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Sergio Oyama Junior


Orquídeas no Apê

Orquídea Zygopetalum


Orquídea Zygopetalum maculatum
| Zygopetalum maculatum |

As diferentes espécies e híbridos pertencentes ao gênero botânico Zygopetalum costumam ser reconhecidos pelo inusitado contraste entre o vistoso labelo púrpura azulado e as pétalas e sépalas pintalgadas, no estilo animal print. Claro que há exceções a este regra, mas o padrão frequentemente encontrado é este, observado na espécie tipo, Zygopetalum maculatum, originalmente utilizada para descrever o gênero.

A orquídea Zygopetalum é uma representante exclusiva do Novo Mundo, sendo que sua ocorrência concentra-se nas regiões tropicais da América do Sul. Existem diversas espécies brasileiras, sendo a maioria originária de estados localizados na região sudeste do país.


Entre as nativas do estado de São Paulo, por exemplo, estão as espécies Zygopetalum ghillanyi e Zygopetalum reginae. Representando Minas Gerais, temos Zygopetalum microphytum e Zygopetalum triste, entre outras espécies. Já o Zygopetalum pabstii ocorre no Espírito Santo.

Também existem exemplos de Zygopetalum em outros estados e países. Na Bahia, temos o Zygopetalum silvanum e Zygopetalum sincoranum. Já a espécie Zygopetalum maxillare também é encontrada nativamente na Argentina e Paraguai.

A espécie tipo, Zygopetalum maculatum, foi descrita em 1833, juntamente com todo o gênero, pelo botânico inglês William Jackson Hooker. Esta orquídea também atende pela sinonímia Zygopetalum mackayi. Sua distribuição nativa é um pouco mais ampla, incluindo Peru e Bolívia, além do Brasil. Esta é uma espécie que ocorre em regiões de altitudes mais elevadas.


Infelizmente, as orquídeas do gênero Zygopetalum carecem de um nome popular mais fácil de ser lembrado. A origem do nome científico, entretanto, é curiosa. Trata-se da latinização de duas palavras gregas, zygon, que significa gema, e petalon, pétala. Trata-se de uma referência à aparência da estrutura floral denominada calo, localizada na base do labelo, fazendo a interseção de todos os elementos da flor, pétalas e sépalas.

A orquídea Zygopetalum possui o hábito epífito, vegetando com as raízes aéreas, aderidas aos troncos das árvores, em meio a florestas tropicais, quentes e úmidas. Seus pseudobulbos são ovoides e lateralmente achatados. A partir de seus ápices, surgem folhas longas e lanceoladas, plissadas. Com o passar do tempo, a planta é capaz de formar volumosas touceiras.

As hastes florais surgem a partir da base lateral dos pseudobulbos, podendo produzir um número variável de flores, dependendo da espécie ou híbrido em questão. Estas estruturas são perfumadas e possuem uma consistência firme, de aparência cerosa. As flores da orquídea Zygopetalum costumam apresentar uma longa duração e surgem, predominantemente, durante os meses do outono e inverno.


Por apreciarem condições climáticas mais amenas, as diferentes espécies da orquídea Zygopetalum costumam ser consideradas de difícil cultivo. Embora sejam brasileiras, em sua maioria, estas plantas não toleram temperaturas muito elevadas, nem níveis muito baixos de umidade relativa do ar.

Já os diferentes híbridos encontrados no mercado costumam ser mais resistentes e menos exigentes quanto às condições de cultivo. Esta é uma orquídea que pode ser mantida dentro de casas e apartamentos, sob luminosidade difusa e indireta. Muito cuidado deve ser tomado com o sol pleno, que pode causar manchas e queimaduras nas folhas do Zygopetalum.

No entanto, é importante que a umidade no ambiente seja elevada. Cômodos com aparelhos de ar condicionado não são indicados para o cultivo da orquídea Zygopetalum, por serem secos demais. O ideal é utilizar um equipamento umidificador de ambiente, do tipo ultrassônico. Aquários e fontes de água próximos ao vaso também ajudam a elevar os níveis de umidade do ar. Por fim, vale sempre recorrer às bandejas umidificadoras sob os vasos, aparatos com uma camada de areia ou pedrisco e uma lâmina de água no fundo.


Neste sistema, é importante que a água não fique em contato direto com o vaso. Também é imprescindível que a superfície da água não fique exposta, para não se transformar em um criadouro para o mosquito da dengue. A evaporação gradual desta lâmina de água é capaz de criar um microclima mais úmido, no entorno da orquídea, propício para o bom desenvolvimento do Zygopetalum

Muito embora esta orquídea possa ser cultivada sob a forma epífita tradicional, em troncos de árvores, pedaços de madeira ou cachepots vazados, a manutenção em ambientes domésticos e urbanos, principalmente internos, fica mais facilitada com o uso de vasos.

Estes recipientes podem ser de barro, com furos nas laterais, típicos para o cultivo de orquídeas epífitas, ou de plástico, que apresentam a vantagem de serem mais leves e fáceis de serem pendurados. No entanto, a frequência das regas deve ser ajustada de acordo com o material, já que os vasos de plástico retêm a umidade do substrato em seu interior por um período mais prolongado.


Ainda que cada cultivador tenha seu substrato preferido, a mistura básica para orquídeas epífitas consiste em casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. Aqui no apartamento, tenho tido bons resultados com a casca de macadâmia pura. Neste caso, as regas podem ser mais frequentes.

O importante é nunca regar a orquídea Zygopetalum em excesso. Devemos aguardar até que o substrato fique completamente seco, para que possamos efetuar uma nova irrigação. Por este motivo, é importante não utilizarmos o pratinho sob o vaso, já que o acúmulo de água ao redor das raízes facilita o seu apodrecimento.

A adubação pode ser orgânica ou inorgânica, dependendo da preferência do cultivador. Por uma questão de praticidade, costumo utilizar fórmulas minerais, do tipo NPK, próprias para a nutrição de orquídeas. Alterno adubos de manutenção e floração, semanalmente, utilizando metade da dose recomendada pelo fabricante.


A orquídea Zygopetalum pode ser multiplicada através da divisão de suas touceiras. É importante que as novas mudas contenham, ao menos, três pseudobulbos unidos sequencialmente, através de seus rizomas. São estas estruturas que garantirão energia para o despertar das gemas responsáveis pela produção de novos brotos e raízes.

Embora esta seja uma orquídea nativamente encontrada no Brasil, é relativamente difícil achar espécies no mercado. O mais comum é que híbridos de Zygopetalum estejam à venda, em orquidários e vendedores online. A vantagem destas variedades é que são mais fáceis de serem cultivadas, graças ao vigor híbrido. Além disso, os sucessivos cruzamentos costumam ter como objetivo a obtenção de indivíduos mais resistentes, adaptados ao cultivo em ambientes urbanos, dentro de casas e apartamentos.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil