5 Dicas de Plantas para Interiores




Embora este blog tenha sido criado para narrar minhas experiências com o cultivo de orquídeas em apartamento, as circunstâncias e, quem sabe, a incompetência, acabaram me encaminhando a outros destinos. O fato é que as orquídeas nunca foram plenamente felizes aqui, encarapitadas no décimo andar de um apartamento face oeste, em São Paulo. 

Devido ao retumbante fracasso com esta família botânica, decidi eleger, para o cultivo no apê, plantas de índole mais afável, menos exigentes e mais generosas. São as 'plantas de aço', aquelas quase indestrutíveis. Não exigem altos níveis de luminosidade, adaptam-se bem aos ambientes internos, com menores índices de umidade relativa do ar, toleram pequenos equívocos no regime de regas e pouco se importam com fertilização. 

A lista a seguir é baseada na minha pequena mas crescente coleção. Atualmente, cultivo quase quarenta plantas dentro do meu quarto, que também é um home office, estufa de cultivo e estúdio fotográfico!




1. Zamioculcas zamiifolia


Na minha seleção de plantas, de A a Z, começaremos pelo final. Esta guerreira é conhecida como ZZ plant, no exterior. A zamioculcas é bastante resistente e aprecia locais sombreados. É uma planta bem exótica e ornamental, alta, com folhas brilhantes em um tom bem fechado de verde. É ideal para aquele canto mais escuro, distante da janela, onde poucas plantas sobreviveriam. O único porém é que todas as partes desta planta são tóxicas, devendo ser mantida fora do alcance de crianças e animais de estimação.


2. Sansevieria trifasciata


Esta é uma planta bastante versátil, utilizada frequentemente tanto em interiores como em áreas externas. Confesso que nunca havia me passado pela cabeça cultivar esta planta, popularmente conhecida como espada de São Jorge. No entanto, depois que comecei a conhecer as inúmeras variedades disponíveis no mercado, fiquei apaixonado. Existem miniaturas bem graciosas, em forma de roseta, que lembram um ninho de passarinho. Outras são lisas, em um tom bem claro de verde, com as folhas largas. Há as diversas formas cilíndricas, também conhecidas como lanças de São Jorge. Embora tolerem sol pleno, sombra, meia sombra, falta de água, apresentam o pequeno empecilho de serem venenosas.


3. Dieffenbachia amoena


Outra planta bastante popular, conhecida por sua habilidade de sobreviver em cantos mais sombreados, em interiores, é uma ilustre integrante da gangue 'duras na queda'. Há variedades incríveis disponíveis no mercado, que diferem bastante do padrão que estamos acostumados a ver. Além de bonita e resistente, é o tipo de planta que só se compra uma vez, já que costuma emitir novos brotos em profusão, junto à planta mãe. Como todas as anteriores, apresenta a desvantagem de ser tóxica quando ingerida ou mesmo manuseada.


4. Epipremnum aureum


Também conhecida como jiboia, devido à sua habilidade de se enrolar nos troncos das árvores. Na verdade, esta planta epífita escala qualquer coisa, até as paredes internas das casas. Esta é outra que considero 'planta de aço', indestrutível. Pedi umas folhinhas da jiboia do meu irmão, Márcio Oyama, que costuma podá-la para manter uma aparência mais comportada. Pois, quatro meses depois, estas pequenas mudas já enraizaram, foram envazadas e transformaram-se em uma planta enorme. Uma tranquilidade. No momento, estou atrás de outras variedades bastante em voga no exterior. Há uma forma totalmente marmorizada, belíssima. Outra apresenta as folhas em uma coloração neon, um tom de verde bem claro, quase fluorescente.


5. Clorophytum comosum


Esta é uma planta que se adapta bem ao cultivo em interiores, apesar de ser mais comumente utilizada no paisagismo, como forração de canteiros. Bastante versátil, tolera tanto o sol pleno como a meia sombra. Produz longas hastes com vários brotos pendurados, que lembram pequenas aranhas. O clorofito é conhecido no exterior como spider plant, por este motivo. De facílimo cultivo, é outro coringa valioso para compor a decoração de ambientes com menos luminosidade. O único porém é que suas folhas, muito delicadas, costumam ficar com as pontas queimadas, quando há falta de umidade.




Ao longo dos últimos quatro meses, fui montando dentro do quarto uma coleção de plantas ideais para o cultivo em interiores, resistentes e de baixíssima manutenção. Esta lista contém cinco delas, as que considero mais tranquilas e que recomendo fortemente. Ao longo dos próximos artigos, outras espécies serão abordadas. Nas fotos que ilustram este artigo, de baixo para cima, um resumo da evolução ocorrida em minha estação de trabalho, cada vez mais verde!


Trevo roxo adormecendo


Oxalis triangularis
Oxalis triangularis

Há algumas semanas, publiquei aqui no blog um artigo sobre este simpático trevo roxo, que está mais para burgundy, com o centro púrpura. Desde então, venho tentando registrar este curioso ballet que as folhas performam todos os dias, com o nascer e o pôr do sol. 

Foi uma saga. O primeiro desafio foi posicionar o equipamento para captar o fenômeno sem muito ruído no background. Acabei optando por um tampo de mármore branco. Para segurar a câmera, usei um tripé com quase vinte anos, adquirido já usado, na época em que fazia doutorado na USP. A gambiarra foi finalizada com dois elásticos usados para prender cabelo. Para piorar, havia 'plantado' o coitado do trevo em um copinho descartável de plástico.

Comecei a registrar a movimentação das folhas já às 14h, pretendendo seguir até as 18h, quando o sol se põe. Pois, no meio do caminho, lá pelas 16h, o céu desabou e a tarde virou noite. Resultado: os trevos ameaçaram começar a fechar as folhas mais cedo. Contrariado, prossegui mesmo assim.

Depois que as folhas se fecharam, com o final do dia, resolvi tentar registrar também o despertar dos trevos. Acordei às 4h da manhã e fiquei de butuca. Pois às 5h30, quando ainda estava um breu total, os engraçadinhos começaram a acordar! Resumo da ópera: quando amanheceu de fato, eles já estavam lépidos e faceiros, todos abertos. Fiquei a ver navios.

Para a realização deste trabalho hercúleo, contei com a ajuda de um equipamento que foi presente do meu irmão, Márcio Oyama, jornalista e autor do blog 365.org. É ele o responsável por todo o apoio tecnológico conferido às publicações aqui do Orquídeas no Apê, celulares, câmeras e notebook. Só tenho a agradecer, de coração, pela valiosa contribuição!

Ainda que tenha enfrentado tantos contratempos, reuni as imagens no vídeo abaixo, a título de curiosidade. Não ficou como eu gostaria, mas foi uma primeira tentativa. Espero que gostem!




Crassula Green Pagoda


Suculenta Crassula Green Pagoda
Crassula Green Pagoda

Algumas plantas suculentas são conhecidas pelo curioso design arquitetônico do conjunto de suas folhas. Dentre os vários gêneros existentes, destacam-se algumas espécies e híbridos de Crassula. A suculenta de hoje, Green Pagoda, lembra aqueles templos asiáticos em forma de torres, as pagodas, com seus diversos andares geometricamente alinhados. 

Esta belíssima Crassula Green Pagoda foi um presente de Tomoko e Helio Simizu, a quem agradeço imensamente pelo carinho. Ao longo dos próximos artigos, vou apresentar outras plantas especiais que ganhei do casal, que possui uma diversificada coleção de orquídeas, suculentas e outras plantas, todas impecavelmente cultivadas.


Suculenta Crassula Green Pagoda
Crassula Green Pagoda

Sempre fui fascinado pelas Crassulas e suas exóticas formas tridimensionais, milimetricamente simétricas. Uma espécie bastante cobiçada é a Crassula pyramidalis. Um híbrido dela descendente, a Crassula Buddha's Temple, é uma obra de arte moderna, espetacular. 

Estas plantas suculentas, em especial, são conhecidas no exterior como the stacked Crassulas, algo como as Crassulas empilhadas, todas obedecendo esta curiosa formação geométrica. Em um primeiro momento, são muito parecidas entre si, havendo inclusive uma multitude de híbridos entre estas espécies.

A Crassula Green Pagoda, por exemplo, é um híbrido que lembra bastante as Crassulas peforata e rupestris. Há, no entanto, alegações de que este seja um cruzamento resultante das espécies pyramidalis e rupestris.

Analisando mais de perto, esta Crassula é constituída por pequenas peças quadrangulares (as folhas) com um furo central, todas dispostas ao redor de um eixo (o caule), formando uma estrutura que lembra um colar de botões.


Suculenta Crassula Green Pagoda
Crassula Green Pagoda

O cultivo desta planta suculenta é bastante tranquilo, podendo ser efetuado tanto em interiores como em áreas externas, desde que protegidas do sol direto nas horas mais quentes do dia. Dentro de casa, o ideal é que ela fique próxima a uma janela bem iluminada. O solo precisa ser bem drenável, o clássico substrato para suculentas, contendo uma mistura de terra e areia. A rega só deve ocorrer quando o material estiver bem seco.

Sempre que o caule da Crassula Green Pagoda é cortado, dois novos brotos surgem no local, como ilustra a foto acima. Além disso, pequenos filhotes costumam surgir nas laterais da planta. Adicionalmente, como em toda suculenta, sua propagação pode ser feita através das folhas, colocadas em um berçário.

Bonita, exótica e de fácil cultivo, esta é uma joia que merece um lugar de destaque nas coleções dos que apreciam plantas suculentas.