Cuidando de orquídeas: 5 erros a serem evitados


Dendrobium Stardust
Dendrobium Stardust

Como cuidar de orquídeas da maneira mais correta possível? Mesmo com anos de experiência, muitos cultivadores acabam deixando passar alguns detalhes importantes. Para a maioria dos orquidófilos, que estuda e pesquisa sobre o cultivo de suas plantas, os erros listados a seguir podem parecer primários. Mas, surpreendentemente, muitos ainda incorrem em alguns destes equívocos.

1. Cortar a haste da orquídea


É bem verdade que a maioria das espécies e híbridos de orquídeas floresce apenas uma vez em cada haste. Após a queda das flores, a mesma seca e pode ser cortada, a partir da base. Existem, contudo, algumas exceções, como é o caso da orquídea Phalaenopsis, a mais comumente encontrada no mercado. Após o término da sua primeira floração, a haste pode emitir flores novamente, a partir de ramificações que nascem das gemas dormentes. Portanto, neste caso, não é regra que toda haste deva ser cortada. Fica a critério do dono. Se continuar verde, existe a possibilidade de florescer novamente ou emitir keikis, orquídeas bebês. Mais detalhes podem ser lidos no artigo abaixo:


2. Substratos perigosos para orquídeas


As raízes das orquídeas evoluíram de forma a serem capazes de aderir a uma série de materiais, como troncos de árvores ou pedras. Esta adaptação tornou possível o seu hábito peculiar de vida, epífito, de viver sobre outras plantas. Existem orquídeas terrestres, mas a grande maioria não tolera este material sobre suas raízes. A compactação da terra é muito grande, a umidade excessiva e a probabilidade de apodrecimento é alta.

Outro substrato polêmico é a argila expandida. Muitos orquidófilos experientes observaram que este material traz malefícios às raízes das orquídeas. Segundo eles, durante o processo de fabricação, a argila é misturada a elementos químicos que, quando aquecidos, podem causar toxicidade à planta. Outro problema é que, devido à alta porosidade, este substrato tende a reter grandes quantidades de sais minerais provenientes da adubação. Esta alta concentração acaba gerando uma queimadura, que consiste na desidratação e morte do tecido vegetal das raízes.

Por fim, é bastante difundido no meio orquidófilo o prejuízo que a fibra de coco prensada, sob a forma de placas e vasos, causa às raízes das orquídeas. Segundo os especialistas, a cola utilizada para manter as fibras unidas é tóxica e prejudica o desenvolvimento e fixação da planta. Além disso, é um material que tende a reter bastante umidade, facilitando o apodrecimento das raízes, principalmente das orquídeas epífitas.

3. Perturbar os botões florais


A etapa de floração de uma orquídea, além de consumir bastante energia da planta, é um processo delicado que, sob circunstâncias não favoráveis, pode ser abortado. Portanto, na época de formação dos botões florais, é importante manter a orquídea a salvo de grandes mudanças de temperatura, correntes de ar  e sol intenso, por exemplo.

O simples hábito de regar a orquídea e molhar suas flores e botões florais pode ocasionar problemas. A umidade excessiva do tecido floral pode levar ao desenvolvimento de um fungo, Botrytis cinerea, que causa aquelas conhecidas manchas amarronzadas nas flores.

Da mesma forma, deve-se evitar borrifar substâncias químicas nos botões florais. Justamente durante esta etapa, várias pragas, como pulgões, costumam se instalar na planta, aproveitando a seiva adocicada que os botões expelem. Jogar inseticida, sabão, detergente ou água sanitária sobre estas estruturas delicadas pode fazer com que a floração seja abortada. Na melhor das hipóteses, a aparência das flores ficará prejudicada. O ideal é fazer a retirada manual. Até mesmo adubos químicos devem ficar longe do contato com os botões e flores, se quisermos preservar sua beleza.

4. Perturbar a orquídea florida


Justamente por ser uma etapa delicada do ciclo de vida de uma orquídea, a floração não pode ser perturbada por desenvases, transplantes ou podas de qualquer natureza. Muitos acreditam que, ao receberem a orquídea florida, devem imediatamente trocar o vaso de plástico por um mais bonito. Isso até pode ser feito, mas após o término da floração. Ainda assim, o vaso mais bonito pode não ser o mais funcional para a orquídea. Vasos grandes, com boca estreita ou muito altos são prejudiciais, já que precisarão de mais substrato para serem preenchidos e a água evaporará mais lentamente. Isto, por sua vez, dificultará a ventilação das raízes, mantendo-as úmidas por muito tempo. O vaso de orquídea ideal é o mais raso, bastante aerado, com furos inclusive nas laterais.

5. Prender a orquídea na árvore com vaso e tudo


Outra grande tentação das pessoas, ao ganharem uma orquídea, é o desejo de amarrá-las a uma árvore. Neste caso, o mais sensato é esperar que a floração termine. Um processo que costuma ocorrer uma vez por ano, e consome tanto da orquídea e do produtor, não merece ser arruinado com um desenvase precoce e uma mudança brusca de ambiente. 

Quando as flores já tiverem caído, e na época correta, respeitando o ciclo natural da orquídea, aí sim, podemos colocá-la na árvore, se for este o nosso desejo. O ideal é aguardar que novas folhas e raízes estejam nascendo, que a temperatura não esteja muito baixa (não se deve fazer o transplante no inverno) e que a orquídea não esteja florida nem em dormência. A primavera e o verão são estações propícias para este procedimento.

Por fim, é muito comum que se prendam orquídeas nos troncos das árvores com tudo o que se tem direito: vaso, tutor de arame, fitilhos, etc. Esta miscelânea de materiais artificiais vai atrapalhar o desenvolvimento da planta, favorecendo o surgimento de pragas e dificultando o enraizamento. O ideal é que apenas a orquídea, sem vaso e sem tutores, seja posicionada na árvore com uma pequena quantidade de musgo em torno das raízes, para evitar a desidratação nos primeiros meses de vida na nova morada.

Outro erro comum é amarrar a orquídea Phalaenopsis na posição vertical, a mesma na qual ela se encontra no vaso. Ocorre que, na natureza, ela está sempre na horizontal, com as folhas pendentes, de forma a se evitar o acúmulo de água e detritos no centro das folhas, local mais susceptível ao apodrecimento por excesso de umidade.


Embora aparentemente óbvios, estes conselhos talvez possam ajudar os cultivadores iniciantes a cuidar melhor de suas orquídeas. No começo, é comum lermos e ouvirmos um grande número de informações desconexas e, muitas vezes, contraditórias. Não sou o expert no assunto, mas deixo esta pequena contribuição que, a meu ver, é o consenso dos ensinamentos passados pelos cultivadores mais experientes.



33 comentários:

  1. Boa noite, Sergio.Estamos sempre aprendendo com os erros. Estou muito feliz por ter conseguido chegar ao final(=floração) de 2 meninas minhas. Sempre fico com medo de molhar demais e abortar os botões ou molhar de menos e dar tilte...rs. A Riffe red december e a Nobiles confetti traviú deram o ar com belas florações. O outono está me trazendo sabedoria...rs. Tudo de bom pra vc e grata sempre com o aprendizado em suas postagens.

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    1. Boa noite, Maria Elizabeth! Tudo bem? Que bom saber que suas orquídeas estão bem floridas! De fato, também fico apreensivo nesta fase. Parabéns!

      Mas imagine, eu que agradeço a você pelo carinho e apoio, sempre!

      Um grande abraço!

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  2. Excelente artigo, Sergio! Precisamos reavivar os lembretes clássicos, que tantas vezes esquecemos, no afã de termos plantas bonitas e exuberantes floradas. Parabéns e obrigada!

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    1. Oi, Alexia! Imagine, sei que isso é bem batido para você, uma cultivadora experiente! Mas fico muito feliz por saber que gostou, muito obrigado pelo comentário, sempre muito importante neste espaço!

      Um grande abraço!

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  3. BOA NOITE QUERIDO ...
    SIMPLESMENTE MAGNÍFICO ESTE ARTIGO .
    TENHO CERTEZA QUE SERÁ DE SUMA IMPORTANCIA A TODOS.
    JA APRENDI MUITA COISA C/ VC,PORTANTO VC PRA MIM É SIM UM EXPERT. BJK

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    1. Boa noite, Leila! Imagine, você sempre um amor de pessoa! Bondade sua, quem sou eu... Muito obrigado pelo carinho da sua visita, adorei!

      Grande beijo e tudo de bom!

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    1. Que bom saber, Pedro Paulo! Fico feliz, muito obrigado pela visita e pelo apoio!

      Um grande abraço!

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  5. Essas orientações são ótimas Sérgio, são as dúvidas mais frequentes nos cursos de cultivo. O plantio de orquídeas em árvores merece um artigo à parte, tamanhas barbaridades nós vemos por aí. Parabéns mais uma vez pela sua iniciativa. Bjs

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    1. Tudo bem, Solange? Que honra e que alegria saber a opinião de uma especialista no assunto, com tão rica experiência didática!

      Muito obrigado pelo apoio, que bom saber que gostou! Vou, sim, preparar um artigo sobre o plantio em árvores!

      Beijo grande!

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    1. Oi, tudo bem? Que bom que gostou, seja muito bem-vindo! Super obrigado pela visita!

      Um grande abraço!

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  7. Amo as orquídeas desde sempre ,mas tenho muito a aprender ,amei as dicas , logo postarei as mjnhas com flores ...

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    1. Oi, Benedita, que legal! Poste, sim, será um prazer conhecê-las. Que bom que gostou das dicas, muito obrigado pela visita!

      Um grande abraço!

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  8. ótimos conselhos e dicas ! a cada post , aprende-se mais um pouquinho !
    obrigada

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    1. Oi, Ines, tudo bem? Que alegria saber disso! Muito obrigado pelo carinho do seu comentário!

      Um grande abraço!

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  9. Como sempre, seus conselhos ajudando muito!!! Obrigada, Sergio!!!

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    1. Que bom que está gostando, Dani! Imagine, eu que agradeço a você pelo apoio e companhia aqui neste espaço!

      Um grande abraço!

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  10. Bom dia Sérgio!
    Sempre muito bom relembrar pequenos detalhes que no passar dos tempos vamos esquecendo e depois não lembramos o que fizemos de errado. Principalmente sobre o replante, para mim este sempre foi o mais complicado de se fazer ehehehhhe. Parabens!

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    1. Bom dia, Suzana! Tudo bem? É verdade, também tenho dificuldade nesta etapa. Geralmente, é quando perco algumas plantas. Mas que alegria ler sua mensagem, muito obrigado!

      Um grande abraço!

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  11. Oi, Sergio!
    Olhe tenho tido muitas alegrias e surpresas com minhas orquídeas. As hastes sempre florescem novamente e até mudas tem surgido. Fico encantada e muito feliz!

    Obrigada pelas dicas e orientações!

    Grande abraço!

    Rose

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    1. Tudo bem, Rose? Que alegria saber disso! Parabéns pelo cultivo e pelas florações! Imagine, eu que agradeço a você pela visita e por compartilhar sua experiência conosco!

      Um grande abraço!

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  12. Nada de óbvios Sérgio; pelo menos para mim muitos dos "conselhos" foram bastante úteis; alguns até inéditos! Obrigado e abraço!

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    1. Tudo bem, Jalo? Que alegria saber que gostou do artigo! Imagine, você é super experiente. Muito obrigado pela visita e pelo apoio do seu comentário!

      Um grande abraço!

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  13. Me emocionei com o término desse vídeo , fiquei muito triste ao saber que, não se deve cortar a haste da espécie FHALLENOPSIS ...pois fui orientada a cortar assim sendo, estou com duas sem floração e com as folhas bem murchas , replantei em vaso de cerâmica com furos laterias e replantei inclinadas como deve ser. estão somente no carvão e com a baixa umidade do ar em SÃO PAULO estou com regas moderadas , estão em minha sala onde tem luminosidade e sol pela manhã mas não as deixei expostas a luz solar estão mais próximas da claridade do que, do sol. não sei se devo mantê-las na sala pois são minhas 3 primeiras orquídeas, estou com uma FHAL , toda em flor e, essa agora aprendi com você , não cortarei a haste . infelismente as duas outras por falta de conhecimento eu cortei. chorei quando nesse vídeo lí que , não se deve cortar a haste , mas agora seguirei suas orientações e quem sabe consigo recuperar as duas que estão replantadas em carvão ainda não adubei pois não sei como adubá-las. se puder me orientar sobre adubação das fhaleanopsis ficarei agradecida . agora vou aprender mesmo graças a você .MEU ABRAÇO FRATERNO SERGIO OYAMA JUNIOR

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    1. Oi, Mariza, que pena! Sinto muito pelas hastes das suas orquídeas. Mas não se preocupe, novas florações virão, na época certa. Você está fazendo tudo certo, parabéns! Caso queira aumentar um pouco a umidade, nos meses mais quentes que virão, você pode adicionar um pouco de musgo sphagnum ao carvão. Mas há muitos que cultivam somente no carvão.

      A adubação pode ser do tipo NPK, com macro e micronutrientes. Você encontra fórmulas próprias para orquídeas, em supermercados e garden centers. Basta seguir as instruções do rótulo, borrifando semanal ou quinzenalmente.

      Muito obrigado pela visita e pelo apoio!

      Um grande abraço!

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    2. providenciarei a adubação quanto ao sphagnum já coloquei pois o ar sêco em SP, está cruel até para nós , minha gratidão criança amada SERGIO OYAMA JUNIOR muita páz !

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    3. Imagine, de nada! Para você também!

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  14. Sergio eu de novo tudo bem? Minha phal floriu e da haste ta saindo outra haste. Mas observei que da base dela está saindo outra haste que se está se curvando voltando para o substrato. Hoje fui olhar e tava quebrada a ponta dela. Porque ela curvou toda? Valeu se puder me explicar o que pode ter sido

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    1. Oi, Suzana, que pena! As hastes florais costumam se desenvolver em direção à luz, ao ponto mais luminoso. Portanto, é estranho que ela tenha se voltado para o substrato. Isso pode acontecer em varandas, onde a luz não vem de cima, e sim lateralmente. Caso o vaso esteja em local alto, a luz acaba incidindo por baixo. Mas que bom que há outra haste nascendo!

      Um grande abraço!

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  15. Olá Sérgio! Há um tempo admiro seu trabalho e sua escrita, sou amiga da Mariana Furukawa, uma querida demais!, fato é que ganhei uma orquídea em julho, acredito ser uma chuva de ouro oncidium, e estou cuidando dela agora, mas receio estar fazendo tudo errado! Vou aprofundar nas leituras! Estou encantada com o blog, um forte abraço

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    1. Oi, Adelina, tudo bem? Que bela coincidência! De fato, a Mariana é um amor de pessoa! Parabéns pela orquídea, torço para que dê tudo certo com ela. Caso tenha alguma dúvida, fique à vontade para me procurar.

      Que bom saber que está gostando do blog! Seja muito bem-vinda, super obrigado pelo carinho da sua visita!

      Um grande abraço!

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