Ajustes no cultivo das Orquídeas no Apê


Micro-orquídea Epidendrum peperomia
Epidendrum peperomia

Tudo bem, Pessoal? Hoje, venho contar para vocês sobre algumas mudanças que efetuei na forma como cultivo minhas orquídeas. Em diversas ocasiões, compartilhei neste espaço os métodos que utilizo para melhor cultivar orquídeas em apartamento. Sendo que não faço mais exatamente do jeito que descrevi nos artigos anteriores, acho justo, por uma questão de transparência, atualizá-los sobre as modificações no orquidário.


1. Orquídeas e a argila expandida


Este é um material frequentemente utilizado por quem cultiva orquídeas, mas seu uso é bastante controverso. Eu já utilizei a argila expandida como substrato único, quando usava a semi-hidroponia como método de cultivo. Devido a resultados insatisfatórios, deixei de utilizá-la. Mas há quem tenha sucesso no cultivo de suas orquídeas com este material.

É importante salientar que diversos orquidófilos experientes são contra o uso de argila expandida no cultivo de orquídeas. Segundo eles, este material pode exalar um gás tóxico, resquício do processo de obtenção das bolotas de argila, em fornos de alta temperatura.

De minha parte, notei um acentuado acúmulo de sais, durante o período em que utilizei este substrato. Sua porosidade favorece o acúmulo de sais provenientes da própria água e da adubação, fazendo com que fiquem retidos na trama. Este material acaba prejudicando as raízes, se não lavarmos a argila frequentemente, com água em abundância.

Como ainda tenho um grande estoque, estava utilizando a argila expandida no fundo das bandejas umidificadoras, sem contato direto com as raízes das orquídeas.


2. Bandeja umidificadora


Também neste quesito, houve mudanças. Por ocasião da gravação da matéria para o Quadro Verde, da Ananda Apple, entrei em pânico quando constatei o aspecto horroroso da varanda onde cultivo as orquídeas. Nada pode ser feito quanto ao espaço reduzido do meu arremedo de orquidário, mas nada justifica o fato de sua aparência ser desleixada. A especialista Ivani Kubo que o diga.

Neste contexto, olhando atentamente para as humidity trays, sobre as quais tanto falo, percebi o quanto estavam desgastadas. A incidência inclemente do sol faz com que o plástico fique ressecado. Com o tempo, ele vai tornando-se quebradiço. Algumas bandejas estavam se desintegrando. Além disso, a argila expandida no fundo vai tornando-se cada vez mais impregnada de uma mistura de algas, detritos, resto de adubação. Enfim, uma visão da antessala do inferno.

Aproveitei o fato de que não poderíamos ser filmados nestas condições e removi todas as bandejas, passando a apoiar os vasos diretamente nas prateleiras. Como consequência, apesar de um melhor aspecto, as orquídeas passaram um certo aperto, ressentidas com a falta de umidade. Para compensar, intensifiquei as regas e as borrifadas diárias, principalmente nos dias mais secos.


3. Orquídeas na banheira


Sempre que ia à Itália a trabalho, muitos anos atrás, ficava admirado com uma maciça campanha veiculada pelo governo contra o uso da banheira. Muito antes de nós, paulistas, os europeus já enfrentavam problemas com o abastecimento de água. Tomar banho de banheira tornou-se uma atitude condenável, nos dias de hoje.

Neste sentido, embora não submergisse minhas orquídeas na água, decidi não mais levá-las à banheira para receberem a chuveirada semanal. A princípio, reduzi a frequência para quinzenal e depois parei definitivamente. Apesar da economia de água, as orquídeas acabaram pagando o preço deste racionamento.

O principal resultado da falta de banho semanal foi um considerável aumento na incidência de pragas. Pulgões e cochonilhas, antes raros, passaram a construir verdadeiras metrópoles, não mais colônias, debaixo das folhas e nos pseudobulbos das pobres orquídeas. Apesar da vigilância e combate redobrados, muitas plantas acabaram morrendo. Outro aspecto negativo é que nem sempre as regas com borrifador são capazes de lavar adequadamente os resíduos de adubo no substrato, o que prejudica as raízes.


Apesar de todos estes transtornos, confesso que estou satisfeito com o orquidário, que está muito mais limpo e organizado. Também fico com a consciência tranquila quanto ao consumo de água. Para provar que não estou judiando das orquídeas, trago a foto de uma floração que sempre me encanta, da micro-orquídea Epidendrum peperomia, também conhecida como Epidendrum porpax. Os problemas com as orquídeas estão sendo solucionados aos poucos, ainda estou aprendendo a lidar com estas restrições na forma de cultivo. Aos poucos, vou contando as novidades por aqui.