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Sergio Oyama Junior


Orquídeas no Apê
Orquídeas no Apê

Orquídea Dendrobium moschatum


Orquídea Dendrobium moschatum
Dendrobium moschatum |

Quando vista de longe, esta espécie de orquídea do gênero Dendrobium aparenta ser apenas mais uma entre tantas outras que exibem pequenas flores amarelas, dispostas em cachos pendentes. No entanto, um olhar mais atento sobre a floração do Dendrobium moschatum acaba revelando um surpreendente labelo em forma de bolsa, cujo formato assemelha-se àqueles encontrados em outros gêneros de orquídeas, popularmente conhecidas como sapatinhos.

Como bem sabemos, o labelo de uma orquídea nada mais é do que uma pétala modificada, cuja aparência diferenciada e mais colorida tem como função atrair os agentes polinizadores da flor. No caso do Dendrobium moschatum, além de seu exótico formato, esta estrutura ainda é recoberta por uma densa camada de pelinhos dourados, que lhe conferem uma interessante textura felpuda.


Complementando esta elaborada estratégia em prol da polinização, há o característico perfume do Dendrobium moschatum, que lembra o almíscar. Em países de língua inglesa, esta espécie de orquídea é conhecida como the musky smelling Dendrobium, que pode ser traduzido como o Dendrobium com cheiro de almíscar. Este também é o significado do nome da espécie, em latim, moschatum.
 
Assim como outras orquídeas deste gênero, o Dendrobium moschatum é originário do continente asiático, ocorrendo nativamente na região dos Himalaias, em países como Butão, Vietnam, Índia e Tailândia, dentre outros. Aqui no blog, já apresentamos diversas outras orquídeas asiáticas relacionadas, como o Dendrobium lindleyi, também conhecido como Dendrobium aggregatum, e Dendrobium thyrsiflorum, dentre outros. Estas espécies costumam ser colocadas em um subgrupo denominado seção Callista. Não por acaso, uma das sinonímias do Dendrobium moschatum é Callista moschata.

Esta é uma típica orquídea epífita, que cresce com as raízes aderidas aos troncos das árvores, em florestas úmidas do sudeste asiático. Seus pseudobulbos são afilados, nascendo eretos e tornando-se pendentes, à medida que se desenvolvem. É normal que estas estruturas comecem a perder as folhas, enquanto amadurecem, ficando apenas com as canas envoltas por bainhas de aspecto ressecado.


A floração do Dendrobium moschatum acontece na porção apical dos pseudobulbos afilados, geralmente durante os meses mais quentes do ano, entre o final da primavera e início do verão. Infelizmente, como acontece com muitas orquídeas do gênero, a duração das flores é relativamente curta, algo ao redor de uma semana.

A orquídea Dendrobium moschatum deve ser cultivada em um local que receba bastante luminosidade, para que suas florações ocorram a contento. No entanto, ela não resiste ao sol pleno, principalmente em regiões de clima muito quente e seco. O ideal é que esta espécie receba o sol mais ameno do início da manhã ou final da tarde, sendo protegida por uma tela de sombreamento durante o período de sol mais intenso.

Dentro de casas e apartamentos, é importante que a orquídea fique bem próxima a uma janela ensolarada, preferencialmente face norte. Coberturas e varandas bem iluminadas também são perfeitas para o cultivo do Dendrobium moschatum. Aqui no apartamento, costumo ter boas florações de diversas espécies de Dendrobium em uma sacada face oeste, que é protegida do sol da tarde por uma tela de sombreamento, capaz de filtrar 50% da radiação incidente.


Outro fator bastante importante para induzir a floração do Dendrobium moschatum é o stress hídrico. Esta é uma orquídea habituada a primaveras e verões quentes e úmidos, entrecortados por invernos mais secos. Por este motivo, é essencial que o fornecimento de água seja drasticamente reduzido, durante os meses de outono e inverno. A adubação também deve ser suspensa. Esta é uma condição climática que vai sinalizar à orquídea o momento certo para que sua floração aconteça, quando as temperaturas começam a subir e as regas voltam à frequência habitual.

De modo geral, quando os primeiros sinais de floração surgirem, durante a primavera, as regas podem ser retomadas. Por necessitar de um inverno bem demarcado, frio e seco, o Dendrobium moschatum pode ter alguma dificuldade para florescer em regiões mais quentes, com invernos mais amenos.

O substrato ideal para o cultivo do Dendrobium moschatum é aquele próprio para orquídeas epífitas, geralmente composto por casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. Existem misturas que já são vendidas prontas para o uso, em lojas de jardinagem. A vantagem deste material é que ele já vem tratado, para que o excesso de tanino seja eliminado das madeiras que compõem este tipo de substrato.


Alternativamente, a casca de macadâmia pode ser utilizada para o cultivo desta e demais orquídeas epífitas. Aqui no apartamento, tenho tido bons resultados com este material, que permite uma excelente aeração das raízes, fornecendo-lhes a umidade necessária, sem excessos.

Por fim, o Dendrobium moschatum também pode ser cultivado como uma orquídea epífita, da maneira mais tradicional, em troncos de árvores, pedaços de madeira, cachepots vazados ou cascas de peroba, por exemplo. No entanto, é importante ter em mente que esta orquídea forma touceiras de grandes proporções, de modo que o suporte para a planta deve ser capaz de aguentar seu peso.

Como já mencionamos, as regas devem ser mais frequentes durante a primavera e verão, sendo drasticamente reduzidas durante o outono e inverno. Caso a planta seja cultivada em vasos de plástico, que retêm a umidade do substrato por mais tempo, as regas devem ser ainda mais espaçadas. Vasos de barro com furos nas laterais são uma ótima opção, já que permitem um bom arejamento das raízes e uma rápida secagem do substrato. No entanto, devido ao seu peso mais elevado, o vaso de cerâmica pode se tornar um problema, principalmente em varandas de apartamento, com um grande número de plantas.


A adubação do Dendrobium moschatum pode ser do tipo orgânica ou inorgânica, mas somente deve ser fornecida durante a fase de desenvolvimento da orquídea, durante a primavera e verão. Eu costumo utilizar formulações do tipo NPK, com macro e micronutrientes, específicas para as fases de manutenção e floração das orquídeas. De modo geral, alterno os dois fertilizantes, semanalmente, utilizando metade da dose recomendada pelo fabricante. É bom lembrar que o excesso de adubação causa o acúmulo de sais minerais no substrato, o que pode causar queimaduras nas raízes da orquídea.

Durante o outono e inverno, juntamente com o stress hídrico, a adubação deve ser suspensa. Neste período, é importante que o fornecimento de compostos ricos em nitrogênio seja cortado completamente, uma vez que esta situação tende a fazer com que a orquídea não floresça, na estação apropriada.

Ainda que seja mais desafiador cultivar o Dendrobium moschatum, principalmente em diversas cidades do Brasil, onde as temperaturas são mais elevadas, vale a pena fazer alguns ajustes para satisfazer os caprichos desta belíssima orquídea, de porte imponente e florações perfumadas.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil