Mini Phalaenopsis


Orquídea Mini Phalaenopsis
Mini Phalaenopsis

As populares orquídeas com flores em forma de falenas estão cada vez menores. Graças a um intensivo processo de hibridização, hoje é possível encontrar miniaturas perfeitas das imponentes orquídeas Phalaenopsis que costumam fazer sucesso na decoração de grandes eventos.

No passado, as mini Phalaenopsis que encontrávamos no mercado eram simplesmente espécies de orquídeas cujas flores e porte eram naturalmente pequenos. Um exemplo clássico de miniatura bastante popular é a Phalaenopsis equestris. Outra orquídea que não pertence ao gênero Phalaenopsis, mas cujas flores são bastante semelhantes, é a Doritis pulcherrima. São todas orquídeas provenientes do sudeste asiático.

Como os gêneros Doritis e Phalaenopsis são bastante próximos, geneticamente falando, logo surgiram diversos híbridos entre os dois, conhecidos como Doritaenopsis. Estas orquídeas mestiças herdaram a beleza das flores da Phalaenopsis aliada ao tamanho diminuto e à grande quantidade de mini mariposas características da Doritis.

Recentemente, os estudiosos que classificam as orquídeas, dispostos a nos enlouquecer, decidiram unir os dois gêneros, de forma que tudo pode se transformar simplesmente em Phalaenopsis.

Confusões à parte, mini Phalaenopsis não são obtidas da mesma forma que mini vacas ou mini porcos, processo em que se busca cruzar animais cada vez menores. No caso das orquídeas, outros gêneros e espécies são usados para diminuir o tamanho das flores e aumentar o volume das florações.

É desta miscelânea de Phalaenopsis equestris, Doritis pulcherrima, Doritaenopsis, que surgem estas pequenas preciosidades, réplicas em miniatura das grandes orquídeas que estamos acostumados a ver em floriculturas.

A mini Phalaenopsis magenta da foto de abertura deste artigo foi um presente de aniversário do casal Hiroko e Takashi Matsumoto. Dos meus pais, ganhei um novo pulverizador de pressão, já que o antigo havia pedido arrego. Ser a louca das orquídeas tem esta vantagem, todos sabem como presentear!




Dominância Apical em Orquídeas


Hastes florais de Phalaenopsis
Hastes florais de Phalaenopsis

Provavelmente, muitos dos que se interessam por orquídeas já ouviram o conselho de se cortar a haste da Phalaenopsis na altura do terceiro nó, a partir da base. Mas qual a razão disso? Seria uma crendice popular ou haveria alguma base científica para tal procedimento? Neste artigo, vamos dar algumas respostas a esta questão.

Uma das perguntas mais frequentes dos leitores do blog é sobre o que fazer com a haste da orquídea, após o término da floração. E é bastante comum encontrarmos na internet o conselho de se cortar a haste floral após o terceiro nó. Tecnicamente, estes nós são gemas adormecidas, que têm a aparência de pequenas saliências ao longo da haste. Estas estruturas são capazes de gerar novas hastes florais, ramificações da principal. Alternativamente, uma gema adormecida pode produzir uma nova planta, um keiki. Esta versatilidade é devida à característica totipotente do tecido vegetal encontrado nas gemas dormentes, semelhantes às famosas células-tronco animais.

Determinados procedimentos, como o corte da haste floral, podem despertar estas gemas adormecidas. Isso graças a um fenômeno da fisiologia vegetal denominado dominância apical. A gema principal produz hormônios vegetais, auxinas, capazes de inibir o crescimento das gemas secundárias. Quando cortamos a haste de uma orquídea Phalaenopsis, eliminamos a gema apical, principal. Desta forma, a gema secundária, aquela do terceiro nó, que estava adormecida, torna-se a principal. Como tal, aumenta grandemente a possibilidade de que esta gema venha a produzir novas flores e brotos. Este é o objetivo da técnica, prolongar a floração da mesma haste ou multiplicar a orquídea através da obtenção de keikis.


Keki na orquídea Epidendrum
Keiki de Epidendrum

Este mesmo princípio está por trás do surgimento dos keikis em Epidendrum. Após o término da floração de um Epidendrum híbrido, por exemplo, é comum observarmos o surgimento de um keiki a partir da gema imediatamente abaixo do corte, como podemos observar na imagem acima. A dominância apical da haste floral foi removida e a gema secundária, outrora dormente, foi desperta para iniciar a produção de uma nova muda.

É comum que os cultivadores de orquídeas mais experientes utilizem a dominância apical para estimular o crescimento de grandes touceiras, principalmente nos gêneros Laelia e Cattleya. Através de pequenas incisões no rizoma da planta (alguns utilizam inclusive prego quente) os orquidófilos perturbam o fluxo natural de seiva e enganam a planta, que ativa gemas laterais dormentes. Desta forma, a orquídea passa a desenvolver novas frentes de crescimento, ramificando-se e tornando-se uma planta digna de exposições.

Em todas estas situações, é sempre importante termos em mente que um corte na orquídea não deixa de ser um procedimento invasivo, que abre uma porta para a entrada de vírus, fungos e bactérias. Portanto, é fundamental utilizarmos técnicas de assepsia durante estas intervenções.

Por fim, vale o conselho de que, em teoria, uma orquídea não precisa de podas, ao contrário de outras plantas. Salvo as exceções acima discutidas, orquídeas podem viver belas e saudáveis longe das tesouras, sem problemas.

Leitura recomendada: Haste da orquídea: corto ou não corto?




Orquídeas Raras de Colecionador


Orquídea Cattleya walkeriana caerulea
Cattleya walkeriana caerulea

Hoje, para fugirmos da mesmice proporcionada pelas orquídeas que sempre apresento aqui no blog, resolvi levá-los a um tour virtual por algumas das orquídeas mais raras da coleção particular do orquidófilo Yoshio Sano, que já concedeu uma entrevista a esta publicação, alguns anos atrás.

Embora este colecionador de renome internacional seja reverenciado por sua belíssima coleção de Cattleya walkeriana, que abriga plantas perfeitas como o exemplar cerúleo da foto que abre esta matéria, existem muito mais raridades escondidas em seu acervo.

Orquídeas podem ser raras por diferentes razões. Muitas, infelizmente, foram coletadas de forma predatória e encontram-se extintas na natureza. Por outro lado, devido exatamente a este trabalho de coleta, encontram-se preservadas em coleções de orquidófilos em diferentes partes do mundo.

Outro quesito que pode tornar uma orquídea rara é sua variedade cromática. Existe, por definição, a orquídea cuja flor possui a coloração tipo, a mais comumente encontrada. A partir deste padrão, abre-se um leque de formas albas, semi-albas, amarelas, cerúleas, flameadas, dentre uma infinidade de outras denominações para diferentes padrões de coloração das pétalas, sépalas e labelo.


Orquídea Sophronitis coccinea amarela 'Sol'
Sophronitis coccinea amarela 'Sol'

É o caso da Sophronitis coccinea, orquídea mundialmente conhecida por seu vibrante colorido vermelho. Flores escarlate representam a forma tipo desta orquídea. Para muitos, variações desta cor podem parecer corriqueiras. No entanto, tecnicamente, a ausência do pigmento vermelho, no caso específico desta Sophronitis, resulta em uma raríssima variedade amarela. 

Como é praticamente impossível encontrar uma Sophronitis coccinea amarela na natureza, os raros exemplares existentes nas coleções são bastante cobiçados, atingindo cifras de grande vulto. Para piorar as coisas, a reprodução desta variedade é dificultada devido ao caráter recessivo da cor amarela. Trata-se, tecnicamente, de uma planta albina.

Os diversos exemplares de Sophronitis coccinea amarela que encontram-se na coleção do profissional Yoshio Sano foram desenvolvidos ao longo de anos, através de inúmeros cruzamentos realizados pelo Prof. Dr. Gilberto Barbante Kerbauy, do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Usp.


Orquídea Cattleya violacea alba
Cattleya violacea alba

Outra joia da coroa presente no orquidário de Yoshio Sano é a Cattleya violacea alba. Como o próprio nome diz, a coloração da planta tipo é violeta ou púrpura. No entanto, esta orquídea nativa dos estados da região norte do país, de difícil cultivo aqui embaixo, pode apresentar uma raríssima e cobiçadíssima forma alba.

Para os colecionadores aficionados, é quase uma miragem ver uma Cattleya violacea totalmente branca. Sim, o interior do labelo, a garganta, apresenta um tom amarelado, mas isto não conta. É típico de muitas orquídeas albinas. 


Orquídea Cattleya leopoldii albescens
Cattleya leopoldii albescens

Neste contexto, é igualmente raro e surpreendente ver esta forma albescens (quase alba) da Cattleya leopoldii, orquídea conhecida por seu vibrante padrão de pétalas e sépalas ricamente pintalgadas, com um proeminente labelo magenta. No caso da planta albescens do Yoshio Sano, a ausência de pigmentação só não é total devido a discretas pintas nas extremidades das flores. O que torna, a meu ver, o resultado ainda mais unique.


Orquídeas Cattleya dormaniana caerulea 'Cristal' e 'Guri da Serra'
Cattleya dormaniana caerulea 'Cristal' e 'Guri da Serra'

E, por fim, uma dupla de orquídeas raras, crème de la crème. Elas não são grandes, coloridas nem repolhudas, mas têm uma importância fenomenal. Já não é muito comum encontrar a Cattleya dormaniana nas coleções. Trata-se de uma orquídea brasileira cujo habitat de origem é exclusivamente o estado do Rio de Janeiro. A forma tipo desta orquídea apresenta pétalas e sépalas em uma coloração esverdeada, com detalhes amarronzados. O labelo é púrpura.

Através de muita pesquisa, o orquidófilo Yoshio Sano, que tem vasta expertise e olhar clínico, acabou localizando, no Japão, uma raríssima variedade cerúlea de Cattleya dormaniana. A partir de então, não mediu esforços para importar esta planta. Até a data de sua chegada ao país, não havia registro da existência desta rara forma cromática em nenhuma coleção conhecida.

Após muitos anos de cultivo, eis que as duas primeiras descendentes da planta original finalmente florescem. Como podemos ver na foto acima, os exemplares Cristal e Guri da Serra ostentam seus diferenciados labelos da cor do céu. Até onde se sabe, são os dois únicos representantes cerúleos de Cattleya dormaniana do Brasil.