Como regar orquídeas durante a seca


Mini-orquídea Sophronitis Arizona
Sophronitis Arizona

A escassez de chuvas e consequente falta de água em São Paulo tem atingido contornos dramáticos. Toda vez que vejo as fotos das represas no noticiário, sinto sede. Nesta situação atípica, gostaria de dividir com vocês algumas dicas que tenho adotado para regar as orquídeas com menos água.

Talvez uma das poucas vantagens de se cultivar orquídeas em apartamento seja em relação ao número de plantas. Em ambientes mais compactos, obrigatoriamente temos uma quantidade mais reduzida de orquídeas, o que facilita na economia de água. Enquanto grandes coleções precisam de mangueira, em apartamento um pequeno borrifador ou aspersor dão conta do recado.

O uso do borrifador traz duas vantagens importantes. Primeiro, a pessoa sabe exatamente o quanto de água está aplicando na planta. Com a mangueira, corremos o risco de esquecer da vida e seguir regando. Com o aspersor, sei que gasto um litro e meio de água a cada rega, que é a quantidade que cabe no reservatório.

Outra vantagem é que a água sai mais lentamente. Com a mangueira, o fluxo é mais intenso e muita água é desperdiçada, escorrendo rapidamente através do substrato, muitas vezes sem nem molhá-lo adequadamente. Com o spray gerado pelo borrifador, a água é fornecida em doses homeopáticas, tendo tempo de se infiltrar e umedecer devidamente o substrato.

Outro mecanismo que ajuda bastante na economia de água é a bandeja umidificadora, a famosa humidity tray. Como há uma fina lâmina de água permanente no fundo da bandeja, o substrato demora mais para secar. É outra forma de rega homeopática, já que a água sobe muito lentamente, por evaporação, mantendo o microclima mais úmido ao redor das orquídeas. A quantidade de água usada para manter este sistema é mínima.

Mais detalhes sobre este e outros métodos de rega podem ser encontrados neste artigo:


É bem verdade que somente o aspersor não dá conta de regar adequadamente as orquídeas. Periodicamente, um bom banho debaixo da mangueira é necessário. No caso aqui do apartamento, faço isso na banheira, com o chuveirinho. Nestas ocasiões, o consumo de água é maior. Mas não é superior à quantidade gasta no banho de uma ou duas pessoas. Com a diferença que é apenas quinzenal. Antigamente, fazia este procedimento semanalmente, mas reduzi.

Com esta redução, é importante também ajustar a frequência da adubação química. Se antes eu adubava semanalmente, hoje adubo quinzenalmente. Desta forma, não ficam sais do fertilizante acumulados no substrato, entre um banho e outro.

Por fim, a escolha do material em que cultivamos as orquídeas influencia na quantidade de água que usamos para regá-las. Vasos de plástico e musgo sphagnum retêm a umidade por mais tempo, ao passo que o vaso de barro e casca de pinus secam mais rapidamente.

Torcendo fervorosamente para que a situação melhore em breve, deixo vocês com a imagem da mini-orquídea vermelha Sophronitis Arizona contemplando do alto a cidade esturricada.