Guia completo para cuidar de plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Orquídea Laelia alaorii


Orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Esta é uma orquídea bastante discreta, de porte vegetativo compacto e florações relativamente pequenas. Apesar de ter um próximo parentesco com as orquídeas do gênero Cattleya, frequentemente lembradas por seus grandes híbridos repolhudos, a Laelia alaorii é uma versão minimalista de orquidácea, sendo comumente inserida na categoria informal das mini orquídeas. Por ocupar pouco espaço, esta é uma excelente opção para quem cultiva orquídeas dentro de casas e apartamentos, desde que alguns cuidados sejam tomados, como veremos a seguir.



Dentre a orquídeas em miniatura que coleciono aqui no apartamento, esta alvíssima Laelia alaorii certamente mereceria o título de rainha, ainda que extra oficialmente. Pertencente à família Orchidaceae, cujos primeiros representantes foram descobertos há mais de 200 anos, esta mini orquídea somente foi descrita recentemente, em 1976, por Brieger e Bicalho. Tipicamente brasileira, a Laelia alaorii habita uma pequena região de Mata Atlântica, no litoral da Bahia. Sendo assim, a espécie é considerada endêmica, o que significa que ela não é encontrada nativamente em nenhum outro lugar do mundo.

Orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

A espécie botânica Laelia alaorii é uma latinização do nome de Alaor Oliveira, o primeiro a coletar a planta, na cidade de Itabuna, Bahia. Aqui no blog, já publicamos artigos sobre outras espécies do gênero Laelia, tais como a Laelia lucasiana e Laelia lundii. Devido às frenéticas e intermináveis mudanças de opiniões dos taxonomistas, cada uma destas orquídeas pode ser considerada como pertencente a outros gêneros botânicos, que não Laelia.

Tanto a planta quanto as flores da Laelia alaorii são de pequeno porte. Uma característica interessante desta orquídea é que a flor não se abre totalmente, o que lhe confere uma aparência de botão de rosa. Este exemplar da foto, na abertura deste artigo, ficou bem fechado. Há variedades em que as flores ficam mais abertas. Outro charme desta minha Laelia alaorii é a cor, excepcionalmente branca. Há alguns traços em lilás nas pontas das sépalas. O perfume é agradabilíssimo, embora bastante tênue.


Outra característica interessante, nas flores da Laelia alaorii, é a sua textura. Apesar da aparência pequena e delicada, as pétalas e sépalas desta orquídea são bastante firmes, mais rígidas do que as encontradas em outras orquidáceas. Elas podem apresentar diferentes nuances de um rosa antigo, em tom pastel, bem suave. Além disso, as variedades completamente brancas, denominadas albas, são um espetáculo à parte, consideradas mais raras.

Orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Aqui no apartamento, já obtive florações de cores diferentes, produzidas por uma mesma planta. No entanto, embora eu tenha orquídeas que descendem de variedades albinas de Laelia alaorii, todos os meus exemplares possuem alguma nuance de cor em suas pétalas e sépalas, de forma que eles podem ser ser considerados albescens, formas quase albas, como podemos observar no exemplo abaixo.

Orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

A Laelia alaorii é uma orquídea que necessita de uma alta umidade relativa do ar em seu ambiente de cultivo. Neste sentido, mantenho-a plantada em vaso de plástico, em substrato misto contendo sphagnum e casca de pinus, assim como veio do produtor. Muito embora seja comum encontrarmos recomendações para se cultivar orquídeas em vasos de barro, o plástico apresenta a vantagem de reter a umidade por mais tempo, o que é benéfico em ambientes muito secos. Aqui no apartamento, tenho bons resultados com a combinação de vaso de plástico e musgo sphagnum. Neste caso, as regas devem ser efetuadas com cuidado, para que o material não fique encharcado por muito tempo.


Como uma regra geral, somente devemos regar a Laelia alaorii quando seu substrato estiver seco. Pode-se perceber esta situação com o toque do dedo, mas o peso do vaso também é uma excelente indicação. Quanto mais leve o vaso estiver, mais seco estará o substrato em seu interior. Devemos lembrar, no entanto, que a exigência da Laelia alaorii é quanto à umidade relativa do ar, que não é obtida com uma frequência maior de regas. Para aumentarmos a umidade no ambiente de cultivo, podemos recorrer a umidificadores de ar ou bandejas umidificadoras.

No caso das bandejas, o vaso com a Laelia alaorii apoia-se sobre uma camada de argila expandida, areia ou brita, que fica por cima de uma fina lâmina de água. Desta forma, a água não entra em contato direto com as raízes da orquídea. A umidade sobe por evaporação, sem encharcar o substrato. Esta é uma solução muito mais adequada do que o simples uso do pratinho sob o vaso, que pode acumular a água das regas e favorecer o apodrecimento das raízes.

Orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Outros quesitos importantes para um bom cultivo da Laelia alaorii são uma boa circulação do ar e elevados níveis de luminosidade. Para que esta orquídea cresça e floresça frequentemente, a iluminação precisa ser intensa, porém sem sol direto. O ideal é que a luz seja filtrada por uma tela de sombreamento, capaz de reter 50% dos raios solares.


A adubação também desempenha um papel fundamental, principalmente para que a floração da Laelia alaorii seja abundante e frequente. Esta é uma espécie que pode florescer duas vezes por ano, quando bem cultivada. Aqui no apartamento, costumo alternar fórmulas de manutenção e floração, semanalmente. Embora os adubos orgânicos sejam os preferidos pelos cultivadores, dou preferência aos inorgânicos, do tipo NPK, com macro e micronutrientes. Particularmente, costumo utilizar metade da dose indicada pelos fabricantes, para evitar que o substrato fique saturado com sais minerais, que podem causar danos ás raízes. Por este motivo, é sempre importante regar o vaso em abundância, de modo que a água escoe bem pelos furos, eliminando o excesso de adubação.

Em resumo, a Laelia alaorii é uma belíssima e delicada adição às coleções de todos os admiradores desta família botânica. Com seu porte compacto, cabe nos ambientes mais apertados, desde que os corretos níveis de luminosidade e umidade relativa do ar possam ser fornecidos. Aqui no apartamento, tenho obtido florações frequentes, em uma varanda face oeste. As principais adaptações, que no meu caso fizeram toda a diferença, foram o uso de tela de sombreamento e bandeja umidificadora. Diante de tanta delicadeza, vale a pena fazer alguns esforços para que consigamos manter esta pequena joia da Mata Atlântica brasileira em nossos lares.