As orquídeas celebram a diferença


Mix de Orquídeas no Apê
Mix de Orquídeas no Apê

Sempre que me pergunto o porquê de cultivar orquídeas, vem-me à mente a enorme diversidade de cores, formas e aromas desta grande família botânica. Mesmo dentro de uma determinada espécie de orquídea, encontramos uma grande variação cromática. Isso sem falar dos híbridos, que são capazes de produzir milhares de descendentes completamente diferentes uns dos outros, todos irmãos, frutos da união de apenas duas orquidáceas.

O interessante é que nós, humanos, temos uma histórica dificuldade em lidar com as diferenças. Tudo o que foge das normas ditadas por determinada sociedade transforma-se em motivo de chacota e discriminação. Até mesmo no caso do cultivo de orquídeas, a tendência é classificar e normatizar tudo, milimetricamente. Dentre as milhares formas e cores que a natureza cria, o homem teima em selecionar meia dúzia de plantas que considera perfeitas, raras e, consequentemente, valiosas. 

A obsessão pelo normal, pelo padrão e igual, faz com que os cultivadores elejam uma orquídea considerada perfeita e fabrique clones desta planta, produzindo milhões de cópias geneticamente idênticas à matriz. Ironicamente, esta técnica, denominada propagação por meristema, acaba por banalizar a beleza única da planta original. Por outro lado, é graças a esta tecnologia de ponta que todos nós podemos ter um exemplar de determinadas orquídeas de rara beleza em nossos orquidários.

Com este paradoxo em mente, decidi reunir as meninas floridas aqui do apartamento para uma selfie. Mentira, fui eu que tirei a foto e não apareço nela, por motivos óbvios. Coincidentemente, as quatro orquídeas em flor, no momento, apresentam formas e tamanhos bastante variados, de modo a ilustrar perfeitamente a reflexão que tento passar neste artigo. Mesmo dentro de um mesmo cacho de flores, como a inflorescência do Dendrobium victoria-reginae, acima à esquerda, vemos uma variação nas cores das flores. Embaixo, da esquerda para a direita, temos Laelia longipes (seus outros nomes encontram-se no link), Masdevallia infracta alba e Phragmipedium Sedenii. Mesmo sem premeditar, as orquídeas parecem ter combinado os vestidos para saírem na foto, com as cores coordenadas e um certo ton sur ton.

Todo este falatório orquidófilo é, na verdade, para expressar minha inconformidade com o fato de que nós, que nos consideramos seres racionais, temos tanto problema em aceitar o diferente. Quem dera fôssemos um pouco mais como as orquídeas que, embora diferentes e exóticas, não se agridem e nem se matam por esta questão. Ao contrário, convivem pacificamente, uma exaltando a beleza da outra.

Orquídea Dendrobium victoria-reginae


Orquídea Dendrobium victoria-reginae
Dendrobium victoria-reginae

Esta orquídea de rara coloração carrega a realeza em seu nome e em suas flores quase azuladas. O Dendrobium victoria-reginae foi assim batizado em homenagem à Rainha Victoria, que ocupou o trono do Reino Unido de 1837 até a sua morte, em 1901. 

Orquídea típica das densas florestas filipinas, o Dendrobium victoria-reginae foi descoberto por um coletor de orquídeas inglês, de nome Loher, em 1897, poucos anos antes do falecimento da monarca por ele homenageada. A Rainha Victoria era uma conhecida admiradora das orquídeas.

Além de suas flores exóticas de colorido único, esta orquídea real tem um aspecto vegetativo bem curioso. Seus pseudobulbos são bastante afilados na base, aumentado de calibre à medida que se desenvolvem. Quando completamente maduros, perdem todas as folhas, assemelhando-se a estruturas sem vida. A surpresa vem com a floração, que surge nas pontas destes caules pendentes, em forma de delicados bouquets, e que pode ocorrer em qualquer estação. É comum que o Dendrobium victoria-reginae floresça várias vezes no mesmo ano.

Dependendo da fase de desenvolvimento dos botões florais, bem como das condições climáticas e da intensidade de luz fornecida, a coloração das pétalas e sépalas desta orquídea pode variar entre o lilás, passando pelo púrpura, e culminando em um belo e raro tom azulado.

Orquídea Dendrobium victoria-reginae
Dendrobium victoria-reginae

Esta é uma orquídea que aprecia ser cultivada em vasos bem pequenos, apertados, cujo substrato é mantido úmido durante a maior parte do ano. Aqui no apartamento, como de costume, cultivo em vaso de plástico, com musgo sphagnum. À medida que crescem, os pseudobulbos começam a pender e precisam ser tutorados, uma vez que sua base é bastante fina e delicada, com a porção mediana mais encorpada. Apesar do suporte, a parte distal do pseudobulbo acaba pendendo naturalmente.

O Dendrobium victoria-reginae não precisa de luminosidade intensa para se desenvolver e florescer, uma vez que seu habitat de origem é bastante sombreado. No entanto, ele precisa de altos níveis de umidade relativa do ar. Também é importante que haja uma boa ventilação para evitar o surgimento de doenças fúngicas.

Apaixonei-me por esta orquídea quase azul há muitos anos, quando a fotografei em uma exposição. Cheguei a escrever um artigo sobre este objeto de desejo, muito tempo atrás:


Na época da publicação deste primeiro artigo, o blog estava no início e era bem obscuro. Duvidei que alguém fosse ler seu conteúdo com mais atenção. Para minha surpresa, durante muito tempo, recebi mensagens de amigos e leitores que se dispuseram a ajudar-me a encontrar esta orquídea. Foram diversas indicações de orquidários, físicos e virtuais, bem como exposições e produtores.

Apesar de toda a ajuda, sempre achei este Dendrobium victoria-reginae bem delicado e coloquei na cabeça que seu cultivo seria complicado aqui no apartamento. Passei muitos anos com receio de comprá-lo até que, no ano passado, recebi um exemplar adulto e muito bem cultivado, inesperadamente. Os orquidófilos Guto Barbosa e Paco Zimmermann Jr. trouxeram-me esta orquídea de presente, durante uma visita, já sabendo desta minha paixão platônica pela orquídea da Rainha Victoria.

Para minha surpresa, e against all odds, esta orquídea adaptou-se bem à varanda e floresceu pouco tempo depois de sua chegada. Já encontra-se na terceira floração consecutiva, o que me deixa de boca aberta, considerando-se a dificuldade que tenho em me relacionar com orquídeas do gênero Dendrobium.

Com meus agradecimentos ao Guto e ao Paco, deixo o vídeo em que registro o desenvolvimento dos botões florais do Dendrobium victoria-reginae. Para acompanhar este mágico desabrochar, a famosa valsa Danúbio Azul, de Johann Strauss II. Espero que gostem!


Orquídeas no Instagram


Orquídea Sophrolaeliocattleya Jewel Box 'Dark Waters'
Sophrolaeliocattleya Jewel Box 'Dark Waters'

Tudo bem com vocês, Pessoal? Aos leitores que não seguem os perfis das Orquídeas no Apê no Instagram ou no Facebook, peço licença para contar o que ando aprontando nos últimos dias. Devido a uma série de compromissos pessoais, não tenho escrito aqui no blog com a frequência que gostaria, nem com a consistência que vocês merecem. 

Ao mesmo tempo em que me desculpo, asseguro-lhes que as orquídeas aqui no apartamento continuam vivas, aparentemente, e que sigo fazendo o registro fotográfico de suas eventuais florações. Oportunamente, todas serão devidamente apresentadas, acompanhadas de um texto mais detalhado.

Neste ínterim, tenho publicado algumas fotos de orquídeas nas redes sociais, notadamente no Instagram. Algumas imagens são de florações antigas, outras de orquídeas cujas flores já perderam o viço, mas todas bastante significativas para mim. 

Confesso que sou fascinado por esta agilidade que o Instagram proporciona e pelo inacreditável alcance que as imagens de orquídeas lá postadas têm atingido. Trata-se de uma plataforma bastante popular entre os apreciadores de fotografia, particularmente entre os admiradores de flores. Há inúmeros perfis dedicados às publicações de imagens de orquídeas e de outras flores em geral.

O perfil das Orquídeas no Apê é apenas mais um deles. Mas sou imensamente grato a cada um dos seguidores desta rede social. Parece-me um milagre que uma florzinha de orquídea desabroche na sacada do apartamento e, minutos depois, esteja sendo visualizada e curtida por milhares de pessoas, em diferentes localidades do planeta.

A orquídea vermelha Sophrolaeliocattleya Jewel Box, da foto que ilustra este artigo, por exemplo, ganhou quase 1.500 likes e mais de 30 comentários no Instagram.  A postagem no Facebook recebeu mais de 800 curtidas, foi compartilhada 100 vezes e obteve quase 150 comentários.

Só posso deixar registrado aqui o meu muito obrigado a cada um de vocês que têm apoiado e incentivado este trabalho! 

Muitos acreditam que seja necessário possuir um smartphone de última geração para acompanhar as fotografias do Instagram. Ou que seja um processo muito complicado. Na verdade, todo o conteúdo também pode ser visualizado através de computadores pessoais, notebooks ou tablets. O link para a versão web do aplicativo está sempre disponível aqui no blog, na barra lateral à direita. Basta clicar lá para ficar por dentro das fotos mais recentes das orquídeas publicadas, bem como conferir todo o histórico de postagens, desde o início.

Apenas para reforçar o convite, deixo abaixo o banner com o link para o Instagram das Orquídeas no Apê. Muito obrigado pela visita!