Guia completo para cuidar de plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Como cuidar dos botões de orquídeas


Botões forais da orquídea Cymbidium
Cymbidium híbrido

Quando comecei a cultivar orquídeas, li que não deveríamos mudar a planta de lugar quando a mesma estivesse com botões florais. Aquilo me deixou assustadíssimo. Cheguei a marcar o lugar do vaso com caneta e fita adesiva, para não movê-lo um centímetro. Com o tempo, vi que as coisas não eram bem assim. Mas é verdade que os botões de orquídeas são bastante sensíveis e temperamentais. Não é raro observarmos o desenvolvimento dos botões até um momento em que eles ficam estagnados. Por diversas razões, há ocasiões em que os botões de algumas orquídeas simplesmente não abrem. Ficam dias paralisados, feito múmias, até que secam e caem.

Neste artigo, gostaria de descrever as pequenas tragédias que podem acontecer (e volta e meia acontecem) ao longo do percurso entre o botão da orquídea e a flor propriamente dita. É um caminho tortuoso que nem sempre leva a um final feliz. O curioso é que os relatos mais frequentes de botões de orquídeas que abortam a floração ocorrem com o gênero Phalaenopsis. Talvez porque seja simplesmente a orquídea mais comercializada e presenteada. O fato é que o fenômeno pode ocorrer com vários outros gêneros, como os dos botões florais que ilustram esta matéria. A seguir, dou algumas dicas sobre o que fazer para evitar que os botões das orquídeas deixem de abrir.


Mudanças bruscas nas condições climáticas


Este é um parâmetro complicado para que nós, cultivadores domésticos e amadores, possamos controlá-lo. É por este motivo que as orquídeas cultivadas em estufas, com todas as condições finamente ajustadas, ficam tão esplendorosas e impecáveis. Lá, diferentes telas de sombreamento filtram os raios solares, fornecendo a luminosidade ideal para que cada orquídea floresça. Além disso, umidificadores de ambiente mantêm a umidade relativa do ar em níveis ótimos e ventiladores promovem a correta circulação do ar. Em nossas casas e apartamentos, no entanto, pouco podemos fazer quando uma frente fria ou uma onda de calor mexe bruscamente com as temperaturas. Também é trabalhoso manipular a umidade do local de cultivo ou a incidência de ventos maléficos, como o vento sul. Em muitos casos, quando as orquídeas são cultivadas ao ar livre, elas ficam sujeitas às intempéries, sofrendo danos com o excesso de chuva, por exemplo.

Botões florais da orquídea Cattleya labiata
Cattleya labiata

Todas estas alterações nas condições normais de temperatura e pressão podem acarretar na interrupção do desenvolvimento do botão floral, que amarela, murcha e cai. Uma verdadeira visão do inferno para quem aguarda meses ou até mesmo anos para ver uma florzinha. No jargão popular, costuma-se dizer que o botão da orquídea abortou a floração. Em inglês, o termo para este fenômeno é bud blast. Infelizmente, é um processo bastante comum e nem sempre é culpa do cultivador.

De qualquer forma, sempre que possível, é interessante transferir a orquídea que está prestes a florescer para um local mais protegido, como uma varanda, por exemplo. Este ambiente também vai fazer com que a luz incida a partir de uma única direção, uniformizando a orientação da haste floral e seus botões. Também pode ser um local interno, próximo a uma janela bem iluminada, sem sol direto. O importante é que, nesta etapa, os botões da orquídea não sofram com ventos excessivos, sol forte ou quedas bruscas de temperatura. A falta de água também pode fazer com que os botões abortem.


Mudando as orquídeas de lugar


Este é um ponto polêmico. Já perdi botões florais em orquídeas que, posso jurar, não foram movidas um milímetro de seu local original. Por outro lado, vi orquídeas que comprei pela internet, e que chegaram já em botão, produzirem belíssimas florações. Imaginem uma orquídea ser arrancada de seu vaso, ter o substrato retirado, para então ser embrulhada em jornal e passar dias confinada em uma caixa apertada, de lá para cá. Por fim, após esta odisseia, os botões florais abrem-se normalmente. Portanto, acho que esse não é um fator com o qual devamos nos preocupar muito.

O que, de fato, deve ser observado, é quanto à orientação da luz durante o desenvolvimento e desabrochar dos botões florais. Neste caso, realmente, não podemos ficar girando a orquídea de lá para cá, sob o risco de termos flores totalmente desalinhadas, além de hastes florais tortas. Assim que o processo de floração se inicia, é importante fixar um ponto principal de iluminação e manter a orquídea voltada a esta direção, sem alterações bruscas.

Botões florais da orquídea Dendrobium Stardust
Dendrobium Stardust

Substâncias químicas


Todos nós sabemos que as frutas, à medida que amadurecem, exalam o gás etileno, que contribui para acelerar a maturação do fruto. Quem já não embrulhou as bananas em jornal? O que pouca gente sabe é que este mesmo gás pode acelerar o desenvolvimento dos botões das orquídeas e, em alguns casos, fazer com que eles abortem. O gás metano também tem esta propriedade. Portanto, é bom manter as orquídeas longe destes compostos químicos. Na prática, o ideal é que os botões de orquídeas não fiquem próximos a frutas maduras ou outras flores que já estejam murchando.

Botões florais da orquídea Denphal
Orquídea Denphal

Além disso, o contato dos botões com inseticidas, fungicidas ou mesmo fertilizantes pode prejudicar seu desenvolvimento. Adicionalmente, estes elementos podem manchar e causar danos físicos às orquídeas já floridas. Portanto, devemos evitar pulverizar os botões de orquídeas com defensivos químicos ou adubos. Mesmo durante as regas, o ideal é evitar que os botões e flores sejam molhados. O excesso de umidade sobre os tecidos florais faz com que os mesmos sejam atacados pelo fungo Botrytis cinerea, que causa manchas amarronzadas nas flores e botões das orquídeas.


Ataques de pragas


É batata. Sua orquídea está lá, crescendo bela e faceira, sem ser importunada. Basta emitir alguns botões florais para que uma legião de bichos do mal apareça do nada. É pulgão, cochonilha, tripes e por aí vai. Como são estruturas mais macias e delicadas, flores e botões de orquídeas são alvo fácil para estes parasitas. Em casos assim, o controle diário e a vigilância são os melhores procedimentos. Já vi cultivadores borrifando óleo de neem nos botões, afirmando que afasta os insetos e não os danifica. Quando a infestação está instalada, o jeito é fazer a eliminação manual, para evitar os danos causados pelos inseticidas.

Botões florais da orquídea Epidendrum fulgens
Epidendrum fulgens

Formigas também costumam se refestelar com as gotículas adocicadas que os botões das orquídeas produzem. Não se sabe ao certo a função desta substância, mas o fato é que ela acaba atraindo vários insetos, que podem prejudicar o desenvolvimento e desabrochar dos botões florais. Neste caso, basta apenas redobrar a atenção e não deixar que a infestação se avolume.

Como vimos, pequenos cuidados nesta etapa crítica de desenvolvimento das orquídeas podem fazer a diferença e evitar que os botões deixem de abrir. Nem sempre é possível controlar tudo, mas vale a pena refinar as condições de cultivo, durante este período. Generosas que são, as orquídeas sempre podem nos presentear com novas florações, caso algo saia errado.