Sophronitis coccinea - Exuberante descendência


Família da Sophronitis coccinea
Família da Sophronitis coccinea


Mesmo tendo estudado biologia, a genética nunca foi meu forte. Embora saiba muito pouco sobre o assunto, fico fascinado sempre que vejo o resultado do cruzamento entre duas espécies. Gosto de analisar cada pequeno detalhe dos descendentes, tentando encontrar as contribuições dos progenitores. Neste sentido, os híbridos primários de orquídeas têm um espaço reservado em minha coleção.

Hoje, trago para vocês uma galeria destacando esta família especial, a Sophronitis coccinea e cinco de seus descendentes. Na foto acima, temos:


Sophrolaelia Orpetii (Sophronitis coccinea x Laelia pumila)

Sophrolaelia Marriotiana (Sophronitis coccinea x Laelia flava)

Sophrolaelia Coral Orb (Sophronitis coccinea x Laelia alaorii)

Sophrolaelia Jinn (Sophronitis coccinea x Laelia milleri)

Sophrocattleya Batemaniana (Sophronitis coccinea x Cattleya intermedia)

Cada um destes híbridos primários já foi apresentado individualmente em artigos anteriores, aqui no blog. Para relembrá-los, basta clicar no nome da orquídea.

É interessante observar que, quando cruzamos a Sophronitis coccinea com Laelias rupícolas, tais como Laelia flava ou Laelia milleri, o resultado é composto por flores em forma de estrela, com um colorido que mescla os tons dos pais. Já Laelia alaorii, Laelia pumila e Cattleya intermedia produzem híbridos com flores maiores e mais arredondadas. Felizmente, em todos os casos, estes cruzamentos produzem descendentes mais resistentes, de mais fácil cultivo, em relação à Sophronitis coccinea.

A Sophrolaelia Coral Orb é um caso digno de nota. Ela praticamente não mostra sinais das características de um dos pais, a Laelia alaorii. Este é um fenômeno conhecido, que se repete em todos os híbridos que contam com a participação desta orquídea, de características predominantemente recessivas.

Por fim, um dos resultados que mais me surpreende é a Sophrocattleya Batemaniana, que alia o fabuloso colorido escarlate da Sophronitis coccinea com as belíssimas pétalas flameadas da Cattleya intermedia flamea.

Também é curioso notar que, se compararmos dez irmãos de sementeira de cada um destes híbridos, encontraremos dez orquídeas diferentes, cada uma com sua própria personalidade. A intrigante beleza desta rica diversidade genética ainda é pouco valorizada. Hoje em dia, graças à popularização dos métodos de produção de clones, através da técnica de meristema, milhões de cópias exatamente idênticas de um único cruzamento bem-sucedido são produzidas e comercializadas. Todas as demais variações são menosprezadas. O que acaba sendo uma pena para quem gosta de apreciar, além da beleza, a diversidade desta rica família de plantas.