Orquídeas no Apê
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Cacto Selenicereus hamatus


Cacto Selenicereus hamatus
| Selenicereus hamatus |

Existe um seleto grupo de plantas, pertencentes à família botânica Cactaceae, que são conhecidas por sua capacidade de produzir flores grandes e chamativas, de curtíssima duração, geralmente bastante perfumadas, e cujo principal diferencial é o fato de somente desabrocharem durante a noite. É o caso do cacto Selenicereus hamatus, estrela do artigo de hoje, que vem fazer companhia a outras espécies semelhantes, já apresentadas no blog.

A espécie Selenicereus hamatus pertence ao mesmo gênero botânico de outras cactáceas bastante conhecidas e admiradas pelos colecionadores, tais como Selenicereus validus, cujo nome popular mais difundido é cacto samambaia, e Selenicereus anthonyanus, que também atende pelo apelido cacto sianinha. São plantas de porte pendente, que apresentam um aspecto vegetativo bastante ornamental.


Outro parente famoso do cacto Selenicereus hamatus é o Selenicereus grandiflorus. Como seu nome científico já denuncia, trata-se de uma espécie conhecida por também produzir flores noturnas de dimensões avantajadas. Na verdade, estas duas espécies rivalizam pela liderança no ranking das plantas capazes de produzir as maiores florações, dentro da família Cactaceae.

Não por acaso, o gênero botânico Selenicereus faz referência a uma entidade da mitologia grega, Selene, que era considerada a personificação da lua. Neste contexto, as espécies de cactos reunidos neste táxon são conhecidas por produzirem flores que somente desabrocham durante a noite. Seguindo o mesmo raciocínio, a sinonímia Cryptocereus, derivada da palavra crypto, que significa secreto, escondido, também é aceita para denominar este grupo de plantas.

Já o nome da espécie, Selenicereus hamatus, faz referência ao aspecto curvado de seus caules pendentes. Em latim, hamatus significa curvo como um anzol, hooked, em inglês. Esta é uma cactácea bastante apreciada pelo aspecto ornamental de sua estrutura vegetativa, assim como acontece com outros representantes do gênero. Ainda assim, é menos comum encontrá-la nas coleções, em contraste com espécies mais difundidas.


Ao contrário do que acontece com o Selenicereus anthonyanus, que é inofensivo, o cacto Selenicereus hamatus não é completamente desprovido de espinhos. Os caules longos, finos e cilíndricos, na configuração terete, apresentam pequenos espinhos ao longo de toda sua extensão, sendo que estas estruturas são pouco agressivas. Esta é uma planta que forma grandes touceiras, rapidamente, de modo que é aconselhável mantê-la em um local com pouca circulação de pessoas. Trata-se de uma cactácea perfeita para o cultivo em vasos suspensos.

A espécie Selenicereus hamatus é exclusiva do continente americano, tendo o sudoeste do México como seu provável local de origem. Atualmente, somente são conhecidos os espécimes cultivados pelo homem. Ao contrário de seus parentes terrestres, de porte colunar ou globoso, adaptados às condições quentes e secas de regiões áridas, sob sol pleno, o cacto Selenicereus hamatus é epífito, capaz de viver sobre outras plantas. O mesmo acontece com outras cactáceas deste gênero botânico.

Sendo assim, o Selenicereus hamatus pode ser cultivado sob condições mais sombreadas, inclusive dentro de casas e apartamentos, desde que bastante luminosidade indireta lhe seja oferecida. Evidentemente, quanto mais luz a planta receber, melhor será seu desenvolvimento e maiores serão as chances de floração.


Em relação a este quesito, convém salientar que somente plantas completamente maduras são capazes de florescer. O cacto Selenicereus hamatus é conhecido por produzir diversas flores, uma a uma, de forma consecutiva, ao longo de vários dias. Estas estruturas surgem somente durante a noite e são famosas por produzirem um intenso perfume, característica que é responsável pela atração dos agentes polinizadores, de hábito noturno.

As flores do Selenicereus hamatus são grandes, brancas, com nuances amareladas, compostas por várias camadas de pétalas e sépalas, semelhantes àquelas produzidas pelo Selenicereus grandiflorus. Quando polinizadas, estas estruturas dão origem a frutos em formato ovoide, de coloração amarelada ou esverdeada, densamente cobertos por espinhos.

A floração do cacto Selenicereus hamatus acontece predominantemente durante os meses mais quentes do ano. Por este motivo, um aumento no fornecimento de luminosidade, no início da primavera, ajuda a induzir o surgimento de botões florais. Também com este intuito, uma adubação mais rica em fósforo, a letra P do NPK, ajuda esta cactácea a florescer. Esta fórmula pode ser intercalada com um fertilizante de manutenção, com uma composição própria para o cultivo de cactos e suculentas, à venda em lojas de jardinagem.


Esta é uma planta que pode ser cultivada em vasos de plástico, barro ou cimento, sem maiores problemas. No entanto, como apresenta o porte pendente, este cacto fica melhor em recipientes de plástico, que  são mais leves e seguros para serem pendurados. Caso este seja o material de escolha, é importante estar atento ao fato de que o plástico tende a reter a umidade em seu interior por mais tempo, o que demanda um intervalo maior entre as regas.

Ao contrário de um cacto típico do deserto, que vive em solos arenosos, o Selenicereus hamatus aprecia um substrato rico em matéria orgânica. É importante que o composto seja bem aerado e rapidamente drenável. Neste sentido, um substrato apropriado para o cultivo desta cactácea deve ter uma mistura de terra vegetal, húmus de minhoca ou esterco curtido, casca de pinus e carvão vegetal, em proporções equitativas.

As regas do cacto Selenicereus hamatus devem ser moderadas. Não é aconselhável deixar o solo secar demasiadamente, ficando esturricado, como costumamos fazer com outras cactáceas típicas. Os intervalos entre uma irrigação e outra não precisam ser fixos. Eles variam de acordo com as condições climáticas. O importante é que o solo não fique demasiadamente úmido, por um período de tempo muito prolongado. Durante o inverno, por exemplo, as regas podem ser reduzidas. Nesta estação, também não é necessário adubar.


A multiplicação do Selenicereus hamatus é bastante rápida e tranquila, visto que este cacto cresce vigorosamente, emitindo novas brotações e ramificações, a todo momento. Basta separar alguns segmentos da planta principal, ou uma divisão de sua touceira, e plantá-los separadamente. É importante que estes cortes fiquem em um local fresco e sombreado, durante algumas horas ou dias, para que as regiões seccionadas tenham tempo para sofrerem um processo de cicatrização. Esta pode ser uma porta de entrada para bactérias e fungos nocivos, que podem causar o apodrecimento da muda.

A propagação através de sementes também é possível, embora este seja um processo bem mais complicado e demorado. Também é preciso estar atento ao comércio fraudulento de sementes de cactos e suculentas, já que nem sempre adquirimos a planta anunciada.

Em resumo, para aqueles que já admiram a beleza dos cactos ornamentais pendentes, como o cacto sianinha e cacto samambaia, a espécie Selenicereus hamatus é uma excelente oportunidade para a diversificação e inovação na coleção, já que é menos comumente encontrada.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil