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Sergio Oyama Junior


Orquídeas no Apê
Orquídeas no Apê

Suculenta Sedum dasyphyllum


Suculenta Sedum dasyphyllum
Sedum dasyphyllum |

Existe um grupo específico entre as plantas genericamente chamadas de suculentas, pertencente ao gênero botânico Sedum, que apresenta a interessante característica de se propagar horizontalmente, esparramando-se sobre a superfície do solo, tanto em vasos como em jardins de inspiração desértica. Devido a esta característica peculiar, estas suculentas são frequentemente utilizadas como forração, nos projetos paisagísticos dos quais fazem parte. É o caso do Sedum dasyphyllum, que conheceremos em detalhes, a seguir.

A suculenta Sedum dasyphyllum é conhecida como corsican stonecrop, em referência à ilha francesa localizada no Mediterrâneo, Córsega. O termo stonecrop consiste em um nome popular dado a diversas espécies de natureza suculenta, conhecidas por serem tão rústicas e resistentes que seriam capazes de sobreviver até mesmo sobre as pedras. Outra possível explicação para o apelido é que as stonecrops seriam plantas indestrutíveis e fáceis de cuidar, como pedras.


Também fazem parte do mesmo gênero botânico, e são conhecidas como stonecrops, as suculentas Sedum makinoi e Sedum japonicum, também chamada de Sedum Oro. Assim como acontece com o Sedum dasyphyllum, estas plantas costumam formar um denso tapete sobre o solo, com as mais diferentes cores e texturas. Todas estas espécies do gênero Sedum fazem parte da família Crassulaceae.

Devido à característica aparência delicada e rechonchuda de suas folhas suculentas, o Sedum dasyphyllum também costuma ser apelidado de blue tears Sedum, ou Sedum lágrimas azuis. Existem duas principais variedades em cultivo, atualmente. O Sedum dasyphyllum 'Major', cuja foto consta na abertura deste artigo, conhecido por suas compactas rosetas azuladas, cujos caules podem apresentar um porte discretamente ereto, de alguns poucos centímetros de altura, propagando-se horizontalmente. Já o Sedum dasyphyllum 'Minor' não forma rosetas características. Suas folhas são mais esféricas, gorduchas, organizadas de forma bastante compacta ao redor do caule, formando um tapete baixo, bem rente ao solo. Quando exposta ao sol pleno, esta variedade tende a adquirir uma coloração avermelhada.

O Sedum dasyphyllum produz flores pequenas e discretas, em forma de estrelas, que se assemelham a pequenas margaridas, com as pétalas brancas e o centro amarelo. A floração desta suculenta costuma ocorrer durante os meses mais quentes do ano, tipicamente no início do verão.


Para que isso aconteça, no entanto, a suculenta precisa ser cultivada em um ambiente com bastante luminosidade, de preferência exposta a algumas horas de sol direto por dia. Dentro de casas e apartamentos, é mais difícil fazer com que o Sedum dasyphyllum floresça. Esta é uma suculenta ideal para ser cultivada em varandas ensolaradas, coberturas ou jardineiras externas, nas janelas.

É importante salientar que as suculentas genericamente chamadas de stonecrops estão habituadas ao sol pleno do hemisfério norte, muito mais ameno. Em países de clima tropical e subtropical, como o nosso, é preciso tomar cuidado com o sol mais intenso, nas horas mais quentes do dia, principalmente durante o verão. Estas condições mais drásticas podem causar queimaduras nas folhas do Sedum dasyphyllum.

A luminosidade ideal para o cultivo do Sedum dasyphyllum é aquela existente na condição de meia sombra, com bastante luz difusa e indireta, na maior parte do dia, e algumas horas de sol pleno, no início da manhã ou final da tarde. Em locais muito sombreados, principalmente em ambientes internos, existe a tendência de a suculenta ficar estiolada, condição na qual seu caule cresce aceleradamente, em busca de mais luz, ficando fino e comprido, com um grande espaçamento entre as folhas.


Felizmente, existe uma forma rápida e prática de se consertar a aparência pescoçuda desta e de diversas outras plantas suculentas, através do método popularmente conhecido como decapitação de suculentas. Trata-se de uma poda drástica, na qual apenas a roseta superior da planta é cortada e plantada separadamente, gerando uma nova muda, mais compacta. O segmento remanescente continua a se desenvolver, emitindo novas brotações. Sendo assim, esta é uma excelente maneira de se propagar o Sedum dasyphyllum, ao mesmo tempo em que se melhora a aparência da planta, através da formação de uma touceira mais densa.

O Sedum dasyphyllum pode ser plantado diretamente na terra, em jardins contendo cactos e outras plantas suculentas, desde que apresentem as mesmas necessidades de insolação e regas. Esta é uma espécie adaptada à vida em solos rochosos e arenosos, pobres em matéria orgânica. Trata-se de uma espécie bastante utilizada em terrários abertos ou bacias de suculentas. É praticamente impossível se deparar com um arranjo de suculentas e não encontrar um Sedum dasyphyllum em meio à composição.

Quando cultivada em vasos, é importante que esta suculenta tenha um eficiente sistema de drenagem. O recipiente deve ter furos no fundo e uma camada de argila expandida ou qualquer outro material particulado. Uma manta geotêxtil pode ser posicionada logo acima, para ajudar a reter o substrato e impedir que as raízes do Sedum dasyphyllum entupam os drenos. É importante ter em mente que o vaso de plástico tende a reter a umidade do solo por um período mais prolongado, de modo que a frequência das regas deve ser mais espaçada. O vaso de barro, por ser mais poroso, permite a secagem mais rápida do substrato.


O solo ideal para o cultivo do Sedum dasyphyllum deve mimetizar aquele encontrado em seu habitat de origem. Esta espécie aprecia substratos arenosos, bem aerados, pouco compactados e facilmente drenáveis. Uma mistura de terra vegetal e areia grossa de construção é capaz de fornecer estas características ao solo. Não há a necessidade da adição de compostos orgânicos, já que esta é uma espécie bastante rústica, que se desenvolve com facilidade, até mesmo em solos pobres em nutrientes.

Caso o cultivador prefira praticidade, pode recorrer a uma das diversas marcas de solos especificamente desenhados para o cultivo de cactos e suculentas, à venda no mercado. Da mesma forma, existem adubos específicos para esta classe de plantas, com formulações do tipo NPK, em níveis equilibrados para o seu correto desenvolvimento. Convém evitar a utilização de adubos ricos em nitrogênio, já que este elemento químico tende a estimular o crescimento acelerado dos tecidos vegetais, resultando em plantas fracas e estioladas.

As regas do Sedum dasyphyllum devem ser bem espaçadas, ocorrendo somente quando o substrato estiver completamente seco. Como esta suculenta forma um denso tapete sobre a terra, fica mais difícil usar o método do dedo, para aferir o nível de umidade presente no solo. Neste caso, o ideal é averiguar o peso do vaso. Quanto mais leve, mais seco estará o substrato em seu interior. Com o tempo, adquirimos a prática e passamos a fazer esta correlação de forma automática.


Não existem relatos de que o Sedum dasyphyllum seja tóxico, caso ingerido acidentalmente por crianças ou animais de estimação. O principal perigo é o completo desmantelamento da planta, por estes seres curiosos, já que sua aparência é uma tentação ao manuseio excessivo. Infelizmente, este procedimento arruína a aparência da suculenta, que perde sua camada fosca de pruína, ficando toda manchada. Além disso, suas folhas suculentas caem facilmente, ao menor toque.

Mas trata-se de um pequeno óbice, de natureza apenas estética. O Sedum dasyphyllum é uma suculenta bastante resistente, de fácil cultivo, pouco exigente quanto à manutenção, além de ser bastante ornamental. Tanto em vasos como em jardins, esta planta é uma excelente adição à coleção dos apaixonados pelas suculentas em forma de tapete.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil