Cacto Castelo de Fadas


Cacto Acanthocereus tetragonus
Acanthocereus tetragonus

No mundo das plantas ornamentais, é comum que apelidos ou nomes populares acabem conquistando o público consumidor, tornando-se mais famosos do que suas classificações científicas formais. Este fato é frequentemente observado quando se tratam de plantas suculentas e cactos, tamanha é a diversidade de formas e variedades existentes.

O cacto castelo de fadas, cujo nome científico é Acanthocereus tetragonus, é um cultivar miniaturizado da espécie original. Trata-se, na verdade, de uma forma monstruosa, assim como a Opuntia monacantha monstruosa, que já foi tema de um artigo aqui no blog. Cactáceas que apresentam este padrão de crescimento incomum emitem brotos por todos os lados, desenvolvendo-se de uma forma desordenada.

No caso do Acanthocereus tetragonus 'Fairy Castle', como é conhecido no exterior, os novos brotos laterais vão conferindo à planta mãe um aspecto escultural, que em muito lembra os castelos dos contos de fadas, com suas inúmeras torres. À medida que cresce, este simpático cacto vai assumindo um formato piramidal invertido, com uma base mais afunilada e uma enorme massa de novos ramos no topo da planta.


Cacto Acanthocereus tetragonus
Acanthocereus tetragonus

O cacto castelo de fadas é originário dos estados americanos da Flórida e do Texas, podendo também ser encontrado no México, na América Central e em alguns países ao norte da América do Sul. Em seu habitat natural, o Acanthocereus tetragonus é muito mais alto e menos ramificado do que o cultivar ornamental que costumamos encontrar nos garden centers

O aspecto único e o porte relativamente pequeno são características que tornam o cacto castelo de fadas ideal para o cultivador de apartamento. Como todos os cactos, ele necessita de bastante luminosidade para se desenvolver. Mas não há necessidade de mantê-lo sob sol pleno, o tempo todo. O fairy castle cactus pode ser cultivado dentro de casas e apartamentos, desde que próximo a janelas bem iluminadas.

É sempre bom lembrar que mesmo um cacto pode sofrer se exposto ao sol do meio-dia, repentinamente. É necessário um processo de adaptação para que a migração de um local mais sombreado para outro sob sol pleno ocorra da maneira menos traumática possível.

Inúmeros castelinhos de fadas podem ser obtidos a partir de uma planta matriz. Basta destacar alguns brotos laterais, preferencialmente os mais próximos à base, e deixá-los por alguns dias ao ar livre, para que o corte da separação tenha tempo de ser cicatrizado. Depois, é só plantar o segmento em um novo vaso, com solo bem drenável, preferencialmente arenoso.

Além de propagar o cacto castelo de fadas, este procedimento de retirada dos brotos basais ajuda a esculpir o conjunto, tornando o aspecto de pirâmide invertida ainda mais acentuado.

Sob estas condições de cultivo doméstico, é muito raro observar uma floração do cacto castelo de fadas. Apesar deste pequeno empecilho, é um deleite cultivar esta planta de aparência tão lúdica. É uma diversão sem fim ver cactos e suculentas crescendo, observar a forma dramática como suas silhuetas vão se modificando com o tempo.

Para os que apreciam esta família botânica, o cacto castelo de fadas ou fairy castle cactus é uma peça fundamental a ser adicionada à coleção de todo amante de cactáceas.


Echeveria 'Perle von Nürnberg'


Suculenta Echeveria 'Perle von Nürnberg'
Echeveria 'Perle von Nürnberg'

As plantas suculentas do gênero Echeveria são típicas de ambientes áridos, localizados em países da América Central e México. Pertencem à família Crassulaceae e foram assim nomeadas em homenagem ao mexicano Atanasio Echeverría y Godoy, artista botânico que viveu no século XVIII.

A Echeveria que protagoniza o artigo de hoje é bastante popular entre os colecionadores, por sua beleza única e suave. O nome é pomposo, Echeveria 'Perle von Nürnberg', que em alemão significa 'Pearl of Nuremberg' ou 'Pérola de Nuremberg', cidade situada ao norte da Baviera, na Alemanha.

Mais conhecida simplesmente como Echeveria Perle, esta suculenta é uma planta híbrida, resultante do cruzamento entre Echeveria gibbiflora e Echeveria elegans. Sua característica mais marcante é a coloração pastel de suas folhas, que mescla um cinza pálido, quase azulado, com bordas em um pink suave. O verso das folhas suculentas, na região próxima à junção com o caule, também tem uma coloração rosada, tendendo ao lilás. Todo o conjunto parece ter sido polvilhado com uma fina poeira esbranquiçada.

Este conjunto de características torna a Echeveria 'Perle von Nürnberg' tão especial que o cruzamento foi premiado pela Royal Horticultural Society com o Award of Garden Merit, prestigiada honraria concedida anualmente às melhores plantas cultivadas no Reino Unido. Igualmente premiada é a variedade Echeveria 'Topsy Turvy', que já foi tema de um artigo aqui no blog.

A Echeveria 'Perle von Nürnberg' pode ser cultivada tanto à meia sombra ou sob sol pleno. No entanto, é sempre bom lembrar que a planta precisa de um período de adaptação para receber os raios solares diretamente. Caso contrário, haverá queimaduras nas folhas, que podem levar à morte da suculenta. O ideal é sempre utilizar uma tela de sombreamento para evitar acidentes, principalmente nas estações mais quentes do ano.

Esta é uma planta suculenta que tende a ficar alta. Periodicamente, pode ser necessária a realização de uma poda drástica, popularmente conhecida como decapitação, para rejuvenescer sua aparência. Este também é um método para multiplicar a Echeveria Perle, já que a porção decapitada produzirá novos brotos. Alternativamente, as folhas destacadas podem ser colocadas em um berçário, para propagação em larga escala.

As demais condições de cultivo da Echeveria 'Perle von Nürnberg' são idênticas àquelas aplicadas à maioria das plantas suculentas. O substrato precisa ser bem drenável, constituído por uma mistura de terra adubada e areia, em partes iguais. As regas devem ser bem espaçadas, permitindo que o material seque bem. É importante remover as folhas mais antigas, que murcham e secam na base da planta. Este material costuma ser um abrigo perfeito para uma grande variedade de pragas.

Esta suculenta especial tem um significado muito importante para mim, já que foi um dos presentes que ganhei de aniversário do casal Hiroko e Takashi Matsumoto, a quem sou muito grato por todo o apoio ao trabalho realizado aqui neste blog.


Suculenta Haworthia retusa


Suculenta Haworthia retusa
Haworthia retusa

As pequenas e delicadas plantas suculentas do gênero Haworthia são originárias de países mais ao sul do continente africano, tais como Moçambique, Namíbia, Lesoto e África do Sul, tendo sido assim nomeadas em homenagem ao entomologista britânico Adrian Hardy Haworth. 

A espécie Haworthia retusa, protagonista deste artigo, é comumente confundida com as espécies mutica e pygmaea, podendo ainda ocorrer variedades e híbridos entre elas. Para variar, a classificação botânica destas plantas é bem controversa. Em comum, todas apresentam as características folhas suculentas, bastante rígidas, dispostas em rosetas esculturais, em forma de estrelas. Uma belíssima espécie deste gênero, que já foi apresentada aqui no blog, é a Haworthia limifolia.

A Haworthia retusa possui uma aparência bastante compacta e geométrica, com linhas retas raras de se ver na natureza, formadas por suas folhas triangulares espessas, quase translúcidas, repletas de água. O aspecto exótico desta planta suculenta torna-se ainda mais interessante devido ao intenso brotamento a partir da base, que forma densos clusters de blocos tridimensionais encaixados, como em um lego.


Suculenta Haworthia retusa
Haworthia retusa

Embora a Haworthia retusa seja típica de ambientes áridos, vegetando entre pedras, é uma das poucas plantas suculentas que podem ser cultivadas em locais mais sombreados. Ela não necessita de sol pleno para se desenvolver e florescer. Esta característica a torna ideal para o cultivo doméstico, dentro de casas e apartamentos. 

Introduzida durante o século XVIII, pelos ingleses, esta planta suculenta faz sucesso em todo o mundo por requerer uma baixa manutenção, ocupar pouco espaço, contentar-se com um parapeito de janela e precisar de poucas regas.

Como acontece com todos os cactos e suculentas, a Haworthia retusa só não tolera o excesso de água. O solo precisa ter uma boa drenagem e secar completamente entre as irrigações. No inverno, a frequência de regas deve ser reduzida. Devido à anatomia das folhas, imbricadas em forma de roseta, é recomendável evitar molhar a planta por cima, para que a água não se acumule nas fendas.

Este exemplar de Haworthia retusa foi mais um achado do meu pai, Sergio Oyama, que tem se mostrado um excelente curador de plantas para a minha coleção. Além de grande e saudável, esta suculenta veio repleta de novos brotos laterais, na base. Como se isso não bastasse, está com uma haste floral despontando. Mal vejo a hora de saber como é a flor desta pequena escultura viva.