A orquídea das pedras


Mini-orquídea Laelia longipes
Laelia longipes

Quando pensamos em orquídeas, logo imaginamos uma densa e úmida floresta tropical, com árvores cobertas pelos mais belos representantes desta vasta família de plantas. No entanto, como comentado neste artigo, é mito acreditarmos que todas as orquídeas sejam epífitas e tropicais.

Algumas orquídeas aventuraram-se a descer do salto tronco e decidiram pela vida no chão, em locais inóspitos e desprotegidos. São as orquídeas terrestres. Outras foram ainda além e ousaram vegetar sobre as rochas ensolaradas dos cumes das montanhas. A estas heroínas, damos o nome de orquídeas rupícolas. São as orquídeas que vivem sobre as pedras, frequentemente debaixo de sol direto.

É o caso desta exótica Laelia longipes da foto acima, também conhecida como Hoffmannseggella longipes ou Laelia lucasiana. Apesar do habitat árido, as Laelias rupícolas são conhecidas pela beleza e delicadeza de suas flores. Quem observa estas orquídeas vegetando sob sol pleno, com as raízes fincadas entre as rochas, recebendo muito pouca água, deve imaginar que são bastante resistentes e de fácil cultivo.

Paradoxalmente, as orquídeas desta categoria sui generis são consideradas difíceis de se cultivar em ambiente doméstico. Caso tentemos reproduzir suas condições naturais, com sol à vontade e pedra como substrato, o mais provável é que percamos a planta.

Neste contexto, vale lembrar que o cultivo de orquídeas em pedra é bastante difundido no mundo todo e vem ganhando adeptos no Brasil. Costuma-se utilizar a brita como substrato único para o cultivo tanto de orquídeas rupícolas como epífitas. No entanto, não é um método trivial. É preciso estudar e conhecer as características deste cultivo diferenciado, ajustando o manejo das plantas, as regas e a adubação, tudo de acordo com o substrato.

Neste sentido, mesmo quando cultivamos orquídeas rupícolas, muitos recomendam um cultivo doméstico mais convencional, com o típico substrato para orquídeas, composto por casca de pinus e carvão vegetal. Alguns têm sucesso com brita ou pedra canga, mas as regas precisam ser constantes. A luminosidade, neste caso, precisa ser bastante intensa, porém indireta.

Já havia apresentado outras fotos da floração desta orquídea rupícola, mas resolvi trazer uma nova tomada, apenas para que vocês apreciem um pouco mais a beleza da forma e a surpreendente combinação das cores desta flor incomum.