Dendrobium purpureum album 2017


Orquídea Dendrobium purpureum album
Dendrobium purpureum álbum

Esta orquídea do gênero Dendrobium já viveu dias melhores. Após um começo tímido, há cinco anos, atingiu seu ápice em 2015, quando emitiu diversas inflorescências em forma de pompons brancos ao longo de praticamente todos os pseudobulbos da planta.

No ano seguinte, 2016, este Dendrobium purpureum album decidiu abster-se de florescer. Talvez estivesse tentando se recuperar da intensa floração do ano anterior. O stress parece ter sido acentuado, a ponto de os pseudobulbos da orquídea terem crescido menos em relação aos anos anteriores.

Em 2017, em abril passado, mostrei para vocês aqui no blog o surgimento de diversos botões florais, bastante promissores. Hoje, conforme prometido, trago a floração completa desta exótica orquídea originária do continente asiático.

Como podem observar na foto acima, há mais pseudobulbos secos do que flores. Isto acontece porque a touceira está se tornando cada vez maior e, no entanto, as estruturas antigas não voltam a florescer. Apesar disso, a presença delas não é de todo inútil. Os pseudobulbos mais velhos funcionam como uma reserva de água e nutrientes para o crescimento de novos brotos. Além disso, podem eventualmente emitir keikis.

Esta é uma orquídea Dendrobium que não está sujeita àquela velha regrinha de se reduzir as regas durante o outono/inverno, o famoso stress hídrico. Isso porque ela costuma florescer antes disso. Ao menos aqui em São Paulo, os botões florais tendem a despontar no início do ano. A floração demora meses para atingir seu ápice, que geralmente acontece entre abril e maio. As flores duram bastante.

Apesar de belíssima, esta orquídea infelizmente não é perfumada. Antes difícil de ser vista em coleções, tem se tornado cada vez mais popular entre os orquidófilos.




Mini Phalaenopsis


Orquídea Mini Phalaenopsis
Mini Phalaenopsis

As populares orquídeas com flores em forma de falenas estão cada vez menores. Graças a um intensivo processo de hibridização, hoje é possível encontrar miniaturas perfeitas das imponentes orquídeas Phalaenopsis que costumam fazer sucesso na decoração de grandes eventos.

No passado, as mini Phalaenopsis que encontrávamos no mercado eram simplesmente espécies de orquídeas cujas flores e porte eram naturalmente pequenos. Um exemplo clássico de miniatura bastante popular é a Phalaenopsis equestris. Outra orquídea que não pertence ao gênero Phalaenopsis, mas cujas flores são bastante semelhantes, é a Doritis pulcherrima. São todas orquídeas provenientes do sudeste asiático.

Como os gêneros Doritis e Phalaenopsis são bastante próximos, geneticamente falando, logo surgiram diversos híbridos entre os dois, conhecidos como Doritaenopsis. Estas orquídeas mestiças herdaram a beleza das flores da Phalaenopsis aliada ao tamanho diminuto e à grande quantidade de mini mariposas características da Doritis.

Recentemente, os estudiosos que classificam as orquídeas, dispostos a nos enlouquecer, decidiram unir os dois gêneros, de forma que tudo pode se transformar simplesmente em Phalaenopsis.

Confusões à parte, mini Phalaenopsis não são obtidas da mesma forma que mini vacas ou mini porcos, processo em que se busca cruzar animais cada vez menores. No caso das orquídeas, outros gêneros e espécies são usados para diminuir o tamanho das flores e aumentar o volume das florações.

É desta miscelânea de Phalaenopsis equestris, Doritis pulcherrima, Doritaenopsis, que surgem estas pequenas preciosidades, réplicas em miniatura das grandes orquídeas que estamos acostumados a ver em floriculturas.

A mini Phalaenopsis magenta da foto de abertura deste artigo foi um presente de aniversário do casal Hiroko e Takashi Matsumoto. Dos meus pais, ganhei um novo pulverizador de pressão, já que o antigo havia pedido arrego. Ser a louca das orquídeas tem esta vantagem, todos sabem como presentear!




Dominância Apical em Orquídeas


Hastes florais de Phalaenopsis
Hastes florais de Phalaenopsis

Provavelmente, muitos dos que se interessam por orquídeas já ouviram o conselho de se cortar a haste da Phalaenopsis na altura do terceiro nó, a partir da base. Mas qual a razão disso? Seria uma crendice popular ou haveria alguma base científica para tal procedimento? Neste artigo, vamos dar algumas respostas a esta questão.

Uma das perguntas mais frequentes dos leitores do blog é sobre o que fazer com a haste da orquídea, após o término da floração. E é bastante comum encontrarmos na internet o conselho de se cortar a haste floral após o terceiro nó. Tecnicamente, estes nós são gemas adormecidas, que têm a aparência de pequenas saliências ao longo da haste. Estas estruturas são capazes de gerar novas hastes florais, ramificações da principal. Alternativamente, uma gema adormecida pode produzir uma nova planta, um keiki. Esta versatilidade é devida à característica totipotente do tecido vegetal encontrado nas gemas dormentes, semelhantes às famosas células-tronco animais.

Determinados procedimentos, como o corte da haste floral, podem despertar estas gemas adormecidas. Isso graças a um fenômeno da fisiologia vegetal denominado dominância apical. A gema principal produz hormônios vegetais, auxinas, capazes de inibir o crescimento das gemas secundárias. Quando cortamos a haste de uma orquídea Phalaenopsis, eliminamos a gema apical, principal. Desta forma, a gema secundária, aquela do terceiro nó, que estava adormecida, torna-se a principal. Como tal, aumenta grandemente a possibilidade de que esta gema venha a produzir novas flores e brotos. Este é o objetivo da técnica, prolongar a floração da mesma haste ou multiplicar a orquídea através da obtenção de keikis.


Keki na orquídea Epidendrum
Keiki de Epidendrum

Este mesmo princípio está por trás do surgimento dos keikis em Epidendrum. Após o término da floração de um Epidendrum híbrido, por exemplo, é comum observarmos o surgimento de um keiki a partir da gema imediatamente abaixo do corte, como podemos observar na imagem acima. A dominância apical da haste floral foi removida e a gema secundária, outrora dormente, foi desperta para iniciar a produção de uma nova muda.

É comum que os cultivadores de orquídeas mais experientes utilizem a dominância apical para estimular o crescimento de grandes touceiras, principalmente nos gêneros Laelia e Cattleya. Através de pequenas incisões no rizoma da planta (alguns utilizam inclusive prego quente) os orquidófilos perturbam o fluxo natural de seiva e enganam a planta, que ativa gemas laterais dormentes. Desta forma, a orquídea passa a desenvolver novas frentes de crescimento, ramificando-se e tornando-se uma planta digna de exposições.

Em todas estas situações, é sempre importante termos em mente que um corte na orquídea não deixa de ser um procedimento invasivo, que abre uma porta para a entrada de vírus, fungos e bactérias. Portanto, é fundamental utilizarmos técnicas de assepsia durante estas intervenções.

Por fim, vale o conselho de que, em teoria, uma orquídea não precisa de podas, ao contrário de outras plantas. Salvo as exceções acima discutidas, orquídeas podem viver belas e saudáveis longe das tesouras, sem problemas.

Leitura recomendada: Haste da orquídea: corto ou não corto?