Como cuidar de orquídeas bebês


Keiki da orquídea Dendrobium loddigesii
Keiki de Dendrobium loddigesii

Uma das coisas que mais me fascinam no cultivo de orquídeas é poder acompanhar o desenvolvimento de um pequeno broto, desde as primeiras raízes até a floração completa. Existem basicamente dois tipos de orquídeas bebês. Um nasce a partir de sementes microscópicas e leva vários anos até atingir a idade adulta. Apesar de ser um processo longo e complicado, que ocorre espontaneamente na natureza, existem atualmente técnicas de laboratório capazes de reproduzir este fenômeno em larga escala.

Outro filhote de orquídea, este mais comum, é o keiki (palavra havaiana que significa bebê). Todas as pessoas que têm orquídeas em casa acabam se deparando com um broto deste tipo, mais cedo ou mais tarde. Alguns gêneros, como Dendrobium e Epidendrum, são pródigos na arte de produzir keikis. Estes, em pouco tempo, tornam-se plantas adultas aptas a florescerem. A seguir, vamos falar um pouco sobre estas curiosas estruturas que, na melhor das hipóteses, acabam nos oferecendo uma nova orquídea de graça.

1. Como surgem

Todas as orquídeas possuem pequenas estruturas denominadas gemas. São aqueles nódulos ao longo da haste da Phalaenopsis ou as saliências nos pseudobulbos em forma de cana do Dendrobium. Cada um destes nozinhos representa um conjunto de 'células tronco'. Dependendo do estímulo, uma mesma gema pode produzir flores ou brotos.

No caso das orquídeas do gênero Dendrobium, muitas espécies precisam de um período de seca no outono/inverno, processo denominado stress hídrico. Sob estas circunstâncias, a planta entende que é época de florescer e transforma suas gemas em flores. Quando continuamos regando estas orquídeas, enviamos um sinal de que não é o período de floração. Neste caso, a planta produz keikis.

As orquídeas do gênero Phalaenopsis são mais temperamentais. Todos já viram aquele pequeno broto, com folhas e raízes, pendurado em uma haste cuja floração já acabou. Dependendo de fatores que não são completamente compreendidos, as gemas desta haste podem produzir uma nova floração ou filhotes. Existe inclusive a keiki paste, um produto vendido nos EUA, à base de hormônios vegetais, que promete estimular a formação de novos brotos a partir de gemas adormecidas.

Os keikis também podem ser a salvação de uma orquídea. Aquelas plantas com crescimento monopodial, como Phalaenopsis e Vanda, só podem crescer a partir de um único ponto, para cima. Às vezes, por excesso de água ou devido a alguma doença ou acidente, este ponto apical por onde as novas folhas surgem é comprometido. Nestas orquídeas, isto significa a morte da planta. Felizmente, existe a possibilidade de emitirem um keiki lateral, a partir da base ou da axila das folhas, de modo a gerar uma cópia que garantirá a sobrevivência daquela orquídea.

É importante observar que tanto as flores como os keikis asseguram a perpetuação da espécie. No entanto, os bebês são plantas idênticas à orquídea mãe, ao passo que as flores podem ser polinizadas por outros indivíduos, gerando uma variabilidade genética que é fundamental para o meio ambiente.


Keiki da orquídea Epidendrum fulgens
Keiki de Epidendrum fulgens

2. Como cuidar

Uma das perguntas que mais recebo vem de pessoas querendo saber como cuidar dos seus filhotes de orquídea. O primeiro e mais importante passo é deixar o keiki sossegado, lá onde está. Enquanto permanecer conectado à planta mãe, estará recebendo os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento.

Neste período, o mais importante é aguardar até que o projeto de orquídea desenvolva raízes em tamanho e número suficientes para garantirem a sobrevivência da muda após a separação. Não existe uma regra fixa para o momento certo de destacarmos o keiki da mãe. Alguns preferem mantê-los no mesmo local, indefinidamente. Quando florescerem, todos juntos, produzirão um belo espetáculo. Espero que seja o caso do Dendrobium loddigesii que ilustra este artigo, orquídea conhecida por produzir keikis loucamente.

Em algumas situações, como no caso dos brotos nascidos na haste de Phalaenopsis, não dá para mantê-los lá indefinidamente. Chega um momento em que a haste seca e é necessário replantar a nova orquídea. Um cuidado que algumas pessoas recomendam tomar, neste caso, é fornecer bastante umidade às raízes do keiki. Elas podem ser constantemente borrifadas, de modo a não ressecarem. Também podem ser envoltas em um chumaço de musgo sphagnum, medida que ajuda a mantê-las hidratadas até o momento da separação.

3. Como plantar

A parte mais crítica e traumática, ao menos para mim, é o momento de separar o bebê orquídea da mãe. Tenho pavor de causar algum dano ao broto, às raízes ou à própria genitora. No caso de Dendrobium, em que o keiki está agarrado ao pseudobulbo, costumo destacá-lo com as mãos. Puxando e rotacionando o broto, delicadamente, conseguimos separá-lo sem maiores problemas.

No caso das orquídeas Epidendrum e Phalaenopsis, em que o broto está pendurado ha haste floral, eu prefiro fazer cortes na haste, antes e depois do ponto de inserção da muda. Desta forma, não há dano algum ao keiki e a haste não terá mais função, a esta altura.

Para plantar a nova orquídea, o melhor é tratá-la inicialmente como um seedling, nome dado às plântulas nascidas de sementes. É preciso fornecer bastante umidade, sem encharcar o substrato. Eu prefiro usar musgo sphagnum em vaso de plástico. Inicialmente, é bom manter a muda em local mais sombreado, até que as raízes se desenvolvam e o keiki fique mais forte. Um bom enraizador ajuda bastante nesta etapa de aclimatação. A adubação pode começar a ser feita algumas semanas após o plantio, preferencialmente uma fórmula de crescimento, mais rica em nitrogênio, recomendada para mudas jovens.

Se tudo correr bem, em apenas um ou dois anos a orquídea bebê estará produzindo suas próprias florações. Neste momento, mais um belo ciclo da vida se completará.




24 comentários:

  1. Parabens Sergio…. excelente artigo para quem está iniciando…. como eu!!!…rsrs. Gde Abr.

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    1. Oi, tudo bem? Que bom saber que o artigo foi útil para você! Muito obrigado por ler e comentar, desejo boa sorte e tudo de bom no seu cultivo de orquídeas!

      Um grande abraço!

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    2. Sim , Sérgio! Foi bastante útil. Ganhei uma orquídea pela primeira vez e ela produziu um Keike e folhas novas, logo estou tendo aprender a cuidar dela nesta fase!

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    3. Oi, Fernanda, que legal! Fico feliz por saber que gostou, parabéns pela orquídea e pelo bebê! Muito obrigado por compartilhar esta alegria!

      Um grande abraço!

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  2. Eliana Elias Gomes15 de maio de 2015 21:50

    Olá, Sergio!
    Nossa amei esta matéria, muito boa mesmo.
    Por estes dias eu retirei um Keiki de uma Dedobrium.
    Ele estava com raízes bem compridas e achei (por intuição) que era hora de replantar.
    Tenho um sítio com muitos pés de xaxim. Eu espero eles ficarem velhos e caírem para poder utilizar, nem um minuto antes,rs
    Peguei um pedaço, fixei o bebe , ele está indo bem.
    Espero que consiga fazer este bebe se tornar uma planta linda.
    Obrigada pelas dicas,
    Fique com Deus!
    Abraço,
    Eliana

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    1. Oi, Eliana! Tudo bem? Que ótimo saber que gostou da matéria! Adorei saber do seu keiki de Dendrobium, torço para que ele lhe presenteie com uma bela floração, em breve! E parabéns pela consciência ambiental em relação ao seus pés de xaxim!

      Muito obrigado pelo comentário e por compartilhar sua experiência conosco!

      Um grande abraço!

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  3. Teresa S. Esteves15 de maio de 2015 21:50

    Olá,amigo Sérgio!
    Que bom chegar até aqui e encontrar o teu blog assim tão bonito, elegante e repleto de novidades! Adorei o novo formato!!! Parabéns pelo bom gosto e capricho!!! Sei que já faz um tempinho que não passo por aqui,mas saiba que é sempre uma alegria ler os teus posts e encontrar neles a beleza e os mistérios dessas plantas fabulosas que são as orquídeas! E que interessante saber um pouco mais sobre essas chamadas “orquídeas bebês” (as “Keikes”)!!! Já tinha lido sobre elas,mas gostei muito desse teu texto tão bem escrito e esclarecedor! Mas confesso que também tenho sempre um certo medo de mexer nos brotos e causar complicações nos “bebês” e nas “mamães” orquídeas… Fico sempre nervosa! (Rs…) E concordo contigo que há uma alegria muito especial em podermos acompanhar o desenvolvimento de uma plantinha dessas e vê-la florescer mais tarde com todo o seu espledor de maturidade floral… Uma rara felicidade para todos aqueles que realmente valorizam o grande mistério da vida!
    Meu abraço grande e carinhoso pra você e tuas encantadoras orquídeas!!!
    Teresa
    (“Se essa lua fosse minha”)

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    1. Oi, Teresa, tudo bem? Há quanto tempo! Imagine, para mim é sempre uma grande alegria recebê-la aqui, independentemente da frequência!

      É muito bom saber que gostou das mudanças, foi um processo difícil, sofrido… Mas o seu comentário faz com que tudo tenha valido a pena.

      De fato, eu adoro acompanhar o desenvolvimento destas crianças! Muito obrigado pelo carinho da sua visita e comentário!

      Um grande abraço e tudo de bom!

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  4. Olá Sérgio!
    Excelente postagem, inclusive me ajudou bastante, já que um dos meu dendrobiums (o primeiro a florir) emitiu tb keikes e eu já estava para perguntar a alguém qd deveria separá-los da matriz, mas aí as dúvidas foram sanadas ao ler este post!
    Obrigado, abração!

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    1. Oi, Jalo, tudo bem? Que legal, uma bela coincidência! Fico feliz por saber que o artigo foi útil, muito obrigado pelo comentário e pelo apoio!

      Um grande abraço!

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  5. Gostei de suas dicas sobre como cuidas das orquideas bebes, neste fim de semana acabei de fazer o contrario extrari umas mudinhas antes das raizes ficarrm fortinhas, lamentos pelos bebes, mas vo ficar mais atentos aos proximos, tenho muit que apredern ainda.
    Obrigada também pelas dicas das saudes das plantas e sei como elas conversam com a gente, pois sempre que falam com elas sempre me mosntram que preciso muda-las de lugar ou ajuda-lhas de alguma forma é fantastico este contao com elas.

    Um gradne abraco.

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    1. Oi, Vania! Tudo bem? Que ótimo saber que está gostando das dicas! Imagine, eu que agradeço a você por prestigiar nosso trabalho. Desejo tudo de bom para você e suas meninas, um ótimo cultivo e muitas flores!

      Um grande abraço!

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  6. Buenos días, Sergio. Desde hace tiempo tengo una duda y nadie ha podido aclarármela referente a los Seedlings. Incluso hice un curso sobre orquídeas hace unas semanas y tampoco me aclararon la duda, debe ser que no se´cómo expresarlo.
    Yo sigo un plan de adobamiento para todas mis orquídeas, incluso llevo todo anotado lo que les coloco para no confundirme. Les doy fertilizante todas las semanas, los domingos es el día del alimento. Mensualmente voy dando, mantenimiento, mantenimiento, mantenimiento, floración, y así vuelvo al ciclo. En el caso de los seedlings y keikys tengo dudas si debo darles sólo abono de crecimiento, el que contiene mayor porcentaje de Nitrógeno o si debo alternarlo con alguno de los otros, mantenimiento y floración. Para mí es importante aclarar esta duda porque tengo una cesta llena de seedlings creciendo todos juntos, y quiero alimentarlos correctamente. Gracias de antemano por tu tiempo. Un abrazo desde Venezuela.

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    1. Oi, Elena, bom dia! Que honra receber sua visita da Venezuela! Muito obrigado pelo apoio e consideração!

      No caso dos seedlings, não é necessário fornecer adubo de floração. Você pode optar entre o adubo de crescimento ou o de manutenção, inclusive pode-se alterná-los. Já no caso dos keikis, eles podem ser consideradas plantas adultas. Neste caso, pode-se adubá-las como as demais, seguindo seu esquema de manutenção e floração. Lembrando que estas não são regras fixas, cada cultivador adota um método próprio para adubar suas orquídeas. Eu costumo fazer desta maneira.

      Um grande abraço!

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  7. Entrei no mundo das orquídeas agora.
    Ganhei muitos keikis de minha amiga Ana.
    Nossa ! Estou penando para encontrar o equilíbrio ideal do substrato e da água ...
    Alguns keikis ficaram com as raízes pretas ... Limpei e replantei. Dói muito ver meus bebês sofrendo, por pura ignorância da minha parte :(
    Estou aprendendo muito aqui no seu super blog !!! Te acompanho no FB e no Instagram tb.
    Muito obrigada por compartilhar seus conhecimentos !
    Um abraço

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    1. Oi, Leila, tudo bem? Que pena, torço para que seus keikis fiquem bem. O melhor é molhar o substrato apenas após ele ter secado bem. Fico feliz por saber que tem acompanhado o blog e as redes sociais. Muito obrigado pelo apoio e consideração!

      Um grande abraço!

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  8. Parabéns, adorei o artigo, é de grande valia para quem está iniciando, assim como eu! Rsrsrs.
    A minha orquídea phaleanopsis está com haste floral e com um keiki,
    mas a planta mãe se encontra muito debilitada. O que me recomenda fazer,por favor?

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    1. Oi, Lilia, tudo bem? Que bom que gostou do artigo!

      Que pena, de fato, tanto as flores como os keikis consomem bastante da planta mãe. Se ela está sofrendo, acho que o melhor a fazer é cortar a haste e replantar o keiki em um vaso pequeno com musgo sphagnum. Boa sorte e muito obrigado pela visita!

      Um grande abraço!

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  9. Boa noite, Sérgio.
    Ganhei um Dendrobuim lodigesii de brinde de um orquidário. Ele veio num pequeno leque de madeira. Uma planta muito pequena, porém com dois keikis, com raízes grandes. Quero saber se posso plantá-los no mesmo vaso da planta mãe.


    Obrigado.

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    1. Oi, Marlisson, boa noite! Que legal, parabéns pelo presente! Este Dendrobium costuma emitir muitos keikis ao longo da vida. Você pode plantá-los no mesmo vaso, sem problemas!

      Um grande abraço!

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  10. Adorei a matéria,foi muito últil então eu estava regando demais e ela soltou esse broto no começo achei que fosse flores mas depois vi a raiz, e agora o que faço com a orquídea mãe?

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    1. Oi, Alcilene, que bom que gostou! A orquídea mãe pode continuar a ser cultivada normalmente. Somente é preciso ter cuidado na hora de retirar o broto, para não machucar muito a mãe.

      Um grande abraço!

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  11. Muito obrigada pela ajuda!
    Tenho uma orquídea phaleanopsis com dois keikis bastante desenvolvidos, há 2 anos que vivem colados à mãe e já deram flores! Mas só agora é que estão a começar a ganhar raízes.
    Penso que agora seja o momento ideal para as mudar, no entanto tenho medo porque um dos keikis ainda tem uma haste floral e não quero que seque.
    Qual é o tamanho que as raízes devem ter no momento de replantação e o que aconselha no meu caso?

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    1. Oi, Karol! Parabéns pelos keikis! Você tem razão, é melhor esperar o término da floração antes de separá-lo. Não existe uma regra rígida para o tamanho das raízes. Mas quanto mais longas e numerosas, melhores serão as chances de sobrevivência do keiki. Vale a pena esperar um pouco mais.

      Um grande abraço!

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