Cuidando de orquídeas: 5 erros a serem evitados


Dendrobium Stardust
Dendrobium Stardust

Como cuidar de orquídeas da melhor maneira possível? Mesmo com anos de experiência, muitos cultivadores acabam deixando passar alguns detalhes importantes. O principal ponto a ser destacado é que cada orquídea, cada cultivador e cada clima pedem cuidados diferenciados. É comum ouvirmos perguntas de iniciantes sobre o melhor vaso ou a adubação perfeita. Infelizmente, não há uma resposta única para todos. Para a maioria dos orquidófilos, que estuda e pesquisa sobre o cultivo de orquídeas, os erros listados a seguir podem parecer primários. Mas, surpreendentemente, muitos ainda incorrem em alguns destes equívocos. A seguir, listo os cinco principais erros no cultivo de orquídeas, frequentemente cometidos por quem está iniciando.


1. Cortar a haste da orquídea


É bem verdade que a maioria das espécies e híbridos de orquídeas floresce apenas uma vez em cada haste, em sua estação característica. Após a queda das flores, a mesma seca e pode ser cortada, a partir da base. Existem, contudo, algumas exceções, como é o caso da orquídea Phalaenopsis, a mais comumente encontrada no mercado. Após o término da sua primeira floração, a haste pode emitir flores novamente, a partir de ramificações que nascem das gemas dormentes. Infelizmente, nem todos estão a par deste detalhe, havendo inclusive profissionais que recomendam cortar as hastes florais de orquídeas, indiscriminadamente.

Portanto, no caso específico de algumas orquídeas, como Phalaenopsis e Tolumnia, não é mandatório que toda haste floral deva ser cortada. Fica a critério do dono. Se continuar verde, existe a possibilidade de florescer novamente ou até mesmo emitir keikis, orquídeas bebês. Mais detalhes podem ser lidos no artigo abaixo:




Cabe a cada orquidófilo decidir se quer obter uma floração secundária, na mesma haste floral, ou se a corta e permite que a orquídea descanse por um período, para que tenha uma floração mais substancial e abundante na próxima estação. De modo geral, uma segunda floração na mesma haste vem com menos força, produzindo uma menor quantidade de flores.

Outro aspecto interessante é que, ao evitar cortar a haste, o cultivador está dando chances de que novos brotos surjam, o que é especialmente interessante no caso da orquídea Phalaenopsis, cujo crescimento monopodial impede que mudas sejam feitas com frequência. Neste caso específico, assim como no caso da orquídea Vanda, os keikis são a principal forma de propagação assexuada, uma vez que a obtenção de novos indivíduos através de sementes é bastante complicada na família Orchidaceae.

Por fim, há ainda aqueles que cortam a haste da orquídea, principalmente Phalaenopsis, para tentar plantá-la. Imagino que, de todos, este é o método de resultados mais incertos. Geralmente, segmentos de haste floral contendo duas a três gemas dormentes, aquelas pequenas saliências ao longo da haste, são espetadas em uma bandeja com areia úmida e regadas esporadicamente. Há quem cubra a bandeja com plástico filme. Eu nunca tentei este método de propagação, mas já li relatos de pessoas que obtiveram sucesso com a técnica. Pedaços de pseudobulbos antigos da orquídea Dendrobium também costumam produzir keikis através desta metodologia.



2. Substratos perigosos para orquídeas


As raízes das orquídeas evoluíram de forma a serem capazes de aderir a uma série de materiais, como troncos de árvores ou pedras. Esta adaptação tornou possível o seu hábito peculiar de vida, epífito, de viver sobre outras plantas. Existem orquídeas terrestres, mas a grande maioria não tolera este material sobre suas raízes. A compactação da terra é muito grande, a umidade excessiva e a probabilidade de apodrecimento é alta. Ainda hoje, é muito comum que iniciantes desavisados plantem suas orquídeas epífitas em vasos contendo terra. As chances de que este procedimento dê errado são altas. Para não errar, o ideal é utilizar substratos prontos, especialmente desenhados para o cultivo de orquídeas. De modo geral, este material é composto por uma mistura de casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. Também há quem cultive em musgo sphagnum, com sucesso.

Outro substrato polêmico é a argila expandida. Muitos orquidófilos experientes observaram que este material traz malefícios às raízes das orquídeas. Segundo eles, durante o processo de fabricação, a argila é misturada a elementos químicos que, quando aquecidos, podem ser liberados e causar toxicidade à planta. Outro problema é que, devido à alta porosidade, este substrato tende a reter grandes quantidades de sais minerais provenientes da adubação. Esta alta concentração acaba gerando uma queimadura, que consiste na desidratação e morte do tecido vegetal das raízes. Caso elementos como argila expandida ou brita sejam utilizados como substrato para o cultivo de orquídeas, o ideal é que o vaso seja regado em abundância, de tempos em tempos, para que o excesso de sais provenientes da adubação possam ser lavados e escoados.

Por fim, é bastante difundido no meio orquidófilo o prejuízo que a fibra de coco prensada, sob a forma de placas e vasos, causa às raízes das orquídeas. Segundo os especialistas, a cola utilizada para manter as fibras unidas é tóxica e prejudica o desenvolvimento e fixação da planta. Além disso, é um material que tende a reter bastante umidade, facilitando o apodrecimento das raízes, principalmente das orquídeas epífitas. Quando a fibra de coco é utilizada solta, misturada a outros elementos do substrato, não há dano algum às raízes das orquídeas. Geralmente, o material comercializado já sofre um tratamento que retira o excesso de tanino. 



3. Perturbar os botões florais


A etapa de floração de uma orquídea, além de consumir bastante energia da planta, é um processo delicado que, sob circunstâncias não favoráveis, pode ser abortado. Portanto, na época de formação dos botões florais, é importante manter a orquídea a salvo de grandes mudanças de temperatura, correntes de ar  e sol intenso, por exemplo. Por motivos que ainda não são bem compreendidos, é comum que algumas orquídeas, como Phalaenopsis, por exemplo, produzam os botões florais e, antes do seu desabrochar, abortam a floração. As mudanças bruscas nas condições climáticas acima citadas podem ter uma grande participação neste processo de interrupção da formação das flores.

O simples hábito de regar a orquídea e molhar suas flores e botões florais pode ocasionar problemas. A umidade excessiva do tecido floral pode levar ao desenvolvimento de um fungo, Botrytis cinerea, que causa aquelas conhecidas manchas amarronzadas nas flores. Ainda em relação a esta questão da rega, sempre é bom evitar regar a orquídea durante as horas mais quentes do dia ou sob sol pleno. O ideal é que tanto a rega como a adubação sejam feitas no comecinho da manhã ou no final da tarde, quando o sol está mais ameno.

Da mesma forma, deve-se evitar borrifar substâncias químicas nos botões florais. Justamente durante esta etapa, várias pragas, como pulgões, costumam se instalar na planta, aproveitando a seiva adocicada que os botões expelem. Jogar inseticida, sabão, detergente ou água sanitária sobre estas estruturas delicadas pode fazer com que a floração seja abortada. Na melhor das hipóteses, a aparência das flores ficará prejudicada, já que as substâncias químicas causarão manchas nas flores. O ideal é fazer a retirada manual destas pragas, principalmente quando estiverem atacando estruturas mais delicadas. Até mesmo adubos químicos devem ficar longe do contato com os botões e flores, se quisermos preservar sua beleza.



4. Perturbar a orquídea florida


Justamente por ser uma etapa delicada do ciclo de vida de uma orquídea, a floração não pode ser perturbada por desenvases, transplantes ou podas de qualquer natureza. Muitos acreditam que, ao receberem a orquídea florida, devem imediatamente trocar o vaso de plástico por um mais bonito. Isso até pode ser feito, mas após o término da floração. Ainda assim, o vaso mais bonito pode não ser o mais funcional para a orquídea. Vasos grandes, com boca estreita ou muito altos são prejudiciais, já que precisarão de mais substrato para serem preenchidos e a água evaporará mais lentamente. Isto, por sua vez, dificultará a ventilação das raízes, mantendo-as úmidas por muito tempo. O vaso de orquídea ideal é o mais raso, bastante aerado, com furos inclusive nas laterais.

De qualquer forma, a época de floração não é ideal para fazer qualquer tipo de mudança mais brusca na orquídea. Muitos são tentados a retirá-la do vaso para colocá-la em árvores. Novamente, isto pode ser feito, mas preferencialmente após o término da floração. Tanto este procedimento, como reenvases, transplantes e podas devem ser feitos durante os meses mais quentes do ano, em que a orquídea esteja crescendo ativamente, emitindo novas raízes e desenvolvendo novos pseudobulbos. Desta forma, ela terá condições de se recuperar do choque ocasionado pela mudança. O ideal é que nenhum procedimento seja realizado no período de dormência das orquídeas, em que nenhuma atividade vegetativa é observada. 



5. Prender a orquídea na árvore com vaso e tudo


Como mencionado acima, uma grande tentação das pessoas, ao ganharem uma orquídea, é o desejo de amarrá-las a uma árvore. Neste caso, o mais sensato é esperar que a floração termine. Um processo que costuma ocorrer uma vez por ano, e consome tanto da orquídea e do produtor, não merece ser arruinado com um desenvase precoce e uma mudança brusca de ambiente. Neste caso, é grande o risco de a floração ser interrompida precocemente.

Quando as flores já tiverem caído, e na época correta, respeitando o ciclo natural da orquídea, aí sim, podemos colocá-la na árvore, se for este o nosso desejo. O ideal é aguardar que novas folhas e raízes estejam nascendo, que a temperatura não esteja muito baixa (não se deve fazer o transplante no inverno) e que a orquídea não esteja florida nem em dormência. A primavera e o verão são estações propícias para este procedimento.

Por fim, é muito comum que se prendam orquídeas nos troncos das árvores com tudo o que se tem direito: vaso, tutor de arame, fitilhos, etc. Esta miscelânea de materiais artificiais vai atrapalhar o desenvolvimento da planta, favorecendo o surgimento de pragas e dificultando, ou até mesmo impossibilitando, o enraizamento da orquídea no tronco da árvore. O ideal é que apenas a planta, sem vaso e sem tutores, seja posicionada na árvore com uma pequena quantidade de musgo em torno das raízes, para evitar a desidratação nos primeiros meses de vida na nova morada. Deve-se evitar arame ou plástico no material que vai prender a orquídea à árvore. Preferencialmente, barbante de algodão, meia calça, estopa, materiais mais maleáveis, que não machuquem as raízes e que permitam seu crescimento. Com o tempo, estas amarras vão se desintegrando e não serão mais necessárias, já que a orquídea estará firmemente aderida ao tronco da árvore através de suas raízes - que podem ficar enormes e caminhar por vários metros.



Outro erro comum é amarrar a orquídea Phalaenopsis na posição vertical, a mesma na qual ela se encontra no vaso. Este posicionamento é artificial e somente utilizado pelos produtores para fins comerciais. Ocorre que, na natureza, ela está sempre na horizontal, com as folhas pendentes, de forma a se evitar o acúmulo de água e detritos no centro das folhas, local mais susceptível ao apodrecimento por excesso de umidade. Além disso, inclinada desta forma, a orquídea produzirá belíssimas florações, com suas hastes pendentes.

No vídeo abaixo, uma pequena compilação de dicas básicas sobre o cultivo de orquídeas, com trilha sonora, para quem está iniciando.



Embora aparentemente óbvios, os conselhos listados neste artigo e no blog talvez possam ajudar os cultivadores iniciantes a cuidarem melhor de suas orquídeas. No começo, é comum lermos e ouvirmos um grande número de informações desconexas e, muitas vezes, contraditórias. Não sou o expert no assunto, mas deixo esta pequena contribuição que, a meu ver, é o consenso dos ensinamentos passados pelos cultivadores mais experientes. Também é um compilado de erros que já cometi bastante, no passado.

Para informações completas sobre como cuidar de orquídeas, recomendo a leitura do artigo abaixo, que é o mais acessado aqui no blog:


Apesar do título, ele traz informações úteis sobre o cultivo de orquídeas em qualquer ambiente, não somente apartamentos. Ambientes internos, tais como casas, apartamentos e escritórios, tendem a impor maiores desafios ao cultivador, já que são condições climáticas bastante distantes daquelas em que as orquídeas vivem, em seu habitat natural. Ainda assim, vale a pena fazer adaptações para transformar nossos lares em pequenas selvas urbanas, guardadas as devidas proporções!