Guia completo para cuidar de plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Babosa - Aloe vera


Babosa - Aloe vera
Aloe vera

A planta popularmente conhecida como babosa, cujo nome científico é Aloe vera, é tão famosa quanto aos seus benefícios à saúde e às suas alegadas propriedades medicinais, que muitos se esquecem tratar-se de uma suculenta, que também tem espaço no cultivo doméstico, como planta ornamental, principalmente em países do hemisfério norte. Aqui no Brasil, a babosa é tão difundida que nasce em todos os lugares, não há quem não tenha um exemplar de Aloe vera no quintal de casa. 

Neste caso, ela é prioritariamente cultivada para fornecer insumos que, acredita-se, trazem benefícios estéticos à pele e ao cabelo. Além disso, o sumo da Aloe vera é bastante utilizado para tratar queimaduras de pele. Por esta razão, muitas donas de casa mantêm uma plantinha de babosa por perto, recorrendo a ela em casos de acidentes na cozinha.

A Aloe vera pertence à família botânica Asphodelaceae, a mesma das plantas suculentas do gênero Haworthia e Gasteria. Aqui no blog, já falamos sobre a Haworthia limifolia e Haworthia retusa, duas insuspeitas parentes da babosa, bastante apreciadas pelos colecionadores. A Aloe juvenna é outra integrante da família, esta do mesmo gênero da Aloe vera, que também já foi tema de um artigo recentemente. Do ponto de vista genético, os três gêneros, Aloe, Haworthia e Gasteria, são tão próximos que podem ser cruzados entre si, gerando híbridos intergenéricos bastante ornamentais.


Dentre as espécies e gêneros citados, no entanto, a Aloe vera é a que atinge o maior porte. Exemplares adultos bem cultivados chegam a lembrar as grandes Agaves mexicanas. No entanto, a popular babosa, ainda que tenha se adaptado perfeitamente ao clima brasileiro, é uma planta suculenta originária da península arábica. Atualmente, encontra-se distribuída em diversas regiões de todo o mundo, cultivada com inúmeros propósitos, ornamentais, estéticos e terapêuticos.

Além de atingir grandes proporções, a babosa pode causar alguns arranhões. Embora não seja um cacto, a Aloe vera produz imensas folhas suculentas repletas de estruturas afiadas nas suas bordas. Por este motivo, é importante planejar bem a localização da planta no paisagismo ou na decoração de ambientes com grande circulação de pessoas.

Como toda planta suculenta, a Aloe vera vai se tornando pescoçuda com o tempo. Á medida que se desenvolve, as folhas mais próximas à base vão amarelando, secando e caindo, revelando um caule espesso que vai crescendo em altura. De tempos em tempos, a babosa pode ser decapitada, de modo que sua altura fique controlada. Caso contrário, há o risco de tombamento da planta, caso esteja acondicionada em um vaso.


O cultivo da babosa é bastante tranquilo. Trata-se de uma planta suculenta bem resistente, acostumada à vida em habitats áridos e hostis. Sua grande reserva de água permite-lhe a sobrevivência durante prolongados períodos de seca. Como toda planta suculenta, a Aloe vera só não tolera excesso de água no solo.

Não é comum que a babosa seja atacada por pragas. Cultivamos um exemplar na varanda do apartamento, há muitos anos, sem que nenhuma cochonilha ou pulgão tenha feito estragos na planta. No mesmo ambiente, outras suculentas e orquídeas são constantemente devoradas por estes insetos.

Qualquer tipo de vaso ou de solo parece ser suficiente para o cultivo da Aloe vera. No entanto, é sempre bom dar preferência a misturas mais arenosas, bem drenáveis. Um solo contendo partes iguais de terra vegetal e areia grossa é ideal para o cultivo da babosa. Material orgânico, como esterco curtido ou húmus de minhoca, pode ser acrescido à mistura, para fornecer nutrientes. Alternativamente, adubos industrializados, do tipo NPK, podem ser aplicados, como manutenção. Mas a babosa não é exigente quanto à adubação.


Além do cuidado com a frequência das regas, outro fator importante para o bom desenvolvimento da Aloe vera é a luminosidade. A babosa requer bastante luz em seu ambiente de cultivo, podendo inclusive receber o sol direto. É importante que plantas acostumadas a locais sombreados sejam transferidas gradualmente ao sol pleno, para que não sofram queimaduras. Quando há algum problema com as raízes da Aloe vera, frequentemente causado por excesso de umidade, a planta começa a se desidratar, ficando com as folhas moles e as pontas ressecadas.

Quando exposta a níveis corretos de luminosidade, a babosa pode produzir impressionantes florações, que costumam surgir durante os meses de verão. A Aloe vera emite uma haste floral alta e ereta, que pode chegar a um metro de altura, portando uma bela inflorescência de cor amarelada. Dentro de casas e apartamentos, ou em locais mais sombreados, esta floração dificilmente ocorrerá.

A propagação da Aloe vera, ainda que não seja através das sementes produzidas a partir da polinização das flores, é bastante rápida e fácil, graças à emissão de inúmeros novos brotos laterais a partir da base da planta mãe.


Embora a babosa seja subutilizada como planta ornamental, é no campo da indústria de cosméticos que a Aloe vera brilha com mais intensidade. São inúmeros os benefícios e propriedades medicinais atribuídos à babosa. O extrato de Aloe vera é adicionado a shampoos que prometem evitar a queda de cabelo, em cremes e géis que prometem rejuvenescer a pele, havendo ainda quem consuma a babosa sob a forma de suco, devido às suas alegadas propriedades terapêuticas.

O uso da babosa como planta medicinal não é recente. Há menções à Aloe vera em antigos papiros egípcios, datados de mais de 1.500 anos antes de Cristo, que reuniam informações e recomendações médicas. Os indianos vêm utilizando as propriedades medicinais da babosa há milênios, através da ayurveda.

No entanto, ainda nos dias de hoje, com todo o avanço da ciência, não há estudos científicos definitivos que comprovam a eficácia do uso medicinal da babosa. Na indústria cosmética, alguns estudos indicam que as propriedades benéficas da babosa estejam relacionadas à ação hidratante, emoliente e calmante do extrato de Aloe vera. No entanto, há estudiosos que criticam o uso do sumo da babosa para fins curativos, tais como em casos de queimadura, herpes ou psoríase, devido à ausência de comprovação científica.

Ainda mais arriscada é a ingestão da planta. Muitos utilizam o suco da babosa para tratar diversas doenças. Há, inclusive, quem afirme que a ingestão de Aloe vera seja benéfica para a pele e o cabelo. Novamente, não há estudos que garantam que esta prática seja eficiente. Além disso, existem pesquisas que indicam a presença de alguns elementos tóxicos no suco da babosa, que podem causar problemas digestivos se ingeridos em grande quantidade. Outros casos típicos de plantas com alegadas propriedades medicinais, mas que, de fato, são tóxicas aos humanos e animais domésticos, podem ser exemplificados pelo aranto, Kalanchoe daigremontiana, e aveloz, Euphorbia tirucalli.