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Orquídea Dendrobium thyrsiflorum


Orquídea Dendrobium thyrsiflorum
Dendrobium thyrsiflorum |

Em meio à grande variabilidade, em termos de cores e formas, das florações apresentadas pelas orquídeas do gênero Dendrobium, destacam-se aquelas espécies pertencentes à seção Callista, caracterizadas por suas vistosas inflorescências em forma de frondosos cachos, com pétalas, sépalas e labelos em tonalidades variadas. O Dendrobium thyrsiflorum é um belo representante desta seção botânica, conhecido por suas florações abundantes, compostas por pétalas e sépalas brancas, que contrastam com o labelo em uma incrível tonalidade de amarelo gema.

Aqui no blog, já apresentamos, anteriormente, a orquídea Dendrobium lindleyi, também conhecida como Dendrobium aggregatum, pertencente à mesma seção do Dendrobium thyrsiflorum. A diferença é que a primeira espécie produz flores completamente amarelas, mais achatadas, dispostas em cachos mais delicados e menos densos. Também pertencem à seção Callista as orquídeas Dendrobium densiflorum, Dendrobium farmeri e Dendrobium amabile, todas com a mesma arquitetura em suas inflorescências, podendo ser desafiador identificá-las corretamente.


Não por acaso, a seção Callista foi assim nomeada através de uma latinização da palavra grega kallistos, que significa muito bonito. De fato, estas espécies de Dendrobium estão entre as que apesentam as florações mais espetaculares, costumando surgir em grande número, simultaneamente, a partir de exemplares compostos por imensas touceiras.

Neste contexto, as espécies pertencentes a esta seção botânica apresentam pequenas diferenças quanto ao tamanho e formato dos seus pseudobulbos. Tanto o Dendrobium thyrsiflorum como as demais espécies similares apresentam pseudobulbos cilíndricos, eretos, em forma de cana. A espécie Dendrobium farmeri é a que possui pseudobulbos mais compactos, de menor altura. Já o Dendrobium amabile é o que apresenta o maior porte.

Além do aspecto vegetativo, as flores presentes nestas espécies ajudam a diferenciá-las. O Dendrobium densiflorum apresenta flores totalmente amarelas. Por outro lado, tanto o Dendrobium farmeri como o Dendrobium amabile apresentam o labelo amarelo no centro, margeado por um círculo nas colorações branca ou rosada, dependendo da variedade de cada espécie. Já o Dendrobium thyrsiflorum é o único que possui o labelo completamente amarelado, sem bordas, em um tom bem intenso e contrastante de amarelo gema. Se olharmos com atenção, veremos que o labelo de cada flor é discretamente franjeado. É comum encontrarmos fotos com as identificações equivocadas, principalmente em páginas de vendas pela internet.


Para complicar um pouco mais as coisas, também é comum encontrarmos híbridos destas várias espécies com o Dendrobium thyriflorum, sendo vendidas no mercado, de modo que a identificação correta dos cruzamentos se torna ainda mais difícil. A rigor, é o produtor quem deve fornecer a correta genealogia da planta comercializada.

A orquídea Dendrobium thyrsiflorum é originária do continente asiático, ocorrendo nativamente em regiões de elevadas altitudes, localizadas ao longo da cordilheira dos Himalaias, principalmente em sua porção chinesa. Esta espécie também é nativa de países como Índia, Vietnam, Laos e Tailândia.

Orquídea Dendrobium thyrsiflorum
Dendrobium thyrsiflorum

No exterior, o Dendrobium thyrsiflorum é conhecido como pine cone orchid, em função de sua inflorescência, cujo formato lembra o de uma pinha. Também podemos encontrar uma expressão mais longa, pine cone-like raceme Dendrobium, para designar esta espécie, fazendo menção à classificação botânica da inflorescência, em forma de racemo.

Em seu habitat natural, o Dendrobium thyrsiflorum vegeta sob a forma epífita, com suas raízes aderidas aos troncos de árvores, sem lhes causar dano algum. Esta é uma espécie encontrada em regiões úmidas de florestas compostas predominantemente por coníferas, nos países asiáticos acima mencionados.


Sendo assim, a forma ideal de cultivo desta orquídea é em pedaços de madeira, cachepots vazados no mesmo material, troncos cortados ou cascas de árvores, como a peroba. Nestas condições, o Dendrobium thyrsiflorum deve ser regado frequentemente, uma vez que suas raízes ficam expostas e secam rapidamente. Além disso, os níveis de umidade relativa do ar devem ser elevados, no ambiente de cultivo, para que a orquídea não se desidrate.

Uma vez que os pseudobulbos do Dendrobium thyrsiflorum podem atingir grandes proporções, tanto em altura como em diâmetro da touceira, que se avoluma rapidamente, pode ser mais prático cultivar a orquídea em vasos preenchidos com substrato.

Cada cultivador acaba elegendo um tipo de vaso e uma composição de substrato aos quais melhor se adapta. De modo geral, qualquer mistura apropriada para o cultivo de orquídeas epífitas, como casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco, é indicada para o Dendrobium thyrsiflorum. Alternativamente, há quem goste de utilizar casca de macadâmia ou brita pura. O importante é que o material seja bem aerado, capaz de permitir que as raízes da orquídea fiquem bem ventiladas, secando rapidamente, entre uma rega e outra.

Não existe uma frequência predefinida, em relação às regas. Deve-se aguardar até que o material seque completamente, para somente então realizar uma nova irrigação. Especificamente no caso do Dendrobium thyrsiflorum, no entanto, deve-se aplicar um procedimento denominado stress hídrico, durante os meses de outono e inverno, para que a orquídea floresça apropriadamente na estação seguinte, a primavera.


O stress hídrico consiste em uma redução drástica nas regas do Dendrobium thyrsiflorum, assim que as temperaturas começarem a cair, no final do outono, perdurando por todo o inverno. Neste período, as adubações também devem ser suspensas. O fornecimento de água deve ser mínimo, apenas para evitar que os pseudobulbos da orquídea sequem demasiadamente, ficando muito enrugados.

Na primavera, quando os primeiros sinais de floração surgirem, e os novos brotos começarem a nascer, as regas podem voltar ao seu ritmo normal. É importante salientar que as hastes florais, no Dendrobium thyriflorum, não surgem a partir do ápice dos pseudobulbos, como acontece com o Dendrobium kingianum e os híbridos do tipo Denphal. As florações também não surgem a partir dos nós localizados próximos à base dos pseudobulbos. Tipicamente, espera-se que as gemas da porção superior de cada pseudobulbo, na lateral, deem origem às hastes florais.

Orquídea Dendrobium thyrsiflorum
Dendrobium thyrsiflorum

O processo de desenvolvimento da haste floral é um tanto quanto lento, na fase inicial, podendo levar mais de um mês para se completar. Depois de um certo ponto, o desabrochar das flores ocorre mais rapidamente, em questão de dias. No entanto, a duração de cada flor, isoladamente, é mais curta, chegando a uma semana, aproximadamente.

Além do stress hídrico, alguns outros fatores são cruciais para que o Dendrobium thyrsiflorum produza florações abundantes. Uma sinalização importante vem através da queda de temperatura. Esta é uma orquídea que precisa passar por uma grande amplitude térmica, na transição do verão para o outono, e durante todo o inverno, para que possa florescer adequadamente, na primavera. É por esta razão que torna-se mais difícil fazer as espécies de Dendrobium, de uma maneira geral, florescerem em localidades de climas mais quentes, com estações menos definidas.


Outro fator bastante importante para que a floração do Dendrobium thyrsiflorum ocorra é a luminosidade. Ela deve ser abundante, porém indireta. O sol pleno, principalmente durante as horas mais quentes do dia, podem causar queimaduras às folhas desta orquídea. O ideal é que a luz solar seja filtrada por uma tela de sombreamento, capaz de reter 50% da luminosidade incidente. O sol direto do começo da manhã e do final da tarde pode ser benéfico, ajudando a estimular a floração.

A adubação mais rica em fósforo, aplicada durante a fase de desenvolvimento e maturação dos pseudobulbos, também contribui para uma floração mais abundante. Existem formulações específicas para este fim, do tipo NPK, em que o componente do meio, o fósforo, é incluído em uma maior concentração. Sempre lembrando que, durante o stress hídrico, o Dendrobium thyrsiflorum não deve ser adubado.

As fotos que ilustram este artigo são de um exemplar que ganhei da orquidófila Leila Uegama Enokihara, em 2019, durante uma visita aos seus belíssimos orquidários suspensos. Um ano depois, fui novamente presenteado, desta vez com esta farta floração. À Leila, deixo meu muito obrigado por esta orquídea preciosa, que foi escolhida a dedo, para sobreviver às inóspitas condições da varanda aqui do apartamento.

Ainda que apresente um cultivo mais desafiador, devido ao requerimento de um stress hídrico, a orquídea Dendrobium thyrsiflorum recompensa o trabalho extra com generosas florações, de uma beleza e exotismo únicos. Trata-se de uma espécie belíssima, que vale a pena constar na coleção dos apaixonados por orquídeas, principalmente aquelas pertencentes ao diversificado gênero Dendrobium.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil