Cacto Opuntia monacantha monstruosa


Cacto Opuntia monacantha monstruosa
Opuntia monacantha monstruosa

Na natureza, é comum encontrarmos diferentes versões, em termos de coloração ou morfologia, para uma mesma espécie botânica. É o caso das formas alba, semi alba ou caerulea que ocorrem nas orquídeas, diferentes da forma tipo, a mais comumente encontrada no habitat.

Este mesmo fenômeno pode ser constatado no mundo dos cactos e suculentas. É possível observarmos as formas variegata ou cristata na maioria das espécies colecionadas pelos cultivadores. Por serem mutantes, de ocorrência mais rara, estas variantes costumam ser mais cobiçadas, tendo seu valor de mercado aumentado. 

Neste contexto, mas menos conhecida do que as anteriormente citadas, existe a forma monstruosa (monstrose, em inglês), que ocorre principalmente em cactos e suculentas. São plantas que desenvolvem um padrão de crescimento anômalo, desordenado, que não se restringe aos meristemas apicais (extremidades) das variedades normais. Qualquer segmento do cacto ou suculenta, em sua forma monstruosa, pode gerar novos brotos, aleatoriamente, como em um tumor. É o que ocorre com a Opuntia monacantha monstruosa, tema deste artigo.

Apesar de o nome e a descrição serem algo assustadores, o fato é que as formas monstruosas costumam ser belíssimas e raras. Plantas que apresentam este padrão de crescimento são muito valorizadas pelos colecionadores, uma vez que formam verdadeiras esculturas, completamente diferentes da espécie original. A Opuntia monacantha monstruosa, por exemplo, lembra-me um adereço da Sagrada Família, de Gaudi.

Existem cactos monstruosos famosos, tais como o curioso cacto castelo de fadas (fairy castle cactus), que vai emitindo novos brotos laterais ao redor do segmento principal, lembrando as torres dos célebres castelos dos contos infantis. A suculenta orelha de Shrek é outra planta famosa que, na verdade, consiste em uma variação monstruosa da espécie Crassula ovata, cuja aparência é completamente diferente da mutante orelhuda.


Cacto Opuntia monacantha monstruosa
Opuntia monacantha monstruosa

A Opuntia monacantha é uma planta de natureza suculenta que, por pertencer à família botânica Cactaceae, é popularmente designada como um cacto. Trata-se de uma parente do famoso cacto orelha de Mickey, Opuntia microdasys, sobre o qual já falamos aqui no blog. Ela é nativa de países da América do Sul, tais como Brasil, Paraguai e Argentina. A espécie tem originalmente a aparência das clássicas palmas, as mesmas utilizadas como alimento alternativo para o gado, na região nordeste.

Em sua forma monstruosa, no entanto, a Opuntia monacantha é totalmente diferente. Muito mais compacta, densamente imbricada com múltiplos segmentos, que crescem a partir de praticamente todas as aréolas do cacto. Estes novos brotos surgem como pequenas esferas, que vão se elongando à medida que se desenvolvem, podendo ser destacados para gerarem novas plantas.

O cultivo da Opuntia monacantha monstruosa é bastante simples e não difere daquele aplicado à maioria dos cactos e plantas suculentas. Embora prefira sol pleno, pode ser cultivada no interior de casas e apartamentos, desde que próximo a uma janela bem ensolarada, preferencialmente face norte. 

O substrato deve ser mais arenoso, composto por uma mistura de areia grossa e terra adubada, em partes iguais. É importante que o vaso tenha uma boa camada inferior de drenagem, composta por pedrisco, brita ou argila expandida. A rega é bem esparsa, apenas quando o material estiver totalmente seco. É sempre essencial evitar o excesso de água, principalmente no inverno.

O exemplar de Opuntia monacantha monstruosa que ilustra este artigo foi encontrado pelo meu pai,  a quem sou muito grato, por estar sempre antenado e à procura de espécies novas e interessantes para incrementarem a coleção de cactos e suculentas aqui do apê.


Orquídea Paphiopedilum Leeanum - Floração 2018


Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

Dentre as várias espécies de plantas popularmente conhecidas como 'orquídea sapatinho', o Paphiopedilum Leeanum é, sem dúvida, o mais cultivado em todo o Brasil. Apesar de ter sua origem nos países do sudeste asiático, esta orquídea exótica adaptou-se perfeitamente ao clima brasileiro, podendo ser encontrada nas mais diferentes coleções, de orquidófilos ou não. Por ser uma orquídea de hábitos terrestres, costuma ser cultivada por nossas mães e avós como simples plantas de jardim.

O Paphiopedilum Leeanum é um híbrido primário, o que significa que esta orquídea é resultante do cruzamento entre apenas duas espécies diferentes: Paphiopedilum insignePaphiopedilum spicerianum. Trata-se de um clássico, já que seu registro ocorreu em 1884. Desde então, vem sendo cultivado e comercializado como planta ornamental em todo o mundo, muito embora alguns colecionadores mais puristas torçam o nariz para orquídeas híbridas e comuns.


Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

Mas esta pobre orquídea underappreciated tem lá suas armas de sedução. Trata-se de uma planta extremamente resistente. Ela cresce em qualquer lugar, pouco importando-se com a natureza do vaso ou do substrato. Vai muito bem em vasos de plástico, de terracota, plantada em terra vegetal, substrato para orquídeas ou em uma mistura de ambos. 

Qualquer que seja a condição de cultivo, o Paphiopedilum Leeanum vai crescer desesperadamente. Seus leques de folhas produzem inúmeras brotações laterais, fazendo com que o vaso entouceire rapidamente. Quanto mais antiga for a orquídea, mais espetacular será sua floração.

Este meu exemplar foi comprado no ano passado, com três flores abertas. Neste ano, com a planta já ocupando todo o vaso, a floração aumentou. Foram quatro hastes florais, sendo que uma delas produziu flores gêmeas. Um espetáculo de cinco sapatinhos em um arranjo naturalmente harmonioso. Tenho pavor de colocar arames, espetos e paus para manter cada haste floral ereta. Acho que é um misto de medo, dó e preguiça. Portanto, deixo que as flores resolvam-se por conta própria, em busca de seu espaço ao sol.


Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

Outro atributo interessante desta orquídea sapatinho é que ela não necessita de altos níveis de luminosidade para produzir flores. Qualquer luz indireta, no interior de casas e apartamentos, já é suficiente para induzir a floração. Claro que, quanto maior a luminosidade fornecida, melhores e mais abundantes serão as flores. O Paphiopedilum Leeanum chega a tolerar inclusive algum sol direto, excetuando-se as horas mais quentes do dia.

Esta é uma orquídea que floresce pontualmente, uma vez ao ano, durante os meses de outono e inverno. É bastante comum que muitos cultivadores costumem ser presenteados com flores sempre na época do dia das mães. Aqui no apartamento, elas surgem um pouco mais tarde, na entrada do inverno.

Todas estas características tornam bastante democrático o cultivo desta orquídea. Qualquer cantinho iluminado pode abrigar uma bela touceira de sapatinhos. Como se não bastassem tantas vantagens, o Paphiopedilum Leeanum ainda nos presenteia com florações muito duradouras. Cada flor passa meses aberta, mantendo-se viçosa por longos períodos. Ela só não tem perfume, infelizmente.


Sansevieria Moonshine


Sansevieria Moonshine
Sansevieria Moonshine

Quando pensamos em plantas suculentas, raramente lembramo-nos das resistentes representantes do gênero Sansevieria. Por se tratarem de plantas domésticas bastante popularizadas, quase onipresentes, acabam recebendo menos atenção dos cultivadores. 

As Sansevierias são plantas originárias do continente africano, ilha de Madagascar e sudeste asiático, apresentando suas típicas folhas suculentas que crescem em torno de rosetas. Costumam compor belos arranjos verticais, de grande impacto visual.

Embora o gênero Sansevieria abrigue apenas algo em torno de 70 espécies, há no mercado uma grande variedade de híbridos, produzidos pelo homem com finalidades ornamentais. A maioria das plantas apresenta uma padronagem muito característica nas folhas, que lembra a pele das serpentes. Por este motivo, costumam ser conhecidas como snake plants. Aqui no Brasil, são popularmente chamadas de espadas de São Jorge.


Sansevieria Moonshine
Sansevieria Moonshine

Sandevieria Moonshine, no entanto, é uma belíssima exceção a esta regra. Este híbrido apresenta folhas mais largas, claras e lisas. Quando jovem, a planta exibe uma suave coloração cinza esverdeada nos novos brotos, lembrando, de fato, o brilho da lua. À medida que se desenvolve, esta tonalidade vai se tornando mais escura e algumas marcações horizontais começam a aparecer. 

Quanto mais velha for a planta, mais escuras serão suas folhas. No entanto, a aparência geral sempre será de uma padronagem mais lisa, sem a característica estampa de pele de cobra encontrada nas variedades mais comuns. Com o tempo, as diferentes tonalidades de verde em uma mesma touceira produzem um efeito bastante ornamental.

Além de bonita, a Sansevieria Moonshine apresenta a interessante capacidade de purificar o ar. Estudos conduzidos pela agência espacial americana demonstraram que esta e algumas outras plantas domésticas são capazes de remover toxinas do ambiente, elementos nocivos como formaldeído, xileno e tolueno. Por outro lado, todas as partes da planta são tóxicas se ingeridas.


Sansevieria Moonshine
Sansevieria Moonshine

Trata-se de uma planta bastante resistente, quase indestrutível, que cresce e se multiplica com rapidez. Sua natureza suculenta facilita o trabalho de manutenção, já que a Sansevieria Moonshine suporta longos períodos sem rega.

Além disso, esta planta tolera diferentes níveis de luminosidade, podendo ser cultivada tanto em ambientes internos como externos. Dentro de casas e apartamentos, sobrevive quando mantida em locais mais sombreados, sem problemas. Em outro extremo, também suporta o cultivo sob sol pleno.

O único cuidado a ser tomado, em relação ao cultivo da Moonshine, é não regar em excesso. É bastante importante evitar o acúmulo de água no centro da roseta, que pode apodrecer e matar a planta. Ainda que isto aconteça, ela poderá produzir novos brotos laterais, através da emissão de rizomas subterrâneos. É uma guerreira.

Em resumo, a Sansevieria Moonshine é uma excelente opção para quem quer fugir da tradicional espada de São Jorge. Embora seja do mesmo gênero botânico, apresenta uma folhagem mais clean e minimalista, bastante elegante. Ao mesmo tempo, trata-se de uma suculenta ideal para quem aprecia plantas resistentes e de baixa manutenção.