Planta Fantasma - Graptopetalum paraguayense


Planta fantasma - Graptopetalum paraguayense
Graptopetalum paraguayense

Dentre todas as plantas suculentas popularmente conhecidas como flores ou rosas de pedra, a espécie Graptopetalum paraguayense é, sem dúvida, a mais difundida no cultivo doméstico. Sua aparência peculiar rendeu-lhe o apelido de planta fantasma ou ghost plant. Esta suculenta pode ser encontrada em todas as coleções, sendo ideal para iniciantes, tendo em vista sua resistência, crescimento rápido e facilidade de cultivo. Muitos colecionadores consideram a planta fantasma a verdadeira rosa de pedra, graças à disposição em roseta de suas folhas suculentas, que exibem uma interessante coloração acinzentada e aspecto empoeirado.

Alternativamente, esta suculenta pode atender por um nome mais classudo, mother of pearl plant ou planta madrepérola. Isso porque as folhas do Graptopetalum paraguayense, que lembram as pétalas de uma flor petrificada, podem apresentar uma grande gama de colorações, sempre em tom pastel, que vão do branco acinzentado, passando pelo azulado, até o púrpura bem claro. Tanto a cor como a forma da planta fantasma mudam drasticamente conforme a luminosidade à qual é exposta.

Se cultivado à meia sobra, sua coloração tende mais para o cinza azulado. Sob sol pleno, o Graptopetalum paraguayense tende a ficar mais púrpura, tendendo ao rosado. A planta fantasma foi uma das primeiras plantas suculentas que eu adquiri, bem no comecinho da minha coleção. O curioso é que cheguei a comprar vários exemplares da mesma espécie, em locais diferentes, sempre achando se tratarem de plantas distintas, tamanha a diversidade morfológica que esta suculenta apresenta, dependendo de suas condições de cultivo, principalmente em relação aos níveis de luminosidade aos quais é exposta. 


A aparência fantasmagórica da suculenta Graptopetalum paraguayense vem do fato de suas folhas serem recobertas por pruína, uma fina camada de cera com aspecto de pó translúcido. É a mesma substância que dá o acabamento a suculentas famosas, tais como a Echeveria runyonii 'Topsy Turvy', Echeveria shaviannaEcheveria 'Perle von Nürnberg'. Também encontramos esta camada de pruína nos cachos de uva. O interessante é que, se passarmos o dedo sobre as folhas da planta fantasma, deixamos um rastro horroroso, arruinando a aparência lindamente empoeirada da planta. A pruína retirada não é reposta, o que torna a mancha permanente. Uma forma certeira de irritar um colecionador de suculentas é manusear suas plantas e deixá-las impregnadas com impressões digitais.

Vários outros fatores causam danos a este fino acabamento da planta fantasma. Diversos inseticidas, mesmo que à base de água, acabam deixando marcas permanentes nas folhas, sob a forma de gotículas. O ataque de pragas também danifica a aparência da suculenta, uma vez que estes parasitas costumam sugar a seiva da planta ou raspar a superfície de suas folhas.

Planta fantasma - Graptopetalum paraguayense
Graptopetalum paraguayense

Ao contrário do que seu nome possa sugerir, o Graptopetalum paraguayense é originário do México, assim como muitas das plantas suculentas cultivadas com fins ornamentais. Trata-se de um gênero pertencente à grande família Crassulaceae. A planta fantasma é encontrada em sua forma nativa no Estado Libre y Soberano de Tamaulipas, localizado no nordeste mexicano. Também pertencem a esta família botânica plantas suculentas famosas, tais como a planta jade, Crassula ovata, as orelhas de Shrek, que são formas 'Gollum' e 'Hobbit' da Crassula ovata, além das espécies do gênero Echeveria, que mencionamos anteriormente.

Dentro deste mesmo gênero, outra espécie bastante comum no cultivo doméstico de plantas suculentas, com fins ornamentais, é o Graptopetalum macdougallii. Assim como a planta fantasma, Graptopetalum paraguayense, esta suculenta é de origem mexicana, bastante resistente e propaga-se rapidamente, através da emissão de estolões, caules modificados portando novos brotos nas extremidades, que geram diversas plantas ao tocarem o solo.

Também é bastante comum encontrarmos suculentas híbridas, descendentes da planta fantasma. Talvez o representante mais famoso desta categoria seja o Graptosedum 'Francesco Baldi', muito comumente encontrado nas coleções. Trata-se de um híbrido intergenérico, ou seja, resultante do cruzamento entre plantas de gêneros diferentes. A suculenta Francesco Baldi descende do Graptopetalum paraguayense, que foi cruzado com o Sedum pachyphyllum. Desta forma, temos que o híbrido intergenérico Graptosedum é fruto do cruzamento entre os gêneros Graptopetalum e Sedum.

Ainda nesta linha, outra suculenta bastante famosa é o Graptosedum Bronze. Neste caso, o híbrido descende das espécies Graptopetalum paraguayensis, a planta fantasma deste artigo, e o Sedum stahlii. Já o híbrido Graptoveria 'Fantome' resulta do cruzamento do Graptopetalum paraguayense com a Echeveria elegans. Não é difícil adivinhar o motivo de a planta fantasma ser tão frequentemente utilizada na produção de diferentes suculentas híbridas. Seu porte escultural, associado à resistência, facilidade de cultivo e rápido desenvolvimento, são características bastante desejáveis, que são transmitidas aos descendentes, fazendo grande sucesso comercial junto ao púbico consumidor.


Como cuidar da planta fantasma


O cultivo desta suculenta é muito tranquilo. Trata-se de uma planta bastante resistente, que se adapta a diferentes níveis de luminosidade. O ideal, no caso da planta fantasma, é que ela receba o maior número possível de horas de sol direto por dia. Sob estas condições, seu aspecto vegetativo ficará mais vigoroso e compacto, as folhas ficarão maiores e mais coloridas. Em locais mais sombreados, a maioria das plantas suculentas tende a estiolar, ficando mais finas e compridas, alongando-se em busca de luz.

Apesar desta exigência, a planta fantasma pode ser cultivada dentro de casas e apartamento, até mesmo escritórios, desde que fique próxima a uma janela bem iluminada.

Como sempre, as regas devem ser espaçadas, já que suas folhas têm a capacidade de armazenar água. O solo deve ser bem drenável, composto por uma mistura de terra vegetal e areia, em partes iguais. Alternativamente, pode-se comprar substratos próprios para o cultivo de cactos e suculentas, à venda em lojas que fornecem artigos para jardinagem. O vaso pode ser de plástico ou de barro, desde que a frequência das regas seja ajustada de acordo com o material escolhido. Os vasos de barro permitem que a terra seque mais rapidamente, ao passo que os de plástico retêm a umidade por mais tempo. Em todos os casos, o importante é evitar manter o pratinho sob o vaso, que pode acumular a água das regas e levar as raízes ao apodrecimento.

O manuseio da planta fantasma deve ser feito com cuidado, já que ela possui o péssimo hábito de se desmantelar toda ao menor toque. O aspecto positivo deste desfolhamento é que inúmeras mudas podem ser produzidas facilmente. Muitas vezes, nem é preciso construir um berçário de suculentas para cultivar as folhas que caem. Novos brotos vão surgindo espontaneamente no solo, ao redor da planta mãe.


O Graptopetalum paraguayense multiplica-se com rapidez, formando belas touceiras que enchem o vaso com facilidade. Quanto mais luz receber, mais rápido será seu desenvolvimento. Por este motivo, a planta fantasma tende a ficar pescoçuda precocemente, já que as folhas mais antigas, próximas à base do caule, vão secando e caindo. Apesar disso, muitos cultivadores optam por não realizar uma poda drástica, a famosa decapitação, tão comum em relação às Echeverias.

Planta fantasma bebê
Planta fantasma bebê

A razão para se manter a suculenta pernuda reside na beleza do conjunto, com seus caules desfolhados, retorcidos e esculturais portando belas rosetas de pedra em seus ápices. Se cultivada por longos anos, a planta fantasma pode até tornar-se pendente, formando uma vistosa cascata de flores suculentas, de aparência pétrea, bastante decorativa.

Embora possa florescer, a planta fantasma dificilmente o fará se cultivada em interiores. Por esta razão, a adubação pode ser mais básica, do tipo NPK, apenas para manutenção. Em seu habitat de origem, o Graptopetalum paraguayense está adaptado a solos arenosos, pobres em matéria orgânica, não sendo muito exigente quanto aos nutrientes fornecidos via adubação. Ainda assim, vejo muitos cultivadores acrescentarem diferentes compostos orgânicos aos substratos em que mantém suas suculentas, como húmus de minhoca, esterco curtido e torta de mamona. Eu apenas evito este material porque cultivo as plantas dentro de casa. Como todo adubo orgânico precisa se decompor para liberar os nutrientes, exalando odores desagradáveis e atraindo insetos, prefiro optar pela adubação inorgânica, que já vem com nutrientes livres para serem absorvidos pelas raízes das plantas.

O curioso é que, em época de Halloween, a planta fantasma (Graptopetalum paraguayense) faz uma bela composição com outras espécies de nomes populares igualmente curiosos, tais como a suculenta teia de aranha (Tradescantia sillamontana), o cacto monstruoso (Opuntia monacantha monstruosa) e a suculenta negra (Echeveria 'Black Prince').

Para quem está iniciando no cultivo de plantas suculentas, ou para quem não tem muito tempo para se dedicar a elas, a planta fantasma é uma excelente opção, já que se desenvolve bem com poucos cuidados, além de ser bastante resistente e apresentar um crescimento acelerado.