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Sergio Oyama Junior


Orquídeas no Apê

Orquídea Aranha - Brassia verrucosa


Orquídea Brassia verrucosa
| Brassia verrucosa |

Orquídea aranha é um nome popular e genérico que pode ser aplicado a diferentes espécies e híbridos, geralmente pertencentes ao gênero botânico Brassia. Neste contexto, uma das orquidáceas mais comumente conhecidas como orquídea aranha é a Brassia verrucosa. O híbrido descendente desta espécie, Brassia Rex, também costuma receber este apelido. São orquídeas de florações abundantes, que fogem do lugar comum.

A exótica e generosa inflorescência produzida pela orquídea aranha é a responsável pela popularidade desta nomenclatura informal. Numerosas flores agrupam-se nas extremidades de longas hastes, cada uma delas portando pétalas e sépalas longas e delgadas, remetendo-nos à imagem de um aracnídeo. Apenas lembrando que, do ponto de vista zoológico, estes animais possuem apenas quatro pares de membros locomotores.


Neste sentido, muitas florações de Brassia verrucosa estariam muito mais para centopeias do que aranhas, mas vamos evitar falar sobre coisas desagradáveis. O fato é que as flores da orquídea aranha são belíssimas, únicas na família Orchidaceae. Não por acaso, esta é uma espécie extensivamente utilizada em cruzamentos, com o intuito de obter híbridos com florações fartas, coloridas e exóticas.

Apesar de tanto a Brassia verrucosa como a Brassia Rex serem conhecidas como orquídeas aranha, existe uma diferença importante entre elas. A primeira é uma espécie pura, descrita por John Lindley, em 1840. Já a segunda é um híbrido primário, resultante do cruzamento entre duas espécies, Brassia verrucosa e Brassia gireoudiana, registrado em 1964, por W. W. G. Moir.

O gênero Brassia pertence à subtribo Oncidiinae, da qual também fazem parte as orquídeas Oncidium, Miltonia, Gomesa e Rodriguezia, entre outras. A orquídea aranha é originária do continente americano, ocorrendo nativamente em uma extensa faixa que engloba países como o México, na América do Norte, Guatemala, Honduras e Nicarágua, na América Central, e Venezuela, na América do Sul.


A orquídea aranha é tipicamente epífita, vivendo com as raízes aéreas aderidas aos troncos das árvores de florestas úmidas, tropicais ou subtropicais, em altitudes superiores a mil metros. A espécie Brassia verrucosa está habituada à grande concentração de névoa que encobre as árvores, em seu habitat de origem, o que lhes garante um clima ameno e com elevados índices de umidade relativa do ar.

Neste tipo de ambiente, a orquídea aranha nunca está exposta ao sol pleno. Seus pseudobulbos ovoides e cônicos, lateralmente achatados, com duas grandes folhas apicais, de textura coriácea, em forma de lanças, encontram-se sempre protegidos pelas copas das árvores, que garantem à Brassia verrucosa uma luminosidade sempre difusa e filtrada, porém abundante.

A característica mais marcante da orquídea aranha, principalmente na espécie Brassia verrucosa, é a presença de pequenas verrugas verdes sobre o labelo branco, que serviram de inspiração para o nome científico desta espécie botânica. Já o nome do gênero é uma homenagem ao ilustrador botânico de origem britânica, William Brass.


A forma ideal de cultivo da orquídea aranha é aquela que se aproxima da forma como ela vive na natureza. Como nem sempre é possível colocar nossas orquídeas epífitas nos troncos das árvores, podemos recorrer a pedaços de madeira com ranhuras, cascas rugosas de árvores, como a peroba, ou cachepots vazados feitos com ripas de madeira. O importante é que as raízes fiquem aéreas, bem ventiladas e, consequentemente, sequem rapidamente, após as regas. Neste tipo de cultivo, é essencial que o ambiente tenha bastante umidade e a orquídea seja protegida de correntes de vento, que tendem a desidratar a planta.

Em ambientes mais secos, como tendem a ser os interiores de casas e apartamentos, convém recorrer aos vasos preenchidos com substratos para o cultivo de orquídeas epífitas, que geralmente são compostos por casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco, entre outros materiais. Estes elementos garantem uma maior umidade às raízes da orquídea, ao mesmo tempo em que proporcionam uma boa aeração, evitando que estas estruturas fiquem muito abafadas ou compactadas.

As regas da orquídea aranha devem ser moderadas, de modo que o substrato nunca fique úmido por um tempo muito prolongado. Antes de realizar uma nova irrigação, vale sempre verificar o nível de umidade em torno das raízes. O peso do vaso também é um indicativo de quão seco está o substrato, em seu interior. Quanto mais leve, mais seco estará o material, indicando que uma nova rega pode ser feita.


A orquídea aranha, assim como todas as epífitas pertencentes à subtribo Oncidiinae, são particularmente sensíveis ao excesso de umidade em torno de suas raízes, que rapidamente apodrecem, graças à ação de bactérias nocivas, sob estas condições.

A adubação da Brassia verrucosa pode ser composta por elementos orgânicos, inorgânicos, ou uma mistura de ambos. O importante é escolher um método que se adeque ao ambiente de cada cultivador, sempre evitando os excessos, que podem ser mais prejudiciais do que a falta de fertilização. A aplicação de fórmulas de manutenção e floração, específicas para o cultivo de orquídeas, que contenham os macro e micronutrientes necessários a cada etapa de seu desenvolvimento, pode ser feita semanalmente, de forma alternada, utilizando metade da dose recomendada pelo fabricante.

É importante ter em mente que os sais minerais, presentes nos adubos do tipo NPK, tendem a se acumular no substrato, causando um aumento nos níveis de salinidade deste material. A orquídea aranha é particularmente sensível a este excesso, que se traduz em pontas das folhas queimadas. É salutar colocar o vaso debaixo de um generoso fluxo de água corrente, que escoe abundantemente pelos furos no fundo, de tempos em tempos, para eliminar os sais minerais acumulados.


A luminosidade ideal para o cultivo da orquídea aranha é aquela abundante, porém indireta. O sol pleno nas horas mais quentes do dia pode causar queimaduras nas folhas da Brassia verrucosa, assim como na Brassia Rex. No entanto, estas orquídeas apreciam o sol mais ameno das primeiras horas da manhã ou do final da tarde. A luminosidade é um fator importante para que a orquídea aranha floresça adequadamente. Quanto mais luz puder ser fornecida à planta, sem que suas folhas sejam danificadas, mais abundantes serão suas florações.

Tipicamente, a orquídea aranha irá produzir flores nos meses mais quentes do ano, no final da primavera e ao longo de todo o verão. Já as orquídeas híbridas, como a Brassia Rex, poderão florescer em outras estações, inclusive mais de uma vez ao ano.

Para quem gosta de flores diferentes, que fogem daquele padrão clássico dos grandes repolhos produzidos pelas orquídeas híbridas mais comumente encontradas no mercado, a orquídea aranha, seja a espécie Brassia verrucosa ou seus híbridos, como a Brassia Rex, são excelentes opções para diversificar a coleção e impressionar os visitantes.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil