Orquídea Rodriguezia venusta


Rodriguezia venusta
Rodriguezia venusta

A Rodriguezia venusta é uma orquídea de pequeno porte, conhecida por produzir uma delicada haste floral repleta de diminutas flores brancas. Não existe uma norma rígida para a classificação das micro-orquídeas, mas geralmente são colocadas neste grupo aquelas cujas flores não ultrapassam 1 cm. No caso da Rodriguezia venusta, cujas flores medem em torno de 3 cm, poderíamos chamá-la de mini-orquídea. É uma denominação informal.

Popularmente, esta orquídea é conhecida como véu de noiva. Na foto acima, em close up de uma flor individual, é possível ver que as pétalas e sépalas envolvem toda a coluna e labelo, de cima a baixo, como um véu. Na inflorescência em forma de uma densa cascata branca, nem sempre é possível atentar a estes detalhes que se revelam na macrofotografia.

A Rodriguezia venusta é conhecida no exterior como the lovely Rodriguezia, a Rodriguezia adorável. Isso porque venusta vem do latim venustus, que significa belo, elegante, encantador.

Existe uma controvérsia quanto ao nome desta orquídea, para variar. Alguns orquidófilos referem-se a ela como Rodriguezia fragrans. De fato, as flores exalam um perfume acentuado. Outros afirmam que a venusta não possui perfume e a fragrans, sim. Até faz sentido, mas o fato é que ambas as denominações, Rodriguezia venusta e Rodriguezia fragrans são consideradas sinonímias para a mesma orquídea.

A Rodriguezia venusta faz parte da subtribo Oncidiinae, onde também se encontram Oncidium, Gomesa e Capanemia. São orquídeas que geralmente apresentam este padrão de abundantes cachos de pequenas flores perfumadas.

Tanto a Rodriguezia venusta como as demais orquídeas deste gênero costumam ocorrer por todo o continente sul-americano. Pode ser encontrada no Brasil, Colômbia, Equador e Peru.


Orquídea Rodriguezia venusta
Rodriguezia venusta

Trata-se de uma orquídea cujo cultivo é considerado difícil, principalmente devido às suas delicadas raízes aéreas. A Rodriguezia venusta é uma planta de hábito epífito e, como as orquídeas do gênero Oncidium, não tolera raízes úmidas por muito tempo. Também não costuma se adaptar ao cultivo em vasos com substrato. De modo geral, aconselha-se cultivá-la em troncos ou pedaços de madeira, bem como em cachepots feitos com o mesmo material.

Aqui no apartamento, devido ao clima seco e aos ventos constantes, cultivo meu exemplar em uma mistura de casca de pinus, carvão vegetal e musgo sphagnum, em vaso plástico, condição que não é a mais recomendável para a espécie, mas que minha situação climática impõe. Neste caso, é importante não regar em excesso.

O ideal é que a Rodriguezia venusta seja cultivada como uma mini Vanda, com as raízes aéreas e altos níveis de umidade relativa do ar. Vale usar uma fonte de água próxima ou uma bandeja umidificadora

Após alguns anos de cultivo, é a primeira vez que esta orquídea floresce sob meus cuidados. Eu a ganhei de presente do casal Hiroko e Takashi Matsumoto, já adulta e em excelente estado. Sofreu um bocado para se adaptar à varanda, mas agora parece estabilizada, emitindo novos brotos e, inclusive, florescendo! 

O pico da floração da Rodriguezia venusta ocorre no início do verão. Quando bem cuidadas, as flores chegam a durar duas semanas. Trata-se de uma orquídea que, apesar de seu temperamento mais difícil, vale a pena ser incluída na coleção de todo orquidófilo apaixonado pelas miniaturas.

A versão em inglês deste artigo pode ser acessada através do link a seguir: Rodriguezia venusta orchid.




Quem é a Orquídea Chuva de Ouro?


Orquídea Chuva de Ouro - Oncidium Aloha Iwanaga
Orquídea Chuva de Ouro - Oncidium Aloha Iwanaga

Quando comecei a me interessar por orquídeas, há muitos anos, minha mãe comentou que possuía um exemplar de chuva de ouro em nossa antiga casa. Confesso que não me lembrava desta flor. Curioso para saber de qual orquídea se tratava, sempre que encontrava uma com flores amarelas, pequenas e em cachos, perguntava se era aquela. Minha mãe respondia-me que era parecida, mas não exatamente a orquídea da qual ela se lembrava.

Ficamos nesta por anos e, até hoje, não sabemos ao certo quem era a orquídea chuva de ouro do nosso passado. Este é o problema dos nomes populares, quer sejam de orquídeas ou de outras plantas em geral. Frequentemente, estes apelidos não estão associados a plantas únicas. Para resolver esta questão, os taxonomistas atribuem nomes científicos, em latim, para cada espécie de ser vivo sobre o planeta.

O problema desta nomenclatura científica é sua complicada assimilação pelo público leigo. Como se não bastasse, os nomes estão constantemente sob mudanças, sendo revisados, sem que os próprios cientistas cheguem a um consenso, dentro do meio acadêmico. Um banzé.


Orquídea Chuva de Ouro ou Bailarina (Dancing Lady)
Orquídea Chuva de Ouro ou Bailarina (Dancing Lady)

As orquídeas chuva de ouro, por exemplo, pertencem ao gênero botânico Oncidium. São conhecidas por suas flores dispostas em torno de longas hastes, flores estas que apresentam geralmente um tamanho diminuto e formam abundantes cachos. Além, é claro, de seu vívido colorido amarelo, que lembra uma cascata de moedas douradas. No exterior, estas orquídeas são conhecidas como dancing ladies, bailarinas, devido ao aspecto dos labelos de suas flores, que lembram saias rodadas. No entanto, nem todas as orquídeas dancing ladies são amarelas.

Existem, inclusive, algumas árvores conhecidas como chuvas de ouro, dentre elas a acácia mimosa e a cássia imperial.

O fato é que várias espécies e híbridos de Oncidium podem ser popularmente conhecidos como chuvas de ouro. Talvez o híbrido mais difundido entre o público brasileiro seja o Oncidium Aloha Iwanaga, representado na foto de abertura deste artigo. Mas há muitos outros.

A espécie Oncidium flexuosum, originária do Brasil e de alguns países da América do Sul, também é comumente conhecida como chuva de ouro ou bailarina. Esta orquídea, inclusive, é um dos ascendentes do Oncidium Aloha. Várias outras espécies do gênero Oncidium são famosas por este padrão de flores pequenas, amarelas e dispostas ao longo de frondosas hastes. Alguns exemplos de orquídeas Oncidium que podem ser chamadas de chuvas de ouro são: sphacelatum, varicosum, cheirophorum, pumilum (atualmente Lophiaris), entre outros.


Orquídea Chuva de Ouro - Oncidium Twinkle 'Yellow Fantasy'
Orquídea Chuva de Ouro - Oncidium Twinkle 'Yellow Fantasy'

Outro híbrido digno de nota, que realmente lembra uma densa chuva de ouro, é o Oncidium Twinkle 'Yellow Fantasy'. Apenas ressaltando que existem variedades desta orquídea em outras cores, como branca e vinho. 

Apresentei aqui apenas duas fotos de orquídeas conhecidas como chuva de ouro porque não costumo cultivá-las. Por alguma razão, tenho problemas para manter Oncidium aqui no apartamento. São plantas consideradas de fácil cultivo, mas suas raízes são exigentes. Não podem ficar sufocadas no substrato, nem podem ser mantidas úmidas por muito tempo. Por outro lado, se cultivadas em troncos de madeira, com as raízes expostas, desidratam-se facilmente. A umidade relativa do ar no ambiente de cultivo deve ser sempre elevada.

Por fim, a lista de orquídeas chuva de ouro é extensa e pode ser controversa. Os orquidófilos, de modo geral, detestam estes apelidos. Particularmente, acho que é um meio válido para divulgar a orquidofilia junto ao público leigo, aproximando-os deste mundo fascinante, sem assustá-los com impronunciáveis nomes macarrônicos, que mudam a cada estação. O que é cientificamente correto para os aficionados pode ser extremamente entediante para os que simplesmente admiram as orquídeas.




As orquídeas celebram a diferença


Mix de Orquídeas no Apê
Mix de Orquídeas no Apê

Sempre que me pergunto o porquê de cultivar orquídeas, vem-me à mente a enorme diversidade de cores, formas e aromas desta grande família botânica. Mesmo dentro de uma determinada espécie de orquídea, encontramos uma grande variação cromática. Isso sem falar dos híbridos, que são capazes de produzir milhares de descendentes completamente diferentes uns dos outros, todos irmãos, frutos da união de apenas duas orquidáceas.

O interessante é que nós, humanos, temos uma histórica dificuldade em lidar com as diferenças. Tudo o que foge das normas ditadas por determinada sociedade transforma-se em motivo de chacota e discriminação. Até mesmo no caso do cultivo de orquídeas, a tendência é classificar e normatizar tudo, milimetricamente. Dentre as milhares formas e cores que a natureza cria, o homem teima em selecionar meia dúzia de plantas que considera perfeitas, raras e, consequentemente, valiosas. 

A obsessão pelo normal, pelo padrão e igual, faz com que os cultivadores elejam uma orquídea considerada perfeita e fabrique clones desta planta, produzindo milhões de cópias geneticamente idênticas à matriz. Ironicamente, esta técnica, denominada propagação por meristema, acaba por banalizar a beleza única da planta original. Por outro lado, é graças a esta tecnologia de ponta que todos nós podemos ter um exemplar de determinadas orquídeas de rara beleza em nossos orquidários.

Com este paradoxo em mente, decidi reunir as meninas floridas aqui do apartamento para uma selfie. Mentira, fui eu que tirei a foto e não apareço nela, por motivos óbvios. Coincidentemente, as quatro orquídeas em flor, no momento, apresentam formas e tamanhos bastante variados, de modo a ilustrar perfeitamente a reflexão que tento passar neste artigo. Mesmo dentro de um mesmo cacho de flores, como a inflorescência do Dendrobium victoria-reginae, acima à esquerda, vemos uma variação nas cores das flores. Embaixo, da esquerda para a direita, temos Laelia longipes (seus outros nomes encontram-se no link), Masdevallia infracta alba e Phragmipedium Sedenii. Mesmo sem premeditar, as orquídeas parecem ter combinado os vestidos para saírem na foto, com as cores coordenadas e um certo ton sur ton.

Todo este falatório orquidófilo é, na verdade, para expressar minha inconformidade com o fato de que nós, que nos consideramos seres racionais, temos tanto problema em aceitar o diferente. Quem dera fôssemos um pouco mais como as orquídeas que, embora diferentes e exóticas, não se agridem e nem se matam por esta questão. Ao contrário, convivem pacificamente, uma exaltando a beleza da outra.