Guia completo para cultivar plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Suculenta Colar de Pérolas - Senecio rowleyanus


Suculenta Senecio rowleyanus
Senecio rowleyanus

Em meio à grande variedade de formatos de folhas que as plantas suculentas apresentam, o Senecio rowleyanus, popularmente conhecido como colar de pérolas ou rosário, talvez seja a espécie que mais chame a atenção do público em geral. Bastante admirada e cobiçada pelos colecionadores, a suculenta colar de pérolas é muito versátil, podendo ser cultivada tanto em interiores como em áreas externas, desde que receba uma boa luminosidade. Ainda que seja considerada uma planta de cultivo mais difícil, é impossível resistir a esta graciosa cascata de bolinhas verdes, que a mim lembram mais ervilhas do que pérolas.



Também conhecida no exterior como string of pearls ou string of beads, a suculenta rosário pertence à família botânica Asteraceae. Sendo assim, ela não possui parentesco com as tradicionais suculentas popularmente conhecidas como rosas de pedra, do gênero Echeveria. Ao contrário, a suculenta colar de pérolas está na mesma família de outra joia, o colar de rubi, cujo nome científico é Othonna capensis. Também pertence à família Asteraceae o cobiçado colar de golfinhos, uma suculenta mais rara, da espécie Senecio peregrinus.

São todas suculentas de aspecto vegetativo pendente, que ficam muito charmosas em vasos pendurados. Seus caules podem atingir grandes comprimentos, descendo até o chão, quando as plantas são bem cultivadas. Embora não seja pendente, pertence ao mesmo gênero do colar de pérolas o Senecio barbertonicus, já apresentado aqui no blog.

O Senecio rowleyanus foi assim nomeado em homenagem ao botânico inglês Gordon Douglas Rowley. Como muitas das plantas suculentas cultivadas com fins ornamentais, o colar de pérolas é originário do continente africano. Sendo assim, a suculenta rosário está habituada a ambientes áridos, altas temperaturas e muita luminosidade. No entanto, em seu habitat de origem, ela costuma ser protegida dos raios solares diretos, ficando sob a sombra de rochas ou outras plantas, recebendo apenas luz filtrada.


Obviamente, nestes ambientes naturais, o mais provável é que encontremos a suculenta colar de pérolas esparramada sobre o solo, e não pendente. Em seu habitat original, o Senecio rowleyanus vegeta sob a forma de extensos tapetes, que vão emitindo novas ramificações que se enraízam, ao tocarem o solo. O mesmo pode ser feito no cultivo doméstico, dentro do vaso. O colar de pérolas pode ser enrolado gradativamente, sobre a superfície do substrato, de modo a preenchê-lo completamente. Após ter formado um denso tapete, a suculenta rosário terá bastante material para extrapolar o vaso, emitindo novas ramificações que se tornarão pendentes. Desta maneira, obtém-se uma cascata mais densa, que adquire um aspecto mais ornamental e harmonioso.

O formato esférico das folhas suculentas do Senecio rowleyanus é uma adaptação da planta para que ela possa armazenar uma grande quantidade de água e, simultaneamente, minimizar sua superfície exposta ao ambiente, reduzindo a perda de água através da evaporação. No entanto, este formato não é muito favorável à captação da luz solar, já que a superfície não é plana, como acontece com a maioria das folhas em outras plantas. Para otimizar a fotossíntese, outra adaptação interessante é encontrada nas folhas da suculenta colar de pérolas.

É interessante observar que cada esfera do rosário possui uma pequena faixa mais escura, no sentido longitudinal da folha, como se fosse uma pequena abertura. Trata-se de uma janela translúcida, da mesma forma que ocorre com a Haworthia retusa. Este é um mecanismo para otimizar o processo de fotossíntese, permitindo que a luz atinja o interior das folhas, através destas pequenas janelas. Olhando de longe, é como se cada esfera da suculenta colar de pérolas estivesse ligeiramente aberta.


O caule do rosário é incrivelmente fino, o que torna toda a estrutura mais frágil. Esta é uma daquelas muitas suculentas que devemos manusear com cuidado, para não desmantelá-la completamente. O colar de rubi, pelo que percebo aqui, é mais resistente do que o colar de pérolas, neste sentido.

É quase um pleonasmo afirmar que uma suculenta deve ser regada com cautela. No entanto, no caso da suculenta colar de pérolas, vale a pena insistir neste conselho. Mais do que outras plantas da categoria, o rosário é bastante susceptível ao apodrecimento causado pelo excesso de umidade. Por esta razão, muitos consideram o Senecio rowleyanus uma espécie de difícil cultivo. Mais do que nunca, esta é uma suculenta cujas regas devem ser bem espaçadas, sendo realizadas apenas quando o substrato estiver completamente seco.

Para não incorrer no pecado de regar em excesso, muitos cultivadores esperam que as folhas esféricas do rosário comecem a ficar levemente murchas ao toque. O mesmo pode ser percebido nas folhas em forma de pepino do colar de rubi. Quando o substrato seca completamente, e a suculenta colar de pérolas começa a sentir falta de água, suas folhas começam a ficar mais macias, ligeiramente amolecidas. É nesta hora que se deve regar. Talvez um pouco antes, para que a planta não sofra, mas, na dúvida, este é um método eficiente para se evitar o excesso de água.


Outra medida que evita acidentes, neste sentido, é uma boa montagem do vaso. Este pode ser de plástico ou de barro, lembrando que o primeiro tende a reter a umidade por um período mais prolongado, sendo necessário ajustar a frequência das regas de acordo. Mas, independentemente do material escolhido, é fundamental que o vaso tenha furos no fundo. Além disso, é importante fazer uma boa camada de drenagem, composta por pedrisco, argila expandida ou brita. Por cima, podemos posicionar uma manta geotêxtil, para evitarmos que o substrato escape junto com a água das regas.

O solo para o cultivo do Senecio rowleyanus deve mimetizar aquele encontrado em seu ambiente de origem, mais árido. Para tanto, pode-se optar pela compra de misturas próprias para o cultivo de cactos e suculentas, à venda em casas especializadas. Alternativamente, pode-se preparar uma versão caseira, a partir da mistura de terra vegetal e areia grossa, em partes iguais. Não há a necessidade de acrescentar esterco curtido ou húmus de minhoca, já que o solo ao qual a suculenta colar de pérolas está acostumada, em seu habitat natural, é arenoso e pobre em matéria orgânica.

Outro quesito essencial, para evitar que o rosário sofra com o excesso de umidade, é retirar o pratinho sob o vaso, que pode acumular a água das regas e causar o apodrecimento das raízes do colar de pérolas. Esta podridão propaga-se por toda a planta com bastante rapidez. Todo o cuidado é pouco, quando se trata do Senecio rowleyanus.


Felizmente, para nós que cultivamos plantas dentro de casas e apartamentos, a suculenta colar de pérolas é bastante amigável aos ambientes internos, desenvolvendo-se bem sob esta situação de luminosidade. O que talvez não ocorra, quando o cultivo é realizado em interiores, é a floração do rosário. É uma pena, já que suas flores são delicadas e compostas, em forma de pequenas trombetas brancas.

De qualquer maneira, tanto ambientes internos como externos, com uma boa luminosidade indireta, são apropriados para o cultivo da suculenta colar de pérolas. O Senecio rowleyanus é uma planta típica de meia sombra, o que significa que ela tolera algumas horas de sol direto por dia, no início da manhã e no final da tarde.

Ainda que apresente suas exigências de cultivo, a suculenta rosário é simplesmente adorável. Trata-se de uma espécie que confere um toque original e de interesse a qualquer coleção de plantas, principalmente quando cultivada sob a forma pendente. Sou suspeito para afirmar, mas acho que sempre vale a pena tentar manter um colar de pérolas em casa, principalmente se elas forem verdes.