Uma orquídea de estimação


Mini-orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Há alguns anos, assisti a um seriado no qual um contador possuía uma orquídea de estimação. Ele a tratava com todo o carinho, regava, conversava com ela e, quando viajava, a deixava sob os cuidados de amigas. Além de me identificar com a situação, chamou-me a atenção o fato de o sujeito possuir uma única orquídea. A maioria dos orquidófilos que conheço possui coleções na casa das centenas ou milhares de exemplares.

Logo veio-me à mente a figura da Neofinetia falcata, a orquídea do samurai. Após enfrentar uma série de desafios naturais para coletá-la, os guerreiros japoneses a carregavam consigo como um símbolo de bravura e nobreza. Ainda hoje, estas orquídeas são cultivadas de maneira individualizada, dispostas em belos e caríssimos vasos de porcelana.

Estes exemplos contrastam com o meu desejo de ter milhares de orquídeas, uma de cada gênero, espécie e variedade existentes. Volta e meia, pego-me triste e pensativo, olhando para a varanda e percebendo que não caberiam mais orquídeas lá. Acho que, nestes momentos, eu deveria espelhar-me nos casos acima e sossegar o facho. Minha mãe possui meia dúzia de violetas, que cultiva há mais de 20 anos. Não são todas as cores do arco-íris e algumas estão bem caidinhas. Mas ela é feliz cuidando delas. Não almeja mais nem menos. Apenas curte e ama suas plantas, sem maiores pretensões. Afinal, de quantas orquídeas eu precisaria para ser feliz?

Se tivesse que escolher, provavelmente elegeria a Laelia alaorii, da foto acima. Ela é pequena e delicada, cabe em qualquer lugar e floresce mais de uma vez ao ano. Adepto confesso da tendência de viver com menos, eu deveria aplicar esta teoria à orquidofilia e parar de tentar transformar a varanda do apartamento em um pedaço da Mata Atlântica.