Sakura - A Flor da Cerejeira


Flor de Cerejeira
Flor de Cerejeira

Ao contrário do que se costuma imaginar, não existe uma espécie única da árvore frutífera popularmente conhecida como cerejeira. Vários representantes do gênero Prunus podem produzir cerejas, além de pêssegos, nectarinas, damascos e muitas outras frutas. Além disso, mesmo entre as cerejeiras, existem aquelas espécies que são cultivadas para produzir frutos comestíveis e outras que são desenvolvidas apenas com fins ornamentais.

É nesta última categoria que se encaixa a sakura (em japonês) ou a cherry blossom (em inglês), termos específicos para designar a magnífica flor da cerejeira ornamental. A espécie Prunus serrulata, originária da China, Japão e Coreia, é a mais cultivada para produzir as célebres florações vistas no paisagismo de bosques e jardins de vários países do mundo, principalmente no hemisfério norte.

No entanto, é no Japão que a flor de cerejeira tem seu lugar de destaque. Uma das flores nacionais do país, ao lado do crisântemo, a sakura vem sendo admirada e reverenciada há séculos. Ao longo deste período, foram desenvolvidos mais de 200 cultivares de cerejeiras ornamentais, incluindo espécies, híbridos e variedades.

A cerejeira é uma planta originária de países de clima temperado, apreciando o frio rigoroso do inverno. No final desta estação, na transição para a primavera, costumam ocorrer suas florações, que duram menos de duas semanas.

O hábito japonês de admirar a flor da cerejeira remonta ao período Nara da história do país, iniciado em 710 d.C. Este costume perdura até os dias atuais e é denominado hanami. Por todo o Japão, e em vários países do mundo, a época de floração das cerejeiras é celebrada por festejos que duram poucos dias. Manda a tradição que o desabrochar da sakura seja apreciado pelas famílias com um picnic sob as árvores. Aquele que tiver uma pétala de flor de cerejeira caída sobre sua cabeça terá sorte, diz a lenda.

O interessante é que a floração das cerejeiras não acontece concomitantemente em todas as províncias do Japão. A primeira sakura surge no extremo sul do país, nas ilhas de Okinawa, onde o clima é subtropical. A agência meteorológica japonesa vai fazendo a previsão, não só do tempo, mas também das florações, que vão avançando em direção ao norte, rumo às regiões mais frias. Desta forma, a população de cada cidade pode se organizar para o hanami. Assim, as flores de cerejeira vão levando seu espetáculo Japão acima, para Fukuoka, Kyoto, Tokyo, sequencialmente, até atingirem a ilha de Hokkaido, no extremo norte, a última região a ser contemplada com a beleza da sakura. É um acontecimento nacional.


Flor de Cerejeira
Flor de Cerejeira

Aqui no Brasil, a despeito da grande diferença climática, existem bosques de cerejeiras bem estabelecidas, principalmente nos estados do sul e sudeste do país. Nem todas as variedades trazidas pelos imigrantes japoneses adaptaram-se ao clima local. Até hoje, os diferentes cultivares sobreviventes precisam de cuidados especiais para que possam resistir ao calor e às pragas.

A maior coleção de cerejeiras em solo nacional encontra-se em São Paulo, mais precisamente no Parque do Carmo. São 1.500 árvores de três variedades da espécie Prunus serrulata, denominadas 'Ikiwari', 'Himalaya' e 'Okinawa'.

Assim como no Japão, aqui os brasileiros têm a oportunidade de apreciar a flor da cerejeira em datas específicas do ano, quando ocorrem diversos festivais inspirados no hanami. Em São Paulo, estes eventos costumam acontecer no início de agosto, quando a sakura encontra-se em seu ápice de floração. É um espetáculo imperdível.

Por durar tão pouco, a flor de cerejeira está associada à efemeridade da vida, na cultura japonesa. Ao mesmo tempo, a sakura simboliza o renascimento, por ressurgir todos os anos, anunciando a chegada da primavera.

No vídeo abaixo, uma reportagem da Ananda Apple para o Quadro Verde, mostrando os detalhes da floração das cerejeiras do Parque do Carmo, em 2017.




Cacto Opuntia monacantha monstruosa


Cacto Opuntia monacantha monstruosa
Opuntia monacantha monstruosa

Na natureza, é comum encontrarmos diferentes versões, em termos de coloração ou morfologia, para uma mesma espécie botânica. É o caso das formas alba, semi alba ou caerulea que ocorrem nas orquídeas, diferentes da forma tipo, a mais comumente encontrada no habitat.

Este mesmo fenômeno pode ser constatado no mundo dos cactos e suculentas. É possível observarmos as formas variegata ou cristata na maioria das espécies colecionadas pelos cultivadores. Por serem mutantes, de ocorrência mais rara, estas variantes costumam ser mais cobiçadas, tendo seu valor de mercado aumentado. 

Neste contexto, mas menos conhecida do que as anteriormente citadas, existe a forma monstruosa (monstrose, em inglês), que ocorre principalmente em cactos e suculentas. São plantas que desenvolvem um padrão de crescimento anômalo, desordenado, que não se restringe aos meristemas apicais (extremidades) das variedades normais. Qualquer segmento do cacto ou suculenta, em sua forma monstruosa, pode gerar novos brotos, aleatoriamente, como em um tumor. É o que ocorre com a Opuntia monacantha monstruosa, tema deste artigo.

Apesar de o nome e a descrição serem algo assustadores, o fato é que as formas monstruosas costumam ser belíssimas e raras. Plantas que apresentam este padrão de crescimento são muito valorizadas pelos colecionadores, uma vez que formam verdadeiras esculturas, completamente diferentes da espécie original. A Opuntia monacantha monstruosa, por exemplo, lembra-me um adereço da Sagrada Família, de Gaudi.

Existem cactos monstruosos famosos, tais como o curioso cacto castelo de fadas (fairy castle cactus), que vai emitindo novos brotos laterais ao redor do segmento principal, lembrando as torres dos célebres castelos dos contos infantis. A suculenta orelha de Shrek é outra planta famosa que, na verdade, consiste em uma variação monstruosa da espécie Crassula ovata, cuja aparência é completamente diferente da mutante orelhuda.


Cacto Opuntia monacantha monstruosa
Opuntia monacantha monstruosa

A Opuntia monacantha é uma planta de natureza suculenta que, por pertencer à família botânica Cactaceae, é popularmente designada como um cacto. Trata-se de uma parente do famoso cacto orelha de Mickey, Opuntia microdasys, sobre o qual já falamos aqui no blog. Ela é nativa de países da América do Sul, tais como Brasil, Paraguai e Argentina. A espécie tem originalmente a aparência das clássicas palmas, as mesmas utilizadas como alimento alternativo para o gado, na região nordeste.

Em sua forma monstruosa, no entanto, a Opuntia monacantha é totalmente diferente. Muito mais compacta, densamente imbricada com múltiplos segmentos, que crescem a partir de praticamente todas as aréolas do cacto. Estes novos brotos surgem como pequenas esferas, que vão se elongando à medida que se desenvolvem, podendo ser destacados para gerarem novas plantas.

O cultivo da Opuntia monacantha monstruosa é bastante simples e não difere daquele aplicado à maioria dos cactos e plantas suculentas. Embora prefira sol pleno, pode ser cultivada no interior de casas e apartamentos, desde que próximo a uma janela bem ensolarada, preferencialmente face norte. 

O substrato deve ser mais arenoso, composto por uma mistura de areia grossa e terra adubada, em partes iguais. É importante que o vaso tenha uma boa camada inferior de drenagem, composta por pedrisco, brita ou argila expandida. A rega é bem esparsa, apenas quando o material estiver totalmente seco. É sempre essencial evitar o excesso de água, principalmente no inverno.

O exemplar de Opuntia monacantha monstruosa que ilustra este artigo foi encontrado pelo meu pai,  a quem sou muito grato, por estar sempre antenado e à procura de espécies novas e interessantes para incrementarem a coleção de cactos e suculentas aqui do apê.


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Orquídea Paphiopedilum Leeanum - Floração 2018


Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

Dentre as várias espécies de plantas popularmente conhecidas como 'orquídea sapatinho', o Paphiopedilum Leeanum é, sem dúvida, o mais cultivado em todo o Brasil. Apesar de ter sua origem nos países do sudeste asiático, esta orquídea exótica adaptou-se perfeitamente ao clima brasileiro, podendo ser encontrada nas mais diferentes coleções, de orquidófilos ou não. Por ser uma orquídea de hábitos terrestres, costuma ser cultivada por nossas mães e avós como simples plantas de jardim.

O Paphiopedilum Leeanum é um híbrido primário, o que significa que esta orquídea é resultante do cruzamento entre apenas duas espécies diferentes: Paphiopedilum insignePaphiopedilum spicerianum. Trata-se de um clássico, já que seu registro ocorreu em 1884. Desde então, vem sendo cultivado e comercializado como planta ornamental em todo o mundo, muito embora alguns colecionadores mais puristas torçam o nariz para orquídeas híbridas e comuns.


Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

Mas esta pobre orquídea underappreciated tem lá suas armas de sedução. Trata-se de uma planta extremamente resistente. Ela cresce em qualquer lugar, pouco importando-se com a natureza do vaso ou do substrato. Vai muito bem em vasos de plástico, de terracota, plantada em terra vegetal, substrato para orquídeas ou em uma mistura de ambos. 

Qualquer que seja a condição de cultivo, o Paphiopedilum Leeanum vai crescer desesperadamente. Seus leques de folhas produzem inúmeras brotações laterais, fazendo com que o vaso entouceire rapidamente. Quanto mais antiga for a orquídea, mais espetacular será sua floração.

Este meu exemplar foi comprado no ano passado, com três flores abertas. Neste ano, com a planta já ocupando todo o vaso, a floração aumentou. Foram quatro hastes florais, sendo que uma delas produziu flores gêmeas. Um espetáculo de cinco sapatinhos em um arranjo naturalmente harmonioso. Tenho pavor de colocar arames, espetos e paus para manter cada haste floral ereta. Acho que é um misto de medo, dó e preguiça. Portanto, deixo que as flores resolvam-se por conta própria, em busca de seu espaço ao sol.


Orquídea Paphiopedilum Leeanum
Paphiopedilum Leeanum

Outro atributo interessante desta orquídea sapatinho é que ela não necessita de altos níveis de luminosidade para produzir flores. Qualquer luz indireta, no interior de casas e apartamentos, já é suficiente para induzir a floração. Claro que, quanto maior a luminosidade fornecida, melhores e mais abundantes serão as flores. O Paphiopedilum Leeanum chega a tolerar inclusive algum sol direto, excetuando-se as horas mais quentes do dia.

Esta é uma orquídea que floresce pontualmente, uma vez ao ano, durante os meses de outono e inverno. É bastante comum que muitos cultivadores costumem ser presenteados com flores sempre na época do dia das mães. Aqui no apartamento, elas surgem um pouco mais tarde, na entrada do inverno.

Todas estas características tornam bastante democrático o cultivo desta orquídea. Qualquer cantinho iluminado pode abrigar uma bela touceira de sapatinhos. Como se não bastassem tantas vantagens, o Paphiopedilum Leeanum ainda nos presenteia com florações muito duradouras. Cada flor passa meses aberta, mantendo-se viçosa por longos períodos. Ela só não tem perfume, infelizmente.