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Saião - Kalanchoe brasiliensis


Kalanchoe brasiliensis
| Kalanchoe brasiliensis |

Dentre as mais de cem espécies pertencentes ao gênero Kalanchoe, da família botânica Crassulaceae, apenas uma ocorre nativamente em território brasileiro. Este fato pode ser facilmente constatado através do nome científico desta planta suculenta, Kalanchoe brasiliensis. Seus nomes populares mais conhecidos são folha da fortuna e saião. A esta espécie costumam ser atribuídas diversas propriedades medicinais.

O gênero Kalanchoe é bastante antigo, tendo sido formalmente descrito ainda no século XVIII, em 1763, pelo botânico francês Michel Adanson. As diferentes espécies de suculentas pertencentes a este gênero são originárias, predominantemente, do continente africano. Muitas ocorrem na ilha de Madagascar. Há ainda algumas plantas nativas da Ásia, mas a única representante das Américas é a Kalanchoe brasiliensis.


O saião também pode ser conhecido como folha da fortuna, o que gera confusões com outra espécie de suculenta do mesmo gênero, Kalanchoe blossfeldiana, que recebe o apelido de flor da fortuna. Além disso, a aparência da Kalanchoe brasiliensis é similar à de muitas outras espécies do gênero. A Kalanchoe pinnata, por exemplo, costuma ser confundida com o saião, mas trata-se de uma outra suculenta, originária de Madagascar.

Ao contrário da imensa maioria de seus parentes, que são cultivados em todo o mundo com fins ornamentais, o saião é conhecido por suas alegadas propriedades terapêuticas. A folha da fortuna é uma planta bastante utilizada na medicina popular, no tratamento de lesões de pele, disenteria, úlceras gástricas, doenças urinárias, infecções pulmonares, entre outras patologias de natureza inflamatória ou infecciosa.

O mesmo ocorre com outra planta bastante conhecida, o aranto, cujo nome científico é Kalanchoe daigremontiana, também chamada de mãe de milhares. Assim como a Kalanchoe brasiliensis, esta é uma espécie bastante cultivada como planta medicinal. Ainda dentro do universo das suculentas com possíveis propriedades terapêuticas, temos o aveloz, pertencente a outro gênero botânico, Euphorbia tirucalli.


É importante salientar que, em todos os casos acima mencionados, não existem estudos científicos que comprovem a eficácia do uso destas suculentas no tratamento de doenças, sejam elas quais forem. Muito pelo contrário, o que existem são pesquisas demonstrando que estas plantas são ricas em substâncias tóxicas, que podem causar sérias complicações gástricas, dermatites de contato, lesões em mucosas e alterações no tecido cardíaco.

Em relação ao saião, Kalanchoe brasiliensis, existem pesquisas sendo realizadas com extratos de suas folhas. Embora não conclusivos, os estudos in vitro indicam que as substâncias presentes nos tecidos vegetais da folha da fortuna podem apresentar uma atividade antimicrobiana. Constatou-se, por exemplo, que as partes aéreas do saião são ricas em alguns esteroides e flavonoides glicosilados.

É inegável a importância da flora nacional para a descoberta de novos medicamentos. Também são extremamente válidos os conhecimentos provenientes da cultura popular, quanto à utilização de plantas medicinais. No entanto, antes de consumi-las com finalidades terapêuticas, é necessário ter certeza de que seus efeitos, de fato, irão tratar as doenças em questão. Neste sentido, também é fundamental nunca abandonar o tratamento convencional receitado pelos médicos.


A espécie Kalanchoe brasiliensis é encontrada nativamente ao longo da costa brasileira, principalmente entre os estados da Bahia e São Paulo. O saião ou folha da fortuna apresenta um crescimento bastante acelerado, multiplicando-se facilmente. Trata-se de uma espécie bastante resistente, de fácil cultivo, que tem uma característica invasiva importante.

Sendo assim, o ideal é cultivar o saião em vasos, ou canteiros bem delimitados, para evitar que a planta se espalhe por todos os lados. Como espécie ornamental, a Kalanchoe brasiliensis é pouco utilizada, embora possa funcionar como uma forração em locais de sol pleno.

Dentro de casas e apartamentos, é possível que esta suculenta fique estiolada, crescendo de forma acelerada, com um grande espaçamento entre as folhas, em busca de mais luz. A Kalanchoe brasiliensis aprecia um ambiente com bastante luminosidade, que preferencialmente receba várias horas de sol direto por dia. Coberturas, varandas e jardineiras externas, desde que ensolaradas, são perfeitas para o cultivo desta suculenta.


Ainda que a folha da fortuna possa ser cultivada em qualquer tipo de solo, convém fornecer um substrato adequado para cactos e suculentas, bem aerado e pouco compactado, composto por terra vegetal e areia grossa, em partes iguais. Como a espécie Kalanchoe brasiliensis não é originária de regiões semiáridas, o substrato pode conter um pouco de matéria orgânica e não precisa ficar tão seco, o tempo todo.

O importante é que o solo seja capaz de escoar rapidamente a água das regas. Estas devem ser moderadas, sem excessos, de modo a manterem o substrato levemente úmido. Os vasos devem ter furos no fundo e uma camada de drenagem, composta por argila expandida ou pedrisco.

Ao contrário de outras suculentas do gênero Kalanchoe, conhecidas por suas vistosas florações, a Kalanchoe brasiliensis produz flores mais comuns, sem maiores atrativos. Neste sentido, uma adubação básica, de manutenção, do tipo NPK, pode ser fornecida durante a primavera e verão. Nos meses mais frios do ano, a adubação pode ser interrompida e a frequência das regas diminuída.


O saião multiplica-se facilmente e rapidamente, de todas as formas possíveis. De modo geral, sua propagação ocorre espontaneamente, sem que o cultivador precise se preocupar em realizar algum procedimento específico. Folhas que caem no solo podem enraizar e produzir novas mudas. Além disso, novas brotações laterais costumam ser formadas, a partir da base da planta principal. No caso da Kalanchoe brasiliensis, o principal cuidado é evitar que a planta tome conta de toda a coleção, surgindo em outros vasos, sem ser convidada.

Como vimos anteriormente, a folha da fortuna costuma ser ingerida, como planta medicinal, em diferentes culturas e regiões do país. No entanto, é preciso saber o que se está fazendo, uma vez que existem situações específicas e recomendações para o seu consumo. Sendo assim, e visto que as propriedades terapêuticas da Kalanchoe brasiliensis ainda estão em estudo, convém evitar deixar a planta ao alcance de crianças e animais de estimação. Existem casos documentados de animais intoxicados por causa da ingestão de outras espécies do gênero Kalanchoe. Sendo assim, todo cuidado é pouco.

Ainda que não seja a planta mais bonita do mundo, eu tenho uma grande simpatia por plantas da flora brasileira. Com tantas suculentas africanas e mexicanas, acho charmoso manter uma espécie exclusivamente nacional na coleção, como um recuerdo.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil