Guia Completo para Cuidar de Plantas dentro de Casas e Apartamentos

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Sergio Oyama Junior


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Suculenta Echeveria lilacina


Suculenta Echeveria lilacina
| Echeveria lilacina |

Ainda que sejam todas muito parecidas, cada espécie de planta suculenta pertencente ao gênero Echeveria, dentro da família botânica Crassulaceae, apresenta pequenos detalhes que lhe conferem uma personalidade única. É o caso da Echeveria lilacina, que tem o tradicional aspecto de rosa de pedra, graças à organização de suas folhas suculentas e achatadas, que lembram pétalas, ao redor de um eixo central, formando uma belíssima roseta. Neste caso, o destaque fica por conta das delicadas pontas das folhas, que parecem ter sido produzidas com um bico de confeiteiro.

Além desta característica marcante, o nome científico desta espécie, Echeveria lilacina, faz referência ao belíssimo colorido que esta suculenta costuma apresentar. A palavra lilacina corresponde ao feminino de lilacinum, que significa na cor lilás, em latim. O interessante é que esta suculenta não é uniformemente colorida, de tal modo que apresenta uma tonalidade predominantemente entre o cinza e o azulado, com nuances em lilás, principalmente nas extremidades das folhas.


O resultado final é que a Echeveria lilacina assemelha-se a uma rosa de pedra furta cor, de aparência nacarada ou perolada, porém fosca. O acabamento empoeirado é resultante da deposição de uma camada de pruína sobre as folhas, substância cerosa que visa proteger a planta da radiação solar intensa e da perda de água por evaporação. Esta é a mesma substância química que recobre os cachos de uva.

Em consequência deste acabamento com o pó translúcido da pruína, a Echeveria lilacina fica meio pálida, esbranquiçada. Por este motivo, um dos nomes populares desta suculenta, no exterior, é ghost Echeveria, Echeveria fantasma. Aqui no Brasil, este não é um apelido muito difundido.

Para não acabar com este efeito especial, é importante manusear a Echeveria lilacina o mínimo possível, evitando sempre tocar suas folhas com os dedos. Ao fazermos isso, retiramos a camada de pruína e deixamos nossas digitais impregnadas na superfície, para todo o sempre. Isso arruína a aparência tão diferenciada desta suculenta. O mesmo vale para qualquer objeto que for esfregado sobre as folhas. Além disso, devemos evitar borrifar qualquer substância química, principalmente oleosa, sobre as folhas da Echeveria lilacina, que ficarão permanentemente manchadas.


O dano é permanente porque a planta não é capaz de produzir mais pruína para repor a camada que foi retirada manualmente. No entanto, este é um problema apenas estético, de capricho do cultivador, não interferindo drasticamente no desenvolvimento da suculenta.

Em comparação a outras espécies do gênero, a Echeveria lilacina apresenta um desenvolvimento mais lento. No entanto, ao longo dos anos, com um bom cultivo, esta suculenta pode atingir grandes proporções. Esta espécie é próxima, do ponto de vista taxonômico, das suculentas Echeveria elegans e Echeveria pulidonis, ambas bastante apreciadas pelos colecionadores e já apresentadas, aqui no blog.

A suculenta Echeveria lilacina é originária do México, ocorrendo nativamente no estado de Nuevo Leon, que também é o habitat da Echeveria shaviana. É uma planta adaptada a regiões de altitudes elevadas, que apresentam um clima quente e seco, vivendo sobre solos rochosos.


As florações da Echeveria lilacina ocorrem no final do inverno, início da primavera. A partir da região de inserção das pétalas, surgem hastes florais que produzem, em suas extremidades, inflorescências compostas por algumas flores em forma de sino, que não se abrem completamente, apresentando diversos tons entre o rosado, alaranjado e coral.

A Echeveria lilacina é uma suculenta versátil, podendo ser cultivada sob sol pleno, em áreas externas, ou em ambientes de meia sombra, dentro de casas e apartamentos. Quando a planta está habituada a locais mais sombreados, é importante que sua transição para uma área mais ensolarada seja feita com cuidado, de forma gradual, para que as folhas não sofram queimaduras.

Seja em ambientes internos ou externos, é importante que a Echeveria lilacina receba luminosidade abundante, com o maior número possível de horas de sol direto por dia. Contudo, em regiões muito quentes e, principalmente, secas, é importante proteger a planta do sol mais intenso, durante as horas mais quentes do dia, principalmente no verão.


A luminosidade é um fator crucial para estimular a floração da Echeveria lilacina, de modo que, infelizmente, é comum que esta suculenta não floresça, quando cultivada dentro de casas e apartamentos. Ainda assim, muitos cultivadores preferem priorizar o desenvolvimento vegetativo, cortando as hastes florais, tão logo surjam. Desta forma, as rosetas ficam mais compactas e simétricas.

A coloração das folhas da Echeveria lilacina também sofrem a influência da radiação solar. Quanto mais luz puder ser fornecida a esta suculenta, mais bonitas ficarão suas cores, com as nuances em lilás destacadas nas pontas das folhas. Outro fator que influencia a coloração desta suculenta é a temperatura. De modo geral, é durante os meses de temperaturas mais baixas, no outono e inverno, que sua coloração fica mais bonita.

No entanto, neste período, a planta encontra-se em dormência. Seu crescimento mais ativo ocorre durante os meses mais quentes do ano, na primavera e verão. É durante este período que a adubação deve ser fornecida. Geralmente, um fertilizante inorgânico, do tipo NPK, próprio para a manutenção de cactos e suculentas, é suficiente para garantir um bom desenvolvimento da Echeveria lilacina. É importante ter em mente que, em se tratando de plantas suculentas, os adubos ricos em nitrogênio prejudicam seu desenvolvimento e as formulações ricas em fósforo estimulam a floração.


Como sempre, esta suculenta aprecia um substrato mais arenoso, próprio para o cultivo de cactos e outras suculentas. Podemos utilizar solos prontos para o uso, adquiridos em lojas de jardinagem, ou preparar uma mistura caseira, composta por terra vegetal e areia grossa, em partes iguais.

As regas da Echeveria lilacina devem ser bem espaçadas, como ocorre com todas as plantas suculentas. Independentemente da periodicidade, somente devemos regar quando o solo estiver bem seco, ao toque do dedo. Neste momento, podemos perceber que o vaso fica mais leve, principalmente se for de plástico.

Infelizmente, a suculenta Echeveria lilacina não costuma produzir muitos brotos laterais, a partir da base da planta principal. Na maioria dos casos, a planta permanece solitária, ao longo da vida. No entanto, na eventualidade de um broto ser produzido, este poderá ser utilizado para propagar a suculenta. A multiplicação através das folhas também é possível, bastando ter paciência para aguardar o enraizamento e brotação destas estruturas. Quando se trata de obter novas mudas, sempre vale a pena.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil