Guia completo para cuidar de plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Orquídea Sophronitis wittigiana


Orquídea Sophronitis wittigiana
Sophronitis wittigiana

Esta belíssima orquídea de colorido único, Sophronitis wittigiana, possui a conveniente característica de apresentar um porte pequeno, em relação à parte vegetativa, e flores comparativamente grandes. A cor das pétalas e sépalas, em um tom de rosa antigo, charmosíssimo, é a marca registrada desta espécie. Em termos de forma e tamanho, as flores da Sophronitis wittigiana são comparáveis às da sua prima mais célebre, a precursora de vários híbridos de orquídeas vermelhas, Sophronitis coccinea. O diferencial é a coloração pink, com delicados veios mais escuros.



A mini orquídea Sophronitis wittigiana é tipicamente brasileira. Planta que habita regiões de altitudes elevadas, localizadas no estado do Espírito Santo, aprecia climas mais amenos. Como a maioria das Sophronitis, ela não se dá bem com o calor. Seu habitat de origem é caracterizado por elevados índices de umidade relativa do ar e luminosidade difusa, proporcionada pela sombra das copas das árvores.

Dentro da família Orchidaceae, o gênero Sophronitis é relativamente pequeno. As espécies que o compõem são tipicamente brasileiras. Aqui no blog, já apresentamos a Sophronitis cernua e Sophronitis coccinea. Além da Sophronitis wittigiana, tema do artigo de hoje, também já cultivei, aqui no apartamento, a Sophronitis Arizona, que é um híbrido primário, fruto do cruzamento da Sophronitis coccinea com Sophronitis brevipedunculata. Diversos outros híbridos, descendentes da espécie coccinea, também já passaram pelas minhas mãos, muito embora tenham todos sofrido um bocado.

O gênero Sophronitis faz parte da aliança Cattleya, o que significa que suas espécies possuem grandes semelhanças genéticas com as orquídeas pertencentes aos gêneros Brassavola, Laelia e Cattleya. Por este motivo, é possível produzir híbridos intergenéricos, resultantes de múltiplos cruzamentos entre representantes destes quatro gêneros. A Sophronitis wittigiana, no entanto, é menos utilizada em hibridações, quando comparada à Sophronitis coccinea.

Confesso que tenho paixão pelas pequenas orquídeas do gênero Sophronitis. Contudo, percebo que o sentimento não é recíproco. Venho observando, não é de hoje, que elas não vão muito com a minha cara. Apesar deste pequeno detalhe, continuo insistindo. Estou sempre comprando um novo exemplar, a despeito da enorme dificuldade em cultivar estas plantas geniosas, sob as condições áridas que a varanda do apartamento oferece.


A Sophronitis wittigiana, neste contexto, não foge à regra. Ela sofre bastante com o excesso de ventos incidentes em meu ambiente de cultivo, que retiram a umidade do ar e desidratam a orquídea. Além disso, a sacada é face oeste, o que significa que ela recebe todo o sol da tarde. Mesmo protegida por telas de sombreamento, a Sophronitis wittigiana ainda sofre com as altas temperaturas do local.

Ao longo dos anos, fui desenvolvendo técnicas que me permitiram cultivar orquídeas do gênero Sophronitis com algum sucesso. A questão fundamental é aumentar os níveis de umidade relativa do ar, no ambiente de cultivo. Uma técnica que funciona bem, neste sentido, é a utilização de bandejas umidificadoras, chamadas de humidity trays, no exterior. São recipientes largos e rasos, capazes de formar uma lâmina permanente de água, no fundo, que é coberta por areia, brita, pedrisco ou argila expandida. Os vasos com a Sophronitis wittigiana vão por cima desta camada, de modo que não fiquem em contato direto com a lâmina de água.

Outro truque eficiente, neste tipo de ambiente, é agrupar as plantas ao máximo, de forma que uma proteja a outra da desidratação. No entanto, é importante que as orquídeas não fiquem muito amontoadas, com folhas sobrepostas, o que pode reduzir a eficiência da fotossíntese e facilitar o alastramento de pragas.


Caso a Sophronitis wittigiana seja cultivada em ambientes internos, ou em varandas fechadas, a utilização de um bom umidificador de ar é a escolha ideal. Em varandas abertas, não faz muito sentido recorrer a este aparato, já que o vento constante irá anular sua eficácia.

Vale sempre lembrar que elevados níveis de umidade relativa do ar não equivalem a um aumento na frequência das regas. Embora aprecie umidade no ambiente, a Sophronitis wittigiana não suporta o substrato encharcado por muito tempo. Aqui no apartamento, devido ao ambiente mais seco, costumo cultivar minhas orquídeas em vasos de plástico, que possuem a capacidade de reter a umidade do substrato por mais tempo. Venho utilizando, principalmente no cultivo de orquídeas do gênero Sophronitis, o musgo sphagnum, material que retém grandes quantidades de água. Independentemente da periodicidade, somente rego quando o substrato está seco.

Outro aparato bastante interessante, que ajuda no cultivo da Sophronitis wittigiana, é o cone de barro. Trata-se de um vaso invertido, que abriga a orquídea em suas paredes externas, de modo que seu interior é preenchido com água. Através da capilaridade, a água vai atravessando as paredes de cerâmica, atingindo as raízes expostas da orquídea, umidificando-as de forma gradual. Desta forma, não há o perigo de regar em excesso, bastando completar o nível de água dentro do cone, de tempos em tempos. Eu já utilizei o método e gostei bastante.


Ainda que todos estes recursos estejam disponíveis, no ambiente de cultivo, não é producente tentar cultivar a Sophronitis wittigiana em uma cidade cujo clima é muito quente e seco. Esta é uma orquídea que se desenvolve melhor no sul e sudeste do país, em regiões em que as temperaturas são mais amenas. A luminosidade para o cultivo desta orquídea não precisa ser intensa. Deve-se evitar o sol direto, que pode queimar suas folhas e até ocasionar a morte da Sophronitis wittigiana. Bons níveis de luminosidade indireta, filtrada, são ideais para que a planta floresça adequadamente.

Aqui no apartamento, as flores desta bela mini orquídea rosada costumam surgir durante os meses do outono, quando as temperaturas ficam mais amenas. Para que isto ocorra, além da luminosidade, outro fator importante é a adubação. Para que a floração da Sophronitis wittigiana seja estimulada, é importante adubá-la com uma formulação mais rica em fósforo. Eu costumo utilizar adubos do tipo NPK, com macro e micronutrientes, alternando fórmulas para manutenção e floração, semanalmente. Utilizo, em ambos os casos, metade da dose recomendada pelos fabricantes.

Embora não possa ser considerada uma orquídea de fácil cultivo, é impossível não se apaixonar pelas grandes pétalas em rosa antigo da Sophronitis wittigiana. Dentre as orquidáceas, este é o tom de pink que considero o mais bonito. Para quem aprecia este gênero de orquídeas, e quer diversificar a coleção, trata-se de uma espécie que vale a pena cultivar, ainda que sua manutenção possa ser um pouco mais trabalhosa.