Um bouquet para o Hospital das Orquídeas


Orquídea Cattleya bowringiana
Cattleya bowringiana

Há algumas semanas, apresentei para vocês o projeto Reflorescer, também conhecido como Hospital das Orquídeas. Prestes a completar dois anos de vida, no início desta primavera, o espaço sediado nas dependências da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo, vem atraindo a atenção de muitas pessoas, inclusive da mídia televisiva. O artigo publicado neste blog já foi compartilhado por mais de 400 vezes no Facebook.

Apesar de todo o interesse, é importante salientar que o espaço não é lindo nem glamouroso. Como é de se esperar, a maioria das orquídeas chega maltratada, demandando cuidados. Elas são abrigadas em um engenhoso orquidário vertical, concebido por Massaru Nanya, um dos integrantes da equipe. Além de ocupar pouco espaço e utilizar materiais recicláveis, como madeira de demolição e cabos de TV, a estrutura não demanda um único furo na parede. O pequeno ângulo de inclinação permite que os vários andares de vasos recebam a luz de maneira mais uniforme.

Orquidário vertical do Hospital das Orquídeas
Detalhe do orquidário vertical no Hospital das Orquídeas

Trata-se de uma estrutura que pode ser acomodada em qualquer quintal ou corredor. Para os membros do projeto, seria uma grande alegria se esta simples ideia pudesse se espalhar, sendo implementada em outras igrejas e instituições. É sabido que inúmeras orquídeas são jogadas fora após o término de suas florações, quer seja por particulares, empresas de decoração de eventos, supermercados e sacolões.

No momento, estamos em uma espécie de entressafra de flores. As orquídeas do gênero Cymbidium, que brilharam durante o inverno, já estão partindo. Por outro lado, várias Phalaenopsis estão começando a desenvolver suas hastes florais. No momento, o desafio para o projeto é diversificar os gêneros e espécies atendidas pelo hospital.

Conforme prometido, hoje trouxe uma das florações deste espaço especial. A orquídea da primeira foto é uma Cattleya bowringiana, também conhecida por Guarianthe bowringiana. Trata-se de uma espécie típica de países da América Central, como Belize e Honduras. Ao contrário da maioria das orquídeas recuperadas pelo projeto, esta é uma planta de colecionador, gentilmente doada pelo médico e orquidófilo Daniel Katayama, outro membro da equipe. Ela foi utilizada como cobaia para a oficina de replante e floresceu lindamente no Hospital das Orquídeas, em abril deste ano. Um bouquet natural para celebrar o progresso desta pequena mas importante iniciativa.