Como mudar a orquídea de vaso


Mini-orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Recentemente, um seguidor do Instagram perguntou-me como mudar uma orquídea de vaso. A princípio, achei que a resposta seria simples demais, algo do tipo 'tirar de um e colocar em outro'. Depois, refletindo com calma em cada detalhe do processo, ocorreu-me que uma explicação decente talvez fosse bem mais complexa. Por isso, decidi escrever este artigo. Mais importante do que como mudar a orquídea de vaso, as questões às quais devemos nos atentar são quando e por que fazer esta mudança.

Por que perturbar a orquídea


No início, eu tinha este impulso de ficar trocando a orquídea de vaso e substrato a todo momento, sempre achando que poderia melhorar seu cultivo. O fato é que, a cada perturbação deste porte, as raízes são danificadas, a orquídea fica estressada e a floração seguinte é comprometida. Portanto, a primeira regra é que devemos intervir apenas quando há um forte motivo para tal.

Neste sentido, o renomado orquidófilo Denitiro Watanabe, autor de vários livros sobre o cultivo de orquídeas e um dos entrevistados deste blog, afirma que uma orquídea somente dará uma boa floração após estar completamente aclimatada ao novo vaso. Segundo ele, este processo ocorre aproximadamente 4 anos após o replantio. Portanto, quanto menos perturbarmos as orquídeas, mais e melhores flores teremos.

Quando replantar uma orquídea


Como nada em orquidofilia é definitivo, há opiniões diferentes sobre o mesmo assunto. Segundo o especialista Antonio Yoshio Sano, outro de nossos ilustres entrevistados, a maioria dos iniciantes resolve replantar a orquídea apenas quando percebe que ela está com algum problema. Neste momento, no entanto, a situação já é crítica demais. O ideal, segundo este orquidófilo, é que o cultivador se antecipe ao decaimento da planta, ocasionado pela deterioração do substrato, e o troque antecipadamente, a cada um ano e meio, aproximadamente.

Um outro parâmetro que pode nos ajudar a decidir quando devemos mudar uma orquídea de vaso é o fator espacial. No caso das orquídeas de crescimento chamado simpodial (aquelas que emitem um pseudobulbo à frente do outro, 'caminhando' pelo vaso), chega um momento em que elas começam a querer sair do recipiente, como ilustrado na foto acima. Além da questão estética, as raízes que começam a se desenvolver para fora do vaso, completamente aéreas, podem se ressecar e morrer, por falta de umidade. Outro problema é que elas se adaptam ao modo de vida aéreo e, quando voltam a ser enterradas no substrato, geralmente morrem por não estarem mais adequadas àquela condição.

Outra informação importante para decidirmos o melhor momento de replantar nossas orquídeas é a fase de seu desenvolvimento. O ideal é esperarmos que elas comecem a emitir novas raízes e novos brotos. Desta forma, a recuperação será mais rápida após o transplante. Na maioria dos casos, estas novas brotações costumam ocorrer durante a primavera e o verão, nos meses mais quentes do ano. No frio, época em que várias orquídeas estão em dormência, é bom evitar mudá-las de vaso.

Por fim, sempre há aquelas situações catastróficas nas quais não temos escolha. Quedas e infestações por pragas são eventos que nos levam a precisar trocar o vaso das orquídeas na correria.

Como fazer a mudança da orquídea


Neste procedimento, talvez a maior dificuldade seja desprender as raízes da orquídea, que se aderem fortemente ao substrato e às laterais internas do vaso. A dica é deixar o vaso sob água corrente, por alguns minutos. Também vale submergi-lo em um balde d'água. Desta forma, as raízes tornam-se mais maleáveis e desprendem-se com mais facilidade.

É importante limpar bem a orquídea, removendo todo o substrato antigo. Também é preciso podar as raízes, removendo aquelas que estejam mortas. Caso haja pseudobulbos muito antigos, sem folhas e ressecados, pode ser uma boa hora para removê-los. Ao invés de descartá-los, pode-se tentar fazer novas mudas a partir destes backbulbs.

Na hora de escolher a nova casa da orquídea, é bom evitar a tentação de plantá-la em um vaso grande demais. Nestes casos, devido à grande quantidade de substrato, a secagem é mais lenta, o que pode levar ao apodrecimento das raízes, que ficam úmidas por muito tempo.

Após o replante, é interessante aplicar um enraizador à orquídea, o que ajudará na sua recuperação. Também é bom evitar adubar, até que as novas raízes cresçam e a planta se estabilize. O local da orquídea replantada deve ser um pouco mais sombreado, de modo a evitar sua desidratação.