A história por trás de uma orquídea mal classificada


Micro-orquídea Oncidium sotoanum ou ornithorhynchum
Oncidium sotoanum ou ornithorhynchum

Quem vê esta delicada micro-orquídea rosada não imagina que ela tenha sido protagonista de uma grande trapalhada científica que perdurou por mais de um século.

Em 1836, esta orquídea cor de rosa foi vista pela primeira vez em Oaxaca, no México. Um exemplar da espécie foi coletado e enviado à Europa. No mesmo ano, uma outra orquídea, esta amarela, foi encontrada na Guatemala. A esta espécie foi dado o nome de Oncidium ornithorhynchum. Ocorreu que ambas as plantas acabaram se encontrando no herbário de Paris e, sabe-se lá como, houve uma troca. A orquídea rosada, mexicana, tornou-se mundialmente conhecida com o nome originalmente atribuído à orquídea amarela.

Foi apenas em 1990, mais de 150 anos depois, que Miguel Ángel Soto, pesquisando o acervo de Paris, percebeu que a orquídea arquivada como Oncidium ornithorhynchum não correspondia à espécie rosada encontrada no México. Após comprovado o equívoco, a orquídea que todos nós conhecemos até hoje como Oncidium ornithorhynchum foi rebatizada com o nome de seu redescobridor, Oncidium sotoanum.

No entanto, esta correção não foi capaz de desvincular a identidade equivocada desta popular orquídea mexicana. Ainda hoje, é muito mais comum encontrarmos o termo ornithorhynchum do que o sotoanum em uso nas exposições e orquidários comerciais. O que não tira a beleza e o perfume inconfundível desta pequena micro-orquídea de fácil cultivo, presente na genealogia de muitos híbridos famosos, como a orquídea chocolate, Oncidium Sharry Baby, e o igualmente perfumado Oncidium Twinkle.