Guia completo para cuidar de plantas dentro de casas e apartamentos

Sergio Oyama Junior

Lírio laranja


Lírio laranja
Lilium híbrido

'Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles'. Mateus 6:28,29. A relação entre os lírios e os seres humanos é tão antiga que podemos encontrar citações na Bíblia sobre estas belíssimas flores. Hoje cultivados em todo o mundo devido à sua importância ornamental, na decoração de interiores, os lírios vêm acompanhando a humanidade, sendo frequentemente descritos e referenciados na história da arte e da literatura. São flores repletas de simbolismos, que podem variar de acordo com a época e a cultura local.

Do ponto de vista científico, lírios são todas as plantas pertencentes à família Liliaceae, composta por cerca de 700 espécies conhecidas. No entanto, os lírios verdadeiros podem ser confundidos com várias outras plantas que produzem flores similares, ou que são conhecidas popularmente como lírios, sem de fato fazerem parte desta família botânica ou do gênero Lilium. É o caso do lírio da paz, que na realidade é uma planta pertencente à família Araceae, do gênero Spathiphyllum. O lírio do Amazonas também não é um lírio verdadeiro, já que pertence à família Amaryllidaceae, da amarílis. Do mesmo modo, as flores pertencentes ao gênero Alstroemeria são conhecidas como lírios dos incas, sem de fato pertencerem à família Liliaceae.



Os lírios foram formalmente descritos em 1789, classificados cientificamente como uma família botânica. No entanto, já foram encontradas representações artísticas destas flores em afrescos na ilha grega de Creta, datados de 200 anos antes de Cristo. Além disso, podemos encontrar citações sobre os lírios na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Estudos indicam que os lírios surgiram no planeta há cerca de 52 milhões de anos, ainda no período Cretáceo.

Origem do lírio laranja


Geograficamente falando, os lírios são predominantemente encontrados, na natureza, em países do hemisfério norte, sendo que mais da metade é proveniente da China e Japão. Por esta razão, os lírios do gênero Lilium são popularmente conhecidos como lírios asiáticos ou lírios orientais.

A morfologia comum a todas as flores dos lírios verdadeiros baseia-se na presença de seis tépalas (estruturas indiferenciadas, que não são pétalas nem sépalas) e seis estames, como podemos observar na foto do lírio laranja acima. Além, é claro, de uma série de outras características de anatomia vegetal utilizadas para a classificação de todas as plantas.

Atualmente, todas as flores que popularmente conhecemos como lírios são, na verdade, resultado do cruzamento de várias espécies pertencentes ao gênero Lilium. Estes híbridos vêm sendo aprimorados pelos produtores ao longo do tempo, de modo a exibirem flores cada vez maiores, mais coloridas e duráveis. O lírio laranja da foto de abertura deste artigo é um belo resultado deste trabalho de seleção e melhoramento genético. O tamanho da planta e o porte das flores impressiona. Não encontramos lírios com esta aparência na natureza, em seu habitat de origem. O colorido intenso alaranjado é o meu favorito, por fugir do lugar comum e ser uma ótima opção para presentear tanto homens como mulheres.

Temos no mercado a disponibilidade de lírios nas mais diferentes colorações. Além do lírio laranja, podemos encontrar aquele que é completamente branco, branco com detalhes em lilás, pink em vários tons, além de amarelo. A cultura popular, ao longo dos séculos, vem atribuindo diferentes significados às cores dos lírios. Os ingleses, durante a era Vitoriana, costumavam utilizar uma linguagem secreta das flores, enviando mensagens através dos significados das flores com que presenteavam a pessoa amada.

Além da grande variedade de cores, há também no mercado lírios de diferentes tamanhos. Como se não bastasse, tem surgido exemplares híbridos desenvolvidos para não desprenderem o pólen, que costuma causar alergia em algumas pessoas.

A principal característica desta flor consagrada na decoração de interiores é o seu perfume acentuado, que para alguns pode ser enjoativo. Neste sentido, também podemos encontrar variedades de lírios que não possuem um aroma pronunciado. Como podemos observar, há opções para todos os gostos.



Cuidados com a flor do lírio laranja


Embora os lírios sejam cultivados em jardins, no hemisfério norte, por aqui é mais frequente encontrá-los sendo comercializados como flores de corte. Ao ganharmos um bouquet de lírios, é importante que tomemos alguns cuidados para que estas flores fiquem bonitas por mais tempo.

O primeiro passo é cortar as pontas de cada haste floral, na diagonal, com uma tesoura bem afiada ou uma faca profissional. É preciso evitar que o instrumento de corte 'mastigue' a haste, causando a obstrução dos vasos condutores e impedindo que a água chegue até a flor.

A seguir, as hastes podem ser mergulhadas em água limpa, em um vaso decorativo. Existem substâncias conservantes, à venda em lojas especializadas, que impedem que esta água fique turva, devido à contaminação por bactérias. Neste sentido, é bom evitar que folhas fiquem em contato com a água, o que facilita seu apodrecimento.

A água deve ser trocada todos os dias, ou a cada dois dias. Também periodicamente, é aconselhável fazer um novo corte na base das hastes, o que aumenta a durabilidade das flores.

É importante que as flores do lírio fiquem em local sombreado, protegido do sol direto. Além disso, é bom evitar que elas fiquem molhadas por muito tempo. O excesso de umidade favorece o crescimento de fungos, que causam manchas nos tecidos florais.



Cuidados com o lírio laranja em vaso


Também é possível adquirir os lírios plantados em vasos, o que obviamente confere maior durabilidade às flores. Estas, no entanto, dificilmente voltam a aparecer, após o término da floração. Este meu lírio laranja chegou plantado no vaso, portando inclusive alguns botões florais juntamente às várias flores já abertas. Os botões chegaram a desabrochar aqui no apartamento, proporcionando um belo espetáculo de floração. Contudo, após o término deste processo, a planta foi definhando e desapareceu, restando apenas o bulbo enterrado.

Ao ganharmos um lírio plantado, laranja ou não, o importante é retirarmos todos os elementos decorativos que vêm no entorno do vaso, tais como celofane, cachepots, fitas e laços. Embora feio, o vaso de plástico que vem do produtor precisa ficar à mostra, livre que qualquer material que impeça a circulação de ar. Desta forma, o substrato tem a oportunidade de secar bem, entre uma rega e outra. Após o total escoamento da água da rega, ele pode voltar ao cachepot decorativo. O importante é sempre evitar que o vaso fique abafado e a terra fique úmida por tempo demais.

Não é necessário adubar o lírio laranja, já que infelizmente ele não voltará a florescer após o término do ciclo atual. Enquanto a planta estiver florida, ela pode ficar em qualquer lugar da casa, desde que bem ventilado e protegido do sol direto. Também é aconselhável evitar molhar as flores e botões florais, que podem ser atacados por fungos, se ficarem úmidos por muito tempo. Tomando estas precauções, as florações poderão durar por bastante tempo.

Neste artigo, não entrarei em detalhes sobre o cultivo do lírio laranja, porque é bastante complicado fazer com que esta planta sobreviva ao calor dos trópicos. Assim como as tulipas, os lírios nascem a partir de bulbos após um período de dormência. Fazer um bulbo de tulipa ou lírio reflorescer pode ser um desafio e tanto. Isto porque são plantas de regiões de clima temperado e são necessários alguns truques para que esta estrutura volte a dar flores. De modo geral, os bulbos já chegam ao Brasil pré-germinados, vindos de países como a Holanda, e são cultivados em estufas climatizadas, para que possam chegar ao mercado consumidor em boas condições.