23 de maio de 2013

Uma orquídea de estimação


Laelia alaorii
Laelia alaorii

Há alguns anos, assisti um seriado no qual um contador possuía uma orquídea de estimação. Ele a tratava com todo o carinho, regava, conversava com ela e, quando viajava, a deixava sob os cuidados de amigas. Além de me identificar com a situação, chamou-me a atenção o fato de o sujeito possuir uma única orquídea. A maioria dos orquidófilos que conheço possui coleções na casa das centenas ou milhares de exemplares.

Logo veio-me à mente a figura da Neofinetia falcata, a orquídea do samurai. Após enfrentar uma série de desafios naturais para coletá-la, os guerreiros japoneses a carregavam consigo como um símbolo de bravura e nobreza. Ainda hoje, estas orquídeas são cultivadas de maneira individualizada, dispostas em belos e caríssimos vasos de porcelana.

Estes exemplos contrastam com o meu desejo de ter milhares de orquídeas, uma de cada gênero, espécie e variedade existentes. Volta e meia, pego-me triste e pensativo, olhando para a varanda e percebendo que não caberiam mais orquídeas lá. Acho que, nestes momentos, eu deveria espelhar-me nos casos acima e sossegar o facho. Minha mãe possui meia dúzia de violetas, que cultiva há mais de 20 anos. Não são todas as cores do arco-íris e algumas estão bem caidinhas. Mas ela é feliz cuidando delas. Não almeja mais nem menos. Apenas curte e ama suas plantas, sem maiores pretensões. Afinal, de quantas orquídeas eu precisaria para ser feliz?

Se tivesse que escolher, provavelmente elegeria a Laelia alaorii, da foto acima. Ela é pequena e delicada, cabe em qualquer lugar e floresce mais de uma vez ao ano. Adepto confesso da tendência de viver com menos, eu deveria aplicar esta teoria à orquidofilia e parar de tentar transformar a varanda do apartamento em um pedaço da Mata Atlântica.

20 de maio de 2013

Look do dia - Sophronitis cernua


Sophronitis cernua
Sophronitis cernua

Acho admiráveis os posts do tipo 'look do dia' que as blogueiras de moda costumam publicar. Imagino o tamanho e qualidade dos guarda-roupas destas criaturas. Como minhas vestimentas e acessórios datam do século passado, achei que seria mais apropriado publicar o 'look do dia' das minhas orquídeas. Assim, não passo vergonha.

A micro-orquídea da foto, Sophronitis cernua, inaugura esta nova seção com um modelo outono 2013, um traje abóbora, translúcido e cintilante. Duas pequenas esferas em magenta, na parte central da flor, dão o toque final à composição. Para nos fornecer uma noção mais acurada de seu porte mignon, a flor posa ao lado de um anel em ouro branco com pérola. Duas joias legítimas produzidas pela natureza.

16 de maio de 2013

Mini-orquídea salva por um triz


Sophrocattleya Batemanina
Sophrocattleya Batemanina

Esta é uma mini-orquídea, Sc. Batemaniana, cuja floração eu aguardava há bastante tempo, com muita ansiedade. É uma clássica miniatura de Cattleya, híbrido resultante do cruzamento entre Cattleya intermedia e Sophronitis coccinea. Ocorreu que, sem saber, quase acabei com a possibilidade de ver esta orquídea florida, ao menos neste ano.

Há alguns meses, venho acompanhando o desenvolvimento do novo pseudobulbo desta orquídea. No entanto, reparei que a folha estava crescendo totalmente enrolada, já há bastante tempo. Aflito com o que eu julgava ser uma anomalia, tive a infeliz ideia de desenrolá-la à força. Quase provoco uma tragédia. Dentro da folha 'defeituosa', desenvolviam-se, tranquilos e escondidos, dois botões florais menores que um grão de arroz. Não havia espata que os protegesse. A natureza, infinitamente mais sábia do que eu, havia proporcionado um ambiente seguro para o crescimento destes botões. E eu, o brucutu, quase destruí tudo.
 
Para minha sorte, percebi a tempo a presença dos botões e evitei a completa abertura da folha. Além disso, mantive a estrutura 'de costas' para as correntes de vento e os raios do sol. Com isso, paulatinamente, os botões foram se desenvolvendo e a folha, naturalmente, concluiu seu lento desenrolar. Na foto acima, eles acabam de vir ao mundo, oficialmente, apreciando a luz do dia e já do tamanho de uma semente de pistache. Além do susto, o episódio transformou-se em um grande aprendizado. Por mais que a nossa pretensão imagine o contrário, estas pequenas orquídeas sabem exatamente o que estão fazendo.