Orquídeas Raras de Colecionador


Orquídea Cattleya walkeriana caerulea
Cattleya walkeriana caerulea

Hoje, para fugirmos da mesmice proporcionada pelas orquídeas que sempre apresento aqui no blog, resolvi levá-los a um tour virtual por algumas das orquídeas mais raras da coleção particular do orquidófilo Yoshio Sano, que já concedeu uma entrevista a esta publicação, alguns anos atrás.

Embora este colecionador de renome internacional seja reverenciado por sua belíssima coleção de Cattleya walkeriana, que abriga plantas perfeitas como o exemplar cerúleo da foto que abre esta matéria, existem muito mais raridades escondidas em seu acervo.

Orquídeas podem ser raras por diferentes razões. Muitas, infelizmente, foram coletadas de forma predatória e encontram-se extintas na natureza. Por outro lado, devido exatamente a este trabalho de coleta, encontram-se preservadas em coleções de orquidófilos em diferentes partes do mundo.

Outro quesito que pode tornar uma orquídea rara é sua variedade cromática. Existe, por definição, a orquídea cuja flor possui a coloração tipo, a mais comumente encontrada. A partir deste padrão, abre-se um leque de formas albas, semi-albas, amarelas, cerúleas, flameadas, dentre uma infinidade de outras denominações para diferentes padrões de coloração das pétalas, sépalas e labelo.


Orquídea Sophronitis coccinea amarela 'Sol'
Sophronitis coccinea amarela 'Sol'

É o caso da Sophronitis coccinea, orquídea mundialmente conhecida por seu vibrante colorido vermelho. Flores escarlate representam a forma tipo desta orquídea. Para muitos, variações desta cor podem parecer corriqueiras. No entanto, tecnicamente, a ausência do pigmento vermelho, no caso específico desta Sophronitis, resulta em uma raríssima variedade amarela. 

Como é praticamente impossível encontrar uma Sophronitis coccinea amarela na natureza, os raros exemplares existentes nas coleções são bastante cobiçados, atingindo cifras de grande vulto. Para dificultar as coisas, a reprodução desta variedade é dificultada devido ao caráter recessivo da cor amarela. Trata-se, tecnicamente, de uma planta albina.

Os diversos exemplares de Sophronitis coccinea amarela que encontram-se na coleção do profissional Yoshio Sano foram desenvolvidos ao longo de anos, através de inúmeros cruzamentos realizados pelo Prof. Dr. Gilberto Barbante Kerbauy, do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Usp.


Orquídea Cattleya violacea alba
Cattleya violacea alba

Outra joia da coroa presente no orquidário de Yoshio Sano é a Cattleya violacea alba. Como o próprio nome diz, a coloração da planta tipo é violeta ou púrpura. No entanto, esta orquídea nativa dos estados da região norte do país, de difícil cultivo aqui embaixo, pode apresentar uma raríssima e cobiçadíssima forma alba.

Para os colecionadores aficionados, é quase uma miragem ver uma Cattleya violacea totalmente branca. Sim, o interior do labelo, a garganta, apresenta um tom amarelado, mas isto não conta. É típico de muitas orquídeas albinas. 


Orquídea Cattleya leopoldii albescens
Cattleya leopoldii albescens

Neste contexto, é igualmente raro e surpreendente ver esta forma albescens (quase alba) da Cattleya leopoldii, orquídea conhecida por seu vibrante padrão de pétalas e sépalas ricamente pintalgadas, com um proeminente labelo magenta. No caso da planta albescens do Yoshio Sano, a ausência de pigmentação só não é total devido a discretas pintas nas extremidades das flores. O que torna, a meu ver, o resultado ainda mais unique.


Orquídeas Cattleya dormaniana caerulea 'Cristal' e 'Guri da Serra'
Cattleya dormaniana caerulea 'Cristal' e 'Guri da Serra'

E, por fim, uma dupla de orquídeas raras, crème de la crème. Elas não são grandes, coloridas nem repolhudas, mas têm uma importância fenomenal. Já não é muito comum encontrar a Cattleya dormaniana nas coleções. Trata-se de uma orquídea brasileira cujo habitat de origem é exclusivamente o estado do Rio de Janeiro. A forma tipo desta orquídea apresenta pétalas e sépalas em uma coloração esverdeada, com detalhes amarronzados. O labelo é púrpura.

Através de muita pesquisa, o orquidófilo Yoshio Sano, que tem vasta expertise e olhar clínico, acabou localizando, no Japão, uma raríssima variedade cerúlea de Cattleya dormaniana. A partir de então, não mediu esforços para importar esta planta. Até a data de sua chegada ao país, não havia registro da existência desta rara forma cromática em nenhuma coleção conhecida.

Após muitos anos de cultivo, eis que as duas primeiras descendentes da planta original finalmente florescem. Como podemos ver na foto acima, os exemplares Cristal e Guri da Serra ostentam seus diferenciados labelos da cor do céu. Até onde se sabe, são os dois únicos representantes cerúleos de Cattleya dormaniana do Brasil.




Cattleya bicolor - Floração 2017


Orquídea Cattleya bicolor
Cattleya bicolor

Atrasado, comme d'habitude, trago hoje a floração completa do botão floral desta Cattleya bicolor, que mostrei há algumas semanas, aqui no blog. Com o intuito de ilustrar um fenômeno interessante, registrei um momento bem tardio da flor, em que ela começa a se tornar mais pálida, esverdeada. No auge da floração, cerca de três dias após o desabrochar, a cor predominante das pétalas e sépalas é mais acobreada. 

Por cima deste pano de fundo, de coloração variável, destaca-se o labelo magenta, que lembra uma língua de gato. Devido à idade avançada desta flor, no registro fotográfico acima, o colorido do labelo também já se encontra mais desbotado.

Oportunamente, mostrarei outras fotos desta bela floração no perfil das Orquídeas no Apê no Instagram. Futuramente, também pretendo montar um vídeo com uma coletânea das melhores imagens, a ser postada no Youtube.

Devido ao fato de eu possuir muito mais imagens para mostrar do que assunto para escrever, insisto em ressaltar a importância destas redes sociais focadas em imagens, complementares ao blog, para que a divulgação do conteúdo que venho produzindo seja mais efetiva. Neste sentido, agradeço a todos pela compreensão e companhia!

Dendrobium purpureum - Botões Florais


Orquídea Dendrobium purpureum album
Dendrobium purpureum album

Tudo bem com vocês, Pessoal? Hoje, trago notícias fresquinhas do orquidário suspenso, fotos recém-tiradas de vários botões florais emergindo da orquídea Dendrobium purpureum. Ela já apareceu várias vezes aqui no blog, mas a cada floração encho-me de esperança e curiosidade.


Orquídea Dendrobium purpureum album
Dendrobium purpureumalbum

A última aparição das flores desta orquídea ocorreu em 2015. Após um ano ausente, eis que diversos botões florais começam a despontar em meio à palha seca dos pseudobulbos enrugados e sem folhas. Assim como ocorre com a maioria das orquídeas deste gênero, o Dendrobium purpureum parece inerte e sem vida nos momentos que antecedem sua floração.


Orquídea Dendrobium purpureum album
Dendrobium purpureumalbum

Talvez por este motivo, o despertar das gemas insuspeitas e o ressurgir do verde em meio às canas secas seja tão surpreendente. Acho o contraste de cores e texturas fascinante.


Orquídea Dendrobium purpureum album
Dendrobium purpureumalbum

Enquanto as flores não desabrocham, deixo com vocês este pequeno ensaio fotográfico dos botões florais que a mim parecem transmitir uma pungente mensagem de renascimento em meio às adversidades.