Uma micro-orquídea envergonhada


Micro-orquídea Phymatidium delicatulum
Phymatidium delicatulum

Conforme prometido, trago finalmente uma foto da floração desta delicada micro-orquídea, presente de uma grande amiga, Elza Kurauchi. No momento em que a recebi, a mesma portava minúsculas cápsulas de sementes, episódio que relatei neste primeiro artigo.

Após seis meses de cultivo, e muito medo de perdê-la, fui presenteado com pequenas e incipientes hastes florais, retratadas neste post. Mais dois meses de espera e finalmente presenciei o surgimento dos primeiros botões florais. A esta altura, eu já não me aguentava de ansiedade, à espera do momento de fotografar esta mágica floração, tão aguardada.

Esperei por mais alguns dias até que as primeiras flores começassem a surgir. Só então reparei que a haste floral que as portava crescia em direção ao solo, quase se arrastando. As flores, por sua vez, ficaram totalmente escondidas, voltadas para baixo da pequena touceira. Desapontado, resolvi esperar pela abertura dos botões florais de uma outra haste, mais acessível e relativamente ereta.

Algumas semanas de angústia e espera, até que... Novamente, percebo que o peso das flores acabou por envergar a haste, escondendo-a. Além disso, sistematicamente, cada botão desabrochava olhando para baixo. Inconformado com a timidez desta miniatura de orquídea, não me dei por vencido e acabei valendo-me de um artifício para manter a haste floral ereta, sustentando-a com um filete de metal. Só assim, finalmente, consegui fotografar estas flores envergonhadas de frente.

Vivenciar esta pequena saga para fotografar uma orquídea lembrou-me que, na verdade, o errado sou eu, que insisto em cultivar em vaso uma planta acostumada a dependurar-se nos galhos das árvores. Nesta condição, em seu habitat natural, as flores não ficam escondidas, já que sabem, melhor do que eu, que precisam ser acessíveis aos seus polinizadores. É para isso que existem, não para serem fotografadas por um orquidófilo lunático com traços de TOC, sempre à procura de um ângulo tão esteticamente favorável quanto irreal para capturar suas imagens.