Fotos de orquídeas - Mudando a perspectiva


Orquídea Dendrobium loddigesii
Dendrobium loddigesii

Tenho vários defeitos, mas um que se sobressai é o hábito da procrastinação. Convivo por dias com problemas que poderiam ser resolvidos em questão de minutos. No momento, por exemplo, estou às voltas com um par de pilhas recarregáveis muito fracas, prestes a darem seus últimos suspiros. O que me impede de fotografar minhas orquídeas por sessões mais longas, já que cada recarga rende poucas fotos.

Claro que bastaria comprar novas pilhas, mas e a preguiça? E a triste constatação de que o frete de uma compra pela internet sairia mais caro do que o próprio produto? Vou protelando a solução do problema, tendo inclusive mais trabalho, já que preciso recarregar as pilhas moribundas a todo momento.

Outra coisa que me desanima é o fato de estar com pouquíssimas orquídeas na varanda do apartamento. Não tenho tido coragem de fazer novas aquisições, tendo em vista o extermínio em massa que ocorreu no último verão. Após um tenebroso inverno carente de flores, eis que alguns botões começam a surgir. 

No entanto, a combinação de poucas flores e um equipamento capenga acaba me roubando o entusiasmo para fazer novas fotos. Hoje, com muita má vontade, armei todo o aparato fotográfico para fazer mais alguns registros da única flor que este Dendrobium loddigesii produziu nesta primavera. No meio do processo, acabei capturando um ângulo que nunca havia testado anteriormente. Fiquei surpreso, gostei bastante do resultado. Tanto que vim correndo mostrar a foto da orquídea para vocês.

Este episódio, aparentemente banal, acabou trazendo-me fôlego novo, revitalizando um processo que estava se tornando monótono para mim. Acabei aprendendo que, muitas vezes, o novo e o surpreendente podem estar bem debaixo de nossos narizes, apenas esperando serem descobertos. Apesar de ter uma máquina fotográfica velha, com pilhas arriadas, poucas e mal floridas orquídeas, eis que uma simples foto teve a capacidade de me levantar o astral. 


Blog sobre orquídeas dá dinheiro?


Orquídeas no Apê
Orquídeas no Apê

Esta é uma pergunta que, frequentemente, permeia veladamente conversas entre amigos e parentes, emergindo ocasionalmente durante entrevistas a jornalistas, tendo, muito provavelmente, já passado pela mente de vários leitores. Afinal, o blog Orquídeas no Apê é rentável?

Na atual conjuntura, arrisco afirmar que blog algum dá dinheiro. Quando comecei, no início da década, os blogueiros ainda estavam em evidência. Contudo, existiam muito poucos blogs especializados em orquídeas. Hoje, há um número ainda menor em atividade.

Neste contexto, considero-me um privilegiado. Após seis anos produzindo conteúdo online, venho recebendo o apoio de vários patrocinadores importantes do meio orquidófilo. São autores, associações orquidófilas, empresas e profissionais liberais que aceitaram associar suas imagens à do Orquídeas no Apê. 

Além da veiculação de anúncios no blog e nas redes sociais a ele vinculadas, outra importante fonte de receita consiste na produção de conteúdo especializado em orquidofilia, que tem sido publicado em blogs, sites e mídias sociais de diversas empresas da área. As pessoas que exercem este tipo de atividade costumam ser definidas como publishers (a Julia Petit que me ensinou). 

No conjunto da obra, é assim que tenho me visto atualmente. Um publisher especializado em orquídeas, visto que tenho sido cada vez mais requisitado para produzir conteúdo para outros veículos de comunicação que não o Orquídeas no Apê. A todos os profissionais que têm confiado em meu trabalho, deixo registrado meu profundo agradecimento. Mais do que financeiro, estas pessoas dão um importante suporte emocional para que este blog não seja mais um a sucumbir às novas tecnologias.


Orquídea Maxillaria tenuifolia - Aroma de Coco


Orquídea Maxillaria tenuifolia
Maxillaria tenuifolia

É neste finalzinho de inverno, início de primavera, que a famosa orquídea com cheiro de coco queimado costuma dar as caras aqui no apartamento. Confesso que é um momento que aguardo com ansiedade, já que sou fascinado pelo perfume desta pequena.

Neste ano, o trio de flores surge em um momento bastante difícil para o país de origem da Maxillaria tenuifolia, o México. Novamente abalado por um terremoto de grande intensidade, o país tem recebido a atenção e solidariedade de todo o mundo.

A orquídea conhecida no exterior como the coconut orchid é nativa dos países da América Central, como México, Costa Rica, Honduras e Nicarágua. Sua parte vegetativa possui um curioso aspecto, com pseudobulbos elípticos, lateralmente achatados, culminados por longas e finas folhas que lembram o capim.

Na sacada do apartamento, devido à ausência de um zênite solar, esta orquídea cresce lateralmente, emitindo um pseudobulbo à frente do outro, fugindo do vaso em alta velocidade. Em condições normais, a tendência é que eles escalem o suporte onde se apoiem, formando grandes touceiras verticais.

Talvez devido ao fato de meu exemplar ser pequeno, a quantidade de flores é modesta. Consequentemente, para minha tristeza, o aroma de coco não é tão pronunciado. Mas é agradabilíssimo, vale a pena aguardar um ano inteiro para sentir o perfume. As flores, com sua armação aerodinâmica, suas sépalas em um tom único de mamão, e o labelo pintalgado de vermelho, são de uma beleza indescritível.

Percebo uma grande variação de cores e formas dentre as orquídeas Maxillaria tenuifolia que costumo ver em exposições. A maioria tende mais para o vermelho bem fechado, quase vinho. Também há belas variedades quase negras. Trata-se de uma orquídea que, sempre que floresce, dá um show de cores e aromas.