Entre a teoria e a prática da orquidofilia


Flores da orquídea Dendrobium Stardust 'Chiyomi'
Dendrobium Stardust 'Chiyomi'

As entrevistas aqui publicadas, recentemente, fizeram-me pensar sobre como eu aplico, no dia-a-dia, todo este valioso conhecimento passado pelos especialistas da orquidofilia. Confesso que cheguei a uma conclusão não muito animadora.

Resolvi fazer uma pequena lista das situações nas quais a prática não corresponde à teoria.

Teoria: É aconselhável manter um bom espaçamento entre um vaso e outro, de modo que as folhas não se sobreponham. Este procedimento dificulta a propagação de doenças e permite uma boa ventilação.
Prática: Se eu fosse seguir este conselho à risca, poderia ter apenas dois ou três vasos na varanda. Minhas orquídeas estão tão apertadas que chegam a desafiar as leis da física. Ainda assim, continuo espremendo as coitadas, tentando achar só mais um espacinho.

Teoria: Os melhores horários para se regar as orquídeas são o começo da manhã ou final da tarde, evitando-se as horas mais quentes do dia.
Prática: Acordo no sábado de manhã, olho para o relógio e decido ficar uns minutinhos a mais na cama. Quando vejo, já são 11h30min. Dou um pulo e saio correndo para regar as meninas, torcendo para que sequem antes de serem atingidas pelos raios do sol, ao meio-dia.

Teoria: Devido ao seu metabolismo lento, as orquídeas não necessitam de muito adubo para crescerem e florescerem. O excesso não é absorvido e pode vir a ser prejudicial.
Prática: Estou constantemente atrás de um novo e milagroso adubo. Químico, orgânico, organomineral. Compro um para experimentar e, como o anterior ainda não acabou, vou intercalando. Depois, decido testar os 'adjuvantes'. Superthrive, Tiamina, Ajinomoto... Se não me controlo, acabo matando as orquídeas por intoxicação. O que, aliás, é bem provável que já tenha acontecido.

Paro por aqui para não cansá-los. Mas a lista poderia se estender por páginas. É fascinante ver que, apesar dos nossos erros, as orquídeas ainda são capazes de se adaptar e sobreviver.