Guia Completo para Cuidar de Plantas dentro de Casas e Apartamentos

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Sergio Oyama Junior


Orquídeas no Apê

Flor de Natal - Poinsétia


Euphorbia pulcherrima
Euphorbia pulcherrima |

A flor de Natal é a estrela deste período comemorativo típico do final de ano, muito embora poucos se atentem para o fato de que sua parte mais chamativa e colorida, geralmente vermelha, é uma folha modificada, que recebe o nome técnico de bráctea. As flores verdadeiras desta icônica planta natalina são bem mais discretas, amareladas, localizadas na parte central do arranjo. É, no entanto, o clássico contraste das folhas nas colorações verde e vermelha que torna a flor de Natal tão apreciada pelos consumidores, nesta época do ano.

O nome científico da flor de Natal é Euphorbia pulcherrima. Esta planta também é conhecida como poinsétia ou bico de papagaio. Seu nome popular no exterior, poinsettia, é uma homenagem a Joel Roberts Poinsett, conhecido como a pessoa responsável pela introdução desta planta no cultivo em solo americano, no início do século XIX.


A flor de Natal é uma euforbiácea originária da América Central, ocorrendo naturalmente em vários estados mexicanos. Acredita-se que a civilização asteca já cultivasse esta planta, com o intuito de utilizá-la como fonte de corantes ou com fins medicinais. A poinsétia faz parte da mesma família de outras plantas suculentas bastante utilizadas na decoração de ambientes internos e externos, tais como a coroa de Cristo, Euphorbia milii, e o cacto candelabro, Euphorbia ingens, sempre lembrando que este último não é um cacto verdadeiro, já que a Euphorbiaceae é uma família botânica distinta da Cactaceae.

Neste contexto, é aconselhável manusear a planta bico de papagaio com cuidado, uma vez que seus tecidos vegetais liberam uma seiva tóxica, de aspecto leitoso, como todas as euforbiáceas. A ingestão de quaisquer partes da flor de Natal pode causar complicações gástricas. Além disso, o contato do látex com as mucosas pode resultar em irritação e alergias. É sempre prudente manter a poinsétia fora do alcance de crianças e animais de estimação.

Vale ressaltar, no entanto, que a Euphorbia pulcherrima não é tão venenosa quanto outras plantas da mesma família. Dificilmente, sua ingestão poderá levar uma pessoa a óbito, ainda que exista esta crença disseminada entre a população.


Como acontece com inúmeras plantas cultivadas com fins ornamentais, a flor de Natal vem sendo submetida a vários ciclos de melhoramento genético, ao longo dos anos, com o intuito de se obter variedades mais coloridas, de menor porte, além de mais adaptadas aos ambientes domésticos. Em seu habitat de origem, a poinsétia apresenta o porte de uma pequena árvore, podendo atingir até três metros de altura. Atualmente, os exemplares comercializados possuem um porte bem mais compacto, sendo tipicamente vendidos em vasos, prontos para o uso na decoração natalina.

Ainda que o bico de papagaio mais famoso e cobiçado seja vermelho, existem variedades com as brácteas nas colorações creme, alaranjada, pink e marmorizada. É necessário um rígido controle do número de horas de luminosidade e escuridão, denominado fotoperiodismo, ao qual a flor de Natal é submetida, durante seu cultivo, para que as mais belas colorações possam ser obtidas. É por este motivo que, via de regra, as poinsétias que encontramos à venda no mercado costumam ser mais bonitas e vistosas do que aquelas que cultivamos em casas e apartamentos.

Por ser originária do hemisfério norte, a flor de Natal precisa de quatorze horas de escuridão absoluta, ininterruptas, durante seis a oito semanas consecutivas, para que possa florescer adequadamente. Como esta é uma condição difícil de ser obtida, em países tropicais, seu cultivo comercial precisa ser efetuado em estufas climatizadas e com fotoperíodo controlado.


Tecnicamente, costuma-se dizer que a poinsétia é uma planta de dia curto. Sendo assim, sua floração ocorre tipicamente durante o inverno, no hemisfério norte. Este é outro motivo pelo qual o bico de papagaio acabou tornando-se conhecido como flor de Natal.

Além das noites longas, a Euphorbia pulcherrima também necessita de baixas temperaturas, para o surgimento de suas brácteas coloridas. Outro fator crucial para que a flor de Natal surja, na época apropriada, é o sol pleno, ameno, durante os dias mais curtos do inverno. É por esta razão que a produção comercial desta planta está concentrada nos estados do sul do Brasil e em Campos do Jordão, em São Paulo. No entanto, com o uso de estufas apropriadas, seu cultivo pode ocorrer em outras regiões do país. O mesmo acontece com outra planta típica de inverno, a orquídea Cymbidium, por exemplo.

Atualmente, as variedades de poinsétia que encontramos no mercado encontram-se mais adaptadas ao cultivo doméstico. Ainda que seja possível manter a flor de Natal dentro de casas e apartamentos, em locais que recebam bastante luminosidade, o ideal é que a planta seja cultivada em áreas externas, sob sol pleno, em regiões de climas mais amenos. É importante que esta transição, de um ambiente mais sombreado para o sol direto, seja feita de forma gradativa. Quando há falta de luminosidade, o bico de papagaio começa a ficar com as brácteas esverdeadas.


A multiplicação da flor de Natal é bastante tranquila, acontecendo através do enraizamento de estacas retiradas da planta principal. Estes segmentos podem ser plantados diretamente na terra ou colocados em um recipiente com água, para enraizarem.

A adubação da flor de Natal não é necessária durante o período em que a planta está florida. O excesso de fertilizantes, principalmente os inorgânicos, do tipo NPK, pode causar um aumento da salinidade no solo, prejudicando as raízes. Após o final da floração, uma formulação de manutenção pode ser aplicada, com o intuito de ajudar no desenvolvimento de novas brotações. Um adubo apropriado para o desenvolvimento de flores, mais rico em fósforo, pode ser aplicado no período que antecede a floração.

As regas precisam ser moderadas, de modo que o solo não fique úmido por um período muito prolongado. É sempre aconselhável aferir a umidade do substrato com a ponta do dedo, regando apenas quando o solo estiver bem seco. Neste momento, o vaso estará mais leve, o que ajuda na decisão sobre o momento certo para regar. O principal é evitar o acúmulo de água no pratinho sob o vaso, que favorece o desenvolvimento de fungos e bactérias, além do mosquito da dengue.


Não são todos que possuem a paciência necessária para cultivar a flor de Natal ao longo de todo o ano. Geralmente, as pessoas compram a planta no auge da sua exuberância, recém-saída das estufas de produção, e cuidam da coitada apenas enquanto suas flores durarem. No caso da poinsétia, este é um período generoso, que pode chegar a mais de um mês de floração.

Ainda que seja um costume importado, ter a casa decorada com flores de Natal é sempre agradável e animador. Depois de um ano difícil, nada mais aconchegante do que ser rodeado por plantas de colorido vibrante, ainda que não tenhamos o melhor ambiente para cultivá-las o ano todo.

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Bacharel em biologia pela Unicamp, com mestrado e doutorado em bioquímica pela Usp, escreve sobre o cultivo de orquídeas, suculentas, cactos e outras plantas dentro de casas e apartamentos.

São Paulo, SP, Brasil