Dominância Apical em Orquídeas


Hastes florais de Phalaenopsis
Hastes florais de Phalaenopsis

Provavelmente, muitos dos que se interessam por orquídeas já ouviram o conselho de se cortar a haste da Phalaenopsis na altura do terceiro nó, a partir da base. Mas qual a razão disso? Seria uma crendice popular ou haveria alguma base científica para tal procedimento? Neste artigo, vamos dar algumas respostas a esta questão.

Uma das perguntas mais frequentes dos leitores do blog é sobre o que fazer com a haste da orquídea, após o término da floração. E é bastante comum encontrarmos na internet o conselho de se cortar a haste floral após o terceiro nó. Tecnicamente, estes nós são gemas adormecidas, que têm a aparência de pequenas saliências ao longo da haste. Estas estruturas são capazes de gerar novas hastes florais, ramificações da principal. Alternativamente, uma gema adormecida pode produzir uma nova planta, um keiki. Esta versatilidade é devida à característica totipotente do tecido vegetal encontrado nas gemas dormentes, semelhantes às famosas células-tronco animais.

Determinados procedimentos, como o corte da haste floral, podem despertar estas gemas adormecidas. Isso graças a um fenômeno da fisiologia vegetal denominado dominância apical. A gema principal produz hormônios vegetais, auxinas, capazes de inibir o crescimento das gemas secundárias. Quando cortamos a haste de uma orquídea Phalaenopsis, eliminamos a gema apical, principal. Desta forma, a gema secundária, aquela do terceiro nó, que estava adormecida, torna-se a principal. Como tal, aumenta grandemente a possibilidade de que esta gema venha a produzir novas flores e brotos. Este é o objetivo da técnica, prolongar a floração da mesma haste ou multiplicar a orquídea através da obtenção de keikis.


Keki na orquídea Epidendrum
Keiki de Epidendrum

Este mesmo princípio está por trás do surgimento dos keikis em Epidendrum. Após o término da floração de um Epidendrum híbrido, por exemplo, é comum observarmos o surgimento de um keiki a partir da gema imediatamente abaixo do corte, como podemos observar na imagem acima. A dominância apical da haste floral foi removida e a gema secundária, outrora dormente, foi desperta para iniciar a produção de uma nova muda.

É comum que os cultivadores de orquídeas mais experientes utilizem a dominância apical para estimular o crescimento de grandes touceiras, principalmente nos gêneros Laelia e Cattleya. Através de pequenas incisões no rizoma da planta (alguns utilizam inclusive prego quente) os orquidófilos perturbam o fluxo natural de seiva e enganam a planta, que ativa gemas laterais dormentes. Desta forma, a orquídea passa a desenvolver novas frentes de crescimento, ramificando-se e tornando-se uma planta digna de exposições.

Em todas estas situações, é sempre importante termos em mente que um corte na orquídea não deixa de ser um procedimento invasivo, que abre uma porta para a entrada de vírus, fungos e bactérias. Portanto, é fundamental utilizarmos técnicas de assepsia durante estas intervenções.

Por fim, vale o conselho de que, em teoria, uma orquídea não precisa de podas, ao contrário de outras plantas. Salvo as exceções acima discutidas, orquídeas podem viver belas e saudáveis longe das tesouras, sem problemas.

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