Como entender sua orquídea


Mini-orquídea Laelia alaorii
Laelia alaorii

Aqueles que convivem com animais de estimação logo aprendem que pequenos sinais corporais, como um movimento de orelha ou o balançar de uma cauda, traduzem perfeitamente os sentimentos e pensamentos destes entes queridos. Com as nossas orquídeas, as coisas não são diferentes. Embora mais discretas e silenciosas, estas fascinantes criaturas estão constantemente dialogando conosco, relatando suas alegrias e dificuldades, através de seus componentes físicos.

Hoje, trago algumas dicas de como interpretar os sinais que as folhas, raízes, pseudobulbos e flores de nossas orquídeas nos enviam diariamente. Para ilustrar o artigo, trouxe um flagrante da Laelia alaorii em seu desabrochar, tricotando com a pérola da minha mãe.

1. Crescimento acelerado

Por vezes, assistimos orgulhosos ao crescimento vigoroso e bastante rápido de uma orquídea, sem suspeitarmos que algo de errado possa estar acontecendo. Quando submetidos a pouca luz, ou em ausência total dela, os vegetais sofrem um processo denominado estiolamento. Todos os seus componentes, caule, folhas e pseudobulbos, passam a se elongar aceleradamente, em busca de luz. Como resultado, estas estruturas estioladas tornam-se frágeis e delgadas, devido ao seu crescimento anormal. Observamos este fenômeno claramente quando cultivamos uma planta suculenta, que gosta de sol pleno, em local muito sombreado.

Nas orquídeas, o mesmo fenômeno ocorre. Portanto, toda vez que verificarmos folhas e pseudobulbos muito finos e compridos, é bom atentarmos para a quantidade de luz que a planta está recebendo.

2. As cores das folhas

Ainda em relação à luminosidade, outra mensagem clara que as orquídeas nos enviam vem através da coloração de suas folhas. De modo geral, o tom de verde ideal é aquele que se aproxima à cor da alface. Orquídeas com as folhas em um verde muito escuro, via de regra, estão recebendo menos luz do que deveriam. No outro extremo, um verde muito claro ou amarelado pode ser sinal de excesso de luminosidade.

Um artigo mais detalhado sobre este assunto pode ser lindo no link abaixo:



3. Pseudobulbos enrugados

Este é um sinal que costuma ser mal interpretado. Orquídeas com os pseudobulbos em forma de cana, como as do gênero Dendrobium, costumam perder todas as folhas, tornando-se completamente secas e enrugadas. Muitos acreditam que suas orquídeas estão doentes ou morrendo, mas trata-se de um fenômeno normal, que antecede a floração.

Outro processo que também assusta muita gente, mas é natural, consiste no enrugamento dos pseudobulbos mais antigos. À medida que a orquídea de crescimento simpodial avança pelo vaso, as estruturas mais antigas vão perdendo sua função e naturalmente acabam enrugando. As folhas caem e estes pseudobulbos por fim secam e morrem.

No entanto, quando este fenômeno ocorre com pseudobulbos mais novos, na linha de frente do crescimento da orquídea, é sinal de que algo vai mal. Aqui, mais uma vez, estas plantas costumam ser mal compreendidas. As pessoas vêem a orquídea murchando e logo concluem que lhes falta água. Na maioria dos casos, está ocorrendo exatamente o inverso. Por excesso de água, as raízes acabam apodrecendo e morrendo, processo que leva à desidratação da planta.

Folhas mais suculentas, como as da orquídea Phalaenopsis, também costumam ser um excelente mostrador do que ocorre com as raízes da planta. Ao menor sinal de desidratação, estas folhas 'derretem'. Tornam-se bastante moles e murchas, mas podem voltar ao normal quando as condições de umidade são corrigidas ou quando a saúde das raízes é restabelecida.

Um artigo específico sobre água, regas e umidade pode ser lido através do link abaixo:



4. Raízes secas

Quando comecei a cuidar de orquídeas, o que mais me fascinava era observar o crescimento das raízes. Chegava a olhar várias vezes por dia. No entanto, o que me deixava frustradíssimo era perceber que elas não costumavam ir muito longe. Após alguns centímetros de crescimento para fora do vaso, invariavelmente, aquela bela pontinha verde acabava secando.

Cheguei a me conformar, achando que era assim mesmo, até que visitei um orquidário de verdade, com a umidade relativa do ar em níveis corretos. Para minha surpresa, conheci Laelias e Cattleyas em vasos suspensos, ostentando raízes que iam até o chão. Mais compridas do que as de muitas Vandas que vi por aí. O segredo é que elas só se desenvolvem adequadamente quando os níveis de umidade relativa do ar estão acima de 60%. No apartamento, como é difícil controlar este parâmetro, as raízes só se desenvolvem enterradas no substrato.

Outro fator que prejudica o desenvolvimento das raízes de orquídeas é o excesso de adubação química. Os sais acumulados queimam as pontas verdes em crescimento. Os adubos orgânicos, por serem muito concentrados, também podem queimar estas estruturas, quando em contato direto com as mesmas.

Por fim, se plantamos nossas orquídeas muito soltas no vaso, permitindo que balancem, acabamos impedindo que as raízes progridam. Na fase inicial do desenvolvimento, as pontas verdes destas estruturas são muito frágeis. O constante atrito com o substrato faz com que elas sequem e parem de crescer.

5. Manchas nas folhas

Nem toda as manchas nas folhas de nossas orquídeas são sinais de doenças. Existem máculas perfeitamente normais, como as pintas vermelhas que surgem nas orquídeas cujas flores têm um colorido mais intenso. Esta pigmentação da flor também se revela nas folhas, pseudobulbos e pontas das raízes, principalmente quando expostas a altos níveis de luminosidade.

Outro sinal bastante comum, infelizmente, é aquele causado pela exposição excessiva da orquídea ao sol. Neste caso, as folhas adquirem inicialmente um aspecto esbranquiçado, que com o tempo vai se tornando mais escuro. A aparência é típica de queimadura, mas pode ser confundida com um ataque de fungos. O fato é que a lesão causada pelos raios solares acaba abrindo as portas para que infestações oportunistas se instalem na folha.

Insetos, tanto os sugadores quanto os raspadores, também costumam causar grandes estragos às folhas das orquídeas. A lista é interminável: pulgão, cochonilha, tenthecoris, tripes, lagartas, etc. Os ácaros, embora não sejam insetos - são parentes das aranhas e carrapatos - também causam lesões na superfície da folha e são difíceis de serem identificados, devido ao seu tamanho microscópico.

Por fim, existe uma legião de fungos, bactérias e vírus que podem deixar suas marcas e malefícios nas nossas orquídeas. Para saber exatamente do que se trata, somente com a ajuda de um profissional da área, o engenheiro agrônomo. Também é ele a pessoa credenciada para receitar os medicamentos apropriados para cada situação.

Oportunamente, em um artigo específico, falaremos detalhadamente sobre pragas em orquídeas.

Existem também uma série de sintomas causados por deficiência ou excesso de nutrientes. No entanto, estes sinais são mais complexos e geralmente são corrigidos por profissionais. Se fornecermos uma adubação balanceada, os riscos de que estes problemas aconteçam são mínimos.


Muitos afirmam que é necessário falar com as plantas, para que elas cresçam e floresçam. Não sei se é verdade. O que posso afirmar, com certeza, é o contrário. Elas é que falam e cabe a nós tentarmos compreender esta linguagem, de modo a corrigir nossas falhas e aprimorar nosso cultivo.


Video: Como cuidar de orquídeas: Flores e botões

Como manter as flores das orquídeas saudáveis e bonitas por mais tempo. Dicas para conservar botões florais e orquídeas floridas por períodos mais prolongados, com procedimentos simples de serem adotados.

28 comentários:

  1. Respostas
    1. Tudo bem, Maria Rita? Imagine, bondade sua! Que bom que gostou, muito obrigado pelo carinho!

      Um grande abraço!

      Excluir
  2. Vou repetir a Maria Rita: que aula!! Obrigada e um grande abraço..

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Alexia! Você sempre generosa, eu que agradeço por todo o apoio e carinho, sempre! Que bom que gostou!

      Um grande abraço!

      Excluir
  3. Olá Sérgio quanto tempo! Estava sem tempo nas últimas semanas, mas finalmente estou mais tranquila, e consegui ler seus posts novamente. Muito informativo o post, sempre é bom relembrar os cuidados que devemos ter com as orquideas. Vendo a foto que usou para ilustrar, acabei me lembrando da minha Laelia alaorii alba, que infelizmente sofreu com uma friagem que deu na minha cidade, e frio+umidade não combinam… resultado: pegou fungo e morreu, e mais triste ainda foi por ela estar com duas frentes e botões prestes a abrir. Agora estou na luta de achar novamente um exemplar, muito difícil, mas um dia consigo :) Bjos e abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Cíntia! Tudo bem? De fato, há quanto tempo! Que ótimo vê-la de volta, seja muito bem-vinda! Fico feliz por saber que gostou do post, muito obrigado pelo apoio!

      Que pena, sinto muito pela sua Laelia alaorii alba. A minha foi presente do André Merez. Torço para que você encontre outra em breve, vale a pena cultivá-la. Nem que seja uma tipo, também é linda!

      Muito obrigado pela visita e pelo comentário, adorei!

      Um grande beijo e até mais! :)

      Excluir
  4. Oi Sérgio! Muito obrigado por estas informações, sem dúvida mt úteis e diretas, simples, ao tempo que detalhadas! Enfim, acho que tds que começam a cultivar orquídeas deveriam ter o gosto de ler esta sua postagem!
    Grande abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo bem, Jalo? Que bom que gostou das informações! Imagine, eu que sempre agradeço a você pelos comentários e pelo apoio a este trabalho! Muito obrigado por tudo!

      Um grande abraço!

      Excluir
  5. Ola Sergio tudo bem? Sempre acompanho seu blog mas e a primeira vez que escrevo. Tem muitas informações boas e explicadas de forma simples e objetiva, assim, nos principiantes nao morremos de tanta informação sem na verdade compreender a mesma. Sobre a umidade do ar que tanto se comenta, como podemos ter uma noção do nivel e como melhorar isso? Tenho abaixo dos vasos de orquideas pedras que procuro manter sempre úmidas sem ficar em contato com as raizes direto e molho o chao tb mas parece que elas estao ficando desidratadas mesmo assim. Alguma recomendação?
    Desde já obrigada

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Suzana, tudo bem? Por aqui, tudo em ordem! Fico feliz por saber que está gostando do blog!

      Quanto à umidade, o modo ideal para controlá-la é através de um higrômetro. Há aparelhos que têm um termômetro também acoplado. Este medidor dará o nível exata de umidade relativa do ar no seu orquidário. Você está certa ao manter as pedras e o piso úmidos, ajuda bastante. Caso não seja suficiente, pode usar bandejas com areia, argila expandida ou brita debaixo dos vasos. Neste caso, você precisaria deixar uma lâmina de água ao fundo, de modo que não encoste diretamente no vaso. Não sei se é este o método que já utiliza. Por aqui tem funcionado bem.

      Muito obrigado pela visita, caso tenha alguma outra dúvida, fique à vontade para perguntar!

      Um grande abraço!

      Excluir
  6. Olá, Sérgio! Tudo bem? como você melhora a umidade em seu apê?
    as bandejas que você citou em outro post resolvem o problema?
    abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo bem, Marcelo? Por aqui, tudo certo! Coincidentemente, mencionei este assunto na resposta à Suzana, um pouco antes. De fato, estas bandejas ajudam bastante. Outra coisa que mantém a umidade por mais tempo é o uso de vasos de plástico. O substrato também influencia. Particularmente, tenho obtido bons resultados com o musgo sphagnum. Acho que este conjunto de medidas é suficiente para cultivar orquídeas em ambientes muito secos.

      Caso tenha outras dúvidas, estou à disposição! Muito obrigado pelo contato!

      Um grande abraço!

      Excluir
  7. VINICIUS A M XAVIER15 de maio de 2015 21:25

    Oi Sergio, que maravilha de texto, passei a entender vários problemas q venho enfrentando com minhas orquídeas. Você já pensou em publicar um livro com as dicas do Orquídeas no apê ? Seria um sucesso.
    Parabéns.
    Vinicius Xavier

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Vinicius! Tudo bem? Que bom saber que gostou do texto, fico feliz! Muito obrigado pela visita e pelo apoio! Acho esta sua ideia excelente, já me passou pela cabeça, mas por enquanto é apenas um sonho distante! Quem sabe, um dia não se torna realidade? Agradeço pela sugestão!

      Um grande abraço!

      Excluir
  8. Olá, Sérgio. Em primeiro lugar, parabéns pelos posts, realmente nos tiram muitas dúvidas quanto ao cultivo das orquídeas em aps.

    Vou ficar de olho nas suas atualizações e dar um “up” no meu mini-orquidário, que pretendo aumentar quando mudar para um ap com varanda um pouco maior.

    Eu tinha esperança de conseguir encontrar a resposta para meu caso, mas após ler seu post “Phalaenopsis – Floração 2012″, percebí que tínhamos o mesmo problema. Minha planta desenvolveu três caules de botões, fiquei hiper feliz achando que ela tinha aprovado a instalação (rs), resolvi trazê-la para dentro de casa para evitar o vendo, mas mais da metade dos botões caíram antes de abrir.

    Obrigado pelas dicas. Vou virar leitor assíduo do seu blog e ficar informado de futuras palestras em SBC, já que moro em SA.

    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Rui José! Tudo bem? Que bom saber que está gostando dos posts, muito obrigado pelo apoio!

      De fato, esta questão do aborto de botões em Phalenopsis é bem comum, infelizmente. Às vezes, ocorrem pequenas variações de temperatura, umidade, ventilação, que são difíceis de serem controladas.

      Neste ano eu não darei palestra em SBC, ao menos não me falaram nada. Mas tomara que haja outras no futuro!

      Muito obrigado pelo comentário, seja muito bem-vindo!

      Um grande abraço!

      Excluir
  9. Olá Sérgio, é um enorme prazer te conhecer!
    Estou fascinada por suas orientações.
    Sou nova ainda no cultivo de orquídeas, tenho uma, mas não floresceu nesse ano, por isso venho buscar ajuda.
    Não sei qual é a minha orquídea, portanto não posso ser mais específica, porém vou experimentar deixá-la pegar o friozinho da noite e mudar para mais próximo à janela sem sol direto.
    Moro em Brasília, e o clima daqui é bem complicado, mas estou atenta aos seus posts e vou observar cada item nas folhas, brotos e principalmente nas raízes.
    Um forte abraço e obrigada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Cíntia, tudo bem? Seja muito bem-vinda! O prazer é todo meu!

      Que bom saber que teremos sua companhia. Fique bem à vontade para perguntar o que quiser. No que eu puder ajudar, estou à disposição! Caso você tenha uma foto da flor, experimente postá-la em alguma rede social e eu tento identificá-la.

      Muito obrigado pela visita e apoio!

      Um grande abraço!

      Excluir
  10. oi sergio foi um prazer queria saber eu comprei bastante mudas de orquedias e tirei do vaso pequeno e coloquei no vaso maior moro em apt e coloco sempre perto do vitro da area de servico posso deixar sempre para ela tomar o sol da manha nao direto fica 2horas nao direto e outra pergunta eu coloquei terravegetal pode responda para mim um forte abraço muito obrigado bj

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Odete, tudo bem? A maioria das orquídeas não é cultivada na terra. Existe um substrato específico para orquídeas, composto por casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. É vendido em casas de jardinagem. O sol da manhã é ótimo para as orquídeas, acho que você escolheu um bom local. Muito obrigado pela visita, seja muito bem-vinda!

      Um grande abraço!

      Excluir
  11. hum… eu não sabia que era necessário estar atenta a tentos detalhes para se ter orquídeas,isso é muito útil acho que lendo mais terei um sucesso maior com as próximas orquídeas no apê.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Luisa, tudo bem? Pois é, são vários detalhes que, com o tempo, tornam-se rotina! Muito obrigado pela visita e interesse, torço para que suas orquídeas fiquem belíssimas no seu apê!

      Um grande abraço!

      Excluir
  12. Maravilhoso seu post. Me ensinou e esclareceu muito. As daqui tem 2 fontes jorrando e ouvem frequentemente classicos e canto de pássaros. Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom saber que gostou, Ana Lucia! São privilegiadas as suas orquídeas, que belíssimo ambiente! Parabéns e muito obrigado pela visita!

      Beijos!

      Excluir
  13. Estou aprendendo muito obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo bem, Rogerio? Fico feliz por saber que está aproveitando! Imagine, eu que agradeço a você pela visita e pelo comentário!

      Um grande abraço!

      Excluir
  14. ola sr Sérgio, parabéns pelas dicas sensacional.
    sobre folhas de algumas cattleyas e laelias, estão rígidas e quebradiças, partindo-se no meio das folhas com facilidade. o que vc imagina que seja e recomendações.. agradeço desde ja e um forte abraço!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Gabriel, tudo bem? Que bom, muito obrigado pelo apoio!

      Pela sua descrição, as folhas estão com sinal de desidratação. Isso pode acontecer quando as raízes estão com problemas, seja por falta ou por excesso de água. Minha sugestão é que você veja como estão as raízes e tente corrigir a causa do problema.

      Um grande abraço!

      Excluir