Haste da orquídea - Corto ou não corto?


Laeliocattleya Pink Favourite
Laeliocattleya Pink Favourite

Após o término da floração das orquídeas, muitos ficam em dúvida sobre o que fazer com as hastes florais. Cortar ou não cortar? Parece uma questão banal para o cultivador experiente, mas confesso que também tinha esta dificuldade, no começo. 

A verdade é que não há uma solução única para este dilema. Dentre as muitas variáveis em questão, estão as vontades da própria orquídea e de seu dono. Neste contexto, apresento a seguir alguns dos pontos importantes a serem considerados, antes que a decisão final seja tomada.


1. A natureza da orquídea


Como existem milhares de espécies de orquídeas, é fundamental sabermos as particularidades de cada planta que estamos cultivando. Algumas orquídeas, talvez a maior parte delas, simplesmente não florescem novamente na mesma haste, após o fenecer das flores. Punto e basta, como dizem os italianos.

Determinadas orquídeas, no entanto, apresentam esta capacidade de emitir novas flores a partir das hastes florais antigas. O caso mais emblemático é o da Phalaenopsis. Outro exemplo, talvez menos conhecido, é o da orquídea Tolumnia. Na maioria dos casos, são as variedades híbridas destes dois gêneros que costumamos encontrar no mercado.

Para estas orquídeas, existe a possibilidade de uma nova floração ocorrer na mesma haste. Contudo, este evento não é líquido e certo. Tudo vai depender de uma segunda questão, que concerne à própria orquídea.


Orquídea Phalaenopsis híbrida
Phalaenopsis híbrida

2. A vontade da orquídea


Frequentemente, mantemos as hastes florais de uma orquídea Phalaenopsis ou Tolumnia, na esperança de uma segunda floração e, por vezes, ficamos a ver navios. A haste simplesmente seca. Neste caso, a única solução é cortá-la. 

Eu, particularmente, prefiro sempre cortar as hastes e espatas secas, não só por uma questão estética, mas também por motivos fitossanitários. É bastante comum que estas estruturas sejam atacadas por fungos e bactérias, além de serem potenciais abrigos para certos insetos, como cochonilhas.

Caso a orquídea esteja de bom humor, ou graças a uma série de condições climáticas e culturais que desconhecemos, sua haste antiga pode emitir novas flores, em hastes secundárias. Este bônus de floração, no entanto, costuma ter seu preço. Geralmente, a quantidade de flores é menor. Outro problema é que a orquídea não descansa, emitindo uma floração após a outra. Em alguns casos, este processo pode debilitar a planta.

Outra situação bastante comum, no caso da Phalaenopsis, é que da haste floral surjam keikis, brotos que irão gerar uma nova planta. As condições que determinam se uma planta vai emitir flores ou keikis ainda não são bem conhecidas. Portanto, é sempre uma surpresa a cargo da orquídea.




Keiki de orquídea Dendrobium loddigesii
Keiki de Dendrobium loddigesii

3. A vontade do dono da orquídea


Como em todas as áreas, o ser humano também pode colocar seu dedinho e interferir neste processo de floração das orquídeas. Caso o cultivador deseje ter uma bela floração, com aquelas hastes repletas de flores perfeitamente simétricas, o melhor a fazer é cortar a haste antiga, rente à base, e cuidar muito bem da orquídea, aguardando sua nova floração no ano seguinte. 

Neste período, a orquídea terá a oportunidade de descansar, emitir novas folhas e raízes, armazenando recursos para a próxima florada. Quando a ocasião chegar, ela emitirá uma ou mais hastes florais do zero, a partir das axilas de suas folhas, produzindo um belo espetáculo de floração.

Outros cultivadores, no entanto, preferem ter a casa florida por mais tempo. Neste caso, é possível manter a haste floral antiga e aguardar por uma eventual segunda floração. Esta, no entanto, costuma vir com menos vigor.

Algumas pessoas, com o intuito de estimular a brotação de novas ramificações, cortam a haste antiga em determinados pontos. Não há uma regra fixa, eu mesmo nunca fiz isso. Mas já li recomendações de se cortar a haste no terceiro nódulo, contando de baixo para cima. A teoria por trás deste procedimento é a dominância apical, sobre a qual falaremos em um futuro artigo.

Há também o conselho de se passar canela em pó no corte. Dizem que é para estimular o crescimento de hastes florais ou brotos (keikis), mas não acredito que isso aconteça. De qualquer forma, a canela pode prevenir que o corte seja invadido por fungos ou bactérias.

Como puderam notar, a resposta a uma questão aparentemente simples é longa, complicada e talvez enfadonha. Mas é o que costumo explicar aos leitores que frequentemente me procuram para sanar dúvidas a este respeito.




Concluo com um posicionamento que é apenas pessoal. Eu costumo cortar as hastes após o término da floração. Acredito que, ao fazer isso, tenho mais e melhores flores no ano seguinte. Além disso, proporciono um descanso à orquídea, que segue seu ciclo natural de crescimento vegetativo. Mas nada é rígido, existem sempre outras possibilidades.


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