mix não precisa ser rico em matéria orgânica, uma vez que as suculentas são originárias de regiões áridas, de solo arenoso e pobre em nutrientes.

Por esta razão, a adubação não precisa ser excessiva ou muito elaborada. Uma fórmula básica de manutenção, do tipo NPK, já é mais do que suficiente. Existem adubos com formulações desenvolvidas para o cultivo de cactos e suculentas. Eu, particularmente, não utilizo adubo orgânico no cultivo de minhas plantas, de maneira geral. Uma vez que sofrem decomposição para liberar os nutrientes, acabam exalando odores desagradáveis e atraindo insetos.



O principal cuidado no cultivo da Echeveria shaviana, que é comum a todas as suculentas, é quanto à frequência das regas. Elas somente devem ocorrer quando o substrato estiver completamente seco, independentemente da periodicidade. Obviamente, ela será mais frequente em regiões quentes e secas, mas o importante é evitar o excesso de água. O pratinho embaixo do vaso também precisa ser evitado, para que não acumule a água das regas.

Devido ao seu porte compacto, com caule curto, as rosetas da Echeveria shaviana costumam ser atacadas por fungos e cochonilhas. As folhas secas que se acumulam na base da planta são um excelente esconderijo para estas pragas, e devem ser retiradas periodicamente. Eu costumo remover cochonilhas manualmente, quando a infestação ainda está no começo. O uso de inseticidas, mesmo que próprios para jardinagem, arruínam a aparência da suculenta, deixando as folhas manchadas. Há quem use soluções caseiras, como calda de sabão ou álcool isopropílico no combate a estas pragas.

Embora a Echeveria shaviana floresça com uma certa facilidade, é muito difícil reproduzir esta suculenta através de sementes. É importante tomarmos cuidado com falsos anúncios de sementes de suculentas. O processo de propagação mais comumente utilizado é através da brotação de folhas saudáveis destacadas da planta mãe. Elas podem ser cultivadas em um berçário de suculentas. É importante salientarmos que o desenvolvimento destes bebês é bem lento. Além disso, perdas podem ocorrer durante o caminho.

Como mencionado, esta é uma das poucas suculentas do gênero Echeveria que podem ser cultivadas sob meia sombra, sem que estiolem. Evidentemente, também ficarão muito bem sob sol pleno. O importante é que a transição de um ambiente para outro seja feito com cuidado, de maneira gradual, para evitar queimaduras nas folhas.

Delicada, de personalidade única, e muito fácil de ser cultivada, a Echeveria shaviana é uma valiosa adição à coleção dos que apreciam plantas suculentas.