Orquídea Sophronitis cernua - Floração 2015


Micro-orquídea Sophronitis cernua
Sophronitis cernua

Esta pequena orquídea alaranjada, Sophronitis cernua, velha conhecida de vocês, é bastante pontual. Todo final de verão, começo de outono, ela dá início aos preparativos para uma bela floração, a cada ano mais abundante. Desta vez, no entanto, ela conseguiu superar todas as expectativas - que geralmente são modestas, diga-se de passagem.

O exuberante bouquet da foto é apenas uma pequena parte das flores que esta orquídea produziu nesta estação. Infelizmente, nem todos os pseudobulbos florescem de maneira concomitante. No momento, por exemplo, enquanto algumas flores começam a murchar, outros botões iniciam o desabrochar. Na imagem acima, temos quinze flores, concentradas em apenas dois pseudobulbos. Dentre as orquídeas do gênero Sophronitis, esta é a mais generosa quanto ao número de flores.

A Sophronitis cernua é uma orquídea presente em vários estados do território brasileiro. Há relatos de que também ocorra na Bolívia e no Paraguai. No Brasil, sua ocorrência concentra-se na região sudeste. Descoberta em 1828, nas imediações da cidade do Rio de Janeiro, esta espécie foi utilizada por Lindley para descrever todo o gênero Sophronitis. Atualmente, há quem a considere parte do gênero Cattleya, sendo assim classificada como Cattleya cernua. Não consigo me acostumar.


Micro-orquídea Sophronitis cernua
Sophronitis cernua

A Sophronitis cernua é uma orquídea que aprecia elevados níveis de umidade relativa do ar em seu ambiente de cultivo. Por esta razão, é tão complicado cuidar desta micro-orquídea em apartamentos ou em interiores de modo geral. O ambiente urbano em que vivemos, notadamente os cômodos de nossas casas, costumam apresentar um ressecamento mais acentuado do ar. A falta de ventilação também é outro entrave para o cultivo de orquídeas como a Sophronitis cernua.

Credito esta floração recorde a dois fatos inéditos no cultivo desta orquídea. Tivemos um verão bastante intenso, com altas temperaturas e um sol escaldante. Para piorar, esqueci-me de colocar a tela de sombreamento, em algumas tardes quentes. Como resultado, quase matei a Sophronitis cernua, que ficou com algumas folhas e pseudobulbos queimados. Imagino que este acidente possa ter contribuído para o aumento na quantidade de flores, neste ano, já que a luminosidade é um fator importante neste processo. Além disso, passei a adubar as orquídeas com um fertilizante mais rico em fósforo, alternando com o tradicional adubo para manutenção.

A Sophronitis cernua responde muito bem quando cultivada em pedaços de madeira ou troncos de árvores. No entanto, as condições climáticas precisam ser ideais e o cuidado mais intenso, com regas mais frequentes. Para contornar este problema, utilizo cones de barro, vasos invertidos capazes de armazenar água em seu interior. A orquídea é afixada na parte externa, sendo mantida constantemente úmida, sem que suas raízes fiquem encharcadas. Alternativamente, a utilização de musgo sphagnum e vasos de plástico ajudam a manter a umidade necessária no cultivo desta orquídea.

Toda vez que esta orquídea floresce aqui no apartamento, lembro-me de quão milagroso é este acontecimento. Típica habitante das árvores nativas da úmida Mata Atlântica, principalmente do sudeste brasileiro, esta Sophronitis cernua consegue sobreviver e produzir flores em uma minúscula e árida sacada de concreto, encarapitada no décimo andar de um prédio, em uma cidade cinzenta como São Paulo.

É bem verdade que esta orquídea, por incrível que possa parecer, já fez parte da paisagem do Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Trianon, na Avenida Paulista, a poucos quilômetros daqui. Isto porque as árvores deste famoso parque são remanescentes da Mata Atlântica, representantes de espécies nativas que foram preservadas desde a época do descobrimento do país. E se a Sophronitis cernua consegue morar aqui no apartamento, quem sabe não possa, um dia, retornar às árvores centenárias do Parque Trianon, seu lar original?