Orquídeas: Como cuidar dos botões


Botões forais da orquídea Cymbidium
Cymbidium híbrido

Quando comecei a cultivar orquídeas, li que não deveríamos mudar a planta de lugar quando a mesma estivesse com botões florais. Aquilo me deixou assustadíssimo. Cheguei a marcar o lugar do vaso com caneta e fita adesiva, para não movê-lo um centímetro. Com o tempo, vi que as coisas não eram bem assim.

Neste artigo, gostaria de descrever as pequenas tragédias que podem acontecer (e volta e meia acontecem) no longo percurso entre o botão floral e a flor propriamente dita.

1. Mudanças bruscas nas condições climáticas


Este é um parâmetro difícil de controlar para nós, cultivadores domésticos. É por isso que as orquídeas cultivadas em estufa, com todas as condições finamente ajustadas, ficam tão esplendorosas e impecáveis. Pouco podemos fazer quando uma frente fria ou uma onda de calor mexe bruscamente com as temperaturas. Também é trabalhoso manipular a umidade do local de cultivo ou a incidência de ventos maléficos, como o vento sul.

Todas estas alterações nas condições normais de temperatura e pressão podem acarretar na interrupção do desenvolvimento do botão floral, que amarela, murcha e cai. Uma verdadeira visão do inferno para quem aguarda meses ou até mesmo anos para ver uma florzinha.

2. Mudando as orquídeas de lugar


Este é um ponto polêmico. Já perdi botões florais em orquídeas que, posso jurar, não foram movidas um milímetro de seu local original. Por outro lado, vi orquídeas que comprei pela internet, e que chegaram já em botão, produzirem belíssimas florações. Imaginem uma orquídea ser arrancada de seu vaso, ter o substrato retirado, para então ser embrulhada em jornal e passar dias confinada em uma caixa apertada, de lá para cá. Por fim, após esta odisseia, os botões florais abrem-se normalmente. Portanto, acho que esse não é um fator com o qual devamos nos preocupar muito.

3. Substâncias químicas


Todos nós sabemos que as frutas, à medida que amadurecem, exalam o gás etileno, que contribui para acelerar a maturação do fruto. Quem já não embrulhou as bananas em jornal? O que pouca gente sabe é que este mesmo gás pode acelerar o desenvolvimento dos botões florais e, em alguns casos, fazer com que eles abortem. O gás metano também tem esta propriedade. Portanto, é bom manter as orquídeas longe destes compostos químicos.

Além disso, o contato dos botões com inseticidas, fungicidas ou mesmo fertilizantes pode prejudicar seu desenvolvimento. Adicionalmente, estes elementos podem manchar e causar danos físicos às orquídeas já floridas.

4. Ataques de pragas


É batata. Sua orquídea está lá, crescendo bela e faceira, sem ser importunada. Basta emitir alguns botões florais para que uma legião de bichos do mal apareça do nada. É pulgão, cochonilha, tripes e por aí vai. Como são estruturas mais macias e delicadas, flores e botões são alvo fácil para estes parasitas. Em casos assim, o controle diário e a vigilância são os melhores procedimentos. Já vi cultivadores borrifando óleo de neem nos botões, afirmando que afasta os insetos e não os danifica. Quando a infestação está instalada, o jeito é fazer a eliminação manual, para evitar os danos causados pelos inseticidas.

Estes e outros valiosos conselhos podem ser encontrados neste artigo em inglês, da Amercian Orchid Society, que discorre especificamente sobre bud blast.

Os botões da foto acima são do Cymbidium híbrido que apresentei recentemente. Após anos de sonolência, resolveu emitir uma haste floral, para minha grande alegria e encantamento. Continuarei a mantê-los informados sobre seu desenvolvimento.


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