Orquídea Cymbidium só floresce no inverno?


Orquídea Cymbidium híbrida
Cymbidium híbrido

Bem, não exatamente. Na verdade, em se tratando das Orquídeas no Apê, tudo pode acontecer. Inclusive, o mais comum é que as orquídeas do gênero Cymbidium simplesmente não floresçam por aqui, sendo inverno ou não. Mas, ocasionalmente, um Cymbidium temporão resolve dar o ar da graça, desabrochando em pleno início de primavera. Foi o caso deste belíssimo híbrido verde, com o labelo branco pintado de vinho. Aquelas combinações mágicas de cores que somente as flores são capazes de conceber.

A haste floral desta orquídea nasceu e cresceu de forma desapercebida. Quando a descobri, nos últimos dias do inverno, levei um susto. Fiquei impressionado com a rapidez com que o pendão se elongou. Os botões desenvolveram-se aceleradamente e pareceram desabrochar de um dia para o outro. Estou fazendo a exagerada, mas foi esta a impressão que tive.

No Hospital das Orquídeas, onde há uma grande quantidade de orquídeas Cymbidium, o mais comum é que as hastes comecem a surgir já no finalzinho do outono. O desabrochar, via de regra, ocorre no início do inverno, comme il faut. O interessante é que estas orquídeas moram a poucos quilômetros de distância daqui do apartamento. No clima da cidade de São Paulo, geralmente, o Cymbidium floresce sem maiores problemas. O principal empecilho para que este fenômeno ocorra costuma ser a falta de luminosidade. É uma orquídea que precisa de bastante luz para dar flores, tolerando inclusive sol direto.

Já em cidades de clima mais quente, a floração da orquídea Cymbidium costuma ser difícil de ocorrer. Apregoa-se, no meio orquidófilo, que colocar pedras de gelo no vaso, ao entardecer, ou regar a orquídea com água gelada, no início da noite, estimularia a floração do Cymbidium. Nunca cheguei a testar este procedimento, mas jamais ouvi um relato de que a técnica tenha funcionado. Também é comum ler recomendações de que se quebrem alguns novos brotos, para induzir o nascimento de hastes florais. Eu jamais teria coragem de fazê-lo.

No cultivo profissional do Cymbidium, para fins comerciais, é possível fazer com que esta orquídea floresça durante o ano todo, independentemente das estações. Isto porque o clima das estufas pode ser regulado de modo a simular a queda de temperatura típica do outono/inverno. Desta forma, é possível encontrar orquídeas Cymbidium floridas no mercado, em qualquer época.

Oportunamente, mostrarei outras fotos desta bela floração. Sempre escrevo isso e acabo tendo dificuldade para cumprir a promessa. Mas, cedo ou tarde, todas as imagens acabarão desfilando por aqui. Muito obrigado pela paciência!




Como cuidar de orquídeas no Estadão


Bate-papo ao vivo, direto do Estadão
Bate-papo ao vivo, direto do Estadão

Tudo bem com vocês, Pessoal? Venho dar uma explicação para a ausência de novos artigos aqui no blog, nas últimas semanas. Confesso que invejo este dom que as mulheres possuem, de realizar várias atividades ao mesmo tempo. Os neurônios delas devem trabalhar como os supercomputadores que eu operava durante o pós-doutorado, em processamento paralelo. Os meus, Tico e Teco, desafortunadamente, operam em modo serial, sendo assim capazes de fazer uma coisa de cada vez. Quando muito...

Nos últimos dias, estive envolvido em uma série de novidades e atividades que me deixaram bastante ansioso, mas muito realizado. Há algumas semanas, fui contactado pela Natália Mazzoni, jornalista do Estadão, que me convidou a participar de uma edição especial de primavera do caderno Casa Estadão, todo voltado para o cultivo de orquídeas. 

Esta pauta já estava nos planos da Natália e da Marina Pauliquevis, editora do caderno Casa, desde o ano passado. Apenas agora surgiu a oportunidade de realizá-la. Tivemos o prazer de receber a Natália Mazzoni, acompanhada do fotógrafo Zeca Wittner, aqui no apartamento, para uma entrevista sobre o cultivo de orquídeas neste tipo de ambiente. Infelizmente, apenas quatro orquídeas estavam floridas, na ocasião. Elas tiveram a sorte de participar de um ensaio fotográfico para a matéria, que foi capa do caderno que circulou na edição do Estadão deste último domingo, 18 de setembro de 2016.

Os artigos que a Natália Mazzoni escreveu sobre o assunto, de maneira impecável e bem didática, podem ser lidos no site do jornal, através dos links abaixo:



Nem preciso dizer o quão nervoso fiquei no período que antecedeu a entrevista. Nem tanto pelo conteúdo que eu iria abordar, mas muito pelo fato de morrer de vergonha do orquidário minúsculo e improvisado na sacada acanhada aqui do apartamento. Via as fotos belíssimas de ambientes finamente decorados e ricamente assinados, que costumam desfilar pelo caderno Casa, e ficava desesperado com a possibilidade de ter a precariedade das minhas meninas retratada em um jornal tão importante. Felizmente, apenas as orquídeas foram fotografadas, em um estúdio improvisado de forma genial pelo Zeca Wittner, com direito a fundo branco e infinito.

Posteriormente, fui convidado a participar de um live, evento ao vivo realizado pelo Estadão em sua página no Facebook. Novamente, quase derreti de tanta ansiedade. Só não morri porque fui extremamente bem tratado, recebido com o maior carinho pela Natália e pela Marina. Após a entrevista, elas tiveram a delicadeza de nos levar, eu e meus pais, por um tour às redações do Estadão. Foi um dia especial e inesquecível.

Após a transmissão da conversa ao vivo, o vídeo ficou disponível para visualização no Facebook. Ele pode ser acessado através do link abaixo:


Espero que gostem! Faço questão de deixar aqui registrado meu agradecimento especial à Natália Mazzoni e à Marina Pauliquevis por esta oportunidade rara, que me deixou bastante feliz e realizado.




Arundina, a orquídea bambu


Orquídea bambu - Arundina graminifolia
Arundina graminifolia

A orquídea bambu, também conhecida como orquídea da terra ou orquídea de jardim, é a única representante do gênero botânico Arundina. O nome é derivado da palavra arundo, que em latim significa cana. Seu nome científico é Arundina graminifolia (folhas semelhantes às da grama), mas também pode ser encontrada como Arundina bambusifolia (folhas semelhantes às do bambu).

De fato, estas nomenclaturas descrevem bem o porte imponente desta orquídea terrestre, com caule ereto e resistente, que pode ultrapassar os dois metros de altura. O conjunto do caule e da folhagem desta orquídea, bastante utilizada no paisagismo do mundo todo, remete-nos ao aspecto do bambu, justificando o fato desta planta ser popularmente conhecida como orquídea bambu ou bamboo orchid.

Embora ubíqua nos jardins brasileiros, há várias décadas, a orquídea bambu é uma planta asiática. Nativa das regiões tropicais da Tailândia, Índia, China, Singapura, Indonésia e Filipinas, a Arundina é uma planta que, por incrível que possa parecer, está sob risco de extinção em alguns dos seus habitats de origem. Estima-se que existam apenas 200 exemplares de orquídea bambu em Singapura, por exemplo, devido ao desmatamento e destruição de seu habitat original. Trata-se, contudo, de uma orquídea introduzida em vários países do mundo, amplamente cultivada com fins comerciais e ornamentais.

A orquídea bambu é uma planta bastante rústica e resistente, podendo ser plantada em jardins ou em vasos, diretamente na terra, desenvolvendo-se bem sob sol pleno. É importante que o solo seja bem adubado, rico em matéria orgânica e seja mantido sempre úmido. As pontas finas das folhas delgadas, que lembram a grama, tendem a amarelar e secar, quando cultivadas em ambientes muito secos. Para que a parte vegetativa cresça bonita e saudável, e para que a orquídea bambu floresça com frequência, é importante fornecer bastante luminosidade, de preferência sol direto, por várias horas ao dia. Em locais sombreados, a planta tende a sofre o processo de estiolamento, situação em que o caule afina-se e alonga-se em busca de luz, causando um crescimento anormal da orquídea. 


Orquídea bambu - Arundina graminifolia
Arundina graminifolia

Este, aliás, foi o problema que enfrentei quando inventei de cultivar esta orquídea bambu na varanda do apartamento. Para evitar o estiolamento, e o crescimento dos caules em direção à lateral, de onde vem a luz, passei a girar frequentemente o vaso, sempre posicionando-o nas áreas de maior incidência solar, nas regiões a salvo das telas de sombreamento, essenciais às demais orquídeas epífitas, também moradoras do local.

A floração da orquídea bambu pode ocorrer ao longo de todo o ano, sendo que seu ápice é atingido durante os meses do verão, estendendo-se até o outono. As flores surgem altivas, elegantemente a partir da extremidade superior das canas. A Arundina é conhecida por emitir flores de forma sequencial, ao longo de várias semanas. Infelizmente, cada flor individualmente tem pouco tempo de vida, durando de dois a três dias. No entanto, há sempre vários botões em formação, na fila de espera para desabrocharem.

As flores desta curiosa orquídea de jardim têm o aspecto semelhante ao de uma Cattleya. Também lembram as flores de outra orquídea terrestre bastante usada em jardins, a Sobralia. A coloração mais comum da Arundina fica entre o lilás e o rosado, sendo que existem orquídeas bambu nas variedades alba (toda branca) e semi-alba (branca com o labelo púrpura). Embora haja menções sobre seu perfume na literatura, confesso que nunca senti um aroma pronunciado nas flores desta orquídea.

Embora a orquídea bambu possa se reproduzir através de sementes ou pela simples divisão das touceiras, a maneira mais comum de se obter mudas é destacando os keikis, brotos que surgem em profusão nas laterais das canas. Este processo ocorre de forma mais acentuada após o final de uma floração. Basta esperar que as mudas estejam bem desenvolvidas, para então separá-las e plantá-las individualmente. O enraizamento nem sempre ocorre com sucesso. Portanto, quanto maiores forem os keikis, maiores as chances de sobrevivência da nova orquídea.

Não é à toa que a orquídea bambu é conhecida como orquídea de jardim. Neste ambiente, ela prospera imponente, formando belíssimas cercas vivas ou alegres maciços sempre floridos. Para alguns orquidófilos mais teimosos, dispostos a ter um pouco de trabalho, é possível cultivar uma Arundina em apartamento, desde que se tenha uma sacada bem ensolarada e alguma paciência.