Etéreas orquídeas eternas


Orquídea Cymbidium
Cymbidium híbrido

O final da floração de uma orquídea é sempre um momento de pesar para mim. Quando os primeiros sinais de senescência começam a surgir, já preparo-me psicologicamente para o pior. A angústia de assistir a uma flor murchando, fading away, é tamanha que, frequentemente, corto a infeliz antes que seque completamente.

Durante estes episódios, sempre penso em estratégias para preservar a beleza da floração de uma orquídea para sempre. O método que tem me satisfeito até o momento é a fotografia. A partir do momento em que fotografo a flor, já fico mais tranquilo. Por outro lado, se um acidente acontece com uma floração, antes que eu possa capturar sua imagem, fico desolado.

Quando entrevistei o orquidófilo Yoshio Sano, soube que ele costumava congelar as flores de suas melhores orquídeas, preservando sua beleza até que possíveis compradores, muitas vezes vindos do exterior, pudessem apreciá-las ao vivo, O problema é que, tão logo saia do congelador, a flor começa a desmoronar e fica destruída em questão de minutos.

Um belo dia, deparei-me com uma instalação do artista floral Azuma Makoto, um dos mais célebres floristas do Japão. Ele expôs belíssimos arranjos de flores imobilizados no interior de imensos blocos de gelo. Fiquei absolutamente fascinado, ainda que tenha visto as imagens apenas pela internet. A partir deste momento, tornou-se minha obsessão copiá-lo, ainda que em menor escala.

Após inúmeras tentativas e alguns utensílios domésticos quebrados, cheguei a algumas imagens aceitáveis. Aos poucos, vou mostrando os resultados destas experiências. O principal desafio é obter um bloco de gelo com transparência, já que o gelo que produzimos em nossos congeladores costuma ser opaco. 

Como não tenho coragem de cortar uma orquídea em seu apogeu, espero até os últimos minutos, antes que comece a fenecer, para então tentar eternizá-la em um bloco de gelo. A imagem resultante deste processo é quase surreal. Lembra-me uma princesa presa em uma torre de cristal, uma fada flutuando em um universo etéreo e inatingível.